Blogs e Colunistas

02/09/2014

às 13:54 \ Cultura, Eleições, Esquerdismo

Marina [Lula da] Silva não sabia de nada

I. Em entrevista ao Jornal da Globo, a candidata Marina Silva respondeu a Christiane Pelajo sobre a modificação de seu programa de governo em itens como o casamento gay: “Na verdade, Chris, o que aconteceu foi que houve um erro de processo. A equipe do programa de governo foi quem fez a correção. Eu nem interferi nesse processo.”

Só para ver se eu entendi bem (mentira, eu entendi): Marina Silva não sabia de nada em relação ao avião do PSB pago com caixa dois e envolvido em uma porção de crimes, como deu a entender no Jornal Nacional; nem sabia de nada em relação ao próprio programa de governo agora editado no que diz respeito ao casamento gay e à energia nuclear, como deu a entender no Jornal da Globo? E esta senhora incapaz de gerenciar a própria campanha – e de assumir a responsabilidade por ela – é a favorita para gerenciar o Brasil, sob a bandeira da “nova política”?

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II. Segue abaixo a ótima matéria da Veja.com sobre a entrevista da candidata que fala ‘marinês’ (mas age de acordo com o lulopetismo). Complemento em seguida.

Nem a favor nem contra: o ‘marinês’ no Jornal da Globo
Questionada sobre temas espinhosos para a sua campanha em entrevista na bancada do programa, candidata do PSB à Presidência deu respostas evasivas

marina-silva-jg-2014-09-02-size-598“A senhora é a favor ou contra o casamento gay?”

“Vai reajustar a gasolina?”

“As termelétricas salvaram o Brasil neste ano. Pretende desligá-las se for eleita?”

Marina Silva, candidata do PSB à Presidência da República, mais uma vez abusou do “marinês” na madrugada desta terça-feira – a entrevista foi gravada horas antes nos estúdios da TV Globo – e, falando em rodeios, sem assumir posições assertivas, esquivou-se de perguntas sobre temas espinhosos para sua campanha no Jornal da Globo. Marina abriu a série de entrevistas de 25 minutos com os presidenciáveis – Dilma foi a única que se recusou a participar.

Gays – Logo de cara, os entrevistadores fizeram quatro perguntas para Marina sobre o recuo de sua campanha, que modificou um trecho do programa de governo favorável ao casamento entre homossexuais no final de semana, um dia depois do texto ter sido divulgado. Após o lançamento da cartilha de governo, Marina foi pressionada por pastores evangélicos. A saída foi alterar o documento e atribuir a mudança a um “erro de processo” – os coordenadores, segundo ela, incluíram a proposta “sem mediação”. Hoje, não foi diferente: “Foi incluído o documento enviado pelo movimento LGBT tal qual enviaram”. Em seguida, o entrevistador questionou a candidata se ela concordava com uma manchete dizendo: “Marina é a favor do casamento gay”. Ela não concordou nem discordou. O entrevistador insistiu. E com esta manchete: “Marina é contra o casamento gay”. Marina não concordou nem discordou. E terminou dizendo que era a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo, conforme a legislação do país reconhece. “O que a lei assegura é a união civil.”

Em seguida, questionada se consultava a Bíblia antes de tomar suas decisões, deu nova volta, afirmou que seus críticos tentam colar nela a pecha de fundamentalista, mas lançou frases direcionadas ao eleitorado evangélico, como “uma pessoa que crê” e “a Bíblia é uma fonte de inspiração”.

Marina ainda repisou posições que têm martelado no dia a dia da campanha, como a defesa do tripé econômico – câmbio flutuante, meta de inflação e responsabilidade fiscal – com independência total do Banco Central, críticas à atual condução econômica – “Há uma visão tacanha de se governar pensando nas eleições” – e seu compromisso em acabar com a reeleição, se for eleita.

Já nos minutos finais, os apresentadores do Jornal da Globo questionaram a ambientalista, que carrega a bandeira da energia limpa, se pretende desativar as termelétricas, que salvaram o país neste ano. A pergunta foi direta: sim ou não? Marina começou a resposta: “Falando desse jeito há uma simplificação…” E deixou escapar um breve sorriso. Era o “marinês” mais uma vez em ação.

****

III. Retomo. Mesmo quando assume alguma posição sobre temas espinhosos, como a legalização das drogas e o aborto, que ela diz apenas “não defender”, é como se a suposta opinião de Marina não tivesse qualquer efeito prático, já que ela pede mais discussão e joga para a arquibancada decidir, como ficou claro no debate do SBT:

“Esse debate precisa ser feito com muito cuidado e responsabilidade. Não é uma discussão fácil. Envolve questões filosóficas, éticas, morais e espirituais. O problema é que há uma visão atrasada que, em vez de discutir no mérito, vai para o rótulo. Eu não satanizo ninguém que defende a legalização das drogas, como é o caso do presidente Fernando Henrique, do PSDB; e nem aqueles que estão defendendo o aborto. O que eu quero é fazer o debate para que a gente possa, através de um plebiscito, chegar a uma conclusão em relação a esse tema.”

Quer dizer: Marina [Lula da] Silva não sabe de nada de podre em sua campanha, nem nada de efetivo em seu programa de governo. O negócio é só detonar os adversários, sem se comprometer com coisa nenhuma para não perder o voto de ninguém.

Em suma: “nova política”, velho oportunismo.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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Veja também: Como vencer Marina Silva

01/09/2014

às 21:36 \ Cultura, Eleições

Debate do SBT: Marina é mais contundente que Aécio no ataque a Dilma. Será que é porque ela leu meu blog?

Se Aécio não fala o que eu digo, Marina fala.

No debate promovido pelo jornal Folha de S. Paulo, o SBT, UOL e Rádio Jovem Pan, em que houve polarização entre as duas candidatas empatadas na liderança com 34% das intenções de voto segundo o Datafolha, Marina atacou Dilma, confessadamente nervosa desde o começo, dizendo: ”Quando as coisas vão bem, 100% dos louros vão para o seu governo. Quando vão mal, é a crise internacional.”

A equipe de Marina leu direitinho o que venho escrevendo desde 22 de julho, quando Lula disseminou entre os governistas esse discurso cínico, hoje repetido e ampliado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que inclui até a seca e a Copa no pacote dos culpados.

Lula economia

Tanto é assim que, como comentou hoje Ricardo Amorim, “A ‘crise internacional’ culpada pela nossa recessão só afeta o Brasil. Entre os 35 países das Américas, só na Argentina e no Brasil o PIB cairá neste ano.”

Mas a culpa, claro, nunca é do PT.

No começo do debate, Dilma disse que seu governo foi o que mais investiu em segurança pública, mas o resultado foram mais cadáveres – ou seja: dinheiro do povo jogado no lixo.

Marina questionou a presidente sobre “o que deu errado em seu governo”, já que ela não cumpriu a promessa de fazer o Brasil crescer com inflação baixa. Como a petista resolveu responder o que supostamente deu certo, Marina atacou: “A presidente Dilma tem muita dificuldade em reconhecer os erros do seu governo. Nós defendemos sim a autonomia do Banco Central porque esse governo, com atitudes erráticas, não ajuda a resolver os problemas.” Mais um ponto no confronto direto para Marina, que já havia deixado Dilma sem resposta expondo os desastres na Petrobras.

Captura de Tela 2014-09-01 às 20.47.34Luciana Genro, em socorro a Dilma, questionou se Marina é a “segunda via do PSDB”, coisa que a militância do PT adora, como se vê na imagem ao lado. Marina, na verdade, é o PT do B, como já expliquei neste blog, mas o partido precisa associá-la aos únicos adversários que sabe combater: os tucanos. E para isso conta com o PSOL, que existe precisamente para ser seu testa-de-ferro, acusando seus adversários daquilo que lhes interessa, com as inversões de sempre, como ficou claro na censura a Rachel Sheherazade.

Já Aécio resolveu dizer à Luciana Genro que desconfia de quem fala “em nome do povo”, ao que ela respondeu que ele tem razão em desconfiar porque governa para as elites. Quer dizer: Aécio conseguiu levantar a bola até para a candidata do PSOL cortar. Assim fica difícil.

Mesmo quando ataca Dilma, o candidato do PSDB continua técnico demais: “O ativo mais valioso da política é o tempo. O governo do PT perdeu um longo período que poderia fazer investimentos.” Como comparar a contundência desse papo burocrático de “ativo valioso” ou de todo aquele de “indicadores sociais” com os dois desmascaramentos morais perpetrados por Marina? Não dá.

E o pior é que Aécio, que já chamava Dilma de “mulher de bem”, disse ainda nas considerações finais: “Acredito nas boas intenções da candidata Marina”, com a ressalva apenas de que ela “defende teses que combatia até pouco tempo atrás”. Ou seja: todo mundo é bonzinho, mas ele é o melhor gerente, ok? Esse é o discurso de Aécio, como também era o de José Serra em 2010 – o discurso de quem pede para perder ou, desta vez, para descolar uma vaguinha num eventual governo de Marina.

Em entrevista à TVeja, Serra havia dito que, em campanha, “você começa de um jeito e depois você vai acelerando”, mas a aceleração de Aécio, pelo visto, ainda está longe de começar.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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31/08/2014

às 22:37 \ Cultura, Eleições

Ôôô, a Dilma amarelou! Presidente recusa entrevista ao Jornal da Globo, após vexame no Jornal Nacional. Calada, ela é a poetisa do PT! A amarelada da Copa voltou!

Dilma-amuada-_-Foto-O-Globo-440x247Ricardo Setti informou aqui na VEJA.com que Dilma não participará da série de entrevistas de presindenciáveis no “Jornal da Globo”:

Depois de aceitar ser entrevistada pelo Jornal Nacional no dia 18 passado, tal como ocorreu com seus principais adversários, a presidente Dilma Rousseff comunicou sexta-feira à Rede Globo que não participará da sequência de entrevistas com candidatos à Presidência que será realizada pelo Jornal da Globo proximamente.

Não por acaso, a decisão foi adotada e comunicada no mesmo dia em que o instituto Datafolha mostra a presidente petista empatada com Marina Silva (PSB) em intenções de voto para o primeiro turno das eleições, a 5 de outubro, e sendo derrotada por ampla margem — dez pontos — em uma projeção de segundo turno, que se realizará a 26 do mesmo mês.

Comento:

O que será isto senão mais uma amarelada de Dilma, como aquela do discurso inaugural da Copa do Mundo?

Para quem já não se lembra, a presidente fez o discurso na TV para não correr o risco de ser vaiada no estádio, como acontecera no Mané Garrincha, na Copa das Confederações. E se vestiu de verde para a amarelada não dar muito na vista. Dilma compareceu caladinha ao Itaquerão – onde, mesmo assim, acabou hostilizada pela torcida -, quebrando a tradição recente do evento, que contou com declarações de presidentes e primeiros-ministros nas últimas duas décadas. A presidente preferiu mentir longe do público, que bem ou mal sabia que as obras haviam atrasado, que praticamente nenhum dos estádios fora entregue conforme o prometido, que a transparência nos gastos era falsa, que a Lei de Licitações fora jogada no lixo e que a maioria das obras de mobilidade ficou no papel. No dia seguinte ao discurso, ainda teve o cinismo de inaugurar um metrô incompleto em Salvador, que estava em obra há 14 anos.

Agora, depois do mau exemplo que deu às crianças do Brasil no Jornal Nacional, onde William Bonner a questionou sobre o apoio do PT aos corruptos do partido e Dilma ignorou a corrupção petista na resposta, assim como viria a fazer no debate da Band ao ser questionada por Aécio sobre a corrupção na Petrobras, Dilma amarela para o Jornal da Globo, que curiosamente fez ótima reportagem sobre o desastre atual da economia brasileira (assista aqui).

De William, já bastou o Bonner, não é mesmo? O Waack seria demais para a candidatura de Dilma resistir. Fazer o quê, se a entrevista na Globo não é como a Wikipédia que pode ser adulterada pela militância no Planalto? Parece que a alta cúpula do partido sabe que o silêncio da presidente vale mais que mil palavras de dilmês. Calada, ela é a poetista do PT.

Cantemos de novo, pois, em sua homenagem:

ÔÔÔÔÔÔ
A DILMA AMA-RE-LOU
A DILMA AMA-RE-LOU
A DILMA AMA-RE-LOU… ÔÔÔÔÔÔ

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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31/08/2014

às 18:56 \ Cultura, Eleições

Como vencer Marina Silva

I. Na correria do sábado, não consegui o acesso ao blog, então anotei logo no Facebook:

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* Veja também o post anterior: “A queda anunciada de Aécio – Sim, eu avisei“.

Como escreveu Olavo de Carvalho ontem: “Alguém será estúpido o bastante para achar que o Eduardo Gianetti, mesmo na hipótese incerta de tornar-se um membro do gabinete, exercerá sobre um possível governo Marina Silva mais influência do que compromissos de vinte anos assinados entre o PSB e o Foro de São Paulo?

Resposta: Sim, a direita brasileira já chegou, no seu curso declinante, àquele ponto em que um imbecil desesperado se apega à primeira macumba ou pé-de-coelho que o inimigo esperto lhe oferece para estupidificá-lo um pouco mais.”

II.

Noblat

Mas já, Noblat? Nada como ter o marinismo exposto para começar a se comportar, não é mesmo? Veremos doravante se isto é só afetação de independência.

[* Na Veja.com: "Marina muda capítulo sobre casamento gay de programa - Nova versão do plano de governo opta por uma redação genérica sobre o tema; capítulo sobre energia nuclear também foi alterado neste sábado".]

III.

Agora que o pibinho ficou negativo e o Brasil entrou em recessão técnica, virou moda entre governistas como Guido Mantega repetir o discurso de Lula de 22 de julho; e, entre os analistas da mídia, o diagnóstico que eu fiz naquele dia. Como eles não me citam, eu mesmo me cito para lembrar – e aproveito para aplicar mais uma vez o aforismo de Karl Kraus à situação: “Há escritores que já conseguem dizer em vinte páginas aquilo para o que às vezes preciso de até duas linhas.”

Sinto muito, mas… the “zuera” never ends.

Lula economia

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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30/08/2014

às 13:26 \ Cultura, Eleições

A queda anunciada de Aécio – Sim, eu avisei

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Estreei meu blog na VEJA em 2 de dezembro de 2013. Já no dia 4, o terceiro no ar, apontei exatamente a frouxidão e a dificuldade de comunicação do PSDB no artigo “A Copa perdida” que segue abaixo, como já havia feito antes, inclusive no livro que organizei, e faria muitas vezes depois, como se pode ver, por exemplo, aquiaquiaqui, aqui, aqui, aqui, aquiaquiaquiaquiaquiaqui. Mas, ao contrário de Marina Silva, que entrou na disputa detonando o PT e o PSDB ao mesmo tempo, como já expliquei aqui, (o partido de) Aécio Neves não aprendeu a lição. E, por enquanto, deu no que deu.

*******

comunicFernando Henrique Cardoso escreveu em seu artigo no Globo de domingo, logo após admitir que as “oposições” estão “berrando pouco”: “É preciso dizer com coragem, simplicidade e de modo direto, como fizeram alguns ministros do Supremo, que a democracia não se compagina com a corrupção nem com as distorções que levam ao favorecimento dos amigos.” Ou seja: na hora de falar ao povo sobre a roubalheira petista, é proibido usar a palavra “compagina”.

Não sei nem se as próprias “oposições” entendem FHC. Não sei se elas se “compaginam” com o ex-presidente. Talvez ele também devesse lhes dizer as coisas com simplicidade e de modo direto, se quiser mesmo “desfazer na consciência popular (…) o manto de ilusões com que o lulo-petismo vendeu seu peixe”. Outra expressão a ser evitada é “manto de ilusões”. Na consciência popular, o único “manto” que existe, sabidamente sagrado aliás, é o do Flamengo. Se o PSDB sair berrando “manto” ao falar do PT, Lula acaba virando um Zico.

O mensalão é a coisa mais fácil do mundo de ser explicada à moda lulista ao povo. Sejamos simples e diretos:

Na Copa do Congresso, o PT comprou os jogadores (ou times) adversários para vencer os jogos por goleada, usando o dinheiro do povo – até que o juiz descobriu e deu cartão vermelho para José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e outros, mandando-os mais cedo para o chuveiro frio. (O chuveiro frio, aqui, é opcional.)

Se os petistas disserem que o juiz não tinha o direito de fazer isso, estarão confessando que compraram os jogadores (ou times) adversários. Se disserem que o juiz é ladrão, será preciso repetir mil vezes que o juiz havia sido escolhido por eles mesmos, que tinham o mando de campo. Se disserem que o PSDB também botou dinheiro no bolso em Minas Gerais, restará ao capitão Aécio mostrar que, no PSDB, jogador ladrão é punido pelo próprio time quando descoberto, enquanto no do PT, é protegido e tido como herói pelos “companheiros”, do tipo que ainda volta a campo no fim do jogo para levantar a taça e esfregar na cara da torcida.

Dizer isto seria o mínimo. Mas o problema do Brasil é o “delay” das “oposições”.

Em entrevista à Época sobre o seu novo livro, Década perdida, o historiador Marco Antonio Villa afirmou que, em 2005, FHC saiu “dizendo que um processo de impeachment de Lula criaria uma crise institucional, afetaria a economia, o crescimento do país”, como se 10 anos de governo petista não fossem cumprir essas e outras tarefas sozinho. “Essa é uma dívida histórica que ele tem com o povo brasileiro. No momento em que o PT estava nas cordas, em vez de levá-lo a nocaute, como o PT faria se estivesse do outro lado, o que o PSDB fez, por meio de seu principal líder, foi deixar Lula sangrando nas cordas, acreditando que o nocautearia facilmente nas eleições de 2006. A oposição teve medo, e esse medo é que deu combustível para que o PT virasse o jogo, estabelecesse uma aliança sólida com o PMDB e partidos satélites e criasse o novo Lula, no último ano do primeiro governo. Esse novo Lula é produto de uma leitura de conjuntura equivocada e danosa para o futuro do país. E essa leitura foi feita por Fernando Henrique e pelo PSDB.”

É verdade. Fernando Henrique e o PSDB são, na melhor das hipóteses, ruins de leitura, de boxe, de futebol, de berro e de transmissão ao vivo.

Assim fica difícil o povo se “compaginar” com eles.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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29/08/2014

às 16:25 \ Cultura, Eleições

Nelson Motta, Mainardi, Marina e eu

O artigo “Como uma onda“, de Nelson Motta, sobre a candidata Marina Silva publicado hoje no Globo é uma mistura – não vou dizer voluntária; apenas constato as semelhanças de ideias – do que venho escrevendo aqui com o que Diogo Mainardi escreveu na Folha, e estou de acordo com ambas as partes. Mas tenho pequenas considerações sobre os acréscimos de Nelson.

Escreve ele – e eu vou comentando:

“Os marqueteiros sempre dizem que o eleitor vota mais levado pela emoção do que pela razão, e Marina Silva não precisou de uma campanha de marketing para provar que eles estão certos.”

Claro que precisou. E o próprio Nelson vai descrevê-la.

“Entre os 70% dos que estão insatisfeitos e querem mudanças, boa parte está encontrando nela uma esperança que, apesar de seu passado petista e da senilidade do PSB, não tem o ranço partidário que nauseia o eleitor.”

Está encontrando justamente porque o marketing é bom e fisgou o anseio do povo em benefício de Marina, cujo ranço partidário se dilui em braços partidários dissimulados como a Rede.

“Ninguém é bobo [o] bastante para acreditar numa ‘nova política’, mas qualquer coisa diferente da atual já seria um grande avanço.”

Claro que há bobos o bastante. Há dezenas de milhões deles no Brasil. Houve bobos o bastante para acreditar na bandeira da “ética na política” com a qual o PT subiu ao poder; e há bobos o bastante para acreditar na “nova política” de Marina Silva, de modo que cabe à camada intelectual da sociedade mostrar que é o velho embuste de sempre. De resto: qualquer coisa diferente da política atual NUNCA é necessariamente um avanço, como não foi nos Estados Unidos, por exemplo, depois que bobos o bastante – eles estão por toda parte e os marqueteiros vivem de explorá-los – acreditaram no “Yes, we can” de Barack Obama.

Como anotei no Facebook na noite do debate da Band:

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“Ao reconhecer os méritos e as conquistas dos governos FH e Lula e se apresentar como uma terceira via para a polarização PT x PSDB, que divide e atrasa o país, Marina atinge em cheio o eleitor que quer mudanças feitas por alguém com autoridade, legitimidade, honestidade e competência.”

E o nome disso que faz Marina “atingir em cheio” o eleitor, como eu havia descrito ontem, é justamente… marketing:

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“Muito dificilmente, ela terá condições políticas para fazê-las [as mudanças], mas quem acredita que Dilma ou Aécio terão, com os seus partidos carcomidos e suas tropas políticas destruindo e sabotando uns aos outros?”

Eu acredito, registro, que o PT de Dilma pode mudar – e decerto mudará, em caso de reeleição – o Brasil para pior, como deixa evidente a assinatura do decreto 8.243, apoiado por este suposto exemplo de “autoridade, legitimidade, honestidade e competência” que é Marina Silva. ”No horizonte da turma que defende esse lixo autoritário, está, inclusive, o controle da imprensa, sim, senhores!, por conselhos populares”, como escreveu Reinaldo Azevedo, referindo-se à turma de Gilberto Carvalho. O decreto, lembro eu, disciplina a participação no governo federal brasileiro dos “movimentos sociais” controlados e financiados pelo PT, subordinando o povo e a gestão pública a uma falsa “sociedade civil” constituída pela “companheirada”, incluindo a turma do MST, movimento do qual Marina veste o boné, como uma autêntica petista de raiz que também pode, portanto, mudar o Brasil para pior.

“Para quem não aguenta mais ter que escolher entre o preto e o branco, Marina oferece a opção de 50 tons que vão do verde ao vermelho, passando pelo azul.”

No caso de Marina, mais certo é dizer verde por fora e vermelho por dentro. E talvez laranja, em homenagem à rede de empresas fantasmas envolvidas na compra do avião do seu partido, o PSB, pago com caixa dois.

“Se a onda crescer e for eleita com uma votação avassaladora, Marina certamente receberá ofertas de apoio de todos os lados, querendo participar do poder, com as melhores ou piores intenções, e poderá escolher para seu governo os mais competentes de diversas filiações partidárias.”

Este é o trecho relativo ao texto do Mainardi, que escreveu: se Marina ganhar, “voluntários de todos os partidos irão oferecer seus préstimos, e ela, agradecida, aceitará, claro. Assim como aceitará a serventia e a cumplicidade daqueles que, até hoje, sempre lucraram com Dilma e o PT: no empresariado, no sindicato, na cultura, na imprensa.”

Estamos de acordo neste ponto. Mais um traço da velha política de Marina.

“OK, é um sonho, todos sabem que esse papo de governo de união nacional é furado, porque eles gostam mesmo é de partilhar o butim do presidencialismo de cooptação, mas, com Marina poderosa e uma eventual pressão da opinião pública, que os políticos tanto temem, talvez tenhamos alguma chance de virar o jogo.”

Ok. Eu já impliquei com o “ninguém é bobo o bastante”. Não vou implicar com o “todos sabem”.

“Enquanto isso, insones e febris, marqueteiros petistas e tucanos e blogueiros de aluguel quebram a cabeça para encontrar uma forma de desconstruir Marina, garimpando, ou inventando, algo de podre na sua vida pública ou privada.”

Para Nelson Motta e boa parte da imprensa, como se vê, Marina é a única candidata autêntica que não precisa de marqueteiro. Ela é a Rainha da Floresta, com seus “50 tons que vão do verde ao vermelho, passando pelo azul”, sua “autoridade, legitimidade, honestidade e competência”, enquanto os marqueteiros dos outros tentam denegrir essa pureza messiânica.

Que blogueiros de aluguel do PT vão intensificar os ataques a Marina conforme ela ameace a vitória de Dilma, não há dúvida. Mas que a candidata tem explicações a dar – se é que isto é possível – sobre os (laranjas) podres do avião do PSB, o apoio ao decreto 8.243, a reprovação contundente que sofreu daqueles que realmente estiveram sob seu governo no Acre, o embuste de sua “nova política”, e o ódio a São Paulo e aos paulistas devotado pelo seu marido, Fábio Vaz, para quem os mais ricos – à exceção dos eleitores de Marina, como constatou Reinaldo – têm na “maioria das vezes o desprezo, o preconceito e a prepotência com seu semelhante”, sendo que a elite de São Paulo maltrata os nordestinos, “bem vindos [sic] apenas para suprir o exército de força de trabalho” em serviços subalternos, tampouco resta dúvida.

É lulice demais para um casal só.

Nelson Motta está longe de ser um Ricardo Noblat, acusando de má-fé quem quer vencê-la no “tapetão”, mas, colocando na conta de “marqueteiros insones e febris” e “blogueiros de aluguel” as tentativas necessárias de se descobrir o que há por trás da imagem – ela própria marqueteira – de Marina, também acaba dando uma contribuiçãozinha para a blindagem moral da candidata.

De certo, só que nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa, tudo sempre passará. Quem viver verá.

De certo, só que não falta mesmo quem, voluntária ou involuntariamente, faça marketing de Marina Silva na imprensa acusando o marketing dos outros. E funciona.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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28/08/2014

às 19:34 \ Comportamento, Cultura, Esquerdismo, Mundo

Assista ao vídeo: Como falar a língua da esquerda

Comentei outro dia no Facebook:

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Pois bem. Traduzo abaixo o conteúdo do divertido e educativo vídeo em que o premiado escritor, roteirista e comentarista de mídia Andrew Klavan, autor, entre outros, dos livros “True Crime”, que deu origem ao filme “Crime verdadeiro“ de Clint Eastwood, e “Don’t say a word”, que resultou no filme “Refém do silêncio” com Michael Douglas, oferece um guia útil sobre o verdadeiro significado de frases populares de esquerda, também muito comuns no Brasil. Em julho do ano passado, eu publiquei um dicionário de esquerdês, depois trago aqui para o blog.

Eu sou Andrew Klavan e esta é a Verdade Revoltante.

Alguns de vocês podem ter notado que o nosso país está fortemente dividido em linhas políticas. Para aqueles de vocês que não tenham notado: o nosso país está fortemente dividido em linhas políticas. Cerca de 38% dos americanos se identificam como conservadores, 23% identificam-se como esquerdistas, enquanto que os restantes 39% não conseguem se identificar e estão à espera de um policial para levá-los para casa.

Aqueles que se identificam como conservadores em geral acreditam em governo limitado, impostos baixos e apego à Constituição. Aqueles que se identificam como esquerdistas em geral acreditam que se tivessem um martelo, eles bateriam o martelo da justiça por todo o território, mas como eles não têm, vão tomar um café com leite e se sentir bem sobre si mesmos.

Podemos trazer esses dois lados mais para perto um do outro sem usar corda e pistola de pregos ou usar corda e pistola de pregos, na verdade, seria até divertido?

Nós aqui na Verdade Revoltante acreditamos que uma comunicação melhor é o caminho para uma compreensão melhor, que é o caminho para melhores relações, que é a autoestrada para melhores casas e jardins, que são a última parada antes da Terra do Amanhã.

E é por isso que hoje nós gostaríamos de apresentar a primeira edição do dicionário de esquerdês – um glossário de termos de esquerda e seus significados que vão ajudar direitistas a entender do que estão falando as pessoas que não sabem o que estão falando.

Vamos começar com um termo que direitistas ouvem muito quando estão conversando com esquerdistas: “Você é racista!” A frase “Você é um racista!” ou “Isso é racista!”, é o esquerdês para “Eu não tenho argumentos lógicos”. Como exemplo de como o termo é usado em uma conversa, digamos que você aponte que, sob as políticas de esquerda do presidente Obama, o percentual de famílias afro-americanas que vivem na pobreza aumentou e a participação dos negros na força de trabalho tem diminuído, enquanto sob o presidente direitista [Ronald] Reagan o desemprego entre os negros despencou, e a diferença de renda entre brancos e negros se estreitou. É quando um esquerdista pode responder empregando a frase: “Você é racista.”

Esquerdistas têm muitas maneiras diferentes de dizer “eu não tenho nenhum argumento lógico”, pela mesma razão que os esquimós têm muitas palavras diferentes para neve. Outra maneira pela qual um esquerdista pode admitir que o ponto de vista dele é um absurdo é dizer “Eu estou ofendido”. Se, por exemplo, você aponta que a taxa de pobreza das mulheres aumentou no governo do presidente Obama e que o salário das mulheres em relação ao dos homens tem diminuído, tornando este um período econômico negro para as mulheres, um esquerdista pode responder: “Você disse a palavra negro. Você é racista. Estou ofendido.”

Uma outra maneira pela qual um esquerdista pode ter de dizer “Eu não tenho nenhum argumento lógico” é “está cientificamente comprovado”. Se você ressaltar que há exatamente zero evidências reais de que as ações humanas ameaçam causar uma mudança climática catastrófica, um esquerdista vai responder: “Está cientificamente comprovado.” Quando você perguntar a ele de quais fatos científicos específicos ele está falando, é provável que ele diga: “Estou ofendido. Você é racista.”

Espero que você tenha gostado desta edição do dicionário de esquerdês. Lembre-se: “Estou aqui para ajudá-lo”, o que [aliás] é esquerdês para “Passe sua carteira e corra para salvar sua vida”.

Eu sou Andrew Klavan com a Verdade Revoltante.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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* Traduções para o blog são feitas na pressa do dia e podem conter imprecisões isoladas.

28/08/2014

às 14:54 \ Eleições

Veja as novas campanhas à moda Marina Silva para líder de torcida, síndico, curador, representante de turma

Em uma assembleia qualquer no Brasil, para eleger:

UM REPRESENTANTE DE TURMA:

- Qual é a sua proposta para a nossa turma?

- Uma nova representatividade.

- Mas e o álbum de fotos, as feiras de ciências, as festas, excursões, viagens?

- A nova representatividade é uma alternativa à velha polarização.

UM CURADOR DE FESTIVAL LITERÁRIO:

- Qual é a sua proposta para o nosso festival?

- Uma nova curadoria.

- Mas e os escritores convidados, as tendas temáticas, as mesas de debate, os patrocinadores?

- A nova curadoria é uma alternativa à velha polarização.

UM SÍNDICO DE PRÉDIO:

- Qual é a sua proposta para o nosso prédio?

- Um novo “sindiquismo”.

- Mas e o vazamento de água, as despesas do condomínio, os porteiros, as vagas de garagem?

- O novo “sindiquismo” é uma alternativa à velha polarização.

UM LÍDER DE TORCIDA ORGANIZADA:

- Qual é a sua proposta para a nossa torcida?

- Uma nova liderança.

- Mas e as bandeiras, os gritos de guerra, os ingressos gratuitos, as passagens para os jogos fora de casa?

- A nova liderança é uma alternativa à velha polarização.

UM(A) PRESIDENTE DA REPÚBLICA:

- Qual é a sua proposta para o nosso país?

- Uma nova política.

- Mas e a segurança pública, a educação, a saúde, o transporte, a pobreza, os impostos?

- A nova política é uma alternativa à velha polarização.

*****

Parece caricato, mas… é Marina Silva. A caricatura em pessoa da Messias brasileira.

No Jornal Nacional, Marina teve um minuto e meio ao fim da entrevista, assim como os demais candidatos, para falar com os telespectadores “dos projetos que a senhora tem para o país”, como disse Patricia Poeta, perguntando “quais seriam os prioritários”.

Dilma, Aécio e Everaldo usaram este tempo para, bem ou mal, falar minimamente sobre… os projetos que têm para o país. Agora veja o discurso da candidata do PSB:

Marina Silva: Em primeiro lugar, eu gostaria de poder dizer para os nossos telespectadores que um dos projetos mais importantes, neste momento da história do Brasil, é que a gente possa renovar a política. De que a gente não desista de ter na política aquilo que os brasileiros tanto querem, que é vê-la a serviço de resolver os principais problemas do cidadão. Infelizmente, a política tem sido motivo de apartação, de contenda, da luta do poder pelo poder. Para mim, a política deve ser utilizada para unir as pessoas, para que, mesmo com interesses diferentes, a gente seja capaz de mediar os conflitos e fazer aquilo que é melhor para o benefício do povo brasileiro. Como presidente da República, eu quero que você me ajude a ser presidente da República para ser a primeira presidente que vai, que assume o compromisso de que não vai buscar uma nova eleição, porque eu não quero ter um mandato que comprometa o futuro das próximas gerações.

Patrícia Poeta: OK, candidata.

Marina Silva: Eu quero para que a gente possa ter uma agenda para mudar o Brasil.

Era de se esperar que uma candidata a presidente, líder de torcida, síndica de prédio, curadora de festival ou representante de turma apresentasse a sua agenda, em vez de ficar dizendo ao povo que quer que a gente possa tê-la um dia. Fernando Gabeira há décadas faz política fingindo não fazer. Barack Obama se elegeu fingindo a mesma coisa, e hoje os americanos já estão profundamente arrependidos. O próprio PT, de onde vem Marina, subiu ao poder sob a bandeira de ética na política e deu no que deu: mensalão e corrupção generalizada. Marina, como uma autêntica petista de raiz, repete a estratégia, mudando apenas as palavras.

No caso petista, Olavo de Carvalho já dizia: ”É natural que um povo que se sente ludibriado sem saber por quem tenha um fundo e dolorido anseio de moralidade. Com um pouco de esperteza, esse anseio pode ser pervertido em desconfiança, a desconfiança em ódio, o ódio em instrumento de destruição sistemática de lideranças indesejáveis.”

A estratégia de Marina é se valer do anseio de moralidade do povo na política, pervertendo esse anseio em ódio à polarização PT-PSDB, enquanto ela posa de Messias da pátria, de moral elevada, com a ajuda da imprensa.

William Bonner teve de desfazer esse mito, mostrando que, quando os adversários de Marina fazem composições com quem eles divergem, ela os acusa de “velha política” e, quando é ela própria a fazê-lo, como com seu vice, Beto Albuquerque, de quem diverge sobre culturas transgênicas e pesquisa com células tronco embrionárias, ela chama de “nova política”. Marina disse que os jornalistas estavam equivocados, sem saber explicar por quê, mas o motivo é simples: o correto, para ela, é ser tratada na imprensa – e até no debate com os demais candidatos – à moda Noblat, como está acostumada. Comentei ao vivo:

Captura de Tela 2014-08-28 às 14.27.11 Captura de Tela 2014-08-28 às 14.46.55 Captura de Tela 2014-08-28 às 14.47.03Quem anseia por moralidade na política não deveria se deixar levar pelos slogans de quem acusa os outros daquilo que faz. Como queríamos demonstrar:

Captura de Tela 2014-08-28 às 14.13.31

No meu prédio, Marina não seria a síndica.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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27/08/2014

às 19:30 \ Cultura, Esquerdismo

O papelão de Ricardo Noblat na blindagem de Marina Silva

Montagem Noblat final

O que os jornalistas não fazem para se manter mais à esquerda, sem compactuar com os crimes do PT, não é mesmo?

O PSB não incluiu as despesas com o avião nas prestações de conta da campanha, como VEJA informou aqui e aqui; mas aparentemente Marina Silva é para Ricardo Noblat (do Globo) quase o que Obama é para Arnaldo Jabor: um porto-seguro para o esquerdismo, isento de antemão de toda culpa.

Diogo Mainardi escreveu em dezembro de 2005 que “Noblat era lulista ligado a Dirceu, mas pulou fora no momento oportuno”. Vamos ver quanto tempo ele levará para pular fora do marinismo também.

A blindagem da Messias brasileira está pronta na imprensa – e quem quiser investigá-la tem “má fé”, viu?

Ui, ui, ui!

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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27/08/2014

às 14:34 \ Eleições

Aécio foi o melhor no debate da Band?

debate-presidencia-marina-BAND-16-size-598Que Aécio foi o melhor no debate da Band, no sentido de falar coisa com coisa, apresentar ideias e não fugir das perguntas, não resta dúvida. Se fosse pior que Dilma e Marina nesses pontos, restaria interná-lo. Mas isto não é suficiente para vencer, na percepção do grande público, a propaganda, o chavão, o embuste, a inversão, o ataque cínico que se passam como verdades imponentes. Muitas das pessoas letradas e engajadas politicamente sofrem do mesmo provincianismo mental de Aécio: pensam na sua própria capacidade de percepção, no seu próprio grau de conhecimento técnico, para julgar uma performance e então creem que o candidato esteve acima dos demais e que isto tem relevância na campanha eleitoral.

O confronto direto com Marina foi exemplar.

Quando Aécio questionou a candidata do PSB sobre a “falta de coerência” entre o discurso da “nova política” e as alianças que sua chapa firmou nos estados, por exemplo com o PSDB em São Paulo, na tentativa de trazer para o debate a alta popularidade do governador Geraldo Alckmin, ela se disse “inteiramente coerente”, reconhecendo que “existem pessoas boas em todos os partidos” e afirmando em linguagem futebolística à moda Lula, como uma autêntica petista de raiz, que “o problema é que essas pessoas, a maioria delas estão [sic] no banco de reservas, e a sociedade brasileira que se mobilizou em junho do ano passado, ela vai escalar uma nova seleção”. Quer dizer: Marina anulou a acusação e ainda posou de independente, conciliadora, capaz de reconhecer virtudes nos adversários, ao contrário deles.

Na réplica, Aécio tomou três atitudes básicas:

1) Limitou-se a dizer que continua “com dificuldade de entender o que significa essa nova política”. Quer dizer: como a acusação de falta de coerência não colou, porque era mesmo muito fraquinha, o candidato passou a mirar na nova política em si, com a cerimônia de costume, em vez de apontar de uma vez a farsa do slogan. Não há nada de novo sob o sol da “nova política”: apenas velhos políticos que fingem não estar fazendo política para enganar velhos e novos otários. Aécio não disse isso, é claro, e foi indireto demais para realmente dar a entender.

2) Reafirmou a sua própria coerência nas questões técnico-econômicas, ressaltando que as medidas tomadas pelo PSDB “alavancaram” o crescimento do Brasil, gerando mais empregos. Quer dizer: Marina falou em linguagem popular, Aécio entrou com o discurso de gerente de banco, sem exemplos práticos. Marina ficou com a coerência lá no alto ao derrubar a acusação de Aécio e ele teve de correr atrás para mostrar que é coerente também.

3) Cutucou a candidata do PSB com vara curta, dizendo que “fizemos tudo isso com a oposição do então seu partido, o PT” – mais uma acusação que Marina anulou, dizendo na tréplica que as palavras de Aécio apenas reforçavam o seu argumento e citando o caso da CPMF em que seu voto foi diferente dos demais petistas. Desse modo, ela pôde posar de independente de novo e atacar a polarização PT-PSDB, para a qual ela se diz uma alternativa, sendo esta a sua única “ideia” – que obviamente deveria ter sido desmascarada pelo candidato, como fiz no post anterior.

Alguém ainda acredita que Aécio tirou votos de Marina neste confronto?

Aécio pode ser “o melhor” o quanto seja, mas ainda é muito pouco eficaz para aumentar seu eleitorado. Vai permanecer em terceiro lugar nas pesquisas se continuar provincianamente querendo apresentar as ideias mais bonitinhas, sem detonar as adversárias dizendo verdades fundamentais.

Há mais coisas entre a frouxidão e a grosseria do que supõem os partidários da não agressão. E, em que pese o cuidado necessário para não extrapolar os limites, já passou da hora de Aécio não ter mais medo de recair eventualmente na segunda do que sempre na primeira.

Marina e Dilma não têm esse pudor tucano. Como autênticas leninistas de raiz, qualquer coisa elas acusam os outros daquilo (como, por exemplo, da própria política) que elas fazem o tempo todo.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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Veja também: Dilma não está “enganada”, Aécio. Dilma quer enganar! E Marina também! – Notas sobre o debate da Band [incluindo os vídeos].

 

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