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25/11/2014

às 19:03 \ Brasil, Comportamento, Crônica, Cultura, Humor

“PTs e pitis” – Da arte de defender o Brasil

brasil litoralFui ali repensar o Brasil e encontrei este meu artigo de 31 de janeiro de 2008, quase sete anos atrás, sobre afetações de patriotismo. Ricardo Teixeira saiu da CBF em 2012, após 23 anos no poder. Marta Suplicy virou ministra da Cultura em 2012 e, recentemente, deixou o cargo para voltar ao Senado. Mas o país segue igual: com o mesmo PT, com os mesmos pitis. A diferença é que agora, dado o elo entre PCC e Hezbollah, temos terrorismo também.

*****

Marta Suplicy não gosta que falem mal da criminalidade brasileira. Na Feira Internacional de Turismo, em Madri, a ministra do Turismo rebateu a uma pergunta sobre a insegurança nacional com um patriótico piti: “O Brasil pelo menos não tem terrorismo”. Você já viu esse filme. Em novembro de 2007, em Zurique, o eterno presidente da CBF, Ricardo Teixeira, fez o mesmo. Defendeu nossos assassinos para uma jornalista canadense. É uma mania oficial. O recurso mais chinfrim em qualquer discussão. Quando não se dispõe de argumentos para contestar, tenta-se carregar o outro para o mesmo buraco. Mesmo que o outro seja o Canadá.

Desde criancinha, eu sou capitalista. Não precisei conhecer a “mão invisível” de Adam Smith, nem a mão forte de Margaret Thatcher, muito menos – do outro lado – as mãos assassinas de Stalin e Fidel para concluir que a esquerda não me servia nem para a masturbação. A competição já fluía no meu sangue quando joguei minha primeira partida de bolinha de gude. Eu pulei o comunismo. Ele, o Posto 9, o Baixo Gávea e congêneres. A única estupidez ideológica que me contaminou um pouquinho mais foi esse “patriotismo”. Pois é. Eu já fui como Marta Suplicy e Ricardo Teixeira. Se um italiano chamasse o Brasil de cara de abacaxi, eu chamava a Itália de cara de mamão. Se um americano chamasse o Brasil de cara de melancia, eu chamava os Estados Unidos de cara de mamão. Eu não gostava de mamão.

O problema é que ficou cada vez mais difícil defender o Brasil. Mais do que difícil. Ficou ridículo. Se você já tentou explicar o poder dos traficantes nas favelas a um estrangeiro civilizado, sabe do que estou falando. Eles não estão lá? Vocês não sabem onde é? Por que não os prendem? Ora, são perguntas muito difíceis para um brasileiro patriota responder. Ainda mais para mim (ou seria ‘eu’?), que comecei a gostar de mamão. Então concordei. Moro num abacaxi. Moro numa melancia. Foi libertador. Montaigne teria me endossado: “o sábio deve, no íntimo, afastar sua alma da multidão e mantê-la com liberdade e poder para julgar livremente sobre as coisas”.

Nossa ministra, até hoje, não aprendeu a lição. Irritada em Madri, desandou a falar as maiores barbaridades: “O que acontece no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, vira imediatamente manchete e uma tragédia”, “O Brasil não é um país mais violento do que os outros”, “O Brasil vive no imaginário como essa coisa enorme de insegurança”… Deve ser mesmo muito criativo o imaginário internacional: “inventou” que o Brasil tem 50 mil assassinatos por ano (umas 50 vezes mais do que as realizações do ETA, o grupo separatista basco, em 4 décadas), numa taxa de 27 assassinatos (que, no Rio, é ainda maior) por 100 mil habitantes (sendo a do Canadá de 1,85 e a da Espanha de 1,2).

Se o patriotismo é o último refúgio dos canalhas, como definiu o inglês Samuel Johnson lá em 1775, o que dizer do recurso da ministra à natureza? Para Marta, o Brasil é o “turismo internacional do século 21”, porque “os europeus podem criar muitos monumentos, mas lugares de beleza natural como Foz do Iguaçu, ninguém pode inventar”. Eis nossa propaganda turística. Um atestado de incompetência administrativa.

Henry Miller, por volta de 1940, perguntava por que, na América, as grandes obras de arte eram todas obras da natureza: por que, afinal, só havia obras utilitárias, como diques, pontes e estradas, e não “monumentos duradouros criados pela fé, pelo amor, pela paixão”, como as catedrais da Europa, os templos da Ásia e do Egito? Não sei. Aqui mal chegaram as utilitárias – contra as quais, aliás, nada tenho. Eu trocaria, talvez, dez Foz do Iguaçu por uma Route 66. Ou dez Chapadas Diamantinas por uma Golden Gate. Mas o Brasil faz o que há de pior: na falta de segurança e infraestrutura, apela para as fontes murmurantes, onde a lua vem brincar. Até porque as florestas ninguém sabe se daqui a pouco acabam.

Ricardo Teixeira, Marta Suplicy, petistas e esquerdistas são todos uns caras de mamão.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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25/11/2014

às 5:28 \ Cultura, Esquerdismo, Mundo

Ferguson: Cai a farsa esquerdista! Júri decide não indiciar policial branco por morte de ‘jovem’ negro; e promotor educa mídia sobre provas físicas contra agenda política. Protestos continuam: militância não se importa com fatos

FERGUSONBLOG-ANNOUNCE2-master675O grande júri de St. Louis, subúrbio de Ferguson, no estado americano do Missouri, resistiu bravamente à pressão das piores revoltas raciais em anos nos Estados Unidos e decidiu não indiciar o policial branco Darren Wilson por atirar e matar o jovem negro desarmado Michael Brown, de 18 anos, em episódio confuso cujos fatos – expostos neste blog (e repetidos no fim deste post) – nunca importaram à mídia esquerdista americana, traduzida “bovinamente” (vão me processar também?) pelos jornais brasileiros. O importante, como de hábito, era investir na narrativa de que a América é racista, a polícia é racista, a direita republicana associada à América e à polícia é racista, tudo para insuflar a militância nas redes sociais e nas ruas.

Ferguson fogoPara nova revolta desta última, que, conforme o previsto, incendiou Ferguson madrugada adentro, o anúncio da decisão do júri foi feito na noite desta segunda-feira (24) pelo promotor Robert McCulloch, cujas palavras foram uma verdadeira aula a jornalistas do mundo inteiro:

“Estou ciente de que esta decisão não será aceita por alguns e pode decepcionar outros, mas todas as decisões no sistema de Justiça criminal devem ser determinadas pelas provas físicas e científicas, e pelos testemunhos críveis corroborados por essas provas, e não em resposta ao clamor público ou por conveniência política.”

McCulloch reiterou que os membros do júri foram as únicas pessoas que examinaram todas as provas e testemunhas, várias das quais admitiram que seus depoimentos iniciais - divulgados irresponsavelmente pela mídia - haviam se baseado no que ouviram dizer ou presumiram, pois elas não tinham visto de fato a cena dos tiros. Entre esses falsos depoimentos, como já sabíamos, havia aquele de que Brown estava de mãos para cima, em postura de rendição. Uma mentira repetida, como não poderia deixar de ser, pela militância ninja no Brasil.

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Não: o sangue de Brown foi encontrado no interior da porta do motorista do carro de Wilson, em toda a roupa e na arma do policial, sinais do confronto físico que ocorrera antes dos tiros. E todas as testemunhas que declararam que Brown partiu para cima de Wilson são afrodescendentes, ok? O mesmo Brown, aliás, que minutos antes assaltara uma loja de conveniência e partira para cima do dono quando este tentara bloquear a saída.

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McCulloch anunciou a liberação do material com os testemunhos e provas para logo após o pronunciamento, e continuou sua aulinha: “Decisões sobre questões tão graves quanto acusar um indivíduo de um crime simplesmente não podem ser tomadas com base em nada menos do que uma análise crítica completa de todas as provas disponíveis. Qualquer coisa a menos não é justiça”, disse o promotor. “É meu dever por juramento e do grande júri buscar a justiça e não simplesmente obter uma acusação ou uma condenação”, afirmou.

Em resposta à imprensa, ainda disse que sim: membros negros e brancos do júri chegaram à mesma conclusão sobre o caso. Mas que importa? Brown já virou símbolo de uma causa que nada tem a ver com o episódio que tragicamente lhe tomou a vida. A esquerda continuará usando seu nome para levantar suas bandeiras políticas contra a perseguição às minorias, assim como Jean Wyllys aproveita qualquer morte de indivíduos gays para levantar a sua (mesmo quando eles se suicidam ou são assassinados por parceiros homossexuais).

No Brasil ou nos EUA, a indiferença às provas na ânsia de eliminar supostos inimigos mostra apenas que a “justiça social” é o oposto da verdadeira justiça. Nada mais tragicômico que muitos ainda prefiram mentir com essa esquerda a acreditar em uma verdade vinda da direita.

Relembre o vídeo – traduzido abaixo por mim e legendado pelos Tradutores da Direita – em que Ben Shapiro destrói a farsa esquerdista em menos de 6 minutos. Volto em seguida com o vídeo da versão oficial de McCulloch (em inglês) e dicas de leituras ‘direitas’ sobre essa e outras farsas raciais.

Tudo que você sabe sobre Michael Brown é uma mentira. A mídia, os políticos, os racialistas – todos eles lhe contaram a história do jovem inocente, do adolescente negro desarmado, do Gigante Gentil assassinado a sangue frio por um policial branco cruel que representa o poder instalado do mal.

Al Sharpton, que é sempre o primeiro a aparecer em cena quando uma pessoa negra é morta por um branco – ou, no caso de São Trayvon [Martin] do Abençoado Agasalho com Capuz, um hispânico branco – descreveu Brown como um “Gigante Gentil”, também. Lá no Daily Kos, um escritor descreveu St. Michael como um “cara grande que a família chamou de seu ‘Gingante Gentil ‘… criado para ser um jogador de futebol da escola – direto da central de elenco – mas Mike era tímido demais para o esporte. De acordo com amigos e familiares, ele nunca tinha participado de uma briga na vida.” CNN, The Daily Mail – todos eles o chamavam de “Gigante Gentil”.

E o homem que privou o mundo deste “Gigante Gentil” foi, é claro, o policial Darren Wilson.

Originalmente, foi-nos dito que Wilson atirou em Brown pelas costas, depois de parar o “Gigante Gentil” por andar no meio da rua – um comportamento que o presidente Obama viria a chamar de “andar como negro”. Supostamente, Wilson puxou o gigante de 1,98m e 131kg através da janela do motorista, mas Brown escapou e fugiu deste louco emissário de brutalidade policial. Wilson então supostamente atirou em Brown por trás enquanto ele fugia, ao que Brown virou-se, levantou as mãos em sinal universal de rendição, e pereceu em uma saraivada de balas.

Aqui está a realidade: tudo isso foi uma mentira.

A primeira rachadura no mito de São Michael, o “Gigante Gentil”, veio na forma de uma fita de segurança, gravada poucos minutos antes do confronto fatal com o policial Wilson.

De acordo com relatos da polícia, o “Gigante Gentil”, que nunca tinha participado de uma briga e foi muito tímido para jogar futebol, segurou um pequeno atendente e empurrou-o contra uma estante de produtos. Ele também roubou uma caixa de Swisher Sweets, que são charutos baratos.

A rachadura seguinte na história São Michael: o New York Times relatou que Michael Brown “não era um anjo”. O relatório explicou que ele “se envolveu em drogas e álcool” – o que, presumivelmente, era o motivo para ele roubar uma caixa barata de Swisher Sweets da loja de conveniência, uma vez que Swisher Sweets são rotineiramente usados para fumar maconha. Na verdade, o organismo de Brown estava repleto de THC durante o incidente com o policial Wilson, revelou a autópsia.

A reportagem do New York Times também explicou que Brown “havia dado uma de rapper nos últimos meses, produzindo letras que eram por vezes contemplativas e vulgares”.

Aqui está uma amostra da música de São Michael, selecionada pelo Gateway Pundit:

“My favorite part is when that body hits the ground.

I soak em up like I’m wringing out a sponge

Talking down make me shoot off your whole tongue”

As palavras do bem-aventurado santo.

A mídia e os políticos chiaram histericamente quando essas informações começaram a manchar o altar iluminado que haviam construído para São Michael – só porque São Michael havia assaltado uma loja de conveniência, usado drogas, e editado alguns vídeos vis de rap não significa que ele merecia ser fuzilado!

O que, é claro, era verdade. Mas o resto do conto mítico do martírio de São Miguel começou a cair aos pedaços, também.

A versão do policial Wilson da história começou a ser divulgada em fogo lento: após parar Brown, disse Wilson, Wilson tentou sair de seu carro – Brown fechou a porta em cima dele, em seguida projetou a si próprio através da janela do motorista. Ele tentou pegar a arma de Wilson, ao que Wilson disparou a arma no veículo. Brown correu. Wilson o perseguiu. Brown então se virou e correu em direção a Wilson, ao que Wilson deu-lhe vários tiros.

De acordo com o Washington Post, “mais do que meia dúzia de testemunhas negras anônimas deram testemunho… que corrobora o relato de Wilson dos acontecimentos… a análise dos respingos de sangue, cápsulas e testes de balística também corroboram o relato de Wilson do tiroteio, disseram as fontes do Post.”

Agora, um novo relatório da autópsia revelado pelo St. Louis Post-Dispatch – o mesmo jornal que originalmente chamou Brown de “Gigante Gentil” – mostrou que o corpo de Brown tinha uma “ferida de arranhadura” em seu polegar; a ferida continha matéria “consistente com os produtos que são descarregadas a partir do cano de uma arma de fogo.” Isso só pode acontecer de perto – tão perto, de fato, que não havia pontilhado algum: o padrão de pólvora que não vai aparecer a uma distância de uma polegada do cano da arma. Em outras palavras, como disse a legista de San Francisco doutora Judy Melinek, “esse cara está tentando alcançar a arma.”

A autópsia sustenta a briga no carro também – a pele de Brown foi encontrada no exterior do veículo. A CNN relata que o sangue de Michael Brown foi encontrado no uniforme, no carro de polícia e na arma de Wilson.

A autópsia ainda mostra que Brown não foi atingido com as mãos para cima. De acordo com o relatório da autópsia, o ferimento de bala no “braço direito superior dorsal” de São Michael demonstrou que a direção do tiro foi “ligeiramente para cima, para trás e para a esquerda”. Isso significa, de acordo com Melinek, que o tiro “viajou da parte de trás do braço para o interior do braço, o que significa que as palmas das mãos de Brown não poderiam estar viradas para Wilson”.

A raiva continua, é claro, porque os fatos não importam quando mitos já criaram raízes. Benjamin Crump, o advogado da família Brown – ele também foi o advogado da família Martin – disse que “a família e os apoiadores não serão persuadidos pelas declarações do relatório de autópsia ou das testemunhas”, de acordo com o Washington Post. E, claro, os políticos locais prometeram que a prova não vai mudar coisa alguma.

Enquanto isso, os discípulos de Michael Brown prestam homenagem ao seu Gigantismo Gentil lutando para ver como capitalizar em cima de seu suposto martírio. A mãe de Michael Brown, Lesley McSpadden, supostamente entrou em uma briga com a avó e um primo quando ela os encontrou vendendo produtos Michael Brown. A briga terminou, aparentemente, com uma outra pessoa não identificada batendo no rosto do primo de Brown com um tubo ou uma vara, resultando em sua internação hospitalar. O suspeito então roubou uma caixa da cena contendo cerca de US $ 1.400.

Mas não importa – o legado de Michael Brown, o “Gigante Gentil”, vai continuar. Outro mártir se juntou ao Testamento Racial. Outra falsa marca negra nas forças policiais brancas racistas por toda parte. E a construção agressiva da esquerda do mito de São Michael “Gigante Gentil” garante que mais jovens negros verão a polícia como o inimigo, que os confrontos vão se multiplicar, e que a esquerda vai ter muitas outras oportunidades futuras para acrescentar ao seu cânone perverso.

****

Segue a versão oficial (em inglês) do promotor Robert McCulloch:

Na Veja.com: Policial se livra de acusação por morte de jovem negro.

Leituras complementares (a maioria em inglês):

- Ann Coulter desfez os mitos de que negros são mais parados pela polícia no trânsito (AQUI);

- Bill Whittle demonstrou com dados que, se há uma guerra racial, o maior número de vítimas é de brancos (AQUI);

- o World Net Daily mostrou que o procurador-geral Eric Holder deveria estar investigando era a morte da negra Miriam Carey pelos policiais federais de sua própria jurisdição em Columbia – os guardas da Casa Branca de Obama – e questionou por que não há protestos por ela (AQUI) – coisa que Olavo de Carvalho também comentou (AQUI);

- Rush Limbaugh desmascarou diariamente a cobertura da mídia esquerdista (“Você não está vendo o noticiário, está vendo política”), especialmente quando a CNN começou a ver o mito escorrer pelas mãos (AQUI);

- e Andrew Klavan culpou o próprio governo Obama por ter instalado as tensões raciais, com Holder jogando essa carta todas as vezes que é pego em um novo escândalo, Joe Biden acusando republicanos de quererem pessoas negras acorrentadas novamente, e o próprio Obama sugerindo repetidamente que seus oponentes são motivados pelo racismo (AQUI, traduzido).

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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24/11/2014

às 16:40 \ Brasil, Cultura

Você altera a lei quando a descumpre? A Dilma altera! Entenda os crimes que podem levá-la ao impeachment

[* A moderação de comentários no blog já foi atualizada nesta tarde de segunda. Obrigado.]

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“No rigor da lei há motivos para processo de impeachment de qualquer forma.”

A frase é do senador Aloysio Nunes (PSDB) em excelente entrevista – da qual destaco e transcrevo trechos abaixo – a Joice Hasselmann, da TVEJA, no programa ‘Direto ao Ponto’.

Eis o caso: a presidente Dilma Rousseff (PT) gastou demais e descumpriu a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o que é um crime já consumado. Sua solução, à moda petista, foi mandar para o Congresso um projeto que torna legal o que é ilegal, alterando a LDO para eliminar a meta não cumprida de superávit de 2014. Na Comissão de Orçamento, a base aliada descumpriu o regimento e aprovou o texto mandado pelo Executivo, mas teve de recuar quando a oposição ameaçou ir ao Supremo Tribunal Federal (STF). Com aquela capacidade de falar ao cidadão comum tantas vezes cobrada de Aécio Neves neste blog, Aloysio Nunes traduziu a situação:

ALOYSIO: Se o cidadão comum, esse que paga imposto, que sustenta o governo com seu imposto, ele descumpre a lei, ele não tem por iniciativa a condição de mudar a lei. Ele tem de sofrer as consequências. Agora, a presidente da República está acima de tudo? ‘Olha, eu descumpri a Lei de Responsabilidade Fiscal. Tinha lá um objetivo fixado na lei, de economizar 1,9% do PIB, eu não economizei, pelo contrário produzi um déficit, estou gastando mais do que arrecadei…’ Isto é uma infração à lei, é um crime! É um crime de responsabilidade, o presidente não pode fazer isso. ‘Ah, então vamos mudar a lei.’ E ela quer a cumplicidade do Congresso para isso. É claro que a oposição já está mobilizada, nós estamos muito mobilizados contra isso.

O senador garantiu que a oposição vai trancar a pauta e impedir a votação no texto que altera a LDO; e, gentilmente, deu a receita para Dilma evitar o “processo traumático” de impeachment.

ALOYSIO: O que ela deveria fazer é trancar o cofre e ver se consegue espremer esse dinheiro para terminar o ano dentro da margem que foi fixada pelo Congresso na LDO. Cancela os empenhos, joga para o ano que vem… Ela pode fazer isso: o chamado contingenciamento.

O senador explicou esta palavrinha indigesta que tantas vezes também cobrei aqui que Aécio traduzisse para o cidadão comum, o que ele só fez uma vez em debate na TV, e ainda assim sem melhorar muito, ao trocá-la por “represamento dos recursos”.

ALOYSIO: Falou-se muito em ‘contingenciamento’ na campanha eleitoral, o Aécio falou muito disso, às vezes o eleitor não entendeu direito. O ‘contingenciamento’ é o seguinte: você tem uma despesa que está programada para esse ano, você reconhece que você deve, mas joga o pagamento para o ano seguinte, coloca no orçamento do ano seguinte. Você pode fazer isso. Agora, o problema maior é que a Lei Orçamentária tem lá um artiguinho que diz o seguinte: o presidente da República pode, por decreto, deslocar recursos de uma rubrica para outra até o montante de 20% de cada uma. Pode deslocar de Habitação para Saneamento, ou de Segurança Pública para Educação, ou coisa que o valha dentro dessa margem, DESDE QUE seja respeitada a meta fixada na LDO, que não foi. Dilma já movimentou mais de 40 bilhões de reais estando em situação de descumprimento da lei. E o artigo 85 da Constituição diz que constitui crime de responsabilidade infringir a Lei Orçamentária.

O caminho para o impeachment, portanto, está aberto. Que a oposição não amoleça dessa vez, como FHC fez em 2005 com Lula. Aquela omissão, sim, gerou um “processo traumático” para o país, que já dura 9 anos desde então e ainda teria mais 4 pela frente. Está aí o Petrolão que não me deixa mentir. Não se trata apenas de um escândalo de corrupção com 24 bilhões de reais movimentados pela quadrilha que sequestrou a Petrobras. É, também, um crime de natureza política, como bem lembrou Aloysio Nunes.

Destaco abaixo os trechos didáticos da entrevista sobre o esquema e suas consequências.

PETROLÃO

JOICE: …Lula e Dilma podem reafirmar que não foram beneficiados com o petrolão?

ALOYSIO: …Politicamente, eu não tenho dúvida [de que eles foram beneficiados]. Por quê? Porque o petrolão, assim como o mensalão e outros “ão” que haverão de surgir por aí, isso não é apenas um conjunto de crimes de corrupção. É um enorme crime de corrupção, uma quadrilha que foi montada e tudo, mas é sobretudo um crime de natureza política. Porque isso serviu para:

- amaciar o Congresso Nacional, pagando propina via diretores indicados por partidos políticos para parlamentares;

- formar maiorias parlamentares;

- angariar apoios políticos na eleição do Lula e na eleição da presidente Dilma;

Então, politicamente foram beneficiados. E é claro que sabiam!

E não é só o [depoimento do doleiro Alberto] Youssef [que evidencia isso]. O Tribunal de Contas da União (TCU) em 2010 fez um alerta: olha, tem problema em Abreu e Lima, refinaria em Pernambuco, e na Comperj, refinaria no Rio de Janeiro. O problema é o seguinte: contratos superfaturados; preço fora do valor do mercado; confusão. [Isto em] 2010! Comunicou o TCU ao Congresso Nacional a existência desses problemas. O Congresso então, na Lei de Diretrizes Orçamentárias, vota uma disposição que proíbe o governo continuar repassando dinheiro para esses empreendimentos da Petrobras onde o TCU já havia detectado os problemas.

O que faz o presidente Lula? VETA esse artido da Lei de Diretrizes Orçamentárias para que pudesse então continuar dando dinheiro para essa obra em andamento.

E quem manda essa mensagem com o veto do presidente Lula ao Congresso Nacional? A então chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Àquela época, eles já deveriam ter dito: “Está havendo problema, vamos rever esses contratos, vamos investigar…” A presidente Dilma, aliás, não era só chefe da Casa Civil, era presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Então ela tinha todos os elementos na mão para tomar providências.

[* Mais a respeito no editorial do Estadão que ratificou a capa de VEJA: "Lula e Dilma sempre souberam".]

JOICE: Como que uma coisa como Abreu e Lima é orçada a 2 bilhões, aí chega a 20 e ainda não terminou?

ALOYSIO: O Padre Vieira, no célebre Sermão do Bom ladrão, cita um rei mitológico grego que teria dito o seguinte: quem podendo impedir o pecado não o faz, ordena-o. Aliás, nesse mesmo sermão, ele cita o versículo 23 do capítulo 1 de Isaías, em que o profeta Isaías se dirige ao povo de Jerusalém atacando os príncipes que governavam Jerusalém, os governantes que eram infiéis ao povo, infiéis ao Deus e tal. Ele dizia o seguinte: teus príncipes são amigos de ladrões. Não é que são ladrões, são amigos dos ladrões. São ladrões porque os protegem, porque conferem a eles cargos e postos.

JOICE: É isso, Lula e Dilma são amigos de ladrões…

ALOYSIO: Amigos.

JOICE: Pelo menos.

ALOYSIO: O Jornal Nacional mostrou muito a imagem de um deputado já falecido, seu conterrâneo…

JOICE: É, o José Janene… Vergonha do povo de Londrina. Mas o povo de Londrina, senador, deixa eu fazer uma ressalva aqui, não gostou de político, põe na rua. Você sabe que é a cidade que mais trocou de prefeito no Brasil.

ALOYSIO: Eu sei. O Janene tinha uma fama ruim. É verdade. Todo mundo dizia, porque ele esteve metido no processo do mensalão.

JOICE: Se estivesse vivo, estava preso.

ALOYSIO: Muito bem. O José Janene, mesmo depois de ter renunciado o mandato para não ser cassado no episódio do mensalão, ele continuou mandando na BR Distribuidora e indicou para a diretoria de Petróleo e Gás o Paulo Roberto Costa. Foi indicação dele. Ora, o [então] presidente da República, o Lula, não é burro, ele é espertíssimo e inteligente. Quando ele vê uma indicação do José Janene… para quê que é? É para produzir Petróleo e Gás? Abastecer Petróleo e Gás?… E a Dilma não sabia disso? Com a digital? Claro que sabia!

ALOYSIO: Eu estou com pena do Paulo Roberto Costa, porque ele, que era diretor da Petrobras, ele assumiu que desviou 40 milhões de reais e se comprometeu a repatriar. Um ASSESSORA de um diretor, do petista Renato Duque, ele confessou ter desviado só para ele, fora partido, só para ele 250 milhões de reais. Então o Paulo Roberto Costa deve estar se sentindo um mendigo.

JOICE: Foi passado para trás, ou está escondendo umas contas aí… Eu acho que tem de refazer essas contas aí com o Paulo Roberto Costa.

(…)

JOICE: A turma fez movimentações que chegam a 24 bilhões de reais. Ninguém viu nada, senador?

ALOYSIO: É impossível não ter visto. E se não viu é porque foi mau gestor, não tem escapatória. Uma coisa deste tamanho que envolve um conluio entre políticos, empresas e altos funcionários da Petrobras, e que dura 12 anos, não tem como pessoas não saberem, é impossível. Agora, se soube e não fez nada é porque é cúmplice; e se não soube, se deixou isso passar, é porque é incompetente. Não tem jeito. E a presidente Dilma, é bom que se lembre, ela granjeou uma reputação de grande gestora porque foi ministra de Minas e Energia, chefe da Casa Civil e nessas duas posições ela era a pessoa forte na Petrobras: presidente do Conselho de Administração da Petrobras que, legalmente, é corresponsável por muitos dos atos da diretoria executiva.

(…)

JOICE: Essas empreiteiras não trabalharam obviamente só em obras da Petrobras. Elas estão em praticamente todas as obras do governo. E já há essa informação de que também pode ter havido mão grande nas obras da Eletrobras e em outras obras do PAC. Quer dizer: a gente pode ter uma CPI que envolve também a Eletrobras. E em relação às empreiteiras, a essa história de “Não pode deixar que elas sejam inidôneas“, como é que é isso, senador?

ALOYSIO: Tem que cumprir a lei. É caso de inidoneidade, sim. Se se comprovar que pagou propina. As empresas todas, essas que foram chamadas, que estão envolvidas no caso do Petrolão já adotaram uma estratégia comum.

JOICE: De ser vítima.

ALOYSIO: É. Aquele advogado do Fernando Baiano é [ironizando] genial. [Imitando:] ‘Aqui é o seguinte: não se coloca um paralelepípedo no Brasil sem pagar propina.’ Até que se coloca. Não se pode generalizar isso desse jeito. Mas é verdade que a corrupção não existe só no governo federal nem só na Petrobras. O problema é que no governo do PT isso virou um método de governo, uma forma de organizar governo, de manter maioria, como nós já dissemos aqui. Bom, agora, a estratégia deles é a seguinte: ‘Nós fomos extorquidos.’ O advogado do Fernando Baiano foi quem elevou o cinismo ao grau mais elevado. Então é a estratégia de defesa. Extorquido ou não, se pagou [propina], tem que pagar as consequências. A declaração de inidoneidade é inevitável. Isso não quer dizer que vai parar a obra. O contrato que está em vigor é um contrato que tem de ser cumprido. O que o governo pode e deve fazer, como deveria ter feito já quando recebeu o alerta do TCU, é renegociar esses contratos. Verificar se realmente tem sobrepreço, discutir, reduzir, ir para a Justiça e tal. Mas o contrato tem vigor. Agora, que pode ser declara inidônea, pode. E não é nenhuma catástrofe mundial. Se uma empresa não pode, outra pode. Você tem outras empresas médias que tem corpo técnico excelente que pode assumir obras.

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Veja também o post anterior: Dilma mentiu em debate: “Eu nunca impedi investigação.” E-mail prova que ela e Lula poderiam ter barrado petrolão

22/11/2014

às 5:54 \ Comportamento, Cultura, Eleições

Dilma mentiu em debate: “Eu nunca impedi investigação.” E-mail prova que ela e Lula poderiam ter barrado petrolão

Vamos relembrar o trecho do debate da Record em que a presidente Dilma Rousseff (PT), com suas frases de ditadora que manda na Polícia, mentiu descaradamente sobre o petrolão? Vamos! Até porque a resposta de Aécio Neves (PSDB) foi certeira, como destaquei na ocasião.

DILMA: Eu mandei investigar quando soube que tinha essas características. Por acaso. Porque estavam atrás de um doleiro e, através do doleiro, descobriram. Eu nunca impedi investigação, candidato. Eu nunca impedi que falassem, que olhassem ou que verificassem o que estava acontecendo. Agora vocês impediram. Sabe quantos vocês arquivaram? Vocês arquivaram 217 investigações, 242 envolviam deputados, senadores e ministros.

AÉCIO: Candidata, mais uma vez, a senhora não mandou investigar. Que triste um país onde o presidente da República é que determina quem seja investigado. Isso pode funcionar em algumas ditaduras amigas do seu governo, não no Brasil. Na verdade, quem investiga são as instituições, candidata.

Muito bem. Grande momento. Agora, eis a capa da VEJA desta semana:

Capa VEJA

Diz a chamada da matéria: “O doleiro Alberto Youssef disse à Justiça que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras. Agora, e-mails encontrados pela Polícia Federal em computadores do Planalto mostram que eles poderiam ter interrompido o propinoduto, mas, por ação ou omissão, IMPEDIRAM A INVESTIGAÇÃO sobre os desvios.”

Fica a pergunta: Quem era mesmo o engavetador?

Recordar é viver:

E só para não deixar ponto sem nó (apesar do corte no meio da última palavra):

“Se a senhora acha que houve tantos crimes cometidos no governo do PSDB, a senhora lista aqui vários deles, vocês governaram o Brasil por doze anos, candidata, por que a senhora não investigou, por que a senhora não fez novas denúncias? Porque não existia o que investigar. Ou então a senhora prevaricou, se a senhora está dizendo no momento da eleição que foram cometidos crimes que não foram investigados, a sua responsabilidade era denunciá-los para que o Ministério Público, que não pertence ao seu governo, ou a Polícia Federal, que não pertence ao seu governo, são instituições de estado, fizessem a investigação.”

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21/11/2014

às 17:00 \ Brasil, Comportamento, Cultura, Educação

Laura Capriglione quer educação contra Dilma, mas mente e xinga manifestantes anti-PT de coisas muito piores

Veja o nome da autora e o título do artigo que o site do PT reproduziu em junho deste ano:

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No texto, a militante Laura Capriglione criticava a falta de educação dos “endinheirados” da ala-vip ao puxar o grito de “Ei, Dilma, vai tomar no cu!” que depois tomou a Arena Corinthians, popular Itaquerão:

“Porque vaiar, tudo bem. Mas xingar assim é falta de educação demais, coisa de mal-agradecido traíra. E isso não se perdoa. Os marqueteiros tucanos têm de ensinar ao seu eleitorado um pouco mais de polidez. Nem que seja para aparecer na TV.”

LauraPara investir melhor na “luta de classes”, Laura ainda arranjara o depoimento de um suposto ajudante de pedreiro morador da Favela do Moinho para repudiar o grito junto com ela, que, decerto, pobre não é. No dia seguinte, 15 de junho, eu mostrei aqui “O curioso caso da ‘elite branca’ pobre, negra e “moreninha” contra Dilma ‘Rodrigues’ e o governo do PT“; e no dia 19: “Até Gilberto Carvalho admite: não foi só a ‘elite branca’ que xingou Dilma. ‘A coisa desceu‘”. Ou seja: o próprio ministro petista destruiu a tese de Capriglione e demais militantes que disputavam o troféu Glória Kalil na categoria “comportamento de arquibancada”.

Agora vejamos com que educação esta mesma senhora Capriglione, mais exigente com a etiqueta dos ‘arquibaldos’ do que com a veracidade dos fatos narrados, refere-se aos manifestantes que saíram às ruas cinco meses depois, no dia 15 de novembro, para protestar contra Dilma e o desgoverno petista. Eis os epítetos que ela reuniu, do alto de sua tribuna no Yahoo, no singelo artigo:

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- predadores neonazistas;
- espancadores e assassinos de homossexuais e negros;
- direita paulistana com ideais golpistas;
- órfãos de Hitler;
- nazista;
- anti-semita [sic];
- skinhead;
- cultivadores do ódio como definição existencial;
- lobos armados de socos ingleses, canivetes e nunchakus (arma usada por praticantes de artes marciais) que salivam diante da imprensa;
- hienas excitadas, sempre em bando;
- agressores de jornalistas;
- facínoras tatuados com o número 88, ou exibindo a Cruz de Ferro com a suástica;
- bandidos anti-comunistas como os assassinos do jornalista Vladimir Herzog;
- fascistas;
- turba;
- rapazes que arrostam violência e arreganham os dentes;
- gente que vai acabar matando alguém, com a cumplicidade do senador Aloysio Nunes e da Polícia Militar.

Uau! É mesmo um primor de bons modos esta Laura Capriglione! E que senso de hierarquia! Para ela, parece mais grave mandar uma governante tomar no cu em estádio de futebol do que, no suposto papel de jornalista, xingar famílias inteiras como assassinas de homossexuais e negros.

“Porque vaiar, tudo bem. Mas xingar assim é falta de educação demais, coisa de mal-agradecido traíra. E isso não se perdoa”, não é mesmo?

Como boa militante, Laura obviamente não prova coisa alguma do que diz. Sua função é apenas mentir contra inocentes e, fazendo de vítima o seu grupo ideológico, ainda cobrar da PM que trate a multidão pacífica com o mesmo rigor com que tratou aqueles que, bem ou mal, julgava suspeitos em manifestações de extrema esquerda que vinham sendo marcadas por quebra-quebra e coqueteis molotovs.

Parêntese histórico
Não é de hoje o ativismo desta senhora. A “socialista morena” Cynara Menezes revelou em artigo de 24 de setembro de 2013 que Laura Capriglione foi militante da Libelu (Liberdade e Luta), o braço estudantil da OSI (Organização Socialista Internacionalista), quando esta última tinha entre seus dirigentes Luis Favre, ativista franco-argentino e ex-marido de Marta Suplicy.

Da Libelu, participaram também o ex-ministro Luiz Gushiken, morto no dia 14 de setembro; o ex-ministro Antonio Palocci; a assessora de Lula, Clara Ant; o candidato à presidência na atual sucessão à direção nacional do PT, Markus Sokol; e uma série de militantes, para além de Laura, com os quais Cynara trabalhou na Folha de S. Paulo: Caio Túlio Costa, que foi secretário de redação e ombudsman do jornal; Matinas Suzuki; Mario Sérgio Conti e o crítico de gastronomia Josimar Melo.

“À frente da Folha em sua renovação, no início da década de 1980, Otavio Frias Filho empregou muitos militantes de esquerda no jornal”, conta Cynara, acrescentando aos “ex-Libelu” os ex-militantes do MR-8 e da Refazendo, que também ocupavam postos importantes na redação. Mas Caio Túlio, jornalista formado pela ECA-USP, é que se diz o responsável por levar muitos companheiros de tendência para a Folha:

“O Otavio não era simpatizante da Libelu, mas gostava da ‘disciplina’ dos trotskistas. Ele era simpatizante da Vento Novo, uma corrente (de centro) que havia na São Francisco. Fui o primeiro Libelu contratado para começar a renovação do jornal, em 1981. E fui trazendo os melhores jornalistas que conhecia, o Matinas, o Conti (que estava confinado na Câmara dos Vereadores como setorista e eu trouxe para a Ilustrada e o Folhetim), o Rodrigo Naves, a Renata Rangel, o Zé Américo, a Cleusa Turra, o Bernardo Ajzenberg, o Ricardo Melo. Muita gente, não me lembro de todos… Cada um foi trazendo outros. Eram bons, muito bons.”

E ainda há quem chame a gente de “teórico da conspiração” quando fala do jornalismo esquerdista nas últimas décadas, sem o qual o PT jamais teria chegado ao poder.

Retomo
Não vou dizer que os marqueteiros do PT “têm de ensinar” às Caprigliones da imprensa “um pouco mais de polidez”, porque sei que o mau exemplo vem de cima, então prefiro sugerir que o site do partido reproduza o seu artigo “Quem são os bandidos…”, enésimo exemplar do cinismo psicopático petista e da aplicação da recomendação atribuída a Lenin, “Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz”. Com sorte, ela ainda ganha o prêmio MAV do Ano.

Parafraseando a autora: É esta gente sem educação nem consciência moral que está no poder?

Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim!

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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21/11/2014

às 3:14 \ Aborto, Comportamento, Cultura, Mundo

Como é feito um aborto

“Se eu tirasse este colarinho, e então lhe mostrasse esse bebê e esses instrumentos, há algo que mudou sobre como o aborto acontece?”, pergunta o padre Frank Pavone, autor de Ending abortion – not just fighting it e diretor dos Sacerdotes Pela Vida, após expor de forma crua – mas sem sangue – um dos métodos de realização do aborto.

Não: nada muda, por mais intolerável que seja para os intolerantes ouvir um padre falar sobre qualquer assunto. Diga quem disser, 2 + 2 = 4, sim, senhor.

Assista ao vídeo de menos de três minutos, de 2008, legendado pelos Tradutores da Direita.

Eis o diagrama mencionado no vídeo:

Aborto diagrama

Depois do Dia da Consciência Negra, vale lembrar ainda as palavras do dr. Ben Carson:

“Há um monte de pessoas que diz: ‘Eu acho que é errado, e eu nunca faria um aborto, mas eu acho que não tenho o direito de impor meus sentimentos aos outros.’ Essa pode ser a resposta de muitas pessoas, mas suponha que os abolicionistas tivessem pensado assim nos séculos XVIII e XIX. Suponha que eles tivessem dito: ‘Eu não vou possuir escravos. Eu realmente acho que a escravidão é errada, mas, se você quiser ter os seus, tudo bem.’ Se os abolicionistas tivessem tido essa atitude, onde estaríamos agora? Temos de lidar com essas grandes questões morais, e o aborto é uma questão importante para a nossa geração. Você não pode simplesmente enfiar sua cabeça na areia.”

Posts relacionados (favor ler antes de repetir chavões abortistas aqui no blog):
- Vamos educar contra o aborto – Ben Carson, Brit Hume, Ann Coulter e Papa Francisco contra Barack Obama
- O filme que o Bonequinho do Globo não quer que você veja [Assista a 'Blood Money: aborto legalizado' dublado e completo - aqui.]
- O dono do mundo
- Polícia do pensamento em patrulha
- O que a Igreja fez pela mulher
- Ver também o capítulo ‘Aborto’ do nosso best seller O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota.

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21/11/2014

às 0:14 \ Brasil, Cultura

Deu na Folha: Conhecer o Foro de São Paulo é o mínimo para não ser um idiota

Acredite se quiser: ao menos lá no site da Folha de S. Paulo, na seção da Livraria da Folha, saiu na quarta-feira, 19 de novembro, um contundente texto de apresentação do best seller de Olavo de Carvalho, idealizado e organizado por mim, O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota. Embora o livro tenha capítulos temáticos para muito além da política, como ‘Juventude’, ‘Conhecimento’, ‘Vocação’, ‘Cultura’ e ‘Pobreza’, o foco do texto é a entidade que eu chamei no resumão aqui do blog de maior inimiga do Brasil. Diz o título, bastante ousado para os padrões da Folha: “Conhecer o Foro de São Paulo é o mínimo para não ser um idiota”, coisa de que os manifestantes anti-PT do último sábado, 15 de novembro, já sabem muito bem.

Dia 15 Fora Fora Olavo tem razão montagem

Dia 15 mínimo

Quatro dias após eles saírem às ruas com cartazes de repúdio ao Foro e exaltação a Olavo - como “nunca antes na história dêsti paíf” um movimento de massa fez com um escritor vivo -, o mínimo que a Folha pode fazer, ainda que na seção de vendas (e dando um belo desconto), é contar a história que os jornais brasileiros esconderam por quase vinte anos.

Que o texto abaixo – lamentavelmente anônimo – chegue logo à versão impressa também.

******

Oficialmente, o Foro de São Paulo nunca foi secreto, mas, até pouco tempo atrás, quase ninguém sabia de sua existência. Para quem tinha ouvido falar, salvo raras exceções, a organização política internacional fundada em 1990 por Lula e Fidel Castro não era mais do que um “Rotary Club bolivariano”, na qual antigos revolucionários se juntavam para conversar e tomar chá.

MínimoEm setembro de 1997, o advogado José Carlos Graça Wagner acusou o Foro de ser uma organização internacional que visava dominar politicamente os países latino-americanos, união que incluía partidos ilegais e grupos terroristas ligados ao trafico internacional de drogas.

Na época, mesmo com a divulgação das atas, a denúncia foi recebida como a mais nova teoria da conspiração. Afinal, o fim do século 20 sepultou para sempre as ideias comunistas.

No decorrer dos anos, o único que parecia insistir nessa história era Olavo de Carvalho. Até que, em 2005, Lula fez um pronunciamento para a celebração dos 15 anos do Foro e reconheceu a ação conjunta de lideranças de esquerda, a natureza secreta da entidade e que a relação permitiu, por exemplo, “a consolidação do que aconteceu na Venezuela”.

“É a confissão explícita de uma conspiração contra a soberania nacional, crime mais grave do que todos os delitos de corrupção praticados e acobertados pelo atual governo; crime que, por si, justificaria não só o impeachment como também a prisão do seu autor”, escreveu Carvalho no artigo “Lula, Réu Confesso”, publicado no “Diário do Comércio” de 26 de setembro de 2005 e parte da coletânea O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota.

“Nunca um presidente eleito de qualquer país civilizado mostrou um desprezo tão completo à Constituição, às leis, às instituições e ao eleitorado inteiro, ao mesmo tempo que concedia toda confiança e toda a autoridade a uma assembleia clandestina repleta de criminosos, para que decidisse, longe dos olhos do povo, os destinos da nação e suas relações com os vizinhos”.

Entre outras críticas ao governo do PT e à esquerda internacional, Carvalho acusa Luiz Inácio Lula da Silva de assinar “um pacto de solidariedade com a narcoguerrilha colombiana”.

“Não há no jornalismo ou nos debates em geral, atitude mais indigna, mais abjeta e, no fundo, mais ridícula, do que tentar impugnar uma denúncia sob o pretexto de que ela é ‘teoria da conspiração’”, escreveu em “Falsos Segredos”, publicado em 14 de janeiro de 2010, no “Diário do Comércio”.

Yo no creo en las brujas

Soterrado pelo Muro de Berlim, o comunismo recebeu o atestado de óbito oficial com o fim da União Soviética. No século 21, imaginar a possibilidade de outro modo de produção que não seja o capitalista soa anacrônico ou ilusório. Por enquanto, a existência real do socialismo ou de algo semelhante não tem muita importância.

Um dos motivos para deixar a questão de lado é a transformação da ideia de comunismo. Foram tantas alterações e adaptações que esse emaranhado se tornou uma verdadeira charada teórica. A tarefa de decifrar esse enigma ideológico fica para o historiador David Priestland em seu livro “A Bandeira Vermelha”, que ultrapassa 700 páginas.

Para ilustrar a gravidade da questão levantada por Olavo de Carvalho, darei um exemplo grosseiro. Pense em uma seita esotérica hipotética. Os membros desse culto acreditam que é possível se comunicar com seres invisíveis. Para que isso aconteça, deve-se reunir uma série de pedras. Ao tentar juntar esses elementos, o sujeito se vale de ações ilícitas, como roubo e extorsão.

A existência ou não dos seres invisíveis ou a possibilidade de manter uma conversa com eles não o isenta dos crimes que praticou. Ademais, mesmo que o ritual não funcione como planejado, a mente humana é dotada de mecanismos de autoengano capazes de criar desculpas pelo fracasso –”a pedra não era suficientemente boa”– ou até mesmo alterar a lembrança de um resultado negativo.

Negar a possibilidade do comunismo não revoga os crimes cometidos em seu nome.

*

O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, organizado por Felipe Moura Brasil, é uma coletânea de 193 textos escritos por Olavo de Carvalho. Os artigos foram publicados entre 1997 e 2013 em diversos jornais e revistas.

AUTOR Olavo de Carvalho
ORGANIZADOR Felipe Moura Brasil
EDITORA Record
QUANTO R$ 53,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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PS: Para entender melhor esta noção de comunismo, veja o artigo “O comunismo real“. Para o resumão do Foro, veja: Conheça o Foro de São Paulo, o maior inimigo do Brasil.

20/11/2014

às 19:36 \ Cultura

Zumbi dos Palmares sequestrava mulheres, mas Dilma o exalta como “grande herói brasileiro”

Não bastasse o meu post da véspera sobre a intimidação de Frei David aos bolsistas negros, passei o Dia da Consciência Negra em reunião sobre trabalho escravo. Da época da escravidão? Não. Do Brasil de hoje mesmo, governado pelo PT. Recebi informações mui interessantes, para além daquelas que já dei aqui e aqui. Nas próximas semanas, teremos novidades neste blog.

Enquanto eu falava mal do governo na reunião, [a equipe de] Dilma postava no Twitter:

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A presidente que fez campanha repudiando a violência contra as mulheres, enquanto dois mil militantes virtuais de seu partido espalhavam boatos infames sobre supostas agressões cometidas por Aécio Neves, trata como “grande herói brasileiro” um sequestrador de mulheres. O verdadeiro Zumbi desconhecido pelo cidadão comum “dêsti paíf”, intoxicado de propaganda esquerdista, fora revelado décadas antes da publicação do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil (Ed. Leya), best seller de Leandro Narloch, que o resume:

ZUMBI-DOS-PALMARES“Zumbi, o maior herói negro do Brasil, o homem em cuja data de morte se comemora em muitas cidades do país o Dia da Consciência Negra, mandava capturar escravos de fazendas vizinhas para que eles trabalhassem forçados no Quilombo dos Palmares. Também sequestrava mulheres, raras nas primeiras décadas do Brasil, e executava aqueles que quisessem fugir do quilombo.”

No livro, Narloch cita outros autores para explicar as nuances da escravidão local:

“Para obter escravos, os quilombolas faziam pequenos ataques a povoados próximos. ‘Os escravos que, por sua própria indústria e valor, conseguiam chegar aos Palmares, eram considerados livres, mas os escravos raptados ou trazidos à força das vilas vizinhas continuavam escravos’, afirma Edison Carneiro no livro O Quilombo dos Palmares, de 1947.

No quilombo, os moradores deveriam ter mais liberdade que fora dele. Mas a escolha em viver ali deveria ser um caminho sem volta, o que lembra a máfia hoje em dia. ‘Quando alguns negros fugiam, mandava-lhes crioulos no encalço e uma vez pegados, eram mortos, de sorte que entre eles reinava o temor’, afirma o capitão João Blaer.

‘Consta mesmo que os palmaristas cobravam tributos – em mantimentos, dinheiro e armas – dos moradores das vilas e povoados. Quem não colaborasse poderia ver suas propriedades saqueadas, seus canaviais e plantações incendiados e seus escravos sequestrados’, afirma o historiador Flávio Gomes no livro Palmares.”

Não sei por que me lembrei do Frei David, que ameaça cortar a bolsa de estudantes negros se não fizerem servicinhos políticos para o PT. E também dos irmãos Castro, que ameaçam despejar as famílias dos escravos atuantes no programa “Mais Médicos” em caso de deserção. A história se repete como tragicomédia no Brasil. O preço da “inclusão social” cobrado pela esquerda e pelas figuras míticas que ela cultua é alto desde Zumbi.

Decerto, não será Dilma a revelar ao mundo a escravidão cometida por negros. Escreve Narloch:

‘A própria palavra escravo vem de eslavos — os povos do leste europeu constantemente submetidos à vontade de germanos e bizantinos na alta Idade Média. Brancos europeus também foram escravizados por africanos. Entre 1500 e 1800, os reinos árabes do norte da África capturaram de l milhão a 1,25 milhão de escravos brancos, a maioria deles do litoral do Mediterrâneo, segundo um estudo do historiador Americano Robert Davis, autor do livro Christian Slaves, Muslim Masters (‘Cristãos Escravos, Senhores Muçulmanos’).”

O livro de Davis, aliás, está na pequena bibliografia de Olavo de Carvalho sobre o tráfico de escravos no Islam, indicada por mim no nosso best seller O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota.

Como escreveu, também, Diogo Mainardi no artigo “Fora, Zumbi!“, de 7 de maio de 2003, em que citava a obra Genes, Povos e Línguas, do geneticista italiano Luigi Luca Cavalli-Sforza:

“O melhor jeito para acabar com o racismo no Brasil é eliminar o critério de raça. O movimento negro sempre lutou para que os negros se orgulhassem da própria cor. Eu aboliria essa ideia. Aboliria o Dia Nacional da Consciência Negra, a política de cotas, as ações afirmativas. Aboliria também o mito da miscigenação racial brasileira.

Quando se considera toda a história da humanidade, os alemães são tão miscigenados quanto nós. Raça é uma noção arcaica. Não tem base científica. A luta contra o racismo não se dá glorificando a figura de Zumbi nos livros escolares, mas ensinando que os brancos são negros e os negros são brancos.”

Morgan FreemanComo faz o ator Morgan Freeman. Como faz o escritor Thomas Sowell. Como faz o dr. Ben Carson. Como fazem Mia Love, Tim Scott, Will Hurd. Como fazem todos os negros que se sabem capazes de vencer por conta própria e não aceitam ser explorados pela demagogia esquerdista.

Meus heróis não morreram de overdose, como os da canção do Cazuza. Nem sequestravam mulheres, como o do tuíte da Dilma.

Eles lutaram de corpo e alma pela verdade que liberta, como o abolicionista conservador Joaquim Nabuco.

Sugiro aos negros que repensem os seus.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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19/11/2014

às 19:54 \ Comportamento, Cultura, Eleições, Esquerdismo

Vídeos exclusivos: Estudantes reagem às ameaças de Frei David, da Educafro, de cortar bolsas se não coletarem assinaturas para reforma política do PT. E ele fica bravinho!

Frei DavidNo dia 11 de novembro, mostrei aqui no blog o curioso caso da ONG Educafro (Educação e Cidadania de Afro-descendentes e Carentes), cujo diretor executivo, Frei David Santos, ameaça com multas de 300 reais e perda da bolsa universitária parcial ou integral os estudantes negros e pobres que não coletarem assinaturas em prol da reforma política do PT – aquela por meio da qual, como também expliquei aqui, o partido de Dilma quer construir a ditadura perfeita no Brasil.

Diante de tamanha intimidação financeira e psicológica para fins de coletar as assinaturas – a começar pela dos próprios estudantes -, questionei se era isso mesmo que a presidente Dilma e militantes do naipe de Frei David chamavam de projeto de “iniciativa popular”. Dizia eu: “Não terá sido coletada assim boa parte das 8 milhões de assinaturas que Dilma alega ter recebido em suposta petição de ‘movimentos sociais’ para encaminhar a reforma política?”

Pois bem. Em “resposta” que nada responde ao meu artigo original, a Educafro publicou uma nota de auto-exaltação e ataques baratos com o subtítulo “A REVISTA VEJA FEZ UMA ABORDAGEM INCOMPLETA”, o que de fato (puxa vida!) não tenho como negar. É verdade, sim. Neste ponto, Frei David tem razão. Eu havia divulgado apenas os e-mails com suas ameaças aos estudantes. Faltavam os vídeos!

Para completar o serviço, então, separei em dois o material que recebi com exclusividade de mais uma bolsista inconformada, como vários que escreveram a este blog. No primeiro vídeo, mais singelo, Frei David explica o procedimento de coleta necessário para renovação do benefício, diz que aumentou de uma para 5 folhas a quantidade exigida de cada estudante e, prevendo as reclamações de que seria muito trabalho, manda na lata: “toma vergonha na cara!”, (quem reage assim) “é preguiçoso e merece cortar a bolsa!”. Assista:

Um doce, não? Se Diogo Mainardi fala do comportamento “bovino” dos nordestinos que votam na Dilma, leva processo do PT. Se Frei David chama os negros de preguiçosos por não trabalharem para o PT, está tudo bem, é claro. Mas o melhor vem agora.

Uma estudante negra pede a palavra e reage às ameaças do diretor, perguntando como é que ela vai perder a bolsa se não está no contrato com a Educafro a coleta das assinaturas. Sua pergunta corajosa, decerto entalada na garganta de parte da plateia, é seguida de aplausos e gritos de apoio que aumentam de volume conforme os igualmente inconformados se sentem mais à vontade para endossar o coro.

E o que faz Frei David? Em comportamento típico de um militante petista, assume por um momento o papel de vítima e diz que – ui! ui! ui! – levou “duas facadas”, coitadinho: a pergunta e os aplausos. Puro jogo de cena para então voltar suas baterias contra a estudante negra: “Sua postura revelou que você não é nada cidadã!”, grita ele. Para Frei David, como se vê, é prova de falta de cidadania questionar o seu autoritarismo. E ainda pergunta: “Alguns de vocês teve [sic] a coragem de aplaudir?”, ao que uma estudante por trás da camêra debocha de longe: “Siiiiiiiiiiiiim!” Em seguida, o diretor dá um tragicômico ataque histérico anticapitalista que só vendo mesmo para acreditar:

Pois é. Militantes como Frei David – imagine – estão aí “para fazer o mundo mudar, e não pra fazer o capitalismo vencer no coração de egoístas!”. Uhuuul! É por isso que, no auge do escândalo de corrupção do Petrolão, eles precisam ajudar o PT a vetar a doação legal de empresas privadas para garantir que o partido tenha sempre mais dinheiro que os outros, não é mesmo? “Vergonha! Vergonha!”, como diria Frei David antes de mandar tirar o microfone da “irmãzinha” que o questionou, exatamente como o PT mandou tirar de Rachel Sheherazade. Seria já uma amostra davidiana do “controle de mídia” que o relatório bolivariano do partido prega? O sistema de cotas veio supostamente quitar a dívida histórica oriunda da escravidão, mas agora tem senhores como David para submeter negros e pobres a servicinhos políticos. E para exemplificar pela enésima vez a recomendação atribuída a Lenin – “Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz” -, o diretor ainda completa:

“Estamos aqui não para viver e vencer egoisticamente”…

É mesmo um altruísta este Frei David: como qualquer petista, ele quer apenas o bem daqueles que ele intimida, ameaça e cala.

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PS: Para não cair no engodo de “racialistas”, veja também:
Reforma política do PT: Educafro ameaça com multa e perda da bolsa estudantes que não coletam assinaturas. É isso que petistas chamam de “iniciativa popular”? Entenda como o partido de Dilma quer construir a ditadura perfeita.
- O mundo inteiro está cheio de todo mundo
- Arnaldo Jabor ainda quer acusar a direita de “racismo”?
- Mais uma resposta certeira de Morgan Freeman sobre raça
- Diferenças entre conservadores e esquerdistas
- Por que o capitalismo funciona – um post com vídeos, transcrições e resumos para você educar de vez os amigos

19/11/2014

às 13:54 \ Comportamento, Cultura, Mundo

O terror da linguagem: ataques verdadeiros e falsas agressões

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Tuitadas do dia:

1.

- Guga Noblat foi EMPURRADO por manifestante adolescente que ele ridicularizou. UOL diz que ele foi AGREDIDO para parecer que levou uma surra.

- Mudar verbo específico (EMPURRAR) por genérico (AGREDIR) para aumentar impressão de violência é imprecisão voluntária de repórter militante.

- Manchete do UOL soma 2 trapaças: 1) “Guga Noblat é agredido”: foi empurrado. 2) “durante protesto em prol da ditadura”: não. Do impeachment.

Israel sinagoga atacada2.

- Ataque palestino mata 5, fere 6; e Helena Celestino quer Israel transigente, tolerante, sem ‘atos de vingança’ nem ‘represálias terríveis’.

- Chamar reação a ataques terroristas de ‘atos de vingança’ para transmutar o dever de Estado em descontrole sentimental é coisa de militante.

- “’Morte aos árabes’. Este era o grito de guerra dos ultradireitistas em Israel”. Celestino pinça lá o grito radical, como imprensa faz aqui.

- Dilma quis diálogo dos EUA com terroristas do Estado Islâmico. Helena Celestino, do Globo, quer diálogo de Israel com terror palestino.

[Recordar é viver: Já contaram para o Conti? Autoridade do Hamas admite que grupo sequestrou os três jovens de Israel. Avisem a Helena Celestino e Janio de Freitas também, ok?]

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Outras notas:

Captura de Tela 2014-11-19 às 13.57.44 Captura de Tela 2014-11-19 às 13.55.41 Captura de Tela 2014-11-19 às 13.55.31

Sobre o post: New York Times considera “genial” livro de Diogo Mainardi, enquanto militância petista o ataca no Brasil:

Mainardi

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