Blogs e Colunistas

21/08/2014

às 15:31 \ Cultura, Mundo, Oriente Médio

Já contaram para o Conti? Autoridade do Hamas admite que grupo sequestrou os três jovens de Israel. Avisem a Helena Celestino e Janio de Freitas também, ok?

Mario Sergio Conti, o famigerado puxa-saco de José Dirceu que entrevistou o falso Felipão pensando que era o verdadeiro, escreveu no último dia 7 de agosto um artigo sobre Gaza, culpando Israel pelo “massacre”, quer dizer, culpando “os guerreiros do Pentateuco” que “assassinaram” criancinhas, como era de se esperar de Conti. Pensei em refutar linha por linha, como escrevi no Facebook naquele dia, mas imaginei que aquele Israel devia ser um sósia.

Agora que um oficial do Hamas na Cisjordânia – o mesmo Saleh al-Arouri que, como já veremos, este blog antecipou ser o mandante dos sequestros – admitiu que “A vontade popular foi exercida em toda a nossa terra ocupada, e culminou na operação heroica das Brigadas Ezedin al-Qassam de aprisionar os três colonos em Hebron”, referindo-se ao sequestro dos três jovens israelenses por parte do braço armado do grupo terrorista, não resisto a lembrar um trecho de seu artigo que, como outros tantos da imprensa nacional e internacional, tomava a negação da responsabilidade por parte do Hamas não só como digna de crédito, mas também como argumento para demonizar as ações do estado de Israel na operação Limite Protetor.

“Ao longo do morticínio, as razões invocadas por Israel para assaltar Gaza mudaram conforme a conveniência. Em junho, começou a Operação Guarda do Meu Irmão, em resposta ao desaparecimento de três adolescentes israelenses. Os jovens foram encontrados mortos e o Hamas disse de imediato que não tinha responsabilidade pelo assassinato.”

Se o Hamas “disse de imediato” – ui, ui, ui! -, então os israelenses são muito malvados por responsabilizá-los e por usar o caso como um dos pretextos para a guerra, não é mesmo? Conti outra! Demorar meses para assumir a responsabilidade favorece a propaganda anti-Israel, porque o Hamas sabe que a mídia fará o seu papel de condenar as ações israelenses e que a confissão tardia não terá a mesma repercussão da negação inicial, feita no calor do momento.

Aqui no blog, eu já havia escrito no meu primeiro artigo sobre o atual conflito:

Nas últimas semanas, aconteceu o de sempre – que pode ser sintetizado nessas imagens:

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A última imagem foi feita logo após os caças de Israel despejarem bombas sobre a Faixa de Gaza em retaliação à morte dos três jovens israelenses: Naftali Frenkel e Gilad Shaer, de 16 anos, e Eyal Yifrach, de 19. (…)

É verdade que colonos judeus, em represália à morte dos três israelenses, sequestraram e mataram um adolescente palestino, como numa espécie de justiçamento brasileiro. Mas sabe o que aconteceu com eles? Foram presos, é claro. Se fosse ao contrário, nem preciso dizer que os autores do crime seriam os “bravos, nobres e corajosos” heróis do Hamas.

Aqui no blog, eu também publiquei as entrevistas do “Filho do Hamas”, Mosab Hassan Yousef, destacando em negrito o trecho em que ele antecipava que o oficial do Hamas que hoje admite em Istambul a responsabilidade do grupo teria sido o próprio mandante do crime:

“Bem, eu acho que os catarianos têm alguma responsabilidade no que está acontecendo agora, porque eles financiaram o Hamas durante toda a última década. E a Turquia também fez o mesmo. Saleh al-Arouri, um dos principais líderes do Hamas, hoje vive na Turquia. Foi ele quem deu as ordens para os membros do Hamas da Cisjordânia raptarem os garotos israelenses e matá-los, em Hebron. Então, basicamente, esses poderes na região, eles precisam parar de apoiar o Hamas porque o Hamas é simplesmente uma organização terrorista, e ela não se importa com a vida dos palestinos. Ela não se importa com a vida dos israelenses, tampouco.”

Outros Contis
Aproveitando o embalo, Helena Celestino é outra colunista anti-Israel do Globo, que pertence, dizia eu, à escola imagética de Zuenir Ventura: “A multiplicação das vítimas civis e a obscena desproporção de poder militar nessa guerra contribui [sic] para degradar a imagem internacional do Estado judeu, cada vez mais dominado pelos falcões da direita.” O título sintomático de seu artigo de 23 de julho é “Marcha da insensatez”. Esta senhora marcha que é uma beleza. Seguindo fielmente a máxima atribuída a Lenin, “Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz”, ela culpa Israel pela degradação da própria imagem, quando esta se degrada sobretudo por conta da cobertura militante de Contis, Celestinos e CNNs da mídia internacional, tantas vezes desmascarada neste blog nos últimos meses.

Celestino chegou mesmo a escrever outro artigo em que exalta a agência da ONU em Gaza “que enfrenta o perigo para dar um pequeno espaço à vida normal das crianças palestinas”, omitindo tudo que informei aqui no blog sobre a cumplicidade da UNRWA com o Hamas, especialmente no post Chorão da ONU é desmascarado na TV! Vídeo mostraria escolas da entidade pregando ódio aos judeus. Cadê a notícia nos jornais? E as fotos dos foguetes do Hamas sendo lançados dos arredores das instalações da ONU? E o manual do Hamas ensinando a usar escudos humanos?.

E ainda há Janio de Freitas, o colunista da Folha que afirmou ser mentira “a velha alegação de que os hospitais, escolas, mesquitas e moradias destruídos serviam de depósitos de armas e munição do Hamas”, coisa que até Ban Ki-moon admitiu, como mostrei no post Momento épico! Embaixador de Israel detona CNN no ar! Cadê na mídia a mensagem do secretário-geral da ONU sobre o Hamas usar escolas como depósito de armas?. Os próprios leitores da Folha tiveram de escrever ao jornal lembrando esse e outros episódios e dizendo que Janio “despreza a realidade”, o que é bastante comum, como se vê, na imprensa brasileira.

Felizmente, Israel se preocupa mais em proteger seu povo do que em ficar bem na fita com seus inimigos. Os bombardeios desta manhã mataram três líderes militares do Hamas, que violara mais uma vez o cessar-fogo: ”A operação Limite Protetor não será concluída enquanto não tivermos a garantia da segurança dos israelenses”, declarou o premiê Benajmin Netanyahu. “Se o Hamas atacar, vamos responder com mais força ainda. E se eles não entendem hoje, amanhã eles vão entender; e se não for amanhã, será depois de amanhã”. Frase de quem enfrenta o terror de verdade, diga-se, não (só) um bando de sósias dos terroristas.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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20/08/2014

às 19:29 \ Brasil, Cultura, Mundo, Oriente Médio, Rio

O Brizola do mundo

Montagem Brizola ObamaO governador Leonel Brizola suspendeu toda ação da polícia nos morros do Rio de Janeiro, abrindo caminho para o regime feudal dos traficantes de drogas que retribuíram a gentileza popularizando a cocaína como brizola. O presidente dos EUA, Barack Hussein Obama, retirou as tropas americanas do Iraque e armou rebeldes sírios da Fraternidade Muçulmana, abrindo caminho para os terroristas do Estado Islâmico que retribuíram a gentileza decapitando um jornalista de New Hampshire que trabalhava na cobertura da guerra civil na Síria.

Garantindo o seu curral eleitoral nas favelas, Brizola alegava supostos abusos da polícia contra moradores como motivo para a sua “nova política de segurança pública”. Garantindo os votos de seu eleitorado pacifista, Obama pedia desculpas ao mundo pelos supostos abusos da guerra ao terror promovida por George W. Bush.

Ao ser questionado se não se sentia responsável pelo aumento da criminalidade no Rio de Janeiro, Brizola mostrou uma capa da VEJA que já falava em guerra civil no estado um ano antes de sua posse. Ao ser questionado se não se sentia responsável pelo aumento do terror no Iraque, com o massacre de cristãos e yazidis, Obama disse que a retirada das tropas não foi sua decisão, colocando a culpa no governo iraquiano e mais uma vez no anterior.

Milhares de mortes depois, Brizola afirmou que o problema da violência no Rio de Janeiro era juvenil e sua raiz estava na educação. Milhares de mortes depois, Obama afirmou que o Estado Islâmico é um “câncer que precisa ser combatido antes que se espalhe”.

Até hoje os pobres são reféns dos traficantes no Rio de Janeiro. Ainda hoje, as minorias étnicas e os correspondentes internacionais são reféns do Estado Islâmico no Oriente Médio.

