Blogs e Colunistas

24/07/2014

às 10:14 \ Cultura

Como resolver o conflito Israel-Hamas com algodão-doce

Desculpem a demora. Fui resolver o conflito Israel-Hamas.

Não dava para esperar a paz através do reconhecimento do Estado de Israel pelos terroristas. Em 2011, o líder Khaled Meshaal já havia prometido que “nunca reconheceremos a legitimidade da ocupação de nossa terra”. Não dava, tampouco, para explicar dia após dia que a morte de civis israelenses e palestinos é desejada pelo Hamas, esclarecendo que a dos primeiros é seu próprio objetivo; e a dos segundos – que eles usam como escudos humanos para si próprios e para seus mísseis, providencialmente escondidos em escolas, hospitais e mesquitas – permite que eles culpem os judeus, com a colaboração da imprensa mundial e suas manchetes sonsas com os números de mortos de cada lado, induzindo o público a debitá-los do lado oposto.

Cansei. Se o maior problema para os jornalistas é a morte de criancinhas palestinas nas reações do exército de Israel aos (2.000) mísseis (só nas duas últimas semanas) disparados pelo Hamas contra as cidades israelenses, a questão é uma só: ainda não há tecnologia bélica suficientemente avançada para prender ou exterminar os terroristas e tomar ou destruir seus armamentos sem causar eventualmente os danos colaterais em que eles investem. Eu não gosto de ver criancinhas mortas. Israel não gosta de ver criancinhas mortas. Mas o Hamas gosta e a imprensa lhe é cúmplice. Como resolver isso, se os jornalistas não querem aprender a fazer manchetes sobre o número de mortos palestinos sem reforçar a propaganda do terror?

SeuCreyssonPor um momento, encontrei a solução. Projetei a primeira MT-MAD, a máquina de transformar mísseis em algodão-doce. Isso mesmo: os problemas de Israel estavam com os dias contados. Com a MT-MAD, bastaria ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu apertar um botão de seu gabinete que os mísseis escondidos nas escolas palestinas transformar-se-iam rapidamente em algodão-doce prontinho para consumo da criançada no recreio. Cessar-fogo para quê? Os civis palestinos desejariam diariamente esse bombardeio açucarado, para o qual haveria até fila de espera nos corredores. A MT-MAD seria usada igualmente para derrubar os mísseis disparados contra Israel, provocando assim uma deliciosa neve de algodão-doce. O Oriente Médio seria uma linda festa junina; e eu estava mesmo muito feliz e orgulhoso da minha invenção, até que me dei conta do resultado prático: a obesidade infantil. O Hamas, a imprensa mundial e o governo Dilma jamais perdoariam os judeus por engodar as crianças palestinas.

Tive de mudar meu projeto. Em termos de tecnologia, seria até mais fácil transformar mísseis em cerveja, por exemplo, mas aí todos implicariam com o álcool servido para as crianças – e eu não desejo exportar a blitz da Lei Seca para ninguém. Ademais, cerveja tem glúten, um inimigo decerto mais perigoso para a imprensa mundial do que qualquer antissemita ao lado de um hospital disparando mísseis contra a “judeuzada”. Descartei então a hipótese de alimentos e bebidas, já que todos fazem mal se alguém disser que faz. Pensei em algo caro aos jornalistas de esquerda, mas o problema de transformar os mísseis em livros do Che Guevara é que as criancinhas teriam mais uma fonte de ódio ao inimigo apontado pelos pais. Finalmente tive um insight: camisinhas! Não tinha como a imprensa não gostar. Os mísseis virariam um baú com camisinhas de vários tamanhos, para que ninguém pudesse falar em reação desproporcional. As crianças palestinas teriam basicamente a mesma educação sexual das brasileiras, com forte incentivo ao sexo casual – e, se os casos de Aids aumentassem por lá, como aqui, bem… Aí a culpa da Aids no mundo inteiro seria dos judeus e meu projeto, um fracasso.

É, não tem jeito. A paz no Oriente Médio depende do reconhecimento do Estado de Israel ou do avanço tecnológico que lhe permita destruir o Hamas e seus armamentos, sem deixar vítimas civis – nem coisa alguma em seu lugar: de preferência, nem mesmo estilhaços para não sujar a rua. Enquanto isso, o jeito é cuidar de um projeto bem menos ambicioso: o de transformar os engodos da esquerda dominante na imprensa em algodão-doce para os meus leitores.

Felipe Moura Brasil - http://www.veja.com/felipemourabrasil

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Veja também aqui no blog: O bate-boca de Jandira Feghali com Jair Bolsonaro e o conflito Israel-Hamas – Vamos desenhar para a deputada?

22/07/2014

às 14:47 \ Cultura

Esposa de Paulo Coelho “não concorda” comigo sobre Zuenir Ventura na ABL? Obrigado! Está tudo em seu lugar

Se xingamento de MAV (militante da Mobilização em Ambientes Virtuais do PT), pra mim, é tributo, o que seria esta “discordância” vinda da esposa do imortal – acredite – Paulo Coelho?

Veja só que fofinho o comentário da artista plástica em defesa de Zuenir, no Facebook de uma leitora que compartilhou meu artigo

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No Brasil, dizer que alguém é “excelente”, “maravilhoso”, “do bem” é tido até como “argumento”, “contraposição de ideias”, “refutação” talvez. Eu expus os métodos – conscientes ou inconscientes – do colunista militante do Globo para ludibriar seus leitores, sua linguagem elíptica e hiperbólica, sua dificuldade de expressão, sua incapacidade de análise, sua característica confessa de “profeta (nem sempre certo) do passado”, mas sabe como é: se não dá para defendê-lo de seus erros, proselitismos e limitações, melhor dizer “não concordo”, ele é um cara legal, “isso é injusto!”, poxa vida… Este espírito de patota já resultou em equívocos irreparáveis para a Academia Brasileira de Letras. Espero que, dessa vez, os acadêmicos não deem uma de Christina Oiticica. Chega de magos na ABL. Chega de chapa-branca imortal.

Recordar é viver:

Paulo Coelho

Felipe Moura Brasil - http://www.veja.com/felipemourabrasil

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21/07/2014

às 23:26 \ Cultura

O lado “reaça” de Ubaldo: “Então, Lula não é elite? De que mais se precisa para ser elite?” Autor também condenava desarmamento, Lei da Palmada, cotas e outras vigarices

No dia que o escritor João Ubaldo Ribeiro morreu, o Jornal Nacional informou: “A última crônica já está no site do jornal e traz a irreverência de sempre para falar do cotidiano.” Dito assim, parecia se tratar de mais um texto sobre caminhadas no Leblon, conversas de bar e outros temas leves do dia a dia presentes durante anos em sua coluna dominical no Globo.

Não sei se o repórter se limitou a ler o título – “O correto uso do papel higiênico” – e imaginou, sei lá, um manual de toalete, ou se o Jornal Nacional é que não quis revelar o verdadeiro conteúdo: uma crítica ao Estado Babá; ao paternalismo estatal; a “todas as medidas que agora vivem tomando, para nos proteger dos muitos perigos que nos rondam, inclusive nossos próprios hábitos e preferências pessoais”; ao “espírito desmiolado, arrogante, pretensioso, inconsequente, desrespeitoso, irresponsável e ignorante com que esse tipo de coisa vem prosperando entre nós, com gente estabelecendo regras para o que nos permitem ver nos balcões das farmácias, policiando o que dizemos em voz alta ou publicamos e podendo punir até uma risada que alguém considere hostil ou desrespeitosa para com alguma categoria social”. O imortal começava imaginando a tragicomédia de uma legislação sobre o papel higiênico para depois ironizar a Lei da Palmada e os planos de “proibir que os fabricantes de gulodices para crianças ofereçam brinquedinhos de brinde”.

Ubaldo podia dizer essas coisas sem ser tachado (com “ch”, sim, senhor) como troglodita de direita, fascista, nazista e demais epítetos atribuídos a ‘nozes’, porque, para além de certa imunidade que sua obra literária lhe garante, ele era um cronista político eventual que, mantendo a leveza habitual de seus escritos, geralmente se limitava a ironizar medidas, chavões, bobagens repetidas por aí, sem atribuí-las a determinada corrente político-ideológica nem desmascarar as pessoas responsáveis por elas, ainda que tenha criticado tanto FHC quanto Lula em seus governos, o que, neste último caso, rendeu-lhe a acusação básica de estar a serviço do PSDB.

Quando VEJA o entrevistou em 2005, ele explicou como reagia a isso:

Eu sou uma pessoa totalmente destituída de rabo preso. Nunca roubei ninguém, não tenho antecedentes criminais, nunca fui dedo-duro, é difícil desencavar em meu passado algo mais grave do que ter enganado uma namorada, e assim mesmo muito eventualmente. Quando eu falo mal do governo, recebo cartas iradas dizendo: “Mas o que o PSDB faria neste caso?”. Como se tudo o que eu escrevi contra o PSDB não valesse nada. No Brasil, sempre se acredita que a imprensa vive no bolso de alguém. Eu convivi com Roberto Marinho episodicamente por causa de nossa condição de integrantes da Academia Brasileira de Letras. Por ter comparecido a três ou quatro jantares na casa do dono da Globo, fui acusado de conspirar com ele. Você imagina que Roberto Marinho iria chamar um colunista de jornal para que ambos, juntos, manobrassem os cordões que gerem esta República? As pessoas têm essa convicção porque estão acostumadas ao ambiente de corrupção que reina no Brasil.  

De nove anos atrás para cá, Ubaldo pode até ter incomodado o PT mais um pouco, mas, com o aumento de uma oposição intelectual mais incisiva, já estava muito longe de constar na lista negra do partido e, para a esquerda em geral, essas críticas ao governo petista reforçaram apenas o elogio póstumo à sua “independência”. Nelson Rodrigues, para citar outro autor de vasta obra ficcional no mínimo tolerado pela esquerda, era um reacionário assumido e, mesmo assim, este seu lado – de reagir a tudo que não presta, como ele dizia – até hoje é um tanto desconhecido do grande público. João Ubaldo não era Nelson, mas convém não deixar morrer tampouco, sob a imagem do cordial escritor de livros que falava com irreverência do cotidiano nos jornais de domingo, o seu lado “reaça”, o qual nada mais é que a sua visão intelectual independente sobre a realidade das coisas por trás das mentiras oficiais de cada dia.

Seguem alguns trechos memoráveis de seus artigos. Os subtítulos são meus.

Lula é de elite:

Outra palavra que já merece uma pesquisa semântica é “elite”. Lula também faz embaixadinhas com ela a torto e a direito e é preciso estar atento. Assim mesmo, é difícil entendê-la, a começar pela circunstância de que, desde a época em que foi chamado como promissor talento para a temporada universitária patrocinada pela AFL-CIO, formadora de quadros sindicais presente, respeitada e temida em todo o mundo, ele é elite. Foi elite dos sindicalistas, é elite do partido que está no poder, exerceu o posto mais alto da elite governante, num país onde o presidente da República é um monarca tratado com subserviência e vassalagem, viaja esplendidamente para palestras e lobbying, come do bom, bebe do melhor, é amigo pessoal e companheiro de lazer de ricos e poderosos, se trata nos mais respeitados hospitais com os mais renomados médicos, não entra em filas, não pega transporte público, não paga aluguel de casa nem prestação de carro, não se aporrinha com providências do cotidiano, não tem preocupação com o futuro, ganha mais do que todos os professores do primeiro grau da rede pública do Maranhão juntos, manda para lá, desmanda para lá e, ainda por cima, é cultuado por grande parte do povo. Então, ele não é elite? De que mais se precisa para ser elite?

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Contra o desarmamento:

(…) em cidades onde morre mais gente baleada do que em países em guerra, só podemos ser uma espécie de faroeste. Já nos acostumamos e por isso mal notamos. (…)

(…) agora o plano é desarmar os cidadãos, proibindo terminantemente o porte de armas, mesmo que exclusivamente dentro de casa.

(…) Mas o bandido? Ah, este estará de agora em diante perdido, porque o novo dispositivo legal cerceará sua ação criminosa. Verdade que terá certeza de que poderá entrar na casa de qualquer cidadão ordeiro, porque esse cidadão não contará com uma arma para defender-se. Mas o bandido poderá ser facilmente vencido. Basta que se guarde um exemplar da nova lei para mostrar ao assaltante: “Olhe aí, diz aqui que é proibido o porte de armas.” “Ah, desculpe”, dirá o assaltante, pedindo licença para retirar-se e saindo sem bater a porta. “Foi mal, eu não tinha sido informado.”

João Ubaldo armas

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Sobre a censura por racismo e a falsa “popularização” dos clássicos:

Não sei se vocês lembram, ou que fim levou, aquela história de censurarem, expurgarem ou proibirem um livro infantil de Monteiro Lobato, por aspectos considerados racistas. De vez em quando, fico um pouco impaciente e pergunto por que não proíbem logo “Os Sertões”, com tanto racismo contido na parte que todo mundo diz que leu, mas não leu, a referente ao homem. (…)

Mas, no caso de Machado, dizem as novidades, não se trata de racismo, trata-se da elaboração, com a chancela e o apoio do Estado, de versões populares, ou acessíveis à maioria, de obras dele. (…)

“Ela [a norma culta da língua] é necessária para preservar e aprimorar a precisão da linguagem científica e filosófica, para refinar a linguagem emocional e descritiva, para conservar a índole da língua, sua identidade e, consequentemente, sua originalidade. Ao contrário do que entendi de certas opiniões que li sobre o assunto, a norma culta não tem nada de elitista, é ou devia ser patrimônio e orgulho comuns a todos. Elitismo é deixá-la ao alcance de poucos, como tem sido nossa política”.

