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Felipe Moura Brasil

Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

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Felipe Moura Brasil estreou este blog em 2013, após dez anos como cronista na internet. Idealizou e organizou o best seller de Olavo de Carvalho, "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota". Autor da Editora Record, trabalha em dois livros previstos para 2016.

Marqueteiro de Lula e Dilma não sabe de nada

É curioso ver o truque sendo usado pelo autor original

Por: Felipe Moura Brasil

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1) A maior prova de que petistas só fingem se corrigir para continuar mentindo com maior legitimidade é que o marqueteiro João Santana, nas declarações retificadoras feitas à Receita Federal em 2015, acrescentou a seus bens quatro empresas no exterior, mas omitiu do fisco brasileiro a posse da offshore Shellbill Finance S.A, por meio da qual recebeu 7,5 milhões de dólares no exterior de offshores da Odebrecht e do operador de propinas Zwi Skornicki.

2) A origem desses 7,5 milhões de dólares, segundo a Lava Jato, é o esquema de propinas na Petrobras. O valor inclui 1,5 milhão de dólares recebidos em três repasses de 500 mil cada entre julho e novembro de 2014, durante a campanha presidencial de Dilma Rousseff, para a qual João Santana trabalhou.

3) Lula disse que não sabia de nada do mensalão. Dilma disse não sabia de nada do petrolão. João Santana é o marqueteiro de Lula e Dilma. João Santana disse que não sabe de nada sobre “a origem dos valores que ingressaram na conta bancária da Shellbil”, nem sobre “o destino dos valores utilizados na conta”. É curioso ver o famigerado truque sendo usado pelo autor original.

4) A esposa de Santana, Mônica Moura, declarou que os valores eram provenientes de campanhas realizadas por empresas do marqueteiro no exterior em eleições na Venezuela, Angola e Panamá; e que a empresa do casal recebeu via caixa dois da Odebrecht, empreiteira que até outro dia negava tudo veementemente, mas que, a qualquer momento, pode negar veementemente que tenha negado tudo.

5) Que o pagamento da campanha do presidente angolano – encerrada em agosto de 2012 e cujas contas foram divulgadas pelo próprio Santana – só tenha sido concluído em novembro de 2014 é uma alegação suficiente para convencer o eleitorado petista, mas não os investigadores do Ministério Público Federal.

6) Santana não confirmou a versão da própria mulher. Curiosamente, disse que “não tomou conhecimento do pagamento por terceiros de valores referentes às campanhas”, ao mesmo tempo em que negou que a conta da Shellbill tenha recebido “qualquer valor originado das campanhas presidenciais no Brasil”.

Mas se o marqueteiro não sabe a origem dos valores nem tomou conhecimento dos pagamentos, como pode saber de onde a grana não veio? Traduzindo: Santana diz que não sabe de nada, exceto qualquer coisa que prejudique o PT. Aham.

7) Sobre suas atividades como conselheiro da suposta presidente Dilma, Santana ainda disse que os serviços “se deram a título não oneroso” e que ele “foi um doador de serviços ao governo em razão do prazer que isso lhe gera e da facilidade que possui”. É o prazer da mentira. É a facilidade para o teatro.

8) Marcelo Odebrecht tem uma semana para entregar suas alegações finais ao juiz Sérgio Moro, que até setembro deverá condená-lo a não se sabe quanto tempo de prisão. Ou seja: o PT tem uma semana para assegurar que ele fique de boca fechada.

9) A reprovação das contas de campanha de Fernando Pimentel pelo TSE por extrapolar em pelo menos 10 milhões de reais o valor previsto torna ainda mais ilegítima a reeleição de Dilma Rousseff, que explorou na campanha presidencial de 2014 o fracasso do senador Aécio Neves em emplacar o segundo sucessor tucano no governo de Minas Gerais.

Pimentel, cujo mandato de governador poderá ser cassado, venceu logo no primeiro turno Pimenta da Veiga por 52,98% a 41,89% dos votos, o que ainda deixou Aécio com muito menos palanque no estado para o segundo turno de sua campanha presidencial.

A vitória de Dilma sobre Aécio em Minas por 51,64% a 48,36% dos votos foi decisiva para a reeleição da petista na acirrada disputa nacional com o tucano.

Em suma:

Dilma foi eleita, reeleita e mantida no poder à base de grandes, enormes e supremos golpes no país.

10) A propósito: a premissa do voto de Luís Roberto “Minha Posição” Barroso era que o rito de impeachment deveria seguir os procedimentos adotados no caso Collor.

Como as atas de 1992 PROVAM que a votação secreta e a chapa avulsa eram legítimas na eleição da comissão especial que analisa e dá o parecer sobre o pedido, fica evidente que o caso Collor seguiu a lei 1079 de 1950, que fala em “comissão especial eleita”, e não, como o voto de Barroso, o artigo 58 da Constituição de 1988, que fala genericamente de formação e atribuição de comissões que, no regimento da Câmara, nada têm a ver com a do impeachment.

Perdeu, Barroso.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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