Brizola foi o Obama do Rio. Obama é o Brizola do mundo.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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Decapitação ISIS jornalista

Veja também: As mentiras de Obama sobre a guerra no Iraque / O choro e o genocídio que Obama deixou acontecer

20/08/2014

às 3:40 \ Brasil, Cultura, Eleições

Dúvidas quanto à posição ideológica do Pastor Everaldo?

Captura de Tela 2014-08-20 às 01.05.34Entrar com propostas liberais e conservadoras em uma disputa eleitoral praticamente perdida para os esquerdistas de maior destaque rende os votos e os aplausos, ainda que minoritários, de uma parcela relevante da população carente de representação política. Caso a derrota se confirme, esses votos serão usados pelo candidato e pelo seu partido como poder de barganha no segundo turno das eleições, quando seu apoio for disputado pelos demais.

Isto já bastaria para que houvesse desconfiança quanto à sinceridade do Pastor Everaldo, do PSC, em relação às suas posições ideológicas, ainda mais sabendo-se que ele não só foi aliado de Leonel Brizola, Lula e Dilma, e apoiou comunistas do naipe da deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB/RS), como até hoje elogia Lula, a quem dá nota 9, e também os programas Bolsa Família e Mais Médicos, embora pregue a reformulação deste último, o que significa pagar mais para os profissionais e não para a ditadura cubana, como faz o governo do PT.

Após Patrícia Poeta colocar a experiência do Pastor Everaldo contra a parede na entrevista ao Jornal Nacional, e ele mal conseguir se defender dizendo “Eu acredito em equipe” e “dando um exemplo [de liderança] e trazendo os melhores quadros técnicos que nós temos no Brasil é suficiente para nós governarmos este país”, William Bonner fez bem em questioná-lo sobre a adoção supostamente recente desse discurso mais à direita, em trecho que segue abaixo para que cada um tire suas próprias conclusões.

É possível que o candidato tenha sido sincero nas respostas e, portanto, acredite mesmo naquilo que disse? Claro que sim. Nunca é tarde para alguém se endireitar na vida. Mas o Brasil é um país tão tragicamente entregue às esquerdas que, apesar da importância da introdução dessas propostas no debate, o único candidato tido como liberal e conservador ainda desperta dúvidas legítimas quanto ao seu liberalismo e ao seu conservadorismo; e, quando confrontado, não tem lá muito traquejo para ser tão convincente quanto deveria.

Bonner ainda o colocaria no chão, dizendo que “No mundo real, as concessões que o senhor será obrigado a fazer para obter o apoio para todas essas mudanças vão descaracterizar completamente as suas propostas, o senhor sabe disso”. O máximo que Everaldo conseguiu responder sem fugir da questão foi: “Olha… eu falei que vou fazer um corte na carne.”

*****

William Bonner: Candidato, ao longo da sua história, o senhor foi aliado de Leonel Brizola, de Luiz Inácio Lula da Silva, mais recentemente da presidente Dilma Rousseff. Todos eles têm raízes no trabalhismo. Todos eles, de alguma maneira, têm lá suas simpatias ideológicas ou pelo socialismo ou, no mínimo, pela social-democracia. Sempre defenderam uma presença forte do estado, uma intervenção, uma regulação do estado na economia. Curiosamente, o seu programa de governo prega exatamente o oposto, defende o oposto, né? O senhor defende uma espécie de liberalismo clássico. O estado mínimo, uma redução… A maior redução possível da presença do estado, da regulação da economia. O senhor fala em flexibilização de leis trabalhistas, o senhor fala também em fim absoluto de protecionismo. Pergunto: essa sua defesa do liberalismo é uma defesa sincera ou é uma conveniência eleitoral?

Pastor Everaldo: William, eu, é… O discurso da esquerda, eu que vim de uma família humilde, de uma comunidade pobre, sempre me cativou. Principalmente o governador Leonel Brizola era uma pessoa afeita à educação. Eu, como já falei aqui, tive condições de ter uma escola pública de qualidade. Então, para mim, foi importante a escola pública. Então a educação, para mim, era muito importante. E como a proposta era inserção social, eu que nasci no Rio de Janeiro, na favela do Acari, menino pobre, família rica da graça de Deus, mas de recurso era pobre. Então, para mim, essa proposta era uma proposta interessante. E acreditei o tempo todo que ela era a melhor. Mas no último governo da atual presidente, eu vi que foi estabelecido um aparelhamento do Estado. O Estado se agigantou de tal maneira que realmente contrariava os princípios que eu acredito do empreendedorismo, da iniciativa privada. Então, vamos dizer, está hoje o governo está sufocando, o governo quer tomar conta de tudo. Então, vamos dizer, eu sempre acreditei porque eu venci na vida com mérito, com a meritocracia, com o trabalho. Então, eu não dependi do Estado para mim vencer na vida.

William Bonner: Mas candidato, retomando o que o senhor disse, a sua vida pública começou em 1981.

Pastor Everaldo: Vida política, 81. A vida pública foi…

William Bonner: A sua vida política, claro. Desde 1981, o senhor esteve alinhado com Brizola, com Lula e, só agora, questão de cinco meses, o seu partido deixou de ser um partido que faz parte da base aliada do governo Dilma. O seu partido deixou de ser da base aliada, mas não foi… Mas ele não foi para a oposição, ele se tornou um partido independente do governo. Ou seja, o senhor levou 30 anos comungando de um discurso mais esquerdizante, mais à esquerda. A pergunta que eu lhe faço, a sua convicção pelo liberalismo, ela é tão recente assim, tem cinco meses?

Pastor Everaldo: Não. Janeiro de 2011, quando este governo que está aí assumiu, 25 de janeiro o partido reunido resolveu que teria candidatura própria. No dia 11 de junho de 2012, a revista Época publicou que o PSC não acharia 2014, mas que teria candidatura própria.

William Bonner: Então, é recente.

Pastor Everaldo: Não. Então, vamos dizer: desde janeiro quando nós vimos que o governo que agravou a presença do Estado na economia, nós resolvemos que não ficaríamos mais.

William Bonner: Isso não foi desde do começo do governo Dilma e mesmo no governo Lula, candidato, essa situação?

Pastor Everaldo: Nós acreditávamos, como milhões de brasileiros, que a proposta colocada era melhor, mas hoje você vê nas últimas pesquisas mais de 70% da população brasileira quer mudança. Então, nós acreditávamos que era o melhor e verificamos logo no início do governo que não era o melhor para o Brasil.

William Bonner: A sua ideologia, então, mudou recentemente?

Pastor Everaldo: Não, a minha ideologia sempre foi a mesma. Sempre foi a mesma, eu sempre quis o empreendedorismo.

William Bonner: Você não vê essa contradição em relação ao seu alinhamento no passado?

Pastor Everaldo: Não, não vejo. Eu sempre pensei desta maneira, porque a minha vida é desta maneira. Eu sempre fui uma pessoa que trabalhei, nunca vivi. Eu estive no governo de 99, três anos; depois oito meses no outro, Rioprevidência, e saí do Estado, porque eu acredito no empreendedorismo.

* Veja também o post anterior: “Mais Brasil e menos Brasília na vida do cidadão brasileiro”, defende Pastor Everaldo no Jornal Nacional. Amém!

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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20/08/2014

às 1:19 \ Brasil, Cultura, Eleições

“Mais Brasil e menos Brasília na vida do cidadão brasileiro”, defende Pastor Everaldo no Jornal Nacional. Amém!

Captura de Tela 2014-08-20 às 01.10.36O Brasil é tão trágico que talvez não possamos votar no candidato das melhores propostas – daquelas que realmente estão de acordo com o pensamento conservador da maioria da população brasileira, há anos politicamente ludibriada pela esquerda, como explica a seção “Povo & representação” do nosso best seller O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota -, porque isto poderia levar ao 2º turno as candidatas das piores, Dilma e Marina.

Mas, para além da defesa do Estado mínimo, do empreendedorismo e da meritocracia, e da garantia de privatizar a Petrobrás e “todas as empresas que hoje são foco de corrupção” sob o governo do PT de Dilma Rousseff, convém registrar as palavras finais da entrevista concedida a William Bonner e Patrícia Poeta no Jornal Nacional pelo candidato Pastor Everaldo (do PSC), o homem que tanta falta fez, também, no #DebateBandRio entre os candidatos a destruir o (meu) estado do Rio de Janeiro. Que o senador Aécio Neves aprenda como se faz:

“Minha irmã, meu irmão brasileiro. Eu reafirmo meu compromisso em defesa da vida, do ser humano desde a sua concepção. Eu defendo a família como está na Constituição brasileira. Nós somos um país democrático e respeito a todas as pessoas, mas casamento para mim é homem e mulher. Sou contra a legalização das drogas. Vou criar o Ministério da Segurança Pública. Para quê? Hoje o cidadão de bem está preso dentro de casa e o bandido está solto na rua. Vou inverter essa lógica e botar ordem na casa. A partir, brasileiro, trabalhador brasileiro, a partir de 1º de janeiro de 2015, todo trabalhador que ganhe até R$ 5 mil por mês estará isento do Imposto de Renda na fonte. Eu defendo que é mais Brasil e menos Brasília na vida do cidadão brasileiro. Deus abençoe a você, Deus abençoe a sua família, Deus abençoe o nosso querido Brasil.”

Amém.

* Veja também o post seguinte: Dúvidas quanto à posição ideológica do Pastor Everaldo?

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19/08/2014

às 8:50 \ Comportamento, Cultura, Eleições

O mau exemplo de Dilma às crianças do Brasil

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Numa família qualquer do Brasil, no dia seguinte à entrevista de Dilma Rousseff no Jornal Nacional:

- Meu filho, você já fez seu dever de casa?

- Criei várias comissões para fazer isso, mãe.

- Mas ele já está feito?

- Olha: eu, como filho, não posso me pronunciar a respeito.

- Você não acha que deve satisfações à sua mãe?

- Tenho minhas opiniões particulares.

- Por que as suas notas vieram todas vermelhas?

- Meus colegas cubanos vão ajudar nisso também.

- Mas você teve doze meses para resolver isso, meu filho!

- Ô mãe, só mais um pouquinho.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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Veja a minha frase sobre a entrevista: aqui.

18/08/2014

às 15:55 \ Cultura, Esquerdismo, Mundo

A nova elite dos amigos do poder

lula-e-chavezMeu post anterior, “Entre a fome do povo e as fortunas dos amigos do poder“, continha a tradução da primeira parte, publicada no domingo, da reportagem do Clarín sobre as mamatas do socialismo na Venezuela, comandada por parceiros do PT no Foro de São Paulo. Segue abaixo – depois dos meus comentários – a segunda parte da matéria, publicada nesta segunda-feira com o título “Uma nova elite do clientelismo na Venezuela bolivariana” e o subtítulo: “Banqueiros milionários elogiam Chávez. O ‘modelo’ abriu-lhes grandes oportunidades.”

Enquanto Chávez nacionalizava os bancos que não apoiavam o seu governo, Lula mantém até hoje a rédea curta de instituições em tese privadas, como vimos no episódio do Santander, quando o ex-presidente, com seu jeitinho nada delicado de ser, pediu e recebeu a cabeça dos funcionários do banco envolvidos no envio de uma carta aos correntistas com projeções econômicas negativas em caso de uma eventual vitória eleitoral de Dilma. O Brasil petista é uma Venezuela dissimulada em fase de crescimento. Tanto lá quanto aqui, ainda que por meios diferentes, falou mal do governo, já era, amigo. E não importa se é só a mais pura verdade.

Quanto à fortuna dos amigos do poder e à escassez para o povo faminto, é como escreveu Kevin d. Williamson, em “O livro politicamente incorreto da esquerda e do socialismo“:

“O socialismo não trata primariamente da redistribuição de riquezas ou receitas dos ricos aos pobres. O socialismo diz respeito a políticos planejando a economia. A politização da economia, e não sua redistribuição, forma a base do socialismo. (…) E embora um alto grau de redistribuição necessariamente acompanhe as tentativas de planejamento socialistas, esta muitas vezes canaliza riquezas e receitas dos pobres e da classe média para os abastados – em particular aqueles que são membros da classe política planejadora ou que podem explorar sua ligação com essa classe para benefícios próprios” (p. 167).

Ou: “os Grandes Negócios são amigos de confiança dos regimes de planejamento centralizado, já que essas empresas acreditam, acertadamente, que poderão usar o aparato do planejamento para seus próprios interesses. Isso acontece, por exemplo, ao aplicar pesadas cargas reguladoras para evitar que novos competidores entrem em suas áreas de mercado” (p. 11).

A história do banqueiro Victor Vargas Irausquin é mais uma a ilustrar o socialismo como ele é. Enquanto Chávez vociferava contra os ricos em seu programa de TV, seu miguxo levava um estilo de vida luxuoso, com mansão, iate e, claro, partidas de polo. Cada país que ignorou o poder do Foro de São Paulo tem hoje os Lulinhas que merece.

*****

Ao outorgar contratos com ex-militares e executivos favoráveis ao governo, Hugo Chávez deu uma nova cara ao sistema do crônico clientelismo venezuelano que tem minado a riqueza do país desde 1500, quando a Espanha começou a colonizar a região que mais tarde seria este país.

Naquela época, um grupo de oligarcas nomeado pela coroa mantinha o domínio político e econômico. Em 1811, a Venezuela declarou sua independência, desencadeando uma guerra de 12 anos contra a Espanha liderada por Simón Bolívar, que terminou com a derrota das forças reais na batalha naval do Lago Maracaibo.

Invocando o espírito de Bolívar, em 4 de fevereiro de 1992, Chávez, que era então tenente-coronel de paraquedistas, liderou uma tentativa fracassada de derrubar o presidente Carlos Andrés Pérez. O militar acabou preso por dois anos. Essas ações e o encarceramento fizeram o líder carismático conquistar o apoio do povo e abriram o caminho para a vitória eleitoral esmagadora de Chávez em 1998.

Mas enquanto ajudava os pobres construindo habitação a preços acessíveis e oferecendo educação gratuita, Chávez também deixava o poder econômico nas mãos de uma nova elite, diz Kim Morse, professora de História Venezuelana na Universidade Washburn, em Topeka. “Chávez simplesmente mudou o funcionamento do clientelismo, incorporando novas pessoas ao sistema”, acrescentou.

Um dos indivíduos mais destacados da elite da era Chávez é Victor Vargas Irausquin. Ele é presidente do Banco Occidental de Descuento baseado em Maracaibo, conhecido como BOD, o quarto maior banco não estatal do país. Vargas, ex-presidente da Associação Bancária da Venezuela, joga polo em sua própria equipe profissional, Lechuza Caracas. Uma década atrás, Vargas começou a aparecer nos jornais espanhóis, quando sua filha Margaret casou com Luis Alfonso de Bourbon, primo de segundo grau do rei espanhol Filipe VI.

Vargas está há anos celebrando publicamente as políticas económicas de Chávez e Maduro. Em um discurso no dia 5 de junho, em Maracaibo, elogiou Chávez por ajudar os pobres a obter hipotecas. “Temos um sistema financeiro forte, robusto”, disse ele. “Aqui sim eu me sinto um socialista porque demos a oportunidade para os mais necessitados. Chávez restaurou o crédito hipotecário. “Vargas era um banqueiro de sucesso antes de o ex-paraquedista chegar ao poder. Em 1993, uma sociedade anônima comprou o BOD. Naquela época, era um banco regional que operava no estado de Zulia.

Mas a instituição cresceu nos tempos de Chávez até se converter em uma franquia nacional, quando o presidente nacionalizou os bancos que não apoiavam o seu governo. Os ativos do BOD totalizavam 19,3 bilhões de dólares em maio. Vargas é dono de 95% do capital acionário. No entanto, Vargas não recebeu um tratamento especial de Chávez, diz Diego Lepage, um dos advogados do banqueiro. “Quando dizem que Vargas foi um empresário que se beneficiou de Chávez, não dizem que tem 15.000 funcionários na Venezuela. Isso é importante.”

O BOD ganhou dinheiro recebendo mais depósitos públicos do que qualquer outro banco privado, segundo documentação obrigatória apresentada ao Sudeban, o regulador bancário da Venezuela. Em 31 de dezembro de 2013, o BOD tinha ao menos 50% de depósitos a mais do que qualquer outro banco privado.

Como outros bancos venezuelanos, o banco paga uma média de 0,78% ao ano sobre os depósitos em conta corrente. Investe parte do efetivo do governo em títulos venezuelanos. Os rendimentos sobre a dívida venezuelana emitida em dólares americanos, e portanto isolada da inflação galopante do país, tinham uma média de 11,8% desde que Chávez assumiu o poder. Em 15 de julho, as ligações renderam 11,2%.

Fazer negócios com o governo é valioso para o BOD, diz Capriles Andres Perez, vice-presidente da entidade. “O BOD está ativamente envolvido no setor, fortalecendo seu relacionamento com as empresas estatais que fazem gestão de recursos de petróleo e outros recursos minerais, bem como os rendimentos de prefeitos, governadores e institutos autônomos”, explica.

Um fato importante é que o BOD está entre os bancos venezuelanos que ajudaram a reestruturar a dívida pública e a implementar os controles de câmbio. As comissões para essas atividades fizeram chover riqueza sobre os proprietários dos bancos, dizRussell Dallen, sócio-gerente da Caracas Capital Markets, com sede em Miami. “Com Chávez, os donos de bancos na Venezuela tiveram um caminho livre para lucrar”, acrescenta. “E estar a favor do governo foi uma excelente apólice de seguro para que os bancos não lhes fossem tomados.”