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O besteirol do descobrimento:

(…) quem fomos invadidos? Todos nós, salvante os mais ou menos 400 mil índios que sobraram por aí, somos descendentes dos invasores, inclusive os negros, que não vieram por livre e espontânea vontade, mas também não viviam aqui na época de Cabral e hoje constituem parte indissolúvel de nossa, digamos assim, identidade. Imagino que haja quem pense que, diante de uma delegação portuguesa, algum diplomata ou general índio tenha argumentado que se tratava da ocupação ilegal de um Estado soberano do Oiapoque ao Chuí e que aquilo não estava certo, cabendo talvez a intervenção das Nações Unidas. (…)

Vamos supor, já jogando no terreno da absoluta impossibilidade, que o chamado mundo civilizado ignorasse a existência destas terras até hoje. Teríamos aqui, não o Brasil, mas uns 4 milhões de nativos de beiço furado e pintados de urucu e jenipapo (nada contra, até porque furamos as orelhas, nos tatuamos e usamos batom, é uma questão de estilo), que não falavam as línguas uns dos outros, matavam-se entre si com alguma regularidade e cuja tecnologia não era propriamente da era informática. Brasil mesmo, nenhum.

Mas está ficando politicamente correto, suspeito eu que por motivos incorretíssimos, abraçar a tese da invasão do Brasil. (…) Como é que se diz “babaquice” em tupi-guarani?

[Ver mais - AQUI.]

Sobre o sistema de cotas e a escravidão:

Eu vejo essa ideia com profunda desconfiança e muito desagrado. Em minha opinião, ela representa um esforço para dividir este país, pela primeira vez, em linhas raciais. Tenho amigos diretores e donos de colégios que estão sendo obrigados a classificar os alunos por raça. Que retrocesso é esse? Já me chamaram e me chamam de vez em quando de negro. Eu me recuso a ser chamado de negro. Não porque tenha vergonha. Eu sou filho de uma família portuguesa pelo lado da mãe, neto de um português pelo lado do pai. A mulher do meu avô paterno era uma mulata acaboclada. O que significa que eu tenho sangue negro. Mas eu me recuso a usar o critério americano que diz que é negro todo mundo que tem uma gota de sangue negro. Ou seja, se o sujeito é filho de um zulu com uma sueca, por que a metade zulu tem de prevalecer? E aí vem o governo com essa bobagem de que não se pode usar a palavra “mulato” porque vem de mula. Vou dizer algo politicamente incorreto: Lula é mulato. Se bem me lembro, o cabelo dele era crespo, encarapinhado, no tempo em que era líder metalúrgico. Já hoje, presidente da República, ele tem cabelos sedosos.

(…) Eu acho muito complicado classificar as pessoas por raças no Brasil. (…) Essa ideia das cotas embute, no fundo, uma visão equivocada: aquela que enxerga a questão da escravidão como um problema de origem racial.

(…) Não existe nada mais falso do que isso. Ao longo da história, os escravos sempre foram os vencidos, e não necessariamente os negros. Na maior parte das civilizações, os escravos eram brancos. Os hebreus foram escravos dos egípcios, por exemplo. Não foram os portugueses que escravizaram os africanos. Eles trouxeram nos navios negreiros pessoas que já haviam sido escravizadas em sua nação de origem. Eram negros escravizando negros. As nações da África do início do ciclo das grandes navegações nunca tinham ouvido falar na existência dos brancos. Acreditavam que a humanidade era negra. Achavam-se, assim, tão diferentes dos vizinhos que falavam outra língua, cultuavam outros deuses e comiam outra comida quanto um inglês se acha diferente de um francês, de um alemão ou de um napolitano. A suposta irmandade entre os negros passou a existir quando eles foram unificados na categoria de escravos.

[Ver mais - AQUI.]

* João Ubaldo foi também um dos signatários da “Carta dos 113 cidadãos antirracistas contra as cotas raciais”, entregue ao STF em 2008.

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Minha homenagem aos MAVs do PT e companhia iletrada:

Montagem Ubaldo crop

Ubaldo e eu:Captura de Tela 2014-07-21 às 19.23.15

Felipe Moura Brasil - http://www.veja.com/felipemourabrasil

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21/07/2014

às 14:03 \ Cultura

Lançamento carioca de “Mussum forévis” é hoje, às 19 horas, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon

Mussum conviteJá escrevi a respeito no post: Mussum forévis e o Brasil que não existe mais. Vejam lá.

E como disse o autor Juliano Barreto: “Se muitos já adoram o personagem por conta de alguns poucos quadros publicados na internet, qual seria o tamanho da surpresa ao descobrir toda a malandragem e as piadas acumuladas em 35 anos de carreira? Como uma figura tão lembrada podia, ao mesmo tempo, ter sua vida e obra tão desconhecidas?”

Segue trecho da matéria da RBA:

(…) Por se tratar de uma biografia autorizada, Juliano garante que nada de comprometedor foi emitido ou alterado. “Registrei histórias de bebedeiras inacreditáveis. Ouvi relatos de suas ex-mulheres, conheci detalhes de disputas profissionais com colegas e funcionários, mas mesmo assim, ninguém conseguiu encontrar palavras amargas para descrever o cabo da Aeronáutica, o músico, o ator, o marido, o pai, o trapalhão ou o diretor da ala das baianas. Foi preciso, pelo contrário, desbastar o excesso de elogios para Carlinho do Reco-Reco, Carlinhos da Mangueira, Cabo Fumaça, Muçum, Mussum, Caco, Diabo, Malhado, Mussa, Kid Mumu. Em seus 53 anos, Mussum viveu muito. Ganhou e perdeu muitas lutas, mas como um bom malandro, não vacilou”, escreve Barreto no “Próloguis” do livro.

Nos 24 capítulos, o leitor vai conhecer Antônio Carlos Bernardes Gomes, filho de uma empregada doméstica negra e analfabeta a quem começou a ensinar o que aprendia na escola, aluno de um colégio interno linha dura, mecânico e apaixonado por samba e gozação desde sempre. Barreto vai muito além da carreira do trapalhão batizado de Mussum por Grande Otelo.

O autor debruça também na trajetória do músico de conjuntos como Os 7 Modernos, Os Originais do Samba, de um fanático pela Estação Primeira de Mangueira, do intérprete de Vinicius de Moraes, Chico Buarque e Jorge Ben, do parceiro de Adoniran Barbosa, Zeca Pagodinho, Baden Powell, Wando, Elis Regina e de Xuxa. Da infância pobre no Rio de Janeiro aos 28 filmes e 15 discos, o livro descortina, com simplicidade e humor, a vida de um Mussum que tinha, até então, muita história saborosa e desconhecida.

O lançamento em São Paulo é nesta quarta-feira, 23 de julho, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2.073, Térreo, Bela Vista).

Felipe Moura Brasil - http://www.veja.com/felipemourabrasil

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20/07/2014

às 17:54 \ Cultura

A decadência cultural brasileira: Zuenir Ventura em lugar de João Ubaldo Ribeiro na Academia Brasileira de Letras?

Zuenir Ubaldo

Zuenir e Ubaldo: amigos, amigos; qualidades à parte

Depois da oficialização da candidatura de Ferreira Gullar à vaga de Ivan Junqueira na Academia Brasileira de Letras, só há três escritores brasileiros vivos capazes de substituir João Ubaldo Ribeiro sem resultar em uma queda vertiginosa de versatilidade e qualidade – e possivelmente elevando esta última: Rubem Fonseca (89 anos), Olavo de Carvalho (67) e Diogo Mainardi (51). O embaixador José Osvaldo de Meira Penna (97), de quem só a concepção psicológica do povo brasileiro em obras-primas como Em berço esplêndido já vale pelas obras completas de uma porção de acadêmicos, é uma ausência sacramentada tão lamentável que nem comento mais.

Nenhum dos outros três, no entanto, demonstra interesse em se candidatar. O primeiro seria barbada. Amigo de Ubaldo, com quem almoçava às terças-feiras no Leblon, “Zé Rubem” ainda era considerado por ele o melhor escritor do Brasil. Os outros dois, que já detonaram as obras de boa parte dos imortais da ABL e desmascaram há décadas os engodos esquerdistas, sofreriam decerto na associação, na imprensa e nas redes sociais as campanhas de oposição mais fortes da história da disputa. O candidato preferido da vez então é Zuenir Ventura, mais um jornalista queridinho das esquerdas, tido até em blog sujo do PT como um cara legal, que escreveu livros legais, e de quem todo mundo gosta (“todo mundo” para esquerdista é como “sociedade civil”: basicamente, a companheirada) e cuja obra também já foi várias vezes detonada por Olavo e Diogo – e até por mim, imagine!, como se vê no post anterior.

Em termos de capacidade de expressão, domínio do idioma, clareza, incisividade, precisão, raciocínio, erudição, horizonte de consciência, acerto de previsões e contribuição literária e intelectual, Zuenir está tão atrás de Ubaldo, Fonseca, Olavo e Diogo que qualquer comparação entre um e outros é de uma covardia até constrangedora. Mas sejamos um tanto covardes.

Enquanto esses dois últimos anteviram toda sorte de vigarices da esquerda revolucionária, Zuenir escreveu na introdução de seu badalado livro 1968 — O Ano que Não Terminou que, embora aquela geração não tivesse conseguido realizar seu sonho de revolução total, havia deixado um importante legado: “arriscando a vida pela política, ela não sabia, porém, que estava sendo salva historicamente pela ética[!!!]. O conteúdo moral[!!!] é a melhor herança[!!!] que a geração de 68 poderia deixar para um país cada vez mais governado pela falta de memória e pela ausência de ética”. Como comentou recentemente o também blogueiro da VEJA Ricardo Setti: “Bem, o livro de Zuenir foi publicado em 1988, quando o presidente era Sarney e a oposição do PT e do recém-fundado PSDB tinha a ética como uma de suas principais bandeiras. Hoje, após tantas e tenebrosas transações, esse legado da ética na política já não cola tanto na geração de 68.” Entre a bandeira pela ética na política e o efetivo conteúdo moral de seus portadores, há uma distância enorme que Zuenir, como bom esquerdista, não soube ou não quis distinguir, contribuindo assim para a imagem (termo que lhe é tão caro) moralmente positiva, imagine, de petistas – imagem esta que, volta e meia, ele ainda forja em seus artigos. Olavo já dava uma explicação definitiva para isto em A nova era e a revolução cultural:

“O público brasileiro tem ouvido este termo [Estado Ético], proferido num contexto de combate à corrupção e de restauração da moralidade. Mas ele é um termo técnico da estratégia gramsciana, que designa apenas uma determinada etapa na luta revolucionária — uma etapa, aliás, bastante avançada, na qual a radicalização do conflito de interesses de classe prepara o início da etapa orgástica: a conquista do poder. Que, no caótico senso comum brasileiro, o termo Estado Ético tenha ressonâncias moralizadoras inteiramente alheias ao seu verdadeiro intuito, mostra apenas que o público nacional ignora a inspiração diretamente gramsciana do Movimento pela Ética na Política e nem de longe suspeita que seu único objetivo é politizar a ética, canalizando as aspirações morais mais ou menos confusas da população de modo a que sirvam a objetivos que nada têm a ver com o que um cidadão comum entende por moral.”

Para uma análise sintética do relativismo moral herdado de 1968, vale a pena ler também “1968, o embuste que não terminou“, artigo que incluí na seção “História & embuste” do capítulo Intelligentzia do nosso best seller O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, uma coletânea que faz os textos de Zuenir Ventura no Globo parecerem as redações escolares que talvez sejam. Não vou comparar aqui a definição de inveja contida no primeiro parágrafo do artigo “Dialética da inveja” (p. 373) com o livro inteiro de Zuenir Inveja – mal secreto, porque não quero extrapolar a covardia literária, mas quem se interessar verá a distinção entre um escritor consciente – como também era Ubaldo – e um repórter atrás de aspas. Tampouco direi quem foi que Olavo incluiu ao lado de Frei Betto e Leonardo Boff ao falar, em entrevista sobre educação, de “todas essas nulidades esplêndidas que, por mero espírito de patota política solidária, o lobby da mediocridade esquerdista impinge aos nossos meninos de escola”.

Não é preciso. No recente e sintomático artigo “Um país duro de digerir“, o próprio Zuenir admitiu sua incapacidade de compreender a realidade, mas naturalmente falando em termos genéricos em nome de toda uma classe (porque assim é mais fácil, não é mesmo?): ”E tanto é verdade que todos nós, jornalistas, economistas, sociólogos, erramos de tal maneira em nossas antevisões que somos chamados de ‘profetas do passado’ — só conseguimos acertar o que passou, assim mesmo, nem sempre.” “Todos nós” para esquerdista, repito, é basicamente a companheirada. E reconhecer os acertos das antevisões de críticos da companheirada como Olavo, Diogo e outros tantos é algo ainda mais acima de suas capacidades do que reconhecer a própria existência deles. Em outro artigo, após o fracasso da seleção na Copa, Zuenir mais uma vez admitiu sua incapacidade em nome da classe: ”Nós, jornalistas, somos mesmo profetas do passado, quase nunca acertamos o futuro. Esperávamos o sucesso nos gramados, e anunciávamos o caos nas ruas, aeroportos e portos. Erramos, embora se saiba que as obras ficaram inacabadas, assim como outros legados de infraestrutura.” Quer dizer: se o PT se vangloria do sucesso da Copa acusando a imprensa de “pessimismo”, Zuenir, em vez de mostrar – como fiz aqui – que a imprensa apenas COBROU que as obras de fato atrasadas ficassem em dia, apressa-se em vestir a carapuça em nome dela, legitimando a propaganda petista. Como antecipara Diogo Mainardi em 2003 no memorável artigo “Corrente chapa-branca“:

“Concordo que é um despropósito cismar com Zuenir Ventura. Ele parece ser uma pessoa afável, generosa, simpática, disponível, amiga. Fala bem de todo mundo e, mesmo quando assume um tom indignado, continua inócuo. O problema é que passei a identificá-lo com os aspectos mais irritantes do novo Brasil lulista: os bons sentimentos afundam na demagogia, os bons propósitos esbarram no corporativismo, os bons princípios camuflam a incompetência, os bons auspícios manifestam um otimismo cabalístico. Como a maior parte dos brasileiros, Zuenir Ventura aderiu a essa corrente para a frente, a essa corrente de Santo Antônio chapa-branca. Espero que a tal lua-de-mel com o governo acabe logo. Cansei de ver gente aplaudindo o pôr-do-sol. Cansei de ler artigos sobre bursite.” A lua-de-mel, como se vê acima e no post anterior, nunca acabou. Ficou apenas, quando muito, menos escancarada. E agora que este “profeta ['nem sempre' certo] do passado” é cotado para a ABL, cismar com ele é um dever intelectual. Sua linguagem hiperbólica para descrever o pôr-do-sol de Ipanema merece ser lembrada pelos acadêmicos como uma amostra do seu nível literário: “Atordoados pela beleza, deslumbrados com o delírio de luz e cor, os banhistas permanecem em contrito silêncio, observando a enorme bola de fogo realizar sua lenta e cuidadosa descida”. Como ironizou Diogo: “Em Ipanema, o sol se põe atrás da favela do Vidigal. Zuenir Ventura descreve a cena como uma autêntica ‘visão do paraíso’. Para mim, o paraíso tem esgoto e água encanada. E não é do Comando Vermelho.”

Muito mais próximo, aliás, de Viva o povo brasileiro, o clássico de Ubaldo que mistura fatos reais com fantasias ficcionais para retratar quatro séculos da História do Brasil, está Contra o Brasil, o quarto e melhor romance de Mainardi, cujo protoganista ridiculariza o país, expondo suas fraquezas – inclusive a servidão voluntária presente em toda a obra ficcional do autor – por meio de citações reais de grandes pensadores estrangeiros que passaram por aqui. Perto de ambos, do poder de cada um de trazer à luz da consciência individual os traços culturais arraigados na sociedade brasileira através da literatura, o livro-reportagem Cidade partida de Zuenir não passa de uma nota carioca de rodapé, para não dizer panfleto do Viva Rio. E não comparo A queda, o melhor livro brasileiro dos últimos tempos, com, sei lá, o autorretrato da patota O que fizemos de nós por pura piedade. Autores como Cristóvão Tezza (61 anos) e Alberto Mussa (52) também já deram contribuições à literatura muito mais valiosas e perenes que Zuenir, especialmente com O filho eterno e agora A primeira história do mundo. Isto sem falar nos contistas Sérgio Sant’Anna (73) e Dalton Trevisan (89), este já premiado pela própria ABL; no poeta, ensaísta e professor Affonso Romano de Sant’Anna (77), que já revelou não ter interesse algum, não acreditar na imortalidade e que aquele fardão lhe “dá a sensação de que estaria embalsamado em vida”; [ou mesmo no historiador Evaldo Cabral de Mello, principal concorrente de Zuenir, como fiquei sabendo pela coluna de Lauro Jardim logo após publicar este artigo;] entre outros.

Sei, como bem disse a imortal Nélida Piñon recentemente no Roda Viva, que “uma instituição está sujeita a equívocos” e que o desejo de integrar a ABL tem de partir também dos autores, e sei também que quando alguém tido como “reacionário” como eu, citando ainda Olavo e Diogo, expõe as mediocridades de um autor esquerdista como Zuenir, isto pode até fortalecer a sua candidatura, mas não posso deixar de constatar o sintoma da decadência cultural brasileira, explícito em uma cadeira que passa de um dos maiores prosadores da história do país para um colunista militante tão aquém da honraria. No velório de Ubaldo, Zuenir declarou:

“Ele foi o maior exemplo de que dá para conciliar as duas vertentes. O maior legado como romancista é a originalidade. Ele foi grande amigo do também baiano Jorge Amado, no entanto não teve influência, sua obra foi diferente, porém tão importante quanto. Como colunista, o que marcou foi a independência do olhar. Ele tinha uma liberdade de expressão e uma independência incrível. João era singular.”

Eu jamais diria que o maior legado de alguém é a “originalidade”, nem que alguém tinha “uma liberdade de expressão”, mas dou o desconto da dor do momento – e, de resto, é tudo verdade. Infelizmente, porém, com a exceção talvez da amizade com Jorge Amado, nada do que foi dito se aplica ao postulante. Imortalizar Zuenir é matar mais uma vez a cultura do Brasil.

Felipe Moura Brasil - http://www.veja.com/felipemourabrasil

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Veja também: A imagem chapa-branca de Zuenir Ventura

19/07/2014

às 15:14 \ Cultura

A imagem chapa-branca de Zuenir Ventura

Zuenir_Ventura_CropNo próximo post [que ficou para domingo, porque meu computador deu mais uma pane hoje], analiso a candidatura do jornalista de esquerda Zuenir Ventura para a Academia Brasileira de Letras em lugar de João Ubaldo Ribeiro.

Neste, relembro dois artigos anteriores ao meu blog na VEJA sobre seus métodos – sejam lá conscientes ou inconscientes – de ludibriar a plateia.

Divirtam-se.

I.

A comédia eleitoral [24/09/2010]
por Felipe Moura Brasil

O escritor José de Alencar pedia mais senso de humor à diretoria do Jockey Club, em 1854. Ele sugeria que, no dia das corridas de cavalos, fossem instituídas também corridas de burrinhos e de piquiras (cavalos de pequena estatura) para animar a plateia. Todos ganhariam “uma boa meia hora de rir franco e alegre”, e “o gosto dos passatempos hípicos se iria popularizando”. Até onde sei – e eu nada sei –, ninguém do turfe deu bola para Alencar. Em compensação, não há hoje corrida eleitoral no Brasil que não traga junto uma corrida de burrinhos e de piquiras.

O meu burrinho preferido é Zuenir Ventura. O meu piquira, Luis Fernando Verissimo. Perto deles, o palhaço Tiririca é apenas uma sombra no fotochart. Para Zuenir, a violação da vida privada da família Serra, a cobrança de propina na Casa Civil de Dilma Rousseff e o acobertamento de ambos pelo governo Lula estão no mesmo patamar da reação de José Serra. “De um lado”, os crimes (que ele ameniza); “de outro”, a reação, que, para o padrão Ventura de polidez, soa muito agressiva. O ideal é que a vítima seja generosa, assistindo em silêncio a cada etapa de sua própria extinção. Querem acabar com a democracia? Por aqui!

Essa dupla é assim. Enquanto Zuenir vai elogiar a “ética” com “atitude” de Marina Silva, que “nunca elevou o tom” (nem teve o sigilo da família violado), Verissimo senta na arquibancada. Tudo seria uma mera batalha do noticiário contra os índices de Dilma para levar a eleição ao segundo turno. Verissimo é piquira criado. Chama os crimes do PT de “notícias de corrupção”, e recorre à popularidade do presidente para legitimar uma revisão do “conceito da imprensa como formadora de opiniões”. Verissimo é Lula: “Nós somos a opinião pública”. É Dirceu: “O problema do Brasil é o abuso do poder de informar”. É Dilma? Oi… é… ah… boa noite.

Se o jornalismo virou uma guerra de versões, eximindo-se da responsabilidade de identificar nelas os fatos, não foi sem a contribuição de Zuenir e Verissimo. Quando a ordem é equiparar disparidades, meu burrinho e meu piquira jamais refugam. Pelo contrário. Mostram seu rico repertório de malabarismos morais, abanam o rabinho para a diretoria e jogam a bola para a torcida. Eu, como José de Alencar, sou a favor da “parte cômica do divertimento”, e faço de tudo para que o gosto dos passatempos políticos vá se popularizando. Se Zuenir e Verissimo podem distrair a plateia, eu também posso avisá-la em qual raia eles fazem xixi e cocô.

II.

A imagem de Zuenir Ventura [08/11/2010]
por Felipe Moura Brasil

Uma prova de que me divirto com pouco é que ainda leio Zuenir Ventura. Costumo comentar seus textos no twitter, com não mais do que 140 caracteres. Mas já é a segunda vez que o promovo a uma coluna. Na primeira [o texto do item I], juntei-o com Verissimo, dando um parágrafo para cada um. Agora, com o artigo “O exemplo de Obama”, Zuenir ganhou uma coluna inteira. Eu sou como o PT: recompenso, à altura, aqueles que se esforçam pelo partido. Ele segue em negrito. Eu, no padrão.

Ao contrário do presidente Barack Obama, que com invejável franqueza aceitou a derrota, confessou-se humilhado e assumiu a responsabilidade pela “surra”, reconhecendo sua culpa, os perdedores daqui estão tendo grande dificuldade de admitir a derrota nas últimas eleições.

Eu não sou da escola Zuenir Ventura. Quando um presidente assume sua responsabilidade e reconhece sua culpa, isto significa, para mim, que ele assumiu sua responsabilidade e reconheceu sua culpa pelas ações e omissões de seu governo, coisa que não é do feitio de Barack Obama.

Isto que Zuenir chama de “invejável franqueza” – e que a primeira página do Globo (será de Zuenir?) chamou de “sinceridade desconcertante”; e que toda a imprensa brasileira aplaudiu como exemplo máximo de elegância, integridade e respeito à democracia – não é senão a “admissão” de que a falha foi não de seu governo, mas de sua propaganda, incapaz de convencer o povo dos supostos méritos do primeiro.

Nas palavras de Obama: “Acho que estávamos tão ocupados e focados em fazer um monte de coisas que paramos de prestar atenção ao fato de que liderar não significa apenas legislar. É também uma questão de persuadir as pessoas”. Obama, em suma, estava cuidando tanto do país que não teve tempo sequer de avisar ao povo o que estava fazendo de bom, o que é muito lindo e comovente. Aplausos venturosos pra ele.

Obama se recusou a enxergar no fracasso eleitoral do Partido Democrata o repúdio à sua agenda de reformas, preferindo ainda culpar a impaciência do povo diante da recuperação econômica do país, como se esta fosse naturalmente lenta, a despeito de quem o governasse (e como o governasse). Pela impaciência do povo, Obama não assumiu a responsabilidade. Por não tê-lo convencido de seus esforços invisíveis, sim.

Na escola Zuenir Ventura, só mesmo alguém de virtudes excelsas pode chegar a tanto.

O chororô comporta todo tipo de alegações para desqualificar a vitória de Dilma Rousseff — algumas até fazem sentido, mas outras são justificativas ridículas, desculpas esfarrapadas.

Supondo que algumas alegações façam sentido e outras não, como diz Zuenir Ventura, por que então chamar todas de “chororô”, atribuindo-lhes de antemão somente o aspecto negativo? Será que as alegações justas são irrelevantes para o juízo do autor? Ou é preciso suprimi-las para que seu texto fique de pé? Façam suas apostas. Eu dou 1 milhão de dólares a quem encontrar novamente no texto as alegações justas.

E aproveito para passar um dever de casa aos alunos da escola Zuenir: copie sua frase, trocando “Dilma Rousseff” por qualquer coisa, como – para ficar no mesmo nível – Vasco da Gama:

“O chororô comporta todo tipo de alegações para desqualificar a vitória do Vasco — algumas até fazem sentido, mas outras são justificativas ridículas, desculpas esfarrapadas.”

Se as alegações que fazem sentido fossem, por exemplo, 2 gols legítimos do Flamengo (como você viu no replay) anulados pelo juiz, sendo que o Vasco ganhou de 1 a 0, ainda assim seria tudo chororô? Seria? O Flamengo adora um chororô? Pois então parabéns. Você está aprovado na escola Zuenir Ventura, onde seu time tem sempre a razão.

E não estou dizendo que o PSDB ganharia as eleições se Lula e o PT não tivessem cometido toda sorte de crimes eleitorais, como nunca antes na história deste país, com o uso sem constrangimentos da máquina pública para promover a candidatura Dilma e calar seus opositores. Mas que cometeu, cometeu. Que usou, usou, como tanto escrevi aqui. E isso só é chororô na cabeça de torcedor profissional.

Mas eu já ia me esquecendo: sobre essa parte, Zuenir não vai falar. Afinal, essas seriam alegações justas…

O candidato José Serra chegou a transformar sua frustração em “vitória estratégica”, mas pelo menos não tentou diminuir o mérito da adversária.

Que mérito é esse (de Dilma) é algo que nem Zuenir se aVentura a falar… Ok. Eu o ajudo. Ele falou em seu artigo anterior. Trata-se de “sua [de Dilma] incrível capacidade de superação — superou o preconceito antifeminista, o câncer e até o descrédito dos que a julgavam um robô incapaz de enfrentar Serra num debate”. Eu louvo o esforço de Zuenir Ventura em bajular Dilma Rousseff. Também acredito que seus maiores méritos são ser uma mulher, curar-se de doenças e, quando muito, não parecer um robô.

Quanto à vitória estratégica, o PSDB foi, ainda que numa batalha desigual, o partido com mais governadores eleitos: foram 8, que se somam na oposição aos 2 do DEM, abarcando a maioria dos estados mais populosos e prósperos, como Santa Catarina, Paraná, Minas e São Paulo. E o PT terá de lidar com isso, o que não estava em seus planos.

Zuenir abriu o texto falando da dificuldade da oposição em admitir a derrota. Vamos fingir que foi uma derrota normal, como a de Obama, sem o uso criminoso da máquina pública, só para ver se ele tem algo mais que a expressão “vitória estratégica” de José Serra para justificar o “chororô” adversário com os discursos correspondentes.

Em compensação, foi estranha a reação de certos dirigentes da oposição e de torcedores inconformados.

Pelo visto, nada. Assim manda a escola Zuenir: se você não tem declarações políticas suficientes para embasar a sua tese, procure entre os “torcedores inconformados”, mantendo-os anônimos, se possível. Com eles, toda tese poderá ser justificada.

Houve quem alegasse que “Dilma não se elegeu, foi eleita por Lula”, como se essa simplificação explicasse tudo.

De José Serra, passamos então a um “houve quem”. Um “houve quem” cujas falas levam aspas. Todo mundo tem direito a aspas no jornalismo brasileiro, até os anônimos. E continuo curioso: se essa simplificação de que Dilma foi eleita por Lula não explica tudo, Zuenir não vai se aVenturar a explicar pra gente? Ou ela venceu porque é mulher, superou um câncer, e não pareceu um robô?

E houve quem afirmasse que a candidata do PT ganhou porque os seus 55 milhões de eleitores têm desprezo pelos valores éticos ou, mais precisamente, por terem “assassinado a ética”.

Mais um “houve quem” com direito a aspas. Zuenir já pode reivindicar os méritos pela criação do Bolsa-Aspas da imprensa brasileira. Um programa social que dá voz aos anônimos, desde que anônimos permaneçam.

Antes de ser velada – de corpo ausente – por 55 milhões de eleitores, a ética precisou ser assassinada pelo PT (e ter seu cadáver continuamente ocultado do povo pela “intelectualidade” da qual Zuenir Ventura é quase expoente), através de mensalões, aloprados, erenices, namoros com as Farc, alinhamento com ditaduras, quebras de sigilo, assaltos às ideias e obras alheias, recolhimento de materiais legais da Igreja pela Polícia Federal, uso de estatais para propaganda eleitoral e demais crimes recentes que só tornam normal esta eleição para as mentes venturosas…

Só um país regido e (des)informado por mentes assim pode ignorar tudo isso e mais seus 50 mil homicídios por ano (o equivalente a 2 Guerras do Iraque anuais), os últimos lugares de seus estudantes em exames internacionais e o IDH na posição 73 do ranking (pouco à frente da Venezuela…), em favor de um governo cujo maior mérito foi não bloquear a política econômica de seus antecessores, com a qual procurou os meios corruptos de se beneficiar, como já descrevi aqui.

Se eu acreditasse 100% nas eleições das maquininhas, e se acreditasse que os 55 milhões de eleitores de Dilma foram informados de metade das maracutaias petistas, diria que o bem-estar, a segurança, a honra, o caráter e a inteligência são critérios irrelevantes para o julgamento desses brasileiros, exclusivamente preocupados com seu dinheiro e sua conta bancária. Mesmo assim, dou a Zuenir Ventura e sua turma o crédito pela estupidez de, pelo menos, alguns.

A disputa teria sido um jogo maniqueísta entre um lado onde só houvesse o bem e outro onde só existisse o mal, com derrota do bem, claro.

Quem disse isso? O último que ouvi falar coisas assim foi Ziraldo, o rei da Bolsa-Ditadura, referindo-se ao período militar no documentário sobre Wilson Simonal. Mas eu entendo. É preciso atribuir à “oposição” um maniqueísmo bocó, reduzi-la a uma caricatura, jogar em sua boca o simplismo e a idiotice que dela se gostaria de ouvir, para então condená-la (ou “extirpá-la”, como diria Lula) por uma suposta justa causa. Para isso, sempre se encontrará (ou se inventará) um idiota em qualquer torcida, e as redes sociais hoje facilitam a tarefa que é uma beleza. (Maria Rita Kehl usou o mesmo expediente em seu último artigo no Estadão.) Mas, em último caso – o de Zuenir -, nem é preciso se dar ao trabalho. Mantenha os idiotas anônimos e diga deles (ou por eles) o que quiser.

Malabarismo maior fez outro observador, ao concluir que a expressiva votação de Serra, somada aos votos brancos, nulos e ao alto nível de abstenção, “deixa clara a insatisfação da maioria do povo não só com ela, mas também com o próprio Lula”.

O fato é que quase 60% dos eleitores não votaram em Dilma. E Dilma, queira Zuenir ou não, é a afilhada política de Lula, como ela mesma se apresentou. O único malabarismo deste trecho vem agora. E adivinha quem faz?

Por esse raciocínio, que considera todos esses votos serristas, Serra teria sido o verdadeiro vencedor das eleições, não sua adversária.

Pois é. Quem, senão Zuenir, diria que aquele raciocínio “considera todos esses votos serristas”? Tratava-se na verdade, como até Zuenir havia dito, da soma dos votos serristas, nulos, brancos e do alto nível de abstenção. Insatisfação com o governo é uma coisa. Votar na oposição é outra (porque há oposições, como o PSDB, que, de fato, dão preguiça ao eleitor). Mas as aspas que Zuenir atribuíra ao tal “outro observador” não eram suficientes para justificar sua demonização. Não era exatamente aquilo que ele gostaria que o sujeito tivesse dito para poder tratá-lo como um idiota. Então ele precisava fazer um puxadinho nas aspas, sabe?

Fica parecendo que até os “torcedores inconformados” só viram idiotas completos quando Zuenir dá a sua mãozinha. Da próxima vez, Zuenir, faça o enxerto nas aspas mesmo. Como o sujeito é anônimo, ninguém vai reparar.

É o time daqueles que, por não gostarem de Lula, acham um absurdo 80% gostarem. Como pode ser tão popular se eu não o apoio?

Dessa vez, Zuenir não teve nem a coragem de colocar as aspas. É como se tivesse assumido a criação da pergunta. Que, aqui na Terra, aliás, é outra: como Lula pode ter 80% de aprovação, se quase 60% do eleitorado não votou em sua candidata?

A derrota às vezes não só obscurece a razão

Assim dizia Zuenir, o racional…

como mobiliza baixos instintos, como os dessa tal estudante de Direito Mayara Petruso, de SP, que postou no seu twitter a mensagem racista contra o Nordeste: “Nordestino não é gente, faça um favor a SP, mate um nordestino afogado.”

Sim, Mayara tem nome. Sim, falou uma bobagem e deve responder por ela. Só isso. Mas o que faz Zuenir, como tantos outros, numa ação política conjunta? Usa a frase contra os nordestinos, dita por um indivíduo desconhecido e isolado, num texto sobre a dificuldade da oposição de admitir sua derrota. É mais uma forma enviesada de demonizar a oposição. É mais um complemento seu à tese de Lula segundo a qual a eleição de Dilma significou a superação de preconceitos. É mais uma tentativa petista de dividir o país. Não encontrando declarações satisfatórias nem de políticos nem de anônimos que pudessem sustentar sua tese, Zuenir arrematou com um dos milhões de preconceitos que circulam pela internet, afetando sua indignação com todo o seu talento no ramo.

O PT agradece.

Os ataques de xenofobia da futura advogada — advogada, imagine! — provocaram polêmica nas redes sociais e o repúdio da OAB. E a reação bem-humorada de um pernambucano em meio à indignação: “Eles elegem o Tiririca e vêm nos chamar de atrasados!”

[O problema de analisar o texto completo de Zuenir Ventura é ter que copiar trechos irrelevantes. Por isso prefiro escrever artigos.]

Em vez de tentar tapar o sol com a peneira, seria mais honesto e realista responder como fez o brasilianista Timothy Power, quando lhe pediram para explicar a vitória de Dilma: “O padrão de vida de muitos brasileiros melhorou nestes últimos oito anos de governo, e as pessoas quiseram uma continuação.”

Como o padrão de vida de muitos brasileiros só melhorou nestes últimos oito anos de governo porque os governos Itamar e FHC haviam, antes, estabilizado a moeda, podemos dizer, na verdade, que a propaganda petista, com seus crimes, mentiras e Venturas espalhados por todas as redações e universidades, foi mais eficiente do que as (poucas) verdades que o PSDB disse sobre o PT e sobre si mesmo, com a covardia, a frouxidão e as trapalhadas de um partido que ainda não aprendeu a fazer oposição.

Ou então se render ao óbvio, como fez Obama, adotando um mea culpa: perdemos porque não soubemos vencer. Simples assim.

Como não sou da escola Zuenir Ventura, repito: mea culpa, para mim, é outra coisa. Mas eu o entendo. Quando houve um tiroteio em São Conrado, Zuenir escreveu uma coluna chamada Danos a imagem. Da mesma maneira que o Rio de Janeiro, com seus tiroteios, não cuidou bem da sua imagem, Obama, derrotado nas eleições para o Congresso, tampouco cuidou bem da sua imagem. A imagem é muito importante para Zuenir Ventura. A dele com o PT, ele mantém sempre em dia.

Simples assim.

*****

Tuitadas sobre Zuenir [no período anterior ao texto acima]:

- Zuenir Ventura iguala a mudança de discurso de Dilma sobre o aborto com uma troca involuntária de palavras de Serra. É pura vigarice.

- [No artigo "O fator Marina",] Zuenir vê contradição entre políticas “avançadas” de Marina e suas posições contra o aborto. A vida, para Zuenir, é mesmo um atraso…

- A propaganda ideológica de Zuenir Ventura é assim. Feita pra você aceitar aborto, casamento gay e regulamentação de drogas sem pensar.

- Onde está Zuenir Ventura – com aquele ar de bom moço – para dizer que a quebra de sigilo prejudica “a imagem” da Receita Federal?

- Se nossos filhos roubarem alguém, será que também devemos educá-los dizendo: “Filho, assim você prejudica a sua imagem!”?

Felipe Moura Brasil - http://www.veja.com/felipemourabrasil

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17/07/2014

às 17:24 \ Cultura

Vai-se a Copa, ficam os assassinos! Dona do restaurante Guimas é morta na Gávea. Contra bandido, não tem blitz? Cidadãos são multados e criminosos matam à vontade no Brasil de Eduardo Paes, Sérgio Cabral e Dilma Rousseff

guimas

Os sócios Tintim Mascarenhas (de branco), Chico Mascarenhas e Priscila Guimarães comemoram os 30 anos da casa Foto de 22/11/2011 – Ana Branco / Agência O Globo

Eu saí de bicicleta pelo Rio de Janeiro no domingo da final da Copa antes do jogo. O Exército estava nas ruas. Na Lagoa, havia grupos de três, quatro, cinco, às vezes oito oficiais armados, de pelo menos 200 em 200 metros, às vezes 50 em 50. Nunca me senti tão seguro nesta cidade. Agora acabou. Tudo já voltou ao normal. De 200 em 200 metros, é mais fácil encontrar um grupo de bandidos (muitas vezes menores por cuja liberdade lutam os escoltados do PT e do PSOL).

No começo da tarde desta quinta-feira, quatro dias depois da final, uma das proprietárias do restaurante Guimas, Maria Cristina Bittencourt, conhecida como Tintim, morreu após ser baleada durante um assalto na Gávea, bairro da Zona Sul do Rio. Segundo O Globo, ela estava na Praça Santos Dumont, próximo ao B.G Bar, quando foi abordada por dois assaltantes em uma moto. Braço direito do marido, Chico Mascarenhas, no comando do restaurante, Maria Cristina estaria indo levar o malote do estabelecimento para o banco. A comerciante deixa duas filhas.

Uma semana atrás, eu já havia anotado no Facebook, atraindo os governistas de sempre:

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Em março, a Veja.com já mostrava que nunca foi tão fácil ser assaltado no Rio de Janeiro. O Estado registrara em janeiro o maior número de casos dos últimos dez anos, com 13.876 roubos – volume 26% superior ao de janeiro de 2007, início do governo Sérgio Cabral. Aqui, seus documentos podem ser roubados até no trânsito mesmo por motoqueiros possivelmente armados batendo na sua janela, de modo que, enquanto você não resolver toda a imensa burocracia subsequente, não poderá dirigir o seu carro com a xerox autenticada da carteira de motorista – uma cópia COM FÉ PÚBLICA! - sob o risco de ser multado na blitz da suposta Lei Seca, onde naturalmente não haverá legislador com quem você possa discutir, mas uma dezena ou mais de funcionários sustentados com o seu dinheiro. Já deu para entender o que é ser roubado duas vezes? Ou ainda é preciso ser roubado e morto, como Maria Cristina?

Amigos e familiares

Amigos e familiares choram após assassinato de uma das donas do Guimas – Agência O Globo

II.

Lei Seca, a propósito, é o nome bonitinho de uma ação governamental para enganar trouxa. A blitz está lá, entre outras coisas (como já se verá), para passar a sacolinha do Estado no bolso do cidadão por todos os motivos possíveis, que vão muito além da ingestão de álcool (naquele nível grotescamente baixo que não configura embriaguez de ninguém). Um exemplo é a apreensão do veículo por falta de vistoria. Os agentes da blitz sabem o número da placa dos carros cujo prazo acabou na véspera e param justamente para verificar se ela foi feita. Se não foi, o carro é apreendido e o motivo alegado é que ele não pode circular sem a vistoria feita, quer dizer: você não pode levá-lo de volta à sua garagem, que pode estar a um (hum!) quarteirão da blitz, de modo que seu carro é então levado para um depósito às vezes em outra cidade, para a qual, após quitar a multa, você terá de gastar horas para se deslocar em dia útil – perdendo seu tempo de trabalho – através do nosso maravilhoso sistema de transporte público ou pedindo carona a alguma alma santa ou paga por você. E sabe o que acontece após toda a burocracia e novas horas de espera (já que o depósito tem muitos menos funcionários à sua disposição do que a blitz)? Você retira seu carro AINDA SEM A VISTORIA e tem de dirigir SEM VISTORIA por MUITO MAIS TEMPO – e, ademais, EM UMA ESTRADA! – do que dirigiria se tivesse voltado para a sua garagem após a blitz. Se o problema era evitar riscos, o Estado só fez aumentá-los. Qual é afinal o único sentido disso? ROUBAR O CIDADÃO.

III.

“A lógica da lei foi a de diabolizar o consumo do álcool como sendo o grande vetor dos acidentes de trânsito, e que a repressão seria terapêutica para a sociedade. Ocorre que esta tese de que a repressão ao álcool resultaria num decréscimo de mortes no trânsito restou superada na prática, embora ainda não seja admitida pelos veículos de comunicação, que continuam enganando a população com promessas vazias. Vamos aos fatos.

No final do mês passado, a PRF divulgou balanço da ‘Operação Lei Seca’ em todo Brasil. Apesar da tolerância zero ao álcool baixada pelo legislador, o número de acidentes e mortes não para de crescer. Em 2013, foram 108 mortes e 2.429 acidentes nas rodovias federais, enquanto este ano foram 136 mortes e 2.726 acidentes. (…) Com efeito, é mais fácil o Governo Federal continuar culpando o cidadão pelos acidentes de trânsito, em razão do consumo de álcool, do que admitir que as principais causas são outras.” (Roberto Cavalcanti, “A falsa pedagogia do bafômetro“)

IV.

“Não é o papel do estado mobilizar gigantescos recursos para colocar uma blitz em cada esquina. Em uma sociedade livre e em um estado de direito, a polícia ostensiva se dispõe a verificar os indícios de conduta anormais e delituosas – no caso, a direção perigosa, por exemplo. São os sinais exteriores e objetivos de transgressão ao trânsