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14/11/2010

às 19:20 \ Entrevista, Eventos

Agualusa lança livro e defende Nobel de Vargas Llosa

O angolano José Eduardo Agualusa é figura recorrente dos festivais de literatura brasileiros, que tanto o ajudam com o orçamento doméstico como o deixam otimista em relação ao futuro da leitura no país, já que as festas são capazes de estimular o surgimento de novos leitores. Em suas andanças, neste ano, já esteve no Festival da Mantiqueira, em São Paulo, e agora na Fliporto, onde fez o primeiro lançamento, no Brasil, de seu novo livro, Milagrário Pessoal (Língua Geral, 240 páginas, 42 reais), que o blog já havia antecipado aqui. Rio (16 de novembro, na Livraria da Travessa, em Ipanema) e São Paulo (dia 18, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho) têm lançamentos esta semana. Foi sobre o romance, sobre o evento e sobre a polêmica que envolve, de um lado, os argentinos Ricardo Piglia e Alberto Manguel, de quem foi interlocutor em conferência neste domingo, que falou a VEJA Meus Livros.

O peruano Mario Vargas Llosa esteve presente à Fliporto de maneira negativa. Os argentinos Ricardo Piglia e Alberto Manguel o criticaram como crítico e como político. Você vê injustiça na entrega do Nobel de Literatura deste ano?
Não. Acho que Vargas Llosa merecia o Nobel, seus livros são bem trabalhados, são obras que exigem oficina, embora ele também tenha livros fracos. Gosto muito de A Guerra do Fim do Mundo e Conversa na Catedral. Quanto a suas posições políticas, não posso comentar muito, porque eu o conheço melhor como escritor do que como político, li tudo dele.

Ricardo Piglia disse que Vargas Llosa é superficial e trata a América Latina de maneira esquemática. Você concorda?
Sobre a América Latina, eu não sei, não conheço tão bem o continente. Mas ele realmente tem livros fracos, tem um romance erótico, Elogio da Madrasta, que é um romance mau. Todo escritor tem direito a escrever um romance mau, no entanto.

Há algum livro seu que você considere mau?
Sim. Um livro de poesia, Coração dos Bosques, que foi lançado só em Angola, quase por acidente. Eu escrevi nos meus 20 anos e ele só foi lançado quando eu tinha 28 (Agualusa tem hoje 50 anos). Sua publicação em outros países está proibidíssima (risos).

Por falar em livros, você está lançando um romance, Milagrário Pessoal. É verdade que parte da história se passa em Olinda?
Sim. E é um livro sobre a história da língua portuguesa. Uma das personagens do romance nasceu a partir de um jantar, em Lisboa, em que eu conheci uma jovem linguista chamada Mafalda Antunes, cujo trabalho é recolher os neologismos que surgem nas ruas, nos jornais todos os dias. No meu livro, uma linguista inspirada em Mafalda encontra neologismos tão perfeitos que não parecem novidade, parece que sempre existiram. É algo que causa estranheza e ela procura um professor para falar a respeito. Ela entende que aquilo é uma revolução silenciosa, uma subversão da língua, capaz de mudar o modo das pessoas pensarem, porque o ser humano pensa com palavras. O velho linguista concorda com ela, até porque é um homem habituado ao maravilhoso, um sujeito que tem um diário, o Milagrário Pessoal, onde anota os milagres do cotidiano. Ele é um angolano, e angolanos são habituados a ver prodígios. Então, os dois partem em uma viagem em busca da origem desses neologismos perfeitos. É uma viagem através da língua portuguesa. O livro é passado em parte em Olinda, porque eles vêm para a cidade nessa viagem. Acho incrível que ninguém ainda tenha feito um romance sobre a língua portuguesa, com uma história tão rica, marcada por oito séculos de influência árabe, durante a ocupação da Península Ibérica, depois pela influência das colônias portuguesas.

Pensando nessa riqueza de desdobramentos da língua portuguesa, esse novo acordo ortográfico que estamos implementando não é nocivo?
O acordo ortográfico só tem a ver com a ortografia, não muda o modo de as pessoas falarem. É uma medida política. Também não teria sentido os nordestinos terem uma ortografia própria, diferente da do resto do Brasil. Além disso, é um acordo leve, não traz grandes mudanças.

Leia também, do lançamento no Rio:
Livros de José Eduardo Agualusa serão adaptados para o cinema no Brasil

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1 Comentário

  1. Joana Neves Pinheiro

    -

    03/12/2010 às 2:23

    Ele diz que o Vargas Llosa tem livros fracos, e eu acabei de ler o último romance dele, o milagrario pessoal, e achei péssimo, confuso e chato. Me arrependi ter comprado esse romance, li Barroco Tropical que é um livro confuso mas é divertido, esse último é péssimo em todos os sentidos, li que o Agualusa escreveu esse livro em 9 meses, nossa 9 meses para parir um romance chato como esse.


 

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