Não era sempre que Chávez gostava do que fazia Vargas, diz Lepage, o advogado do banqueiro. Em 2008, o executivo tratou de comprar o Banco da Venezuela SA, o maior do país em depósitos. Deu um adiantamento de US$ 150 milhões. “O presidente Chávez saiu dizendo que Vargas não compraria o Banco da Venezuela, porque este seria adquirido pelo Estado.” O proprietário do BOD ainda trava uma batalha na Justiça para recuperar os US$ 150 milhões, diz o advogado.

Enquanto Chávez vociferava contra os ricos em seu programa de televisão semanal, Vargas gastava em um estilo de vida luxuoso. Em 2005, uma mansão em West Palm Beach foi adquirida por 33,6 milhões dólares através de uma empresa onde o advogado do financista figura como alto executivo. Três anos mais tarde, uma casa em frente ao mar foi vendida por 68,5 milhões de dólares para uma empresa co-dirigida pelo mesmo advogado. Em setembro de 2012, Vargas ganhou um troféu no torneio de polo em Sotogrande, Espanha. Apropriou-se do Ronin, um iate de 58 metros (190 pés) que havia comprado do fundador da Oracle, Larry Ellison, e deu uma entrevista para o site Polo-Line: “Não vão acreditar, mas o polo me dá paz”, disse.

Conheça o Foro de São Paulo, o maior inimigo do Brasil.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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17/08/2014

às 20:46 \ Cultura, Mundo, Socialismo

Entre a fome do povo e as fortunas dos amigos do poder

Socios-desaparecido-Chavez-Nicolas-MaduroAP_CLAIMA20140817_0021_27Traduzo abaixo a ótima matéria publicada neste domingo no jornal argentino El Clarín, que retrata o socialismo como ele é: escassez para o povo e fortuna para os amigos do poder. É isto que os socialistas bolivarianos brasileiros, parceiros do governo venezuelano no Foro de São Paulo, já estão fazendo com o nosso país.

Comento mais em breve.

*****

O capitão aposentado do exército venezuelano William Biancucci caminha por seu escritório sem muita mobília em Caracas, segurando um exemplar vermelho encadernado da constituição socialista de Hugo Chávez. Ele está discutindo seus planos para comprar um avião particular e viajar com conforto para a sua fazenda na Amazônia, no Brasil. A partir de uma ampla faixa de terra com pastos, fretou milhares de vacas em barcos para a Venezuela.

Biancucci, de 55 anos, que cresceu na pobreza, diz que obteve contratos de fornecimento de gado para a Venezuela através de sua amizade com oficiais militares que estão atualmente no governo. Sua voz fica carregada de emoção ao dizer que tem sido um admirador de Chávez desde a escola militar. Em 1992, ele se juntou a 140 outros oficiais na tentativa de golpe liderada por Chávez. Embora a tentativa tenha fracassado, Chávez foi eleito presidente seis anos depois e os negócios de Biancucci prosperaram.

O socialismo é a solução para a pobreza, diz Biancucci. No seu caso, o socialismo de Chávez o tornou rico, diz ele. “Sou socialista, mas eu gosto de ter notas de dinheiro em minhas mãos”, diz ele, sacudindo o punho com um maço de notas imaginárias. “Socialismo é riqueza.”

Biancucci pertence a um círculo de venezuelanos íntimos de Chávez que adquiriram riqueza durante seus 14 anos no poder e com seu sucessor, o ex-motorista de ônibus e líder sindical, Nicolás Maduro. As empresas desses homens de negócios receberam bilhões de dólares do governo para a distribuição de alimentos, serviços bancários e outras atividades. Alguns dos que se beneficiaram fazendo negócios com o Estado vivem em mansões de luxo, são donos de haras na Flórida, viajam em avião privado e jogam pólo.

Mas a Venezuela é uma economia falida. Escasseiam produtos como carne, farinha de trigo, plásticos, peças de automóveis e até mesmo água. A inflação anual chegou a 61%, a mais alta entre 122 países monitorados pelo Bloomberg [um dos principais provedores mundiais de informação para o mercado financeiro]. A eclosão de homicídios na Venezuela, estimados em 24.763 no ano passado e o dobro desse número há uma década, deixou vazios teatros vazios e clubes de salsa que antigamente ficavam lotados. “A Venezuela passou por muitas crises no passado”, diz Harold Trinkunas, pesquisador do Instituto Brookings, em Washington. “Mas nada alcançou a magnitude do que vemos hoje”, acrescenta.

Na Venezuela, a economia é dirigida por oficiais militares, e seus interesses comerciais e do governo estão interligados. Oficiais da ativa ou aposentados ocupam um quarto dos 31 cargos de nível ministerial, incluindo os Ministérios de Finanças, Energia, Alimentos e Interior.

Chávez, que morreu no ano passado, prometeu usar a riqueza do petróleo para ajudar os pobres e gerar prosperidade e equidade. Confiscou cerca de 1.200 fazendas, lojas e fábricas. Mas Chávez, e em seguida Maduro, também tornaram ricos alguns de seus amigos à base de contratos com o governo.

Uma área onde os privilegiados de Chávez tem imenso poder é a distribuição de alimentos. Mais de 20.000 lojas do Estado devem fornecer produtos básicos baratos como arroz, leite e carne. Chávez começou a construir esta rede em 2003, levando 40 bilhões de dólares por ano em receitas das exportações de petróleo.

Apesar deste financiamento, em maio a produção de carne caíra 36% em relação a 2013, de acordo com a Associação Venezuelana de Frigoríficos. Além disso, os trabalhadores deixaram as fazendas e chácaras que Chávez havia confiscado devido a controles de preços e falta de insumos. Em janeiro, escasseava mais de um em cada quatro produtos básicos, segundo o Banco Central. O sistema estatal de alimentos tem sido atormentado com deficiências, uma contabilidade frouxa e falta de auditoria e supervisão, conforme demonstrado pela Controladoria-Geral da República em abril.

Em 2008, Chávez criou a PDVAL, uma unidade da companhia petrolífera estatal, para percorrer o mundo a fim de comprar alimentos. Em poucos meses, centenas de recipientes com carne, frango, macarrão e leite foram abandonados ou deixados apodrecendo no calor tropical, devido à negligência do governo em Puerto Cabello, o maior do país. O sistema deficiente de distribuição da Venezuela frustra a população enquanto enriquece as pessoas com ligações políticas, diz Neidy Rosal, representante do estado Carabobo. “Muitos estão ganhando dinheiro com o desespero das pessoas por comida”, diz ele. “Eles estão usando a fome e o acesso aos alimentos para ficar ricos. É uma desgraça.” Mas, segundo Biancucci, que está no ramo da carne, quando os militares tiverem um maior controle, o problema da má gestão e da escassez será resolvido. “Todo mundo no setor de alimentos é aposentado militar. Isso ajuda porque garante a disciplina, a ordem “, diz ele.

Biancucci foi prestador de serviços para empreiteira antes de entrar no negócio de alimentos com o governo Chávez. Ele começou seu negócio no Brasil, onde comprou uma fazenda perto de Belém. Carrega seu gado em barcos em Vila do Conde, no delta do Amazonas. “Eu posso carregar até 5.000 vacas por mês a partir das minhas terras”, diz o empresário e ex-soldado, vestindo uma jaqueta safári de manga curta sobre uma camisa vermelha como as que Chávez usava.

Até o ano passado, de acordo com registros do Ministério da Agricultura do Brasil, a empresa Biancucci, Portal do Boi Representaäes Comercio Ltda., havia adquirido duas fazendas perto de Belém. Portal do Boi e outra empresa controlada pelo mesmo empresário, International Trading Thawi CA, exportaram um valor de até 110 milhões de dólares para a Venezuela de 2009 a 2011, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil.

Amanhã, a segunda parte.

madurochavez980

- Conheça o Foro de São Paulo, o maior inimigo do Brasil.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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17/08/2014

às 14:35 \ Comportamento, Cultura, Esquerdismo, Mundo

O dono do mundo

George SorosNo último post, eu citei um livro de David Horowitz lançado em 2010, One-Party Classroom, e também mencionei o maior financiador da esquerda mundial, inclusive da campanha pela legalização das drogas, George Soros, este aí da foto ao lado, de quem também falamos no nosso best seller O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota. Mas é preciso falar mais deles.

Em seu último livro, The New Leviathan, Horowitz mostra que as doações de empresas para os movimentos de esquerda nos EUA somam três bilhões de dólares; para a direita, 32 milhões. Como observou Olavo de Carvalho: “alguém tem alguma dúvida sobre de que lado está o poder econômico?”

Se você ainda tem, ou cai no engodo de que a esquerda é uma pobre coitadinha lutando contra os burgueses malvados de direita, nada melhor que conhecer abaixo a história de George Soros, no excelente resumo “O dono do mundo”, escrito pelo meu amigo e, assim como eu, autor contratado pela Editora Record, Alexandre Borges, publicado originalmente em seu blog no Facebook, no dia do aniversário de Soros, e depois no Mídia Sem Máscara, do qual é colaborador.

Leia e mostre este texto (com notas, links e grifos meus) para aqueles seus amigos que não têm a menor ideia de onde vêm e quem financia as ideias em que eles acreditam. Vale dizer que isto inclui não só os amigos de esquerda, mas também os daquela parte de uma autointitulada direita, que inadvertidamente pensa com a cabeça de Soros. [FMB]

*********

84 anos, em 12 de agosto de 1930, nascia em Budapeste Schwartz György, depois renomeado George Soros, o mais bem-sucedido gestor de fundos multimercados da história.

Ele nasceu numa família de judeus não praticantes numa época conturbada em que a Hungria, durante a década de 30, tinha estreitas relações com a Alemanha nazista e a Itália fascista. Em 1940, o país entrou formalmente no Eixo, permanecendo até o fim da Segunda Guerra. Temendo que a família fosse perseguida e eventualmente morta, o pai de George Soros subornou um oficial húngaro para que ele hospedasse George dentro de sua casa e apresentasse o rapaz como seu afilhado cristão. A função deste funcionário do governo húngaro, de nome Baumbach, era encontrar judeus, denunciar para as autoridades responsáveis pelas deportações para campos de concentração e confiscar seus bens. Em muitas dessas ações, o jovem George, rebatizado como Sandor Kiss, acompanhava o padrinho. Sobre isso, numa entrevista para a CBS em 1998, Soros disse que era um mero espectador e não sentia qualquer remorso, além de revelar que foi o período mais feliz da sua vida porque, mesmo com tanto sofrimento em volta, ele se sentia protegido.

Com 17 anos, George Soros se muda para Londres e mais tarde nasce o financista. Em 1959, vai para Nova York e, dois anos depois, consegue a cidadania americana. Ele vive intensamente os anos 60 nos EUA e a contracultura, que marcaram sua visão de mundo para sempre. Nessa época, fica íntimo do autor socialista Michael Harrington e passa a frequentar seu círculo de amigos. O livro mais conhecido de Harrington, o libelo esquerdista The Other America, foi lido e elogiado publicamente pelo presidente democrata Lyndon Johnson, que ele dizia ter influenciado seu governo e suas ideias de redistribuição de renda via estado.

Em 1992, ficou mundialmente famoso por ter “quebrado” o Banco da Inglaterra, faturando na operação 1 bilhão de euros. Assim como sua carreira como financista é conhecida, sua influência política é ignorada ou abafada. Neste mesmo ano de 1992, Soros confessa que seus gastos com suas fundações para influenciar a política e a sociedade já ultrapassava US$ 300 milhões anuais.

Seu principal executivo na Soros Foundation Network era ninguém menos que Aryeh Neier, fundador da Students for a Democratic Society (SDS), o maior e mais radical grupo de esquerda dos EUA nos anos 60, do qual uma dissidência nasceu o Weather Underground, grupo terrorista de inspiração comunista liderado por Bill Ayers, o lançador da carreira política de Barack Obama. Atualmente, Ayers se tornou especialista em educação e suas idéias estão ajudando a implementar nos EUA o Common Core, o polêmico sistema integrado e unificado de padronização educacional do país comandado pelo governo federal.

[Nota de FMB: ver meu artigo "A verdadeira insanidade".]

Soros é, possivelmente, o indivíduo sem cargo eletivo mais influente do mundo. Possuidor de uma fortuna pessoal estimada em US$ 13 bilhões e administrando US$ 25 bilhões de terceiros, é tão poderoso no Partido Democrata americano que no programa humorístico Saturday Night Live foi chamado de “dono” do partido. E na prática não é nada muito diferente disso. Dentro do Partido Democrata, candidatos independentes, não ligados a Soros, são cada vez mais raros.

Rebuilding Economics: George Soros se vê como um missionário das próprias utopias e não conhece limites para usar sua fortuna quase sem paralelo para influenciar a política, a imprensa e a opinião pública em diversos países, especialmente os EUA. Como ele mesmo disse, “minha principal diferença de outros com uma quantidade de recursos acumulados parecida com a minha é que não tenho muito uso pessoal para o dinheiro, meu principal interesse é em ideias.” Soros também revelou que seu sonho era escrever um livro “que durasse o mesmo que nossa civilização” e que ele valorizaria isso mais do que qualquer sucesso financeiro. Ele já lamentou que mudar o mundo é muito mais difícil do que ganhar dinheiro. Num livro de 1987, disse que já tinha se achado uma espécie de deus mas que depois se convenceu que seria mais como uma mistura de John Maynard Keynes com Albert Einstein.

Sua ideias políticas incluem uma oposição à supremacia política e econômica dos EUA, que ele considera um impeditivo para a criação de uma sociedade “global”, com interesses comuns e supranacional. Num livro de 2006, afirmou que os EUA são a grande fonte de instabilidade do mundo. Segundo ele, os americanos são nacionalistas demais e ignoram os principais problemas do planeta, que poderiam ser resolvidos com “cooperação internacional”. Para ele, se os EUA não forem o tipo “correto” de líder mundial, o país vai se autodestruir.

Não por acaso, Soros é um grande entusiasta da zona do Euro e sonha com uma integração política na Europa sucedendo a integração econômica, mesmo que sem acabar formalmente com os estados nacionais, mas transformando todos em satélites dessa “sociedade aberta”. Ele crê que as nações são fontes eternas de instabilidade e só a criação de instituições supranacionais poderá trazer equilíbrio ao mundo, o que ele chama de “aliança”. A ideia é um pesadelo para qualquer democrata, mas uma utopia desejável para mentes fanáticas. O pai de George Soros, Tivadar, era um entusiasta do Esperanto, uma risível tentativa de criação de um idioma global.

Soros defende também que, a despeito dos bons resultados econômicos do capitalismo, o sistema de livre mercado é incompetente para resolver desigualdades sociais, o que é uma mentira facilmente demonstrável. Não há um único ranking da The Heritage Foundation que não prove, ano após ano, que os países mais livres são não só os mais prósperos mas também os que provêm mais riqueza e mobilidade social para os cidadãos de baixa renda [Ver: http://www.heritage.org/index/].

Na visão de Soros, o empreendedorismo é algo falho e incompleto e que deveria ser substituído pela idéia de “empreendedorismo social”, uma mistura entre a busca de lucros e “justiça social”. Alguma diferença do que pensa Barack Obama? Não que eu saiba. Soros acredita também que o terrorismo deve ser combatido com mais diplomacia e medidas pontuais, que levem em consideração as motivações e reivindicações dos terroristas, e é radicalmente contra ações militares para o combate ao terror. Alguma diferença do que pensam vários bocós, inclusive da direita? Não que eu saiba.

Sobre Israel, ele diz que não é um sionista e que a questão palestina deveria ser resolvida também com mais diplomacia, citando as tentativas de Jimmy Carter e Bill Clinton, que teriam sido torpedeadas por conta de um lobby poderoso da American Israel Public Affairs Committee (AIPAC), a principal associação pró-Israel dos EUA. Alguma diferença do que pensam vários “analistas isentos” da imprensa que culpam Israel por tudo de ruim que acontece no Oriente Médio? Não que eu saiba.

[Nota de FMB: Em 2003, Soros culpou Israel e os EUA pelo "ressurgimento do antissemitismo na Europa": "As políticas do governo Bush e da administração Sharon contribuem para isso. Se mudarmos essa direção, em seguida o antissemitismo também vai diminuir". Agora, onze anos depois, o garoto de recados de SorosJeremy Ben Ami, da organização americana anti-Israel J Street, repetiu o discurso do patrão, dizendo que Israel estava "abanando chamas crescentes de antissemitismo". Sobre esses embustes, ver o meu post "Por que a esquerda odeia Israel" e toda a minha cobertura do conflito em Gaza: aqui.]

Há 30 anos, Soros mantém a Open Society, nome tirado de um livro de Karl Popper. A Open Society é uma ONG bilionária destinada a influenciar a opinião pública e a política no mundo. Ela está presente em mais de 70 países é tão poderosa que, em alguns regimes, é considerada um “governo informal”.

Nos EUA, mantém o poderosíssimo Media Matters, que dá o tom de praticamente toda imprensa americana, além de ser o principal financiador do The Huffington Post, um ícone da esquerda mundial. A Open Society é inspirada pela idéia do filósofo francês Henri Louis Bergson que acreditava num mundo com valores morais “universais” e não de sociedades “fechadas”, o que influenciou vários pensadores que até hoje criticam os ideais do pais fundadores da nação americana e do “excepcionalismo americano”.

[Nota de FMB: Ver também no MSM o artigo sobre a Open Society e os planos de Soros para influenciar a opinião pública, "Project Syndicate: o oráculo de George Soros"; e na Folha, "Quem paga a conta", sobre alguns dos tentáculos de Soros na América Latina, inclusive no Brasil.]

As agendas políticas promovidas e patrocinadas financeiramente por George Soros e suas fundações partem do princípio de que os EUA são uma nação opressora e violadora dos direitos humanos, que suas ações militares são fruto de racismo e intolerância com outros povos, o que seria, na avaliação de Soros, algo historicamente relacionado à sociedade americana. Muitas dessas fundações e ONGs constantemente pautam a imprensa com denúncias contra o governo dos EUA, muitas delas promovendo processos judiciais contra o país.

Soros financia também inúmeros grupos defensores de “valores progressistas”, de “redistribuição de renda”, o que inclui o recrutamento e treinamento massivo de candidatos a cargos eletivos, militantes, ativistas e lobistas. A ideia central é expandir ao máximo os programas assistencialistas e o welfare state para corrigir o que ele vê como “imperfeições” do capitalismo. Algumas dessas organizações miram diretamente na imprensa, no sistema judiciário, o que inclui a formação de juízes, e em instituições religiosas, treinando clérigos.

Outras agendas políticas importantes incluem a flexibilização das fronteiras dos EUA e facilitação das regras de imigração, além de oposição a toda ação militar americana (classificadas como “imorais” e desnecessárias), cortes no orçamento militar, ambientalismo e ativismo feminista radical, mais poder para organizações globais como a ONU, legalização das drogas e da eutanásia, “antissionismo”, além do financiamento bilionário de candidatos do partido democrata.

[Nota de FMB: Soros, como não poderia deixar de ser, também financia o movimento abortista. Sobre o tema, ver meus posts "O filme que o Bonequinho do Globo não quer que você veja", "Vamos educar contra o aborto" e também o capítulo "Aborto" do nosso best seller.]

Ele também financiou vários movimentos revolucionários e insurgentes no mundo. Nos anos 90, se orgulhava de ter patrocinado a derrubada de governos como os de Vladimir Meciar, Franjo Tudjman e Slobodan Milosevic. Na Geórgia, ajudou a derrubar o governo de Eduard Shevardnadze. Na Ucrânica, é associado a grupos que lutam contra a dominação russa. Pode parecer um contra-senso, mas Soros é um opositor das nações “isoladas” e sonha com um mundo “aberto”, sem fronteiras, por isso apoia a esquerda no Ocidente e é opositor dela na Ásia.

Soros é tão próximo de Bill Clinton que alguns dos mais importantes ocupantes de cargos públicos no seu governo são considerados indicações diretas dele. Em 2004, gastou tudo que podia para tentar impedir a reeleição de George W. Bush mas não conseguiu.

Em dezembro de 2006, George Soros recebeu Barack Obama em seu escritório em Nova York. Duas semanas depois, Obama revelou que seria candidato a presidente dos EUA e, uma semana depois, George Soros anunciou publicamente que apoiava sua indicação nas primárias contra Hillary Clinton, o que parecia uma maluquice na época. O resto é história. Hoje ele apoia Hillary para a próxima eleição presidencial.

O número de fundações, ONGs, sindicatos e veículos de comunicação que recebem dinheiro de George Soros ou de suas fundações é tão vasto que só um incansável pesquisador como David Horowitz para catalogar e publicar no seu portal “Discover the Networks”. Se você tiver curiosidade, é só clicar aqui.

[Alexandre Borges]

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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15/08/2014

às 20:53 \ Comportamento, Cultura, Mundo, Oriente Médio

Comento o texto de Guga Chacra “Minha resposta ao Felipe Moura Brasil”

O blogueiro do Estadão e analista da Globo News Guga Chacra publicou em seu blog o texto ”Minha resposta ao Felipe Moura Brasil” relativo ao meu artigo anterior, Guga Chacra diz que tem mestrado e eu não! É a carteirada chupa-cabra!.

Segue o texto dele em azul, entremeado pelos meus comentários.

O jornalista Felipe Moura Brasil me criticou em seu blog na Veja e leitores pediram resposta. Primeiro, como quem me segue sabe, nunca critico outros jornalistas. Quando discordo de algum, escrevo pessoalmente para a pessoa. Fiz isso algumas vezes com o Rodrigo Constantino, a quem conheci no Rio no ano passado em palestra para a Comunidade Judaica do Rio, com o Reinaldo Azevedo, a quem conheço por email e por telefone uma vez, e com o Caio Blinder, de quem sou amigo pessoal. Também escrevo para eles e outros para elogiar (discordo do Reinaldo em alguns pontos de Israel, mas concordamos na Síria).

Quanto às críticas a outros jornalistas, nada sei a respeito. Só sei que, dessa vez, de uma forma ou de outra, Chacra me criticou. Como a crítica foi pública, e estou certo de que um comentarista de TV tem muitos seguidores no Twitter, respondi publicamente no espaço de que disponho para alcançar o maior número de pessoas, já que não tenho como mensurar o alcance da crítica inicial. É um risco que corre quem faz críticas públicas.

A história começou, segundo o post do Felipe Moura do Brasil, que pode ser lido aqui, com uma leitora que me segue no Twitter e insiste em compartilhar textos o tempo todo. Em determinada hora, ele compartilhou um do Felipe Moura Brasil. Eu estava cansado de tanto ele mandar ler textos de outras pessoas o tempo todo, eu pedi para ele compartilhar o meu. E, neste momento, admito que fui arrogante. O Felipe tem razão. Disse que por ter mestrado na Universidade Columbia e conhecer Gaza e Israel minhas opiniões teriam maior valor. Não tem. Eu estou errado. Uma pessoa pode escrever um ótimo artigo de opinião sem conhecer Gaza e sem ter formação acadêmica. No Twitter, às vezes exageramos e peço perdão pela arrogância. Mais uma vez, errei.

Agradeço o gesto e retribuo a gentileza, acredito que estamos resolvidos quanto a isto. Mas vamos ao resto.

Agora, no restante do texto, o Felipe Moura Brasil afirma que sou de esquerda. Não sou.

Não foi bem isso que eu afirmei. As aspas continuaram faltando, o que não é um expediente recomendável, mas ok, I come in peace. Eu disse, sim, que Chacra recai em expedientes típicos da esquerda e eu os apontei. E disse, também, que a tal “direita multicultural-liberal” descrita por ele, e da qual ele se julga um representante, é uma dissimulação left-lib politicamente correta, por menos que se queira assim (e especialmente se recai nos expedientes citados). Entendo que se depreenda daí a suposta afirmativa. E entendo que Chacra se defenda disso.

Inclusive, costumo ser criticado por ser de direita em questões econômicas e por ter simpatizado com a candidatura de Mitt Romney à Presidência dos Estados Unidos. Isto mesmo, eu considerava o republicano o melhor candidato e ainda acho que teria sido um ótimo presidente, assim como foi um ótimo governador em Massachusetts, no comando das Olimpíadas de Salt Lake City e como CEO da Bain Capital, um fundo de private equity.

Ok, mas direitismo econômico é muito pouco para escapar do esquerdismo cultural, cujos efeitos podem ser mais graves, até porque a cultura move a economia e não o contrário, como queria Karl Marx.

Aparentemente, o Felipe Moura Brasil me classificou de esquerdista por eu combater a islamofobia.

Aparentemente, Chacra não entendeu bem o que eu disse, mas quem lê meus textos sabe exatamente o que é esquerdismo. Se eu achasse que ser de esquerda é combater a islamofobia, eu também (benza Deus!) seria esquerdista.

Eu combato também o antissemitismo e não acho que condenar islamofóbicos tenha a ver com direita ou esquerda.

Se eles forem de fato islamofóbicos, não tem mesmo. Mas é mais uma vez um provável reflexo tardio dos ensinamentos de esquerda recebidos na academia estender o conceito de ”islamofóbico” e, consciente ou inconscientemente, usá-lo como rótulo infamante para impedir o debate, dando ares de coisa maligna a alguma ideia, conduta ou adversário que se deseja destruir. Eu também combato a islamofobia (e todas essas fobias), o que varia é o entendimento do que ela é e, no caso, do risco dos radicais islâmicos à segurança da região e do Ocidente. Chacra andou estendendo demais o conceito de islamofóbico e naturalmente cometeu injustiças. E este tipo de gritaria geral tem consequências.

Há vários casos, como o de Fort Hood, que teve 3 mortos, em que o atirador dava todos os indícios de que cometeria o crime, mas, como toda a administração Obama tem uma postura tão politicamente correta que beira o paroxismo, não houve espaço para um “profiling” adequado do atirador e infelizmente pessoas morreram. Os terroristas de Boston, por exemplo, foram identificados pelo serviço secreto russo, que avisou formalmente o governo americano sobre os irmãos, mas o governo Obama preferiu ignorar os avisos e pessoas morreram também.

Chacra pode alegar que não foi assim, pode ter outra visão, mas o problema em questão aqui não é este: o problema é que essa histeria politicamente correta é um impedimento não só a certas medidas de segurança que eventualmente podem salvar vidas, mas ao debate sobre quais delas seriam as mais eficazes.

Tem a ver com valores que aprendi com a minha família, sendo metade dela cristã do mundo árabe.

Uma coisa são os valores. Outra, o modo de aplicá-los. É preciso tomar cuidado com o segundo, justamente para não deixar de lado os primeiros.

Se for minhas posições de política externa, tampouco sou de esquerda. Nos últimos tempos, para os EUA, sou defensor de uma política mais isolacionista. Neste caso, há defensores no espectro político americano tanto na direita, com o libertário Rand Paul, do Partido Republicano, como na esquerda, com a senadora Elizabeth Warren, do Partido Democrata. Já Hillary Clinton, democrata, e John McCain, republicano, tendem a ser mais conservadores. Esquerda, em política externa, é ser ideológico e, por exemplo, condenar os EUA mas não condenar Cuba. Eu não sou assim. Aliás, moro em Nova York e literalmente amo os EUA, onde escolhi estudar e trabalhar.

Isto tudo aí deixo para os leitores do Chacra, porque nada tem a ver com as questões do meu texto.

Sobre a Columbia, de fato, a universidade, assim como quase todas nos EUA, é “liberal” no sentido americano da palavra – na Europa e no Brasil, seria esquerda a tradução (Embora a Columbia talvez estejam [sic] à direita do PSDB). Isso não significa que ex-alunos ou professores sejam de esquerda.

Que todos sejam de esquerda, claro que não significa. E eu não disse que Chacra cometia esquerdices PORQUE estudou lá, apenas mostrei aos que se encantam com um diploma americano que lá é um ambiente esquerdista, que um professor importante na formação de Chacra é um ativista palestino, e que Chacra saiu de lá cometendo determinadas esquerdices, que afirmei não saber se ele já cometia antes. O resto cabe a Chacra refletir, não fiz um estudo completo para determinar de onde exatamente vem cada uma de suas ideias e os modos como ele as aplica; ele não é meu objeto de estudos.

Warren Buffet também estudou na Columbia, assim como grande parte do mercado financeiro em Wall Street.

Buffet estudou em Columbia na virada dos anos 1950. A infiltração esquerdista ficou muito mais acentuada nas últimas décadas, como também explicam o livro e um dos artigos que eu indiquei. Além disso, seria de uma ingenuidade atroz achar que só porque alguém trabalha no mercado financeiro é de direita. O maior financiador da esquerda mundial é George Soros! O próprio Buffet sofre uma série de críticas dos conservadores americanos, mas isto não vem ao caso aqui.

O mesmo vale para filhos de banqueiros no Brasil. E o Armínio Fraga, presidente do Banco Central de Fernando Henrique e comandante da equipe econômica de Aécio Neves, foi professor na Columbia. O Pedro Malan, ministro de FHC, foi orientado pelo Albert Fishlow, meu professor na Columbia (ele era de Berkeley antes). Um dos meus melhores amigos em NY é um brasileiro, muçulmano, de direita e aluno do PhD em economia da Columbia.

Não vou avaliar caso a caso, mas, de acordo com os exemplos, Chacra segue falando de economia. E o problema é geralmente este: muita gente especializada – ou avessa à bibliografia conservadora por conta de demonizações pueris – se julga de direita por questões econômicas, mas favorece a esquerda em questões culturais, que, no fim das contas, resultarão, também, em vantagens econômicas para a esquerda. Essas coisas estão mais explicadas no livro do Olavo de Carvalho que eu idealizei e organizei, O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota. Fica meu convite para Chacra lê-lo; se ele me fornecer um endereço de envio, faço questão de mandar um exemplar.

E, realmente, tive um professor de origem palestina que é um dos mais renomados historiadores dos EUA. Mas isso não quer dizer que eu concorde com ele. Na aula dele, inclusive, a maioria era judaica (algo normal na Columbia, com 30% de alunos judeus) e havia também israelenses.

“Renomado” carece de fontes e há diversos acadêmicos americanos, como Noam Chomsky, que são reconhecidos em suas áreas e estão à esquerda do PT ideologicamente. Não custa lembrar também que a grande maioria dos judeus residentes nos EUA se identifica com o Partido Democrata e votou em Barack Obama por questões que não são objeto deste texto. O fato de haver judeus em classe nada significa tampouco. Nem Columbia nem o professor ativista vão proibir judeus de frequentar aulas, mas isto não os impede de moldar comportamentos e inculcar nos alunos ideias e modos anti-Israel de pensar. É assim, de maneira sutil, que funciona o adestramento universitário, justamente para que suas vítimas jamais se deem conta de que foram ludibriadas e, quando alertadas, ainda teimem em reconhecer os vícios que herdaram desse ambiente, para poderem finalmente se descontaminar. E é especialmente assim que os judeus que vivem longe de Israel se tornam muitas vezes anti-Israel eles próprios.

De resto, creio que o episódio está encerrado e fica meu convite para que Guga Chacra conheça mais o que é o conservadorismo, especialmente o americano, que representa algo como metade do eleitorado do país hoje e que mantém vivos os ideais dos fundadores da nação americana. Entender os EUA é fundamental para entender a posição ocidental no conflito e não apenas o lado islâmico, o qual Guga, evidentemente, entende e comenta com muita familiaridade.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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15/08/2014

às 14:56 \ Comportamento, Cultura, Mundo, Oriente Médio

Guga Chacra diz que tem mestrado e eu não! É a carteirada chupa-cabra! Será que foi no cursinho que ele aprendeu a dividir a direita entre multicultural e islamofóbica?

Veja o que o blogueiro do Estadão e comentarista da Globo News Gustavo Chacra respondeu a uma leitora deste blog que lhe enviara no Twitter meu artigo sobre as vigarices anti-Israel da ONU em Gaza:

Guga Chacra carteirada contra mim

Difícil saber o que é mais vexaminoso: o pedido para compartilhar seus textos em detrimento dos meus, a afetação de superioridade por ter estado in loco, a carteirada chupa-cabra propriamente dita, ou tudo isto vir sem a menor refutação do artigo que recebeu. Em um só tuíte, Guga Chacra conseguiu reunir pelo menos quatro imposturas. Não posso negar o poder de síntese do “rapaz”. E olha que eu nem contei esse tratamento, digamos, pejorativamente etário.

Pela presença em Gaza e Israel, dou-lhe os parabéns. Imagino que tenha rendido boas fotos no Instagram. Eu não sei é com que autoridade Guga Chacra conta a história da Ucrânia, por exemplo, mas começo a desconfiar de que ele estava presente, séculos atrás, à invasão mongol. O militante de esquerda Michael Moore esteve em Cuba fazendo um ”documentário” sobre a qualidade da saúde pública. Se ter estado in loco lhe dá credibilidade, a despeito de seu histórico de mentiras, canalhices e distorções, resta-me parabenizá-lo também. Daqui a pouco, estarei parabenizando jornalistas intelectualmente honestos e desonestos que presenciaram uma porção de eventos pelo mundo sem nunca ter acertado nada. Farei uma homenagem especial a Chacra por ter previsto o “bombardeio punitivo” dos EUA e seus aliados contra a Síria (o qual estou esperando até agora), dizendo até quais mísseis seriam utilizados (os Tomahawks) para “dar uma lição e deixar claro que o uso de armas químicas não passará impune”. Talvez assim eu vire um analista “isento” e “moderado”, desses que opinam na TV brasileira.

Numa época em que o turismo é confundido com o estudo cultural, não é de se estranhar que a reportagem internacional vire um selo ainda maior de superioridade intelectual na cabeça de correspondentes como Guga Chacra. Não foi só o mestrado. Parece que o jornalismo também lhe subiu à cabeça. Retratar lugares e entrevistar ao vivo cidadãos e autoridades, gerando alguma repercussão, não infundem em ninguém a capacidade de rastrear causas, antever efeitos e diagnosticar com exatidão fenômenos complexos, mas certamente consolida nas mentes Chacras deste mundo acadêmico a sensação de ser um “especialista” no assunto.

Temos de voltar mais de 130 anos para compreender essa mentalidade. Em carta a Mlle. Gerassímova de março de 1877, o escritor russo Dostoiévski recomendava que ela adiasse a entrada na Escola Normal de Medicina Para Mulheres para se ocupar primeiro de sua educação geral, sem a qual acabaria se juntando àqueles que só fazem mal à própria profissão: “É que simplesmente a maioria de nossos especialistas são pessoas de educação chocantemente precária. Em outras terras é bastante diferente: lá encontramos um Humboldt ou um Claude Bernard, pessoas com grandes ideias, grande cultura e conhecimento para além de seu campo de atuação. Mas, entre nós, mesmo pessoas de talento são incrivelmente pouco educadas.”

Um pouco (mais) de Dostoiévski teria feito bem a Guga Chacra. Ou de Thomas Sowell, que praticamente o descreveu na obra-prima de 2010, Os intelectuais e a sociedade: “Os especialistas de qualquer área intelectual são exemplos clássicos de pessoas cujo alto conhecimento está concentrado dentro de uma margem estreita, a partir de um vasto espectro de preocupações humanas. Além do mais, a interação inevitável entre inúmeros fatores do mundo real significa que, mesmo dentro dessa margem estreita, fatores que chegam de fora da margem podem interferir nos resultados de uma forma significativa, transformando um especialista, cuja especialização não abrange esses outros fatores, num amador. Tal realidade é fundamental quando se trata de decisões que terão consequências de peso, mesmo dentro do que é normalmente considerado o campo de especialidade do especialista” (p. 47).

No início do século XX, Lima Barreto já satirizava a presunção dos “especialistas” brasileiros e o culto do diploma, quando, por exemplo, as vizinhas fofoqueiras, diante da biblioteca do major Quaresma, diziam: “Para quê tanto livro, se não é nem bacharel?” “Que, em contrapartida”, diria o filósofo Olavo de Carvalho, “faltem livros nas estantes dos bacharéis e doutores, onde abundam garrafas de uísque e fotos de viagens internacionais, é coisa que não ofende nem choca a alma nacional.” Não sou Chacra para dizer, sem conhecê-lo, o que ele já fez ou deixou de fazer na vida, mas é evidente que, na hipótese benevelonte de ter lido Dostoiévski, Sowell e Barreto, não os compreendeu como deveria. Entendo: Barreto não tinha diploma.

Além dele e do próprio Olavo, alguns dos maiores intelectuais brasileiros, como Machado de Assis, Capistrano de Abreu, Cruz e Souza, Manoel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Amadeu Amaral, Bruno Tolentino, Luís da Câmara Cascudo, Paulo Francis, Nelson Rodrigues e Otto Lara Resende, tampouco tinham (assim como Diogo Mainardi, com quem Chacra já debateu inclusive o Oriente Médio, tampouco tem); e alguns dos maiores filósofos brasileiros, como Tobias Barreto, Farias Brito, Mário Ferreira dos Santos, Vicente Ferreira da Silva, Vilém Flusser, Miguel Reale, Antonio Paim e Osvald de Andrade não tinham diploma de filosofia, mas fico imaginando quantos Chacras da época lhes disseram:

“Pelo menos, eu tenho mestrado no tema.”

O cursinho do “especialista”
O mestrado de Guga Chacra foi em Relações Internacionais na Universidade de Columbia (“uma das dez melhores do mundo”, como ele vive repetindo), em Nova York, entre 2005 e 2007. Nas universidades americanas, de acordo com uma pesquisa de 2007 feita por dois acadêmicos esquerdistas, Neil Gross e Solon Simmons, as ciências sociais e humanas tinham 9 professores de esquerda para cada professor conservador; e, em campos como antropologia e sociologia, eles ganhavam de 30(!) a 1. No livro One-Party Classroom, em que denuncia com fartura de escândalos as salas de aula de um só partido, isto é, o adestramento ideológico no sistema nacional de ensino, o autor best seller David Horowitz dedica quase 30 páginas à Columbia:

“Em muitas salas de aula, perspectivas controversas de esquerda não são mais analisadas ​​e dissecadas, mas incutidas como doutrina recebida, enquanto outros pontos de vista são ignorados e, com efeito, suprimidos. As tarefas de leitura refletem a natureza unilateral de palestras ministradas por professores que se comportam como ativistas políticos em vez de estudiosos” (p. 63).

Um deles, citado em duas das seis páginas sobre o “palanque anti-Israel” tido por Departamento de Oriente Médio, é o amigo de longa data de Barack Obama e um dos seus primeiros arrecadadores de fundos de campanha, Rashid Khalidi, o professor ativista palestino-americano com quem Chacra cursou três matérias e de quem recebeu orientação direta em três papers, conforme ele mesmo escreveu ao sair em defesa de Khalid diante das acusações de John McCain de que o sujeito tinha ligações com o terrorismo. (Não sei se foi exatamente uma defesa, já que Chacra acabou dizendo que ele tinha mesmo relações com membros da OLP, então considerada uma organização terrorista pelos EUA, mas ok.) Diante de um ambiente universitário tão atraente, fico quase arrependido de não ter tentado uma vaguinha também. Com sorte, eu ainda teria assistido à palestra do ditador do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Os expedientes de esquerda
Ignoro se Guga Chacra já chegou “esquerdizado” ao seu mestrado, mas que saiu de lá repetindo alguns dos expedientes mais canalhas consagrados pela esquerda, não resta a menor dúvida, a começar pela própria carteirada chupa-cabra. Como escreveu Evan Sayet, denunciando também a ideologia em Columbia: “Esquerdistas gostam de se gabar de seu intelecto superior, muitas vezes apontando para o número de anos que passaram a vagar nos campus bucólicos de grandes universidades. Mas ficar mais tempo no sistema de ensino só faz uma pessoa ficar mais inteligente se o que está sendo ensinado é verdadeiro. Se o que está sendo ensinado são mentiras, então quanto mais tempo nos cursos, mais estúpida ela se torna, o que é, de fato, exatamente o que nós vemos. É por isso que Dennis Prager (parafraseando George Orwell, creio eu) termina uma conversa com um interlocutor particularmente estúpido, dizendo: ‘Senhor, isto é de uma burrice tão grande que você só pode ter frequentado uma faculdade.’”

O grande frequentador Guga Chacra pode até se julgar representante da tal “direita multicultural-liberal”, mas chamar também de homofóbico quem discorda dele sobre homossexualidade ou casamento gay, como faz com o republicano Rick Santorum e toda a ala conservadora do Tea Party, é coisa de esquerdista radical do naipe de Jean Wyllys. Sem citar e analisar uma só frase de Santorum, Chacra chega ao cúmulo de escrever no título de um texto que ele “é tão homofóbico quanto Ahmadinejad”(!), igualando-o ao ditador do país onde os gays são enforcados em praça pública. Para piorar, ainda o chama de islamofóbico, dando como prova disso, só no Facebook, a opinião do então pré-candidato a favor do perfilamento étnico de muçulmanos como uma das possíveis medidas de segurança nos aeroportos contra ataque terroristas, porque eles seriam os mais propensos a cometer esse tipo de crime, como o 11 de setembro fez acreditar. Santorum pode estar errado o quanto seja, estatística, estratégica ou religiosamente, e caberia a Chacra argumentar (o que inclui destrinchar analiticamente o seu comentário), mas xingá-lo como um sujeito que não distingue muçulmanos bonzinhos e malvados e odeia todos de antemão, e como se o perfilamento fosse o próprio paredón, é repetir e estimular o expediente teatral da patrulha histérica que impossibilita qualquer debate.

Nessa mesma linha de histeria, Chacra divide a direita entre a “multicultural-liberal” dele (uma dissimulada “left-lib” politicamente correta) e uma outra “jeca, provinciana, islamofóbica (anti-muçulmana), antissemita, ultrapassada, homofóbica”. Para chamar alguém só de impostor, eu – que não tenho uma direita chacriana para chamar de minha – costumo demonstrar, com aspas, fontes e análises, as imposturas do sujeito, como sabem os leitores deste blog (quiçá deste texto). Mas se você é contra a legalização das drogas e de imigrantes sem documentos, cuidado: o “rapaz” Chacra pode xingar você de todos aqueles nomes.

Antes dele, o “especialista” internacional da Globo News foi durante anos o militante do PT Emir Sader, já desmascarado aqui e aqui. Quem acha que a emissora fez uma boa troca talvez tenha se precipitado.

[* Veja a continuação: Comento o texto de Guga Chacra "Minha resposta ao Felipe Moura Brasil"]

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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