Blogs e Colunistas

Arquivo da categoria best-seller

21/05/2013

às 14:32 \ best-seller

Leia trecho do novo Hosseini, que chega ao mundo hoje

Tem lançamento nesta terça-feira, em todo o mundo, O Silêncio das Montanhas (tradução de Claudio Carina, Globo Livros, 352 páginas, 39,90 reais), novo livro de Khaled Hosseini, o escritor afegão que estourou em todo o mundo há dez anos com O Caçador de Pipas, que só no Brasil vendeu mais de 2 milhões de exemplares. O Silêncio das Montanhas, que já é o terceiro em vendas no site mundial da Amazon, sai no país com tiragem inicial de 500 000 cópias, a mesma de outro candidato a ser o best-seller do ano, Inferno, de Dan Brown.

O livro parte da forte relação entre dois irmãos, Pari e Abdullah, moradores de uma aldeia de Cabul, para explorar os laços familiares, a surpresa e a solidariedade que as pessoas podem trazer e a sensação de se viver no exílio.

 

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

18/05/2013

às 7:55 \ best-seller

Leia trecho de ‘Inferno’, de Dan Brown, que sai na segunda


Ele foi até Dante Alighieri para buscar inspiração para o novo livro, o primeiro em quatro anos. Alguns podem comparar o movimento do americano Dan Brown ao executado pelo brasileiro Paulo Coelho ao flertar com — ou seria tentar associar seu nome a — o argentino Jorge Luis Borges em O Aleph. Afinal, ambos, diriam os críticos, se inspiraram em mestres  indiscutíveis da arte de narrar e os fizeram se remexer na tumba. A fórmula pode ser questionável, mas vende. A aposta para Inferno, livro que a Arqueiro lança nesta segunda-feira no país, seis dias após o lançamento mundial do livro, é alta. O título sai no país com tiragem inicial de 500.000 exemplares.

Não é à toa. Com hits do mercado editorial como Ponto de Impacto e O Símbolo Perdido, sem falar em O Código Da Vinci e Anjos e Demônios, ambos vertidos para a tela do cinema por Ron Howard, Brown já vendeu mais de 150 milhões de exemplares em mais de 50 idiomas, 4,7 milhões no Brasil. É desses livros, aliás, que sai o simbologista Robert Langdon, protagonista de mais um enredo de história, arte e suspense. Aqui, Langdon desperta de um pesadelo com uma mulher de cabelos grisalhos em frente a um mar de moribundos. E se dá conta de que está em um hospital em Florença, aonde não sabe como foi parar. Ele não tem muito tempo para colocar as ideias no lugar, porque um atentado contra ele dentro do hospital o obriga a fugir — o que faz com a ajuda da médica Sienna Brooks.

Cabe a Sienna encontrar a peça que vai desencadear de vez o thriller de Inferno: um tudo de metal com o ícone de ameaça biológica na lateral, que estava no paletó do paciente. Langdon não se arrisca a abrir o tudo e procura o consulado dos Estados Unidos, quando então descobre o governo americano — o governo do seu próprio país — destacou alguém para persegui-lo e matá-lo. Para escapar com vida de mais um romance de Dan Brown, ele precisará desvendar códigos criados por alguém que tem obsessão pela Divina Comédia, de Dante – aí a conexão com o gênio italiano. Em tempo: a comparação tem o seu porquê, mas é fato que Brown tem mais conteúdo, por assim dizer, que Paulo Coelho. E não se preocupa em ser aceito entre os representantes a chamada grande literatura. Daí, talvez, seus livros serem mais divertidos.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

24/08/2012

às 17:30 \ best-seller, Eventos, mercado

’50 Tons’ puxa crescimento astronômico da Intrínseca: 140%

O fenômeno Cinquenta Tons de Cinza já vendeu 200.000 exemplares no Brasil

O fenômeno Cinquenta Tons de Cinza já vendeu 200.000 exemplares no Brasil

Em comparação com a edição anterior da Bienal do Livro de São Paulo, a editora Intrínseca mais que dobrou seu faturamento este ano: teve um crescimento de 140%. Cinquenta Tons de Cinza, livro de E. L. James que já soma 200.000 exemplares vendidos no Brasil, contribuiu significativamente para o número. Durante os dez dias que durou a última Bienal, a obra vendeu sozinha 2.200 exemplares — mais que Agapinho, a versão infantil de Ágape, de Padre Marcelo Rossi.

Outro fator que contou a favor da Intrínseca nesta edição da feira foi o tamanho de seu estande. Dois anos atrás, a editora tinha um espaço de 50m², área que em 2012 passou para 120m². O sucesso inesperado de A Culpa É das Estrelas, de John Green, também colaborou. O título foi o segundo mais vendido da Intrínseca na Bienal, com 1.270 exemplares.

A 22ª edição da Bienal do Livro de São Paulo reuniu 750.000 visitantes no Anhembi e teve resultado positivo para grandes editoras, impulsionadas pela presença de autores de apelo comercial e pelas vendas de títulos infanto-juvenis.

Tortura – Enquanto faz sucesso em todo o mundo, o best-seller de E. L. James também levanta polêmica. No puritano país de Obama, um grupo de auxílio a mulheres que sofrem violência doméstica planeja queimar cópias de Cinquenta Tons de Cinza, o qual acusam de incitar a violência sexual, de acordo com notícia do jornal britânico The Guardian.

Na história, que inicialmente era uma fan-fiction (releitura de fã) da melosa saga Crepúsculo, uma estudante de jornalismo se submete a um rico empresário, adepto de rituais sadomasoquistas.

Meire Kusumoto

 

Cinquenta Tons de Cinza

E.L. James

INTRÍNSECA

Agapinho - Ágape para Crianças

Padre Marcelo Rossi

GLOBO

Ágape

Padre Marcelo Rossi

GLOBO

Crepúsculo

Stephenie Meyer

Intrínseca

29/10/2010

às 9:12 \ best-seller

Clássicos da prosa universal em formato de bolso

Livro no Brasil não é um produto de feira. Seu preço, definitivamente, não permite que seja adquirido com facilidade no mercado. Mas há opções que, se não baratas, pelo menos oferecem preços mais  convidativos, como os livros de bolso. VEJA Meus Livros selecionou alguns clássicos da literatura relançados em versão mini, no Brasil, neste ano.

  • . Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley

(Globo de Bolso, 312 páginas, 13 reais)

Livro de 1931 que mantém a sua atualidade por tratar de perigos que atravessam as relações humanas em todos os tempos: a ambição, a sede de status e o amor ao poder – e a supostas verdades – que fazem com que uns se sintam autorizados a subjugar outros. Considerada a obra mais importante do britânico Aldous Huxley, é uma espécie de fábula futurista em que as consequências funestas de um regime totalitário são levadas ao extremo. Em um sistema científico de castas, a livre vontade perdeu lugar para um condicionamento metódico. Ideologias são inculcadas às pessoas à noite, durante o sono. A servidão humana é bem aceita e compensada com doses de felicidade química contidas no Soma, a droga do futuro.


  • . Eles Eram Muitos Cavalos, de Luiz Ruffato

(BestBolso, 148 páginas, 12,90 reais)

Um dos últimos romances brasileiros a fazer barulho, pela forma livre como o autor, o jornalista Luiz Ruffato, constrói a narrativa, Eles Eram Muitos Cavalos acaba de ganhar uma edição em formato pocket pela BestBolso, braço do grupo Record. O livro, cuja história se passa toda num único dia, o 9 de maio de 2000, é formado por 69 textos curtos que são pedaços do caos que é a metrópole paulistana. Como uma espiral vertiginosa, o romance envolve o leitor com sotaques e sangues diferentes, conflitos familiares, classes baixa e média e alta e baixa, poluição e sujeira no meio-fio, fés e orações, contos de amor e de ódio. Para não perder o fôlego nesse movimento contínuo, o melhor é sorver o livro num gole só, degustando cada experimentação feita pelo autor: do trato dado às palavras à formatação do texto.

  • . Respiração Artificial, de Ricardo Piglia

(Companhia de Bolso, 200 páginas, 19 reais)

Considerado um dos maiores romances da literatura argentina, foi publicado pela primeira vez em 1981, durante a ditadura militar portenha, cuja tensão ecoa no livro. Conta a história da relação epistolar entre Emilio Renzi, alter ego recorrente de Piglia, e seu tio Marcelo. Renzi é um escritor iniciante, que faz uso, em seu primeiro livro, da versão da vida do tio narrada por sua família. Marcelo lê o romance e escreve ao sobrinho, esclarecendo os motivos de seu sumiço, diferentes daqueles que os parentes alimentam: ele esteve preso não por roubar a ex-mulher, mas por suas posições políticas. A partir daí, Renzi é atirado em uma trama com estilo detetivesco em que política, história e literatura se trançam, gerando suspense e profundidade. Vale a pena atentar às teorias de Renzi para a obra de alguns autores argentinos, especialmente para a de Borges, que, segundo o personagem, encerra a tradição da arte de influência europeia.


  • . Baterbly, o Escriturário, de Herman Melville

(Rocco Jovens Leitores, 96 páginas, 19,50 reais)

Do mesmo autor de Moby Dick, é constantemente comparado a O Processo, de Kafka, por conta de seu personagem principal: um copista que é esmagado pelo cotidiano no escritório. De tanto fazer a mesma coisa, copiar textos jurídicos horas e horas por dia, Baterbly vai se tornando repetitivo. Rejeita qualquer nova função com a mesma frase – “Prefiro não fazer” – e, nesse processo de robotização, vai perdendo as cores humanas e se tornando alheio ao mundo. A história é narrada em primeira pessoa por seu último patrão, um advogado de idade avançada.

Maria Carolina Maia

04/09/2010

às 9:13 \ best-seller, Entrevista

Eduardo Bueno: como a história se repete no Brasil

O jornalista Eduardo Bueno (Divulgação)

Um povo que não conhece a própria história está fadado a repeti-la. E, é o que se diz, o brasileiro não tem memória. Embora chavões, essas sentenças são, para o jornalista Eduardo Bueno, verdades que se cruzam de modo comprometedor para o Brasil. “Lula se anunciando como pai do povo no horário eleitoral é uma repetição de Getúlio Vargas”, diz. “O que revela que o Brasil ainda é um país com viés paternalista, onde as pessoas acham que a solução tem de vir dos outros, que a sua responsabilidade é quase nenhuma.” Autor de numerosos e bem vendidos livros de história, Bueno está sempre de olho no país. Um olhar que, para alguns especialistas, carece de formação acadêmica.

Ainda que não seja unanimidade entre historiadores, com cerca de 600.000 exemplares comercializados, Bueno é um fenômeno editorial. O primeiro do hoje avolumado nicho de livros de história, que inclui nomes como Laurentino Gomes, autor de 1808 e 1822, livro a caminho do mercado, Mary Del Priore, autora de Uma Breve História do Brasil e o também jornalista Leandro Narloch, autor de Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil – os dois úlrimos estão na lista de livros mais vendidos de VEJA, para onde Laurentino deve rumar. “Eu inventei esse mercado”, diz Bueno, sem falsa modéstia. E sem mentir. Foi a partir do estouro de Brasil: uma História – Cinco Séculos de um País em Construção, lançado em 2000 e relançado agora pela Leya, nova editora do gaúcho, que surgiram forças como a de Laurentino. Comenta-se, no mercado, que o autor de 1808 recebeu um adiantamento de cerca de 1 milhão de reais para publicar 1822 pela Ediouro (controladora da Nova Fronteira desde 2006) – cerca de 500.000 reais pelo livro e a mesma quantia por outros produtos.

Em entrevista a VEJA Meus Livros, Eduardo Bueno fala do surgimento e do crescimento do mercado de livros de história, da polêmica com acadêmicos e, é claro, de Brasil. Trecho de ‘O Brasil de Lula e do PT’, de ‘Brasil: uma História’.

.
.
Por que livro de história vende tanto no Brasil: é carência de intelecto ou de identidade?
O Brasil é um país espantoso, que deixa a gente inseguro quanto ao futuro. Agora, um pouco menos, por causa da aparente estabilidade da era Lula, que não se revelou o comedor de criancinhas que todos temiam. Mas acho que existe de fato uma curiosidade sobre o futuro do Brasil e isso desperta também interesse pelo seu passado. É aquela coisa de “Quem somos, de onde viemos, para onde vamos”. E tem também uma questão de identidade. As pessoas me perguntam muito, nas palestras que eu dou, se determinados hábitos que temos são mesmo legado português. É uma crise de identidade, e a introjeção de uma mentalidade colonizada. Mas, olha, cara, não se vendia assim antes de mim. Falo isso independentemente de ego.

Se esse terreno ainda era incerto quando você começou, por que decidiu se arriscar nele?
Primeiro, porque história era um assunto de que eu gostava. Segundo, porque, pela minha experiência no mercado editorial, sentia que havia uma demanda reprimida por livros de história no país. Eu percebia essa demanda desde os anos 1980, quando fiz uma coleção na editora LP&M sobre os grandes viajantes do período colonial – o Américo Vespúcio, o Cristóvão Colombo e o Pero Vaz de Caminha – e aquilo explodiu, vendeu muito. Então, eu ampliei a coleção e incluí Marco Pólo, que entrou para a lista de mais vendidos de VEJA, cara.

Foi aí que você resolveu escrever os próprios livros de história?
Teve mais uma coisa que contribuiu para a minha decisão. Três que caras confirmaram o que eu pensava: o Fernando Moraes, com o best-seller Olga, meu amigo Jorge Caldeira, o Cafu, que vendeu 180.000 exemplares de Mauá, e o Ruy Castro, que não faz exatamente história, mas livros com substrato ligado à área, como biografias de grandes brasileiros. Eu olhava tudo isso e me dizia, “É óbvio que as pessoas querem uma história do Brasil com mais sangue, com mais vida, com personagem de carne e osso, com mais ação e aventura, e com um texto jornalístico, não acadêmico”. E vi que havia um longo período do Brasil a ser explorado: o colonial. Porque esses três caras que eu citei trabalhavam com o passado recente, com o século XX – mesmo o do Barão de Mauá, porque ele, ao defender a industrialização do Brasil no século XIX, foi uma espécie de arauto do que viria. Resolvi ir fundo e pegar aquilo que estava aprisionado na sala de aula. Percebi que um livro com viés jornalístico iria atingir um público que estava querendo isso. Além do mais, estava se aproximando a comemoração dos 500 anos do Brasil, era um ótimo gancho para Brasil: uma História.

O que você costuma dizer aos que o criticam por não ter formação como historiador?
Pois é, até se criou uma falsa polêmica aí com alguns historiadores. Olha, preciso dizer que todos os historiadores que eu gosto e admiro são a favor do meu trabalho: o Nicolau Sevcenko, a Lilia Swcharcz, o José Murilo de Carvalho. Eles reconhecem que os meus livros despertaram um interesse sem precedentes por história colonial do Brasil. Mas dentro de certos círculos da academia houve, sim, revolta, indignação e o “feio sentimento da inveja”, como diz o meu amigo Augusto Nunes. Medíocres se manifestaram, dizendo que eu não estava preparado para fazer análises interpretativas, do que eu discordo.

Mas também acusaram você de cometer erros factuais. Isso procede?
Olha, cara, deve ter havido algum deslize típico de jornalista – com coisas menores. A edição original de A Viagem do Descobrimento teve 23 erros, depois corrigidos, e 21 deles eram de conversão de pesos e medidas – de léguas para quilômetros, por exemplo. Eu fiz os cálculos de cabeça e errei todos.

É verdade que você vai ficar milionário na Leya (risos)?
Eu ainda estou negociando valores com o Pascoal Soto (editor da Leya), mas não faço livro por menos de 120.000 reais, pagos como adiantamento – mais a porcentagem das vendas feitas a partir da reposição desse valor adiantado. E vai vir bastante coisa por aí. Eu escrevi 18 livros institucionais, obras feitas sob encomenda para empresas, por meio de contratos que me garantem a posse da obra após dois ou três anos. Três deles já retornaram para mim e o Pascoal quer lançar. Um, Avenida Rio Branco, é sobre a antiga avenida Central do Rio e foi escrito em comemoração dos cem anos da Caixa Econômica Federal, criada nessa via. Outro, o Passado a Limpo, que a princípio não deveria ir para o mercado, mas acabou indo, é sobre a história da higiene no Brasil e foi feito para a Kimberly & Clark. O terceiro se chama Produto Nacional e fala da história da industrialização no Brasil, a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Ao revisar Brasil: uma História, você fez mudanças apenas factuais ou também conceituais?
Sim. A maior parte das mudanças foi cosmética, mas fiz três alterações no conteúdo, duas porque a minha interpretação sobre os fatos mudou e outra porque surgiram novas evidências históricas – afinal de contas, e essa é uma coisa maravilhosa, o passado está sempre mudando, a história está sempre em construção. Tive de mudar a parte da pré-história devido aos novos descobrimentos arqueológicos no Brasil. E a parte dos jesuítas eu modifiquei porque, ao escrever o livro A Coroa, a Cruz e a Espada, para a coleção Terra Brasilis, eu estudei bastante a contra-reforma e concluí que a influência dos jesuítas havia sido mais nociva do que eu imaginava, por conta da supressão do hábito deleitura e do conhecimento. A reforma luterana estava toda ligada à leitura – da Bíblia e dos panfletos de Lutero. E na contra-reforma, articulada no Vaticano, mas posta em prática em Portugal e na Espanha, a leitura era tida como algo prejudicial. Outra alteração conceitual veio da minha pesquisa para Produto Nacional, quando eu concluí que D. Pedro II havia sido uma força reacionária com relação à indústria e à modernização. Ele tem um lado de que eu sempre gostei, o do interesse intelectual, que o levou a criar o Instituto Histórico e Geográfico, e o de conduzir sem estresse

suas relações com o Parlamento. Mas ele apostou no binômio escravidão-cafeicultura e obstaculizou o Mauá.

Pensando nessa reconstrução constante, você continua a ver o Brasil como a pátria do jeitinho, do corporativismo e da cordialidade?
Cada vez mais e no pior sentido. Somos a pátria do compadrio, do coronelismo, do nepotismo, da burocracia gigantesca e ineficiente, da falta de cidadania, de uma política tradicional podre, do jeitinho mais rasteiro. Piorou, pô. Claro que existe um outro lado, telúrico, da terra, do corpo do Brasil, que eu amo, a energia geológica e geográfica. E também certos aspectos do povo brasileiro, suas cores e sons, o lance do futebol. Mas o Brasil institucional é brabo.

Você é fã de On The Road, de Jack Kerouac. Não houve convite para colaborar com o filme do Walter Salles?
Não, e a minha cara de pau tem limite. Eu não consegui me oferecer. Mas o Walter Salles me mandou um e-mail, dizendo que quer fazer algo baseado em A Coroa, a Cruz e a Espada. É esperar para ver.

Maria Carolina Maia

04/09/2010

às 9:03 \ best-seller

Entenda por que Bueno é pop

A forma como o jornalista Eduardo Bueno tratou alguns dos personagens e passagens mais importantes da história do Brasil, dando a eles cheiro e cor, é a principal chave do seu sucesso. O que enriquece os textos de Bueno é uma espécie de gordura trans da história: detalhes menores que são ignorados por historiadores sérios (como os socos dados por D. Pedro I nos queixos das crianças que iam beijar a sua mão), mas que são capazes de dar sabor.

.
.
Trecho de ‘O Brasil de Lula e do PT’, de ‘Brasil: uma História’.
.
.

BANDEIRAS E ENTRADAS

Uma narrativa ágil e envolvente
“Eles eram os piratas do sertão. Perambulavam pelos atalhos, pelos planaltos e pelas planícies armados até os dentes, com seus sons de guerra e suas bandeiras desfraldadas. Eram grupo paramilitares rasgando a mata e caçando homens – para além da lei e das fronteiras; para aquém da ética. À sua passagem, restava apenas um rastro de aldeias e vilas devastadas; velhos, mulheres e crianças passadas a fio de espada; altares profanados, sangue, lágrimas e chamas. (…) Embora tenham sido heróis brasileiros, tornaram-se também os maiores criminosos de seu tempo”

Borba Gato
Bueno mostra que o bandeirante, homenageado (há quem duvide de que se trate de fato de uma homenagem) por uma horrenda estátua de ladrilhos em Santo Amaro, foi na verdade um criminoso. Como foram os bandeirantes em geral. Borba Gato arquitetou a morte do nobre de origem espanhola D. Rodrigo Castelo Branco, com quem não queria dividir os metais preciosos da região de rio das Velhas, sudeste de Minas Gerais. E depois, ao dividir o conhecimento que tinha sobre as minas com o então governador de São Paulo, o corrupto Arthur de Sá e Meneses, não apenas recebeu perdão – o assassinato de Castelo Branco caiu na conta de outrem –, como foi promovido a guarda-mor da região das minas.
.
.
.
A CHEGADA DA FAMÍLIA REAL

1808
Ao chegar ao Rio de Janeiro, a família real foi recebida com festa pelos moradores. Mesmo assim, “não pôde deixar de notar que, além de despojada, a cidade do Rio exalava ‘os odores mais pútridos’”, escreve o jornalista. A população, por sua vez, “apesar de extasiada com a visão de tanto fausto, também não foi capaz de ignorar a feiura de D. João VI e D. Carlota, nem os gritos alucinados de D. Maria I e as cabeças raspadas pelas cortesãs (por causa da epidemia de piolhos ocorrida a bordo das naus que transportaram a nobreza). Em poucos anos, o Brasil e a realeza iriam se acostumar com os próprios defeitos – embora só a nação de fato se modificasse.”

Pouso no Rio
O bem humorado texto de Bueno prova que a piada sempre foi um dos pontos fortes do Brasil.
“Para alojar milhares de nobres e cortesãos, cerca de 2.000 casas foram requisitadas. De início, muitos cariocas ficaram felizes em ceder seus lares, mas, ao perceber que a espoliação era feita sem rodeios e parecia ser permanente, revoltaram-se. Casas confiscadas eram marcadas com as letras P. R. (de ‘Príncipe Regente’). O povo logo passou a traduzi-las por ‘Ponha-se na rua’ ou ‘Propriedade roubada’.”

Carlota Joaquina
Personagem curiosa, foi exposta com todos os seus podres pelo autor. “Que horror. Antes Luanda, Moçambique ou Timor”, teria dito a princesa Carlota Joaquina ao chegar ao Rio. Ao sair, reza outra lenda, não teria proferido palavras melhores: “Nem dos calçados quero como lembrança a terra do maldito Brasil”, teria declarado, enquanto batia um sapato contra o outro, antes de embarcar na nau que a levaria de volta a Portugal, em 1821. Ambas as frases foram pinçadas e reproduzidas por Bueno, que lembra que, mais que morar no Brasil, Carlota Joaquina odiou ter de conviver com D. João VI, com quem era casada fazia 36 anos, mas não compartilhava moradia fazia 20. Segundo o jornalista, “realizada por uma questão de estado, a união foi vexatória desde o início: num dos primeiros encontros, a noiva mordeu selvagemente a orelha do noivo e jogou-lhe um castiçal no rosto.”

.
.
.

D. PEDRO I


D. Pedro I, o único belo da família
“Meu Deus! Como é feio! Meu Deus! Como é feia a princesa! Meu Deus! Como são todos feios. Não há um só rosto gracioso entre eles, exceto o do príncipe herdeiro.” Foi essa a anotação feita pelo embaixador da França em Lisboa, Andoche Junot, ao retornar de uma audiência com o regente de Portugal D. João VI, em abril de 1805. Ele nem podia imaginar de que maneira o príncipe herdeiro, futuro D. Pedro I do Brasil, se valeria dessa diferença física que tinha em relação ao resto da família.

18 nomes e sobrenomes
Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pasqual Sipriano Serafim de Bragança e Bourbon. Era esse o nome todo de D. Pedro I, e Bueno faz questão de transcrevê-lo, na íntegra, em seu livro.

Um príncipe meio selvagem
De acordo com o jornalista, nem D. João VI nem D. Carlota se preocuparam com a educação do filho Pedro, mesmo após a morte de seu irmão mais velho, Antônio, acontecimento que o deixou na dianteira na linha sucessória do trono português. Criado solto em uma fazenda tomada dos jesuítas, a 80 quilômetros do Rio, o pequeno Pedro andava sozinho na mata, brigava de pau e soco com outras crianças e bolinava escravas. A rudeza dessa criação o acompanhou à vida adulta. Nas cerimônias oficiais, durante o beija-mão, tolerava o cumprimento de adultos, mas, se uma criancinha se aproximasse, ele a socava no queixo.

As amantes
“A partir dos 16 anos, D. Pedro adquiriu fama de amante insaciável. Os nobres português e ricos brasileiros escondiam as filhas quando o príncipe passava. A primeira da série de incontáveis amantes foi a bailarina francesa Noemi Thierry, com quem D. Pedro teve um filho (natimorto), antes que seus pais enviassem a moça de volta a Paris. Embora tenha tido – ou tentado ter – relações sexuais com praticamente qualquer mulher que visse pela frente, a grande paixão de D. Pedro foi Domitila de Castro, que ele fez marquesa de Santos e que lhe deu quatro filhos. (…) D. Pedro a levou para morar em frente do palácio. O caso tornou-se público. D. Leopoldina morreu em seguida – de desgosto, segundo o povo. Forçado a se casar de novo, D. Pedro dispensou a amante, em 1829. mas não sem escândalo: ao descobrir que o imperador tinha um caso com sua irmã, Maria Bendita, Domitila tentou matá-la.”

Maria Carolina Maia

20/08/2010

às 15:56 \ best-seller, Eventos

Série ‘Percy Jackson’ chega ao fim com encontro de fãs

O historiador Rick Riordan, autor de 'Percy Jackson'

O historiador Rick Riordan, autor de 'Percy Jackson'

A exemplo do que fez no lançamento de A Breve Segunda Vida de Bree Tanner: uma História de Eclipse, o mais recente livro da best-seller Stephenie Meyer, a editora Intrínseca organiza encontros de fãs para promover a chegada do último livro da saga Percy Jackson e os Olimpianos. Percy Jackson é um fenômeno de vendas mais modesto que Crepúsculo, mas não desprezível: com quatro livros já lançados, a série contabiliza 550.000 exemplares comercializados no país – no mundo todo, são 15 milhões, além de adaptação para o cinema. Os encontros acontecem neste sábado e domingo, em 21 cidades (confira abaixo).

A Intrínseca fecha a série com um lançamento duplo: além de O Último Olimpiano, livro final da saga, a editora publica Os Arquivos do Semideus, espécie de guia para fãs, com perfis ilustrados dos personagens, jogos, um mapa e três histórias inéditas de Percy Jackson.

Escrita por um historiador, Rick Riordan, a saga de Percy Jackson faz livre uso da mitologia grega, que é trazida para os tempos atuais. O personagem principal, que dá título à série, é um adolescente que, um dia, descobre ser filho de Poseidon e é acusado de de ter roubado o raio de Zeus, o maior dos deuses do Olimpo. A partir daí, uma série de tramas se desenrola, levando à batalha final entre deuses e titãs nas ruas de Manhattan, em O Último Olimpiano. E levando a garotada a se interessar por mitologia.

Como Crepúsculo, Percy Jackson tem fãs cativos – alguns até chamam o autor da série de “Tio Rick”. E alguns praticam Cosplay (abreviatura de Costume Play, a prática de se fantasiar) de seus personagens.

. Belém (PA)
Saraiva MegaStore – Boulevard Shopping, dia 21 de agosto, às 16h

. Belo Horizonte (MG)
Livraria Leitura – BH Shopping, dia 21 de agosto, às 14h

. Brasília (DF)
Saraiva MegaStore – Shopping Pátio Brasil, dia 21 de agosto, às 16h

. Cuiabá (MT)
Livraria Janina – Shopping Pantanal, dia 21 de agosto, às 16h

. Curitiba (PR)
Saraiva MegaStore – Crystal Plaza Shopping, dia 21 de agosto, às 16h

. Florianópolis (SC)
Saraiva MegaStore – Shopping Iguatemi, dia 21 de agosto, às 16h

. Fortaleza (CE)
Saraiva MegaStore – Shopping Iguatemi, dia 21 de agosto, às 16h

. Goiânia (GO)
Saraiva MegaStore – Flamboyant Shopping, dia 21 de agosto, às 16h

. João Pessoa (PB)
Saraiva MegaStore – Shopping Manaíra, dia 21 de agosto, às 16h

. Juiz de Fora (MG)
Saraiva MegaStore – Independência Shopping, dia 21 de agosto, às 16h

. Manaus (AM)
Saraiva MegaStore – Manauara Shopping, dia 22 de agosto, às 16h

. Natal (RN)
Livraria Siciliano – Shopping Midway Mall, dia 21 de agosto, às 16h

. Teresina (PI)
Livraria Universitária – Shopping Riverside Walk, dia 21 de agosto, às 16h

. Porto Alegre (RS)
Saraiva MegaStore – Praia de Belas Shopping, dia 21 de agosto, às 16h

. Recife (PE)
Saraiva MegaStore – Shopping Recife, dia 21 de agosto, às 16h

. Rio de Janeiro (RJ)
Livraria da Travessa – BarraShopping, dia 21 de agosto, às 16h

. Salvador (BA)
Saraiva MegaStore – Shopping Iguatemi, dia 21 de agosto, às 16h

. São Paulo (SP)
Estande da Editora Intrínseca – Bienal do Livro de São Paulo, dia 21 de agosto, às 15h

. Porto Real (TO)
Livraria Porto Real – Porto Nacional, dia 22 de agosto, às 16h

. Uberlândia (MG)
Saraiva MegaStore – Center Shopping, dia 21 de agosto, às 16h

. Vitória (ES)
Saraiva MegaStore – Shopping Vitória, dia 21 de agosto, às 16h

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados