Blogs e Colunistas

17/05/2012

às 16:02 \ Eventos

Flip chega à 10ª edição com Drummond e um Nobel


No ano em que completa uma década de existência, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) escolheu como homenageado o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, que em 2012 faria 110 anos. Entre as vinte mesas programadas para os cinco dias de evento, que acontece de 4 a 8 de julho em Paraty, no Rio de Janeiro, três serão dedicadas ao poeta, além de uma exposição, uma peça e a conferência de abertura Drummond 110, com a participação de Antonio Cícero e Silviano Santiago. Além disso, uma das mesas da festa literária terá o crítico Antonio Carlos Secchin falando sobre o livro 25 Poemas da Triste Alegria, uma compilação de textos feitos por Drummond antes da publicação de seu primeiro livro, Alguma Poesia (1930), e nunca publicados. O lançamento da obra, pela editora Cosac Naify, acontece dia 21 de junho.

Escritor francês Le Clézio (Getty Images)

Diferentemente do ano passado, em que o número de mesas havia sido reduzido para três por dia, o evento, agora sob a curadoria do jornalista Miguel Conde, volta a ter cinco mesas diárias. Volta também a ter a mesa de encerramento Livro de Cabeceira, na qual alguns escritores leem trechos de seus livros favoritos. Ao todo, participarão do evento 40 autores de 14 nacionalidades.

Entre os destaques da programação deste ano, está o encontro entre dois grandes nomes da literatura de língua espanhola: o chileno Alejandro Zambra e o espanhol Enrique Vila-Matas, que estará pela segunda vez na Flip para falar de seu livro Aire de Dylan. Em comum, além da língua, eles têm o gosto por falar de literatura, grande tema de seus livros. No dia 7, um encontro semelhante, entre um nome novo e outro já consagrado de uma mesma língua, se dá entre o britânico Ian McEwan e a americana Jennifer Egan. Os dois conversarão sobre a necessidade de se colocar no lugar de outra pessoa para fazer literatura. No evento, McEwan também fará o lançamento mundial de seu novo romance, Serena.

O americano Jonathan Franzen, de Liberdade, nome badalado do evento, também terá mesa exclusiva. A mesa de maior destaque no evento, a da noite de sábado, no entanto, ficou com o francês Le Clézio, ganhador do Nobel de literatura em 2008.

Escritor americano Jonathan Franzen

Neste ano, a organização da Flip lançará dois livros e um DVD em comemoração a seus dez anos. A obra 10/Ten, editada pela criadora do evento, Liz Calder, reúne contos e ensaios inéditos de autores brasileiros e cinco contos de escritores estrangeiros nunca publicados no país. O livro Flip – Dez Anos conta histórias relevantes das nove edições já realizadas. O DVD Uma Palavra Depois da Outra: A Arte da Escrita faz uma montagem temática das apresentações de mais de cem autores que passaram pela festa.

Raissa Pascoal

15/05/2012

às 18:22 \ Leituras cruzadas

Rocco vai publicar inédito de Carlos Fuentes, morto aos 83

Escritor mexicano Carlos Fuentes em sua biblioteca em 2008 (Ronaldo Schemidt/AFP)

Morreu nesta terça-feira, aos 83 anos e de causas ainda desconhecidas, o escritor Carlos Fuentes. Nome dos mais importantes da literatura contemporânea mundial, Fuentes terá um livro inédito lançado no país no segundo semestre pela Rocco, editora que detém os direitos de publicação do mexicano no Brasil. Federico en Su Balcon, o romance, é uma homenagem do escritor ao filósofo alemão Friedrich Nietzsche.

Panamenho de nascença, mas filho de um diplomata mexicano, o escritor Carlos Fuentes passou parte de sua vida morando em diversos países, como Equador, Uruguai, Brasil, Chile, Argentina, Suíça e Estados Unidos. No entanto, foi no México que, estimulado pelo pai, desenvolveu suas raízes culturais, que estiveram presentes nos temas de suas obras.

Com 26 anos, Fuentes escreveu seu primeiro livro, Los Días Enmascarados (1954). A consolidação como um nome de peso na literatura latino-americana aconteceu anos depois, com a publicação de obras como A Região Transparente (1958), A Morte de Artemio Cruz (1962), Aura (1962) e Terra Nostra (1975), que lhe rendeu o Prêmio Rómulo Gallegos, em 1977.

Ao longo de sua carreira de cinco décadas, Fuentes recebeu títulos e premiações, como a nomeação como membro honorário da Academia Mexicana da Língua e os prêmios, como o Miguel de Cervantes, em 1987 – equivalente ao Prêmio Camões na língua espanhola – e Príncipe das Astúrias, em 1994.

Repercussão - Confira o que dizem outros escritores sobre a morte de Carlos Fuentes.

Salman Rushdie, escritor
“RIP Carlos, meu amigo. Ontem, teve ao trote sobre Gabo (Gabriel García Márquez), mas isso é verdade, infelizmente.”

Mario Vargas Llosa, escritor (no site do jornal El País)
“Com Fuentes, desaparece um escritor cuja obra e cuja presença deixaram uma pegada profunda. Seus contos, novelas e ensaios estão inspirados principalmente pela história e problemática do México, mas ele foi um homem universal, que conheceu muitas literaturas, em muitas línguas e que viveu de uma maneira comprometida com todos os grandes problemas políticos e culturais de seu tempo.”

Martin Caparrós, escritor
“Para sempre, professor, e obrigada por tudo. Alguém disse: ‘Morreu Carlos Fuentes, não Artemio Cruz.’”

Guillermo Arriaga, roteirista
“Fiquei sabendo da morte de Carlos Fuentes. Que tristeza. Lamento.”

Jorge Volpi, escritor mexicano
“Sinto terrivelmente a morte de Carlos Fuentes, o maior novelista do México, amigo generoso. Um grande abraço a Sílvia e Cecília.”

 

Imprensa

The Guardian
“Cervantes e seu personagem Dom Quixote foram influências cruciais para Fuentes como romancista. Ele viu Cervantes, junto com Shakespeare, como a inauguração da era moderna e deleitou-se com a mistura feita pelo autor espanhol de fantasia e realidade.”

The New York Times
“Sua geração de escritores, incluindo o colombiano Gabriel García Marquez e o peruano Mario Vargas Llosa, chamaram a atenção para a cultura latino-americana durante o período em que ditadores comandavam a região.”

El País
“Sua resistência era de um atleta, mas o coração estava enfrentando os impactos até que não pôde mas; sua força física, que também foi sua fortaleza literária, foi vencida pela idade do tempo, essa metáfora em que ele colocou seu empenho como escritor e também como resposta civil a do México e da humanidade.”

Le Figaro
“Carlos Fuentes tinha um projeto louco, escrever a história imaginária do mundo, dar à sua obra a forma da memória do tempo, enquanto atribuía à literatura um papel essencial na história da humanidade: ordenar o caos, oferecer alternativas ao desespero e um significado às ideias. Carlos Fuentes era Dom Quixote contra Hamlet. O segundo pensa que a literatura não é mais que palavra sem sentido, o primeiro acha que ela pode mudar a vida.”

12/05/2012

às 9:09 \ Livros da Semana

Folhas de árvore, folhas de livro

Alardeado como uma das vozes mais instigantes da novíssima literatura latino-americana, o chileno Alejandro Zambra, nascido em 1975 em Santiago, tem seu romance de estreia, Bonsai (tradução de Josely Vianna Baptista, Cosac Naify, 64 páginas, 23 reais), publicado agora no Brasil. O livro obteve diversos prêmios importantes e foi adaptado para o cinema por Cristián Jiménez, em 2011. Mais importante do que repassar o currículo da obra, porém, talvez seja observar como nela Zambra parece seguir caminhos abertos por Roberto Bolaño, escritor que também é de origem chilena e se tornou um verdadeiro fenômeno editorial na América Latina.

Costuma-se dizer que a Europa e os Estados Unidos “adotam” um escritor latino a cada década, e o último a ser assimilado, sem a menor dúvida, foi Bolaño. Na América Latina, o nome do chileno se converteu em algo fantasmagórico – espera-se que as obras dos novos narradores e poetas dialoguem, de certa forma, com a produção do autor de 2666 e Noturno do Chile.

Publicado em 2006, Bonsai conta a história de um casal jovem, Julio e Emilia, que estudam literatura e têm uma relação amorosa e sexual intensamente conectada com o ato de ler e com a formação literária e intelectual dos dois. O relacionamento se desdobra com a aparição e intervenção de outros personagens secundários e é pontuado por referências literárias, constantes em todos os capítulos do livro.

O narrador de Bonsai não cria suspense em relação à trama nem apela para métodos tradicionais de contar uma história de amor. Desde o início do livro, ele anuncia o final, e a cada começo de capítulo deixa o máximo possível às claras, destruindo qualquer possibilidade de criar uma narrativa que empolgue o leitor e o obrigue a folhear com voracidade as páginas. Pelo contrário: o narrador de Zambra é distante e esquarteja a própria história que conta com a frieza de um agente funerário. Apesar da brevidade do romance (que, não fosse por questões mercadológicas, poderia ser chamado de novela ou mesmo de conto), o texto é construído aos poucos, como quem poda uma árvore de bonsai uma folha por vez.

Em muitos sentidos, a trama remete a Os Detetives Selvagens, romance icônico de Roberto Bolaño. Assim como na primeira parte de Os Detetives Selvagens, observamos em Bonsai uma união entre descobertas amorosas e achados literários. A formação literária dos protagonistas se dá juntamente com as suas formações eróticas. Mais do que isso: com o desenrolar da narrativa de Bonsai, surgem vários indícios de que parte da história pode ser interpretada como uma metáfora sobre o ato de escrever. Assim como em Roberto Bolaño, no universo de Zambra, literatura e vida estão indissociavelmente unidas.

Isso não quer dizer, de modo algum, que Alejandro Zambra não tenha voz própria ou que seja um mero descendente de outro autor chileno de maior destaque. É apenas um sinal de que o escritor está ligado a certa tendência contemporânea – metaliterária, pode-se dizer – de usar o espaço ficcional para pensar o próprio fazer literário, nem que seja ao contar a história de amor de um casal no Chile dos dias de hoje. Assim como o espanhol Enrique Vila-Matas, outro autor de amplo destaque entre os literatos de língua hispânica, Zambra dá vida a personagens que estruturam seu mundo como se este fosse mediado pela literatura, pelos romances que devoram e que leem em voz alta para a namorada.

O resultado, em Bonsai, é uma narrativa incomum, que se mostra desmistificadora — explicitando recursos narrativos e anunciando eventos na trama muito antes de acontecerem — ao mesmo tempo em que está envolta em uma atmosfera de estranheza e obscurece certos ângulos da trama. Pode-se especular que a concisão de Zambra seja decorrente de sua experiência com a poesia. Por enquanto, com apenas um trabalho publicado no Brasil, o autor chileno seguirá para os brasileiros enigmático como seu romance.

Antônio Xerxenesky

28/04/2012

às 8:29 \ Livros da Semana

‘O Circo da Noite’, a promessa juvenil que não se realiza

Celia tinha cinco anos de idade quando foi enviada ao pai Hector Bowen junto com um bilhete de suicído de sua mãe. Hector viajava o mundo todo se apresentando como Próspero, o Mágico, mas não era magia o que ele praticava. Ele tinha poderes sobrenaturais e fazia de tudo para que seu público pensasse que não passava de ilusionismo. Em pouco tempo, Hector percebeu que a filha tinha os mesmos poderes. Ela conseguia destruir um relógio e, logo em seguida, fazê-lo voltar a funcionar só com a força do pensamento. Para desenvolver suas habilidades, Hector fazia coisas inimagináveis: cortava as pontas dos dedos da garota uma a uma até que ela fosse capaz de curar as dez de uma só vez. Os poderes de Celia levaram Hector a propor um desafio a um antigo rival, Alexander H., um homem misterioso que sempre surgia trajando um terno cinza. Alexander treinaria alguém para o duelo que acontece em O Circo da Noite (tradução de Claudio Carina, Intrínseca, 368 páginas, 34,90 reais na versão impressa e 19,90 reais na versão e-book), livro de estreia da artista multimídia americana Erin Morgenstern.

Foi em Londres do final do século XIX que Alexander escolheu um pupilo a ser moldado para o confronto. Marco, o eleito, vivia num orfanato e saiu de lá com o homem de terno cinza sem saber o que lhe aconteceria. Anos mais tarde, Marco e Celia se encontrariam no Cirque des Rêves (Circo dos Sonhos) para o tão esperado jogo. O circo foi montado por um grupo liderado pelo excêntrico Chandresh Lefèvre, mas nem ele nem a maioria dos responsáveis por idealizar o palco daquela disputa sabiam do que se tratava. Mas aquele não era um circo comum. Era formado por várias tendas, como a Labirinto de Nuvens ou a Jardim de Gelo, que ofereciam experiências sensoriais aos visitantes. A construção dessas tendas e toda a engrenagem do circo eram obras de Celia e Marco e faziam parte do desafio. “Como você impede que todos envelheçam? – pergunta Celia depois de um tempo. – Com muito cuidado – responde Marco. – E eles estão envelhecendo, só que muito lentamente.”

O resumo da história é simples: o circo percorre muitos lugares e Marco e Celia se apaixonam, dificultando o jogo. Os contendores não conhecem as regras da disputa, tampouco o leitor. Aparece uma tenda aqui, outra acolá, mas não ocorre um embate verdadeiro entre os dois. Ao final da história, o jogo termina sem que o leitor tenha se dado conta de como os movimentos dos adversários influíram no duelo. Aí, o leitor ainda é apresentado a Bailey, um garoto de Massachusetts que não pertence ao circo, mas está envolvido no desfecho da história. Sua participação, quase sempre narrada num tempo futuro, também é algo obscuro e difícil de relacionar com o principal do romance, que é o jogo.

Em uma entrevista, Erin Morgenstern disse que escreve a partir de imagens que vislumbra. “Pego pedaços e os coloco juntos. Escrever é quase como fazer uma colagem.” A sensação de percorrer O Circo da Noite é exatamente a de estar lendo partes de uma história, já que o texto tem inúmeros capítulos pequenos, escritos em parágrafos curtos que mais descrevem os ambientes do que encadeiam uma narrativa. Trechos como este recheiam a obra: “Velas de diferentes cores e formatos em candelabros de prata, queimando em conjuntos de três, rodeiam a mesa no centro do recinto. Sobre a mesa há uma xícara de chá que esfria devagar, um cachecol parcialmente emaranhado numa bola de algodão carmesin”. A exposição minuciosa do cenário não é ruim, pelo contrário, leva o leitor a imaginar cheiros, texturas e a ordenação dos objetos, mas essa capacidade descritiva não se reflete no enredo. O livro começa como se prometesse alguma ação e muita emoção, mas isso não acontece.

O Circo da Noite foi apresentado na Feira do Livro de Frankfurt, em outubro de 2010, e gerou um certo bochicho. O livro só seria lançado em setembro do ano seguinte, mas bem antes disso, em janeiro de 2011, a Summit Entertainment, a produtora da saga Crepúsculo, se adiantou e comprou os direitos de adaptar a obra, hoje publicada em 30 países. A crítica internacional chegou a dizer que O Circo da Noite poderia encantar os órfãos de Harry Potter e de Crepúsculo (vale lembrar que a autora já disse que não escreverá uma continuação para a história), mas é difícil equiparar o livro de Erin Morgenstern com esses dois fenômenos editoriais. Especialmente, com Harry Potter, que tem de fato alguma qualidade literária.

Se Erin abusa da criação de poderes sobrenaturais para seus personagens, seguindo a onda deflagrada pela americana Stephenie Meyer em Crepúsculo, não consegue fazer de Celia e Marco personagens capazes de mesmerizar os adolescentes. Crepúsculo não fez sucesso por sua qualidade, mas por ter conquistado o público juvenil com seu romance gótico entre Bella, a moça determinada mas inocente que se apaixona por Edward, um vampiro meio mórbido, porém bonito e amável. Celia e Marco, ao contrário, não têm características marcantes, já que a autora trata muito mais do funcionamento do circo que de seus protagonistas. Só depois de mais de metade do livro é que eles se aproximam e, por mais que o leitor pressinta que isso vá ocorrer, a situação é um tanto quanto abrupta e sem graça, pois o casal interage poucas vezes antes desse momento. E, depois dele, os encontros entre os dois continuam escassos e carentes de uma boa pitada de paixão.

O livro se compara menos ainda à série Harry Potter, da inglesa J.K. Rowling. O Circo da Noite está o tempo todo com o pé no acelerador. Pode-se afirmar que os personagens de Rowling são unidimensionais, mas ela, no entanto, é uma grande argumentista. Já Morgenstern não consegue construir um enredo para o cenário que criou. O máximo de ação que se vê no livro são personagens percorrendo as tendas do circo e se deparando com “criaturas feitas de papel”. “Sinuosas serpentes brancas com suas línguas negras faiscantes.” À falta de uma boa história, soma-se uma maneira simplória de descrever emoções. É comum alguém que “franze a testa” ou “faz uma careta”. Há ainda frases desengonçadas como “Acima deles, o relógio continua a virar suas páginas, desenrolando histórias pequenas demais para serem escritas”. Um crítico americano chegou a afirmar que O Circo da Noite é “um Romeu e Julieta envolto em magia” – o que deve ter feito Shakespeare revirar na tumba- e, de um modo geral, todos foram bastante condescendentes com Erin Morgenstern. Resta saber se o livro lhe renderá um séquito de fãs.

Até aqui, semanas depois de lançado, ele não decolou no país. Não aparece nem entre os vinte mais vendidos.

Simone Costa

24/04/2012

às 12:34 \ Páginas estrangeiras

Livro adulto da ‘mãe’ de Harry Potter sai pela Nova Fronteira

A escritora britânica JK Rowling, autora de Harry Potter (Jeff J Mitchell/Getty Images)

A estreia da britânica J. K. Rowling na literatura adulta sairá, no Brasil, pela Nova Fronteira, selo da editora Agir. O anúncio foi feito nesta terça-feira pela empresa. Rowling é autora da série best-seller Harry Potter, que no país foi publicada pela Rocco.

“A editora Nova Fronteira acaba de fechar contrato para a publicação do novo livro de J.K. Rowling, The Casual Vacancy, primeiro romance adulto da autora da série Harry Potter, cujos títulos já venderam mais de 400 milhões de exemplares em todo o mundo”, diz comunicado da Ediouro. “A obra tem lançamento mundial previsto para setembro.”

 

16/04/2012

às 17:38 \ Prêmios

Que livro de ficção levou o Pulitzer 2012? Nenhum

O Pulitzer, um dos mais prestigiosos prêmios literários do mundo, não vai laurear nenhum livro de ficção em 2012. É a primeira vez que isso ocorre desde 1977 — e a sexta vez desde que a premiação foi criada, em 1948. Sinal de hiato na qualidade literária? Possivelmente, já que o júri não considerou nenhum livro merecedor do prêmio. Sinal de polêmica? Também — o assunto deve alimentar um intenso debate nos próximos dias.

Os três finalistas eram Train Dreams (Sonhos de Trem, em tradução direta para o português), de Denis Johnson, definido pelo comitê avaliador como “um romance sobre um dia de trabalho no velho-oeste americano, com olhar calmo e compassivo sobre suas glórias e terrores”; Swamplandia!, de Karen Russell, descrito como “um conto de aventura sobre uma excêntrica família, desorientada na condução de um problemático parque temático de briga de jacarés, com narração de uma heroína sábia demais para seus 13 anos de idade”; e The Pale King (O Rei Pálido, tradução livre), o romance póstumo de David Foster Wallace (1962-2008), que explora o tédio e a burocracia no local de trabalho americano.

O júri, formado pela crítica literária Maureen Corrigan, o escritor Michael Cunningham (do livro The Hours) e Susan Larson, antiga editora da seção de livros do jornal Times-Picayune, de New Orleans, não deu qualquer explicação para a escolha. Ou a falta dela.

Na categoria de não-ficção, foi premiado The Swerve: How the World Became Modern (A Guinada: Como o Mundo se Tornou Moderno, em tradução livre), do crítico literário Stephen Greenblatt.  Malcolm X: A Life of Reinvention (Malcom X: Uma Vida de Reinvenção, tradução livre), de Manning Marable, historiador da Columbia University, morto na véspera do lançamento do livro, foi o vencedor na categoria história.

O professor de Yale John Lewis Gaddis ganhou o prêmio de melhor biografia por George F. Kennan: An American Life (George F. Kennan: Uma Vida Americana, tradução livre). Tracy Smith levou o título de melhor livro de poesia pela coleção Life on Mars (Vida em Marte, também numa tradução livre para o português).

14/04/2012

às 9:01 \ Livros da Semana

Monotonia nova-iorquina

Autor de mais de quinze livros – e um sucesso desde sua primeira obra, A Trilogia de Nova York (1987) – pode-se afirmar sem medo que o americano Paul Auster é um escritor maduro e profissional. Auster sempre manteve uma produção constante, lançando livros no intervalo de um a dois anos. No início de sua carreira, dedicou-se a livros mais experimentais, como o já citado A Trilogia de Nova York, em que constrói três romances policiais metafísicos, subvertendo noções caras ao gênero, Leviatã (1992), que mescla realidade e ficção à moda de Sophie Calle (uma das personagens do livro), e Timbuktu (1999), história narrada do ponto de vista de um cachorro.

O problema? Ao passo que Auster foi se tornando um escritor mais experiente, isto é, à medida que sua prosa foi amadurecendo, sua escrita foi ficando progressivamente menos ousada. Seus experimentos metaficcionais como em Noite do Oráculo (2004) pareciam seguir uma fórmula, algo que o crítico James Wood denunciou em um longo artigo para a The New Yorker. Wood detalha como seria a Equação Auster, sempre com um protagonista intelectual do sexo masculino amargando uma perda e um final a sugerir que tudo o que foi lido até ali pode não passar da ficção criada por um dos personagens da história. Pior, talvez, há o caso de livros como Desvarios no Brooklyn (2005), que revelaram um Auster capaz de um realismo comportado com final hollywoodiano.

Sunset Park (Companhia das Letras, 280 páginas, 45 reais), que chega às livrarias em formato impresso no início de maio, foi anunciado como uma grande canção de amor ao Brooklyn, bairro de Nova York em que vive o escritor. O romance gira em torno de um grupo de jovens de classe média com pretensões artísticas que ocupam ilegalmente um prédio, e mais especificamente ao redor de Miles Heller, filho de uma atriz e um editor famoso, que sofre com as lembranças traumáticas da morte de seu irmão.

Na maior parte do romance, tudo o que o narrador onisciente de Auster faz é contar a história passada de cada um dos personagens. No filme Garotos Incríveis, adaptação cinematográfica de Curtis Hanson para o livro de Michael Chabon, há uma cena marcante na qual os protagonistas — um professor de escrita criativa, um editor e um aspirante a escritor — divertem-se em um bar “narrando”. Eles olham para uma pessoa desconhecida no bar e inventam uma ficção sobre ela. Criam um trauma no passado, um desejo que a motiva a fazer tal coisa, suas relações familiares etc. No filme de Hanson, isso pode ser interpretado como uma sátira da “ficção realista séria” americana e dos truques de criação de personagens. Durante boa parte de Sunset Park, parece que Paul Auster está fazendo exatamente isso: observando pessoas e tentando espremer um personagem tridimensional de cada indivíduo que surge em cena. E, apesar de todos os esforços do autor, é difícil se importar com qualquer um dos personagens, em parte porque ficamos tempo demais presos aos seus passados, enquanto o enredo no presente avança a passos lentos.

Se, por um lado, a experiência de Auster faz com que a narrativa nunca desande ou perca a coerência, por outro, gera um tom de piloto automático em diversos trechos. O aguardado clímax no final acontece conforme se prevê desde metade do livro — ou até mesmo antes. E Sunset Park termina deixando vários fios desamarrados. Porém, nem esse final aberto se mostra tão interessante; Auster, infelizmente, se tornou um cronista da vida nova-iorquina preso demais ao quotidiano dos habitantes da cidade.

Os temas centrais do romance são o envelhecimento (das pessoas e dos objetos), a desintegração, a passagem do tempo, ideias que estariam ligadas ao período de crise pelo qual os Estados Unidos estariam passando em 2008. Todavia, na narrativa tranquila de Auster, esses temas não ganham potência, não saem de uma órbita baixa, e desaparecem sem deixar rastros. O romance, portanto, deixa a impressão de que faz tempo que o escritor perdeu o vigor e está longe de ser, na atualidade, uma das vozes mais criativas do país.

Antônio Xerxenesky

07/04/2012

às 8:04 \ Livros da Semana

Ritual de passagem

Mathilda Savitch, protagonista e título do livro que marca a estreia do americano Victor Lodato na literatura (tradução de Vera Ribeiro, Intrínseca, 216 páginas, 29 reais impresso e 19 reais o e-book) é uma adolescente quase comum. Alterna momentos de insegurança com rompantes de audácia, transita entre ações infantis e decisões sensatas, e é capaz de emitir opiniões triviais e argumentos sólidos no mesmo diálogo. O que difere Mathilda das demais garotas da sua idade – que o livro não diz, mas dá indícios que seja algo entre 12 e 14 anos – vai sendo revelado à medida que a história avança.

Sua família passa por uma crise diante de uma tragédia: a morte acidental de Helene, irmã de Mathilda, aos 16 anos. A narrativa, contada em primeira pessoa pela protagonista, se desenvolve pouco antes da morte de Helene completar um ano. Em tão pouco tempo, as cicatrizes não estão curadas. A mãe de Mathilda apresenta súbitas mudanças de humor e tendência ao alcoolismo. O pai passa a ser uma figura enigmática, caladão e de uma frieza glacial em relação ao mundo que o cerca. Mas estranho mesmo seria se ambos perdessem uma filha de maneira banal e reagissem com alegria e entusiasmo diante do fato.

E, no centro da família abalada, temos nossa heroína tocando sua vida, conciliando a perda da irmã-modelo com todos aqueles “problemas” da adolescência: “a escola é chata”, “meus pais não me entendem” e “meus amigos, bem, meus amigos parecem não ser tão amigos assim”.

A impressão que fica é que, romancista de primeira viagem, Lodato optou por não correr riscos. Com uma história linear, personagens convencionais e nenhuma ousadia estética ou linguística, o título pode ser visto como um livro adulto ruim ou uma obra infanto juvenil regular. Talvez o motivo de seu sucesso – já foi traduzido para 11 idiomas e bem recebido mundo afora – venha justamente de sua estrutura simples e de sua história familiar bonitinha e inofensiva, que ficaria muito bem num filme de sessão da tarde.

De mais interessante, o que o livro oferece é o pano de fundo em que a história se passa: nos Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro de 2001. Em doses homeopáticas, o autor nos mostra que as mudanças que o acontecimento despertou na sociedade americana foram profundas, criando margem para traumas sociais e paranoias individuais ou coletivas.

Por exemplo, sem nenhum constrangimento, Mathilda desconfia que uma muçulmana com dois filhos pequenos em um vagão de trem possa ser uma terrorista prestes a mandar tudo pelos ares. Desconfia também que um colega de origem árabe, com “o sorriso mais branco e belo que já existiu”, possa ser um potencial homem-bomba. Os pais de Mathilda assistem aos noticiários trágicos, mas abalados pela perda recente, são incapazes de esboçar reações que vão além das lamentações.

O autor peca em deixar o assunto mais palpitante do livro diluído em comentários de uma adolescente. Talvez, se fosse narrado em terceira pessoa, o romance tivesse seu cenário mais bem explorado e construído, assim como as reações dos personagens às alterações vividas no cotidiano. Com isso, a obra cresceria muito e a descrição da transformação física e mental da adolescente teria maior força e estofo quando colocada no mesmo palco das mudanças ocorridas no país.

A passagem em que Mathilda esboça nos contar um curioso treinamento antiterrorista que recebeu na escola não merece mais que algumas linhas. Os capítulos do livro dedicados à insensatez que impregnou mentes e comportamentos – como de estocar alimentos e preparar abrigos antibombas – também ficam relegados a segundo plano e não passam de relatos superficiais vistos por olhos quase infantis.

Chamada por alguns jornais estrangeiros de “versão feminina de Holden Caulfield” (o protagonista adolescente de O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger), Mathilda Savitch não chega à altura. Falta-lhe a picardia e a personalidade cáustica e autodestrutiva de Caulfield. Mathilda não entende o que se passa com o mundo e nem procura entender. Sua busca no livro é pelo entendimento próprio, numa jornada de amadurecimento que acaba sendo a transição do mundo infantil para o mundo adulto.

Muitas sociedades têm ou tiveram rituais de passagem. Os jovens índios amazônicos Satere-Mawé, por exemplo, têm de enfiar a mão em um buraco cheio de formigas-bala, insetos com ‘mordida’ fortíssima. Só após sofrerem picadas e passarem por dores intensas (alguns chegam a convulsionar) serão considerados adultos. O ritual de Mathilda não é tribal, mas não deixa de ser doloroso. Se o livro está muito distante de ser uma obra-prima, Mathilda e sua história, por outro lado, estão longe de ser desinteressantes para um público infanto-juvenil.

Diego Braga Norte

01/04/2012

às 9:13 \ Entrevista

A mensagem educativa de ‘Jogos Vorazes’

A história de um reality show em que adolescentes são forçados a matar uns aos outros parece transmitir uma mensagem de violência para o público da faixa etária dos jogadores. No entanto, a série Jogos Vorazes, escrita pela americana Suzanne Collins, se propõe ser um alerta para o que pode ocorrer com o mundo caso as pessoas não cuidem dele — na saga, a injusta nação Panem é formada pelo que restou da América do Norte, vítima de uma série de catástrofes naturais. É o que diz a escritora americana Lois H. Gresh, autora do guia Hunger Games – A Filosofia por Trás dos Jogos Vorazes (Lua de Papel, 39,90 reais), para quem a trilogia é uma crítica ao mundo atual. “A saga é uma reflexão, um espelho dos nossos tempos. Ela é um aviso de que nós precisamos nos unir e nos salvar de um futuro que pode ser parecido com o de Jogos Vorazes.”

Menos romântica e fantasiosa, se comparada com os sucessos adolescentes que a precederam — Crepúsculo e Harry Potter –, a série traz, segundo Lois, uma mensagem educativa. Essa mensagem é transmitida principalmente pela heroína, Katniss Eveerden, uma menina de 16 anos que encarna a bondade, a coragem, a responsabilidade e o amor pela natureza. A trilogia foi transformada em filme e está em cartaz nos cinemas com a atriz Jennifer Lawrence no papel de Katniss.

Leia abaixo a entrevista com Lois H. Gresh, autora do guia.

Jogos Vorazes tem violência, mitologia e uma atmosfera obscura, e deixa o romance entre os protagonistas em segundo plano, diferentemente de séries como Crepúsculo. Ainda assim, a saga é um sucesso entre os adolescentes. Por quê? A trilogia é uma reflexão, um espelho dos nossos tempos. Em minha opinião, ela é um aviso de que nós, como espécie inteligente, precisamos nos unir e nos salvar de um futuro que, ainda que remotamente, pode ser parecido com o de Jogos Vorazes. Fome generalizada, crianças enviadas para o matadouro da guerra, colapsos ambientais, atos terroristas e guerra nuclear não são coisas certas. Posicionando-se contra esses temas, Suzanne Collins nos traz uma história linda. Como leitores, nós nos importamos com os personagens e queremos desesperadamente que tudo acabe bem. Essa é a razão que faz com que os adolescentes gostem da série, mesmo que o romance não seja o foco principal.

O que faz essa história ser adorada como as histórias fantásticas? Essa série cria um novo mundo de aventura, tragédia, invenções e, claro, um triângulo amoroso. Ela traz drásticas narrativas paralelas e também

Lois H. Gresh, autora do guia

ensina aos leitores uma lição importante sobre a vida e a natureza humana. Ela foca em como os humanos reagem a situações de vida e morte, quão materialista a sociedade humana se tornou e o que realmente significa se apaixonar por alguém e testar se você estaria disposto a morrer por essa pessoa.

Você também já escreveu um almanaque sobre Crepúsculo. Qual sua opinião sobre a profundidade de cada história? A principal diferença entre as duas histórias é o ponto de aproximação entre realidade e ficção. Crepúsculo trata de uma crença antiga — a dos vampiros — que é discutida até hoje. Para pessoas que não acreditam em vampiros e lobisomens, a saga de Stephenie Meyer é só entretenimento. Por outro lado, Jogos Vorazes é uma grande crítica ao mundo atual em forma de ficção.

Por que personagens como Katniss Eveerden inspiram as pessoas? Katniss é um modelo para pessoas de todas as idades, principalmente para meninas. Seu papel as influencia de forma positiva. Eu admiro a naturalidade dela para cuidar da família. Quantas meninas de 16 anos podem dizer que têm toda essa responsabilidade? Seu amor pela natureza é fascinante.

Os monstros de Jogos Vorazes são os próprios seres humanos. Por outro lado, os monstros de séries como Crepúsculo e Harry Potter são vampiros, lobisomens e bruxas. Esse aspecto é bastante aceitável no mundo real, mas é um pouco cruel para um livro voltado para adolescentes… Os livros de Suzanne Collins foram preenchidos com mensagens importantes. As pessoas devem focar no que importa — bondade, paz, saúde, comida para todos — e não na aparência delas ou no que significam para as outras pessoas. É mais importante seguir em frente – literalmente sobreviver nos Jogos Vorazes – apunhalando as pessoas pelas costas ou tem mais sentido seguir em frente usando suas habilidades e inteligência e tentando ajudar as pessoas à sua volta? É por isso que eu acho que, sim, Jogos Vorazes procura ser educacional.

Raissa Pascoal

25/03/2012

às 8:34 \ Livros da Semana

Contos imagéticos para crianças e adultos

As fronteiras que definem o que é literatura estão cada vez mais difusas. Autores contemporâneos como o alemão W. G. Sebald e o mexicano Mario Bellatin incorporaram o uso de fotografias intercaladas na prosa. Em Contos de Lugares Distantes (tradução de Érico Assis, CosacNaify, 104 páginas, 45 reais), Shaun Tan, escritor e quadrinista australiano, também busca mesclar texto e imagem de forma que um meio narrativo complemente o outro. Sua arma não é a fotografia, mas o desenho a lápis e a pintura a óleo.

Tan é mais conhecido por HQs como A Chegada, em que narra a história de um imigrante que, ao sair de seu país de origem, se depara com um mundo estranho, incompreensível e ocasionalmente hostil. O impressionante de A Chegada, no caso, é o fato de o autor não usar texto – a HQ é composta exclusivamente de imagens ricas em detalhes. Apesar de não ter palavras, o livro constrói uma narrativa sólida e impactante.

Contos de Lugares Distantes, por outro lado, é mais tradicional, no sentido de que as histórias contadas tomam a forma de “contos”, na acepção corrente do termo. São textos que não pareceriam deslocados em uma antologia de fantasia e ficção científica que incluísse Philip K. Dick, Ray Bradbury ou escritores mais recentes como Neil Gaiman. E, no entanto, há um uso bastante criativo de imagens. Os desenhos e pinturas de Tan não apenas ilustram o texto, mas complementam a narrativa e fazem avançar a trama. Contos como Chuva ao Longe são ainda mais radicais na mistura. Aqui, a história é contada através de recortes de papel, cada um com uma fonte diferente. A revelação final da narrativa justifica a maneira como é contada. É um feliz caso de união entre texto e forma visual.

O assunto central de A Chegada, o contato com culturas diferentes, que parecem alienígenas para o narrador, retorna em diversos momentos de Contos de Lugares Distantes. Mas, se for preciso apontar uma temática recorrente e definidora do livro, pode-se dizer que Contos de Lugares Distantes gira em torno da visão que as crianças têm do mundo.

Muitos contos incluídos no livro poderiam ser facilmente classificados de infantojuvenis – o que não quer dizer que a obra de Tan seja destinada a crianças. O livro percorre uma interessante zona cinza entre a literatura infantojuvenil e a adulta: território que, no cinema, é explorado por cineastas como Guillermo del Toro, de O Labirinto do Fauno. Isso não quer dizer, claro, que as tramas de Tan agradarão sempre aos dois públicos. Contos de Lugares Distantes apresenta histórias que podem soar incompreensíveis e complexas para os leitores mais jovens, e outras, mais óbvias, que podem parecer melosas e bobas para os adultos.

Shaun Tan ocasionalmente cai em lugares-comuns da literatura fantástica, como o conto País Nenhum, em que uma família descobre um mundo secreto dentro de casa. As histórias mais clichês, porém e por sorte, estão em minoria. Contos como Os Gravetos e Feriado sem Nome (que versa sobre um feriado que seria quase uma antítese do Natal) mostram um autor intensamente criativo. Ainda que a prosa não seja o forte de Shaun Tan, o seu talento visual e sua inteligência na hora de mesclar texto e imagem fazem de Contos de Lugares Distantes um livro que merece a atenção das crianças – por não seguir o padrão de narrativa comportada que apresenta uma moral ao fim – e dos adultos.

Antônio Xerxenesky


 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados