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01/04/2012

às 9:13 \ Entrevista

A mensagem educativa de ‘Jogos Vorazes’

A história de um reality show em que adolescentes são forçados a matar uns aos outros parece transmitir uma mensagem de violência para o público da faixa etária dos jogadores. No entanto, a série Jogos Vorazes, escrita pela americana Suzanne Collins, se propõe ser um alerta para o que pode ocorrer com o mundo caso as pessoas não cuidem dele — na saga, a injusta nação Panem é formada pelo que restou da América do Norte, vítima de uma série de catástrofes naturais. É o que diz a escritora americana Lois H. Gresh, autora do guia Hunger Games – A Filosofia por Trás dos Jogos Vorazes (Lua de Papel, 39,90 reais), para quem a trilogia é uma crítica ao mundo atual. “A saga é uma reflexão, um espelho dos nossos tempos. Ela é um aviso de que nós precisamos nos unir e nos salvar de um futuro que pode ser parecido com o de Jogos Vorazes.”

Menos romântica e fantasiosa, se comparada com os sucessos adolescentes que a precederam — Crepúsculo e Harry Potter –, a série traz, segundo Lois, uma mensagem educativa. Essa mensagem é transmitida principalmente pela heroína, Katniss Eveerden, uma menina de 16 anos que encarna a bondade, a coragem, a responsabilidade e o amor pela natureza. A trilogia foi transformada em filme e está em cartaz nos cinemas com a atriz Jennifer Lawrence no papel de Katniss.

Leia abaixo a entrevista com Lois H. Gresh, autora do guia.

Jogos Vorazes tem violência, mitologia e uma atmosfera obscura, e deixa o romance entre os protagonistas em segundo plano, diferentemente de séries como Crepúsculo. Ainda assim, a saga é um sucesso entre os adolescentes. Por quê? A trilogia é uma reflexão, um espelho dos nossos tempos. Em minha opinião, ela é um aviso de que nós, como espécie inteligente, precisamos nos unir e nos salvar de um futuro que, ainda que remotamente, pode ser parecido com o de Jogos Vorazes. Fome generalizada, crianças enviadas para o matadouro da guerra, colapsos ambientais, atos terroristas e guerra nuclear não são coisas certas. Posicionando-se contra esses temas, Suzanne Collins nos traz uma história linda. Como leitores, nós nos importamos com os personagens e queremos desesperadamente que tudo acabe bem. Essa é a razão que faz com que os adolescentes gostem da série, mesmo que o romance não seja o foco principal.

O que faz essa história ser adorada como as histórias fantásticas? Essa série cria um novo mundo de aventura, tragédia, invenções e, claro, um triângulo amoroso. Ela traz drásticas narrativas paralelas e também

Lois H. Gresh, autora do guia

ensina aos leitores uma lição importante sobre a vida e a natureza humana. Ela foca em como os humanos reagem a situações de vida e morte, quão materialista a sociedade humana se tornou e o que realmente significa se apaixonar por alguém e testar se você estaria disposto a morrer por essa pessoa.

Você também já escreveu um almanaque sobre Crepúsculo. Qual sua opinião sobre a profundidade de cada história? A principal diferença entre as duas histórias é o ponto de aproximação entre realidade e ficção. Crepúsculo trata de uma crença antiga — a dos vampiros — que é discutida até hoje. Para pessoas que não acreditam em vampiros e lobisomens, a saga de Stephenie Meyer é só entretenimento. Por outro lado, Jogos Vorazes é uma grande crítica ao mundo atual em forma de ficção.

Por que personagens como Katniss Eveerden inspiram as pessoas? Katniss é um modelo para pessoas de todas as idades, principalmente para meninas. Seu papel as influencia de forma positiva. Eu admiro a naturalidade dela para cuidar da família. Quantas meninas de 16 anos podem dizer que têm toda essa responsabilidade? Seu amor pela natureza é fascinante.

Os monstros de Jogos Vorazes são os próprios seres humanos. Por outro lado, os monstros de séries como Crepúsculo e Harry Potter são vampiros, lobisomens e bruxas. Esse aspecto é bastante aceitável no mundo real, mas é um pouco cruel para um livro voltado para adolescentes… Os livros de Suzanne Collins foram preenchidos com mensagens importantes. As pessoas devem focar no que importa — bondade, paz, saúde, comida para todos — e não na aparência delas ou no que significam para as outras pessoas. É mais importante seguir em frente – literalmente sobreviver nos Jogos Vorazes – apunhalando as pessoas pelas costas ou tem mais sentido seguir em frente usando suas habilidades e inteligência e tentando ajudar as pessoas à sua volta? É por isso que eu acho que, sim, Jogos Vorazes procura ser educacional.

Raissa Pascoal

 

Jogos Vorazes

Suzanne Collins

ROCCO

Crepúsculo

Stephenie Meyer

Intrínseca

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10 Comentários

  1. maria eduarda

    -

    09/03/2014 às 18:14

    eu ja tenho esse livro mas ja vou comprar o filme pq eu adorei

  2. Otávio

    -

    20/05/2013 às 19:46

    Acredito que a história é muito interessante sim, e que não tem nenhum problema em ser lida por adolescentes. Em Harry Potter e Crepúsculo também presenciamos momentos cruéis, como no final da primeira saga, onde várias mortes brutais acontecem.

  3. hudson

    -

    31/12/2012 às 20:55

    realmente não é uma literatura juvenil… o livro 2 tem uma escrita cruel… uma história surpreendente e incrível, os livros arrebatam qualquer um (ainda acho que tem muitas cenas de romance, algumas chegam a ser bem chatas, nada que estrague o valor gigante da trilogia)

  4. gisele

    -

    11/12/2012 às 6:58

    Fiquei c/vontade de ler o livro,embora o filme pudesse ser melhor.

  5. Bruno

    -

    26/09/2012 às 10:45

    A trilogia é uma ótima leitura. O ruim é conseguir parar de ler para fazer as obrigações, já que é uma leitura bem intensa e direta com uma historia cheia de revira-voltas e surpresas, o que faz com que voce sempre queira ler o próximo parágrafo. (Eu li a trilogia toda em 1 semana, apesar de trabalhar e outras obrigações)
    Além disso, eu gostaria de adicionar algumas observações quanto aos valores e criticas da série:
    -Pessoas extrovertidas e introvertidas podem ter o mesmo valor para as pessoas ao seu redor e, inclusive, serem lideres.
    -Crítica à passividade e aceitação do absurdo: reality shows que buscam sempre o confronto entre as pessoas apenas para o entretenimento da audiencia, pouco importando o que se passa com os individuos.
    -Mostra que no desespero, ocorrem medidas desesperadas, o que não o isenta do peso na consciencia.
    -Crítica a banalidade da nossa sociedade atual.
    -Crítica a superficialidade e que as pessoas estereotipadas podem ser muito mais do que aparentam.
    Quanto ao personagem principal, eu acho perigoso falar que ela encarna a bondade, a coragem, a responsabilidade e o amor pela natureza, mas sim que apesar das nossas falhas e imperfeições, é possivel ser do bem e fazer a diferença. Inclusive eu achei a personagem um pouco antipática, com todas as suas duvidas e teimosias e impulsividade, mas que mostra um personagem mais de acordo com a realidade em que vivemos.
    Tem mais coisas que eu gostaria de adicionar, mas não vejo como fazer isso sem fazer um spoiller.
    Espero que tenha contribuido.

  6. Angelina

    -

    22/09/2012 às 10:04

    Nossa, mais só tem poser’s aqui! Credo! Tributos não gostam de vcs! :P

  7. Marco

    -

    29/08/2012 às 20:26

    Né por nada não, não li os livros, mais pelo que vi no filme, é muito fraco…

    Sei que muitos filmes pecam, mais não é possível que o Diretor do filme não consiga passar algo do livro pro filme, basicamente eu achei bem fraco mesmo, o filme não recomendaria a ninguém, pois se o livro seguir um rumo como o filme é bem tosco!

  8. gabriela

    -

    10/05/2012 às 10:19

    amei o filme e depois que li a metéria, fiquei afim de comprar esse livro também :)

  9. Ana

    -

    28/04/2012 às 2:47

    Bruxas não são seres humanos?

  10. Reinaldo Samuels

    -

    06/04/2012 às 0:11

    É uma trilogia eletrizante, com uma força descomunal! Toca profundamente a essencia do ser humano…e fica a vontade de poder transformar a própria realidade. Vou usar essa trilogia com meus alunos de Filosofia nas aulas de mitologia grega…

 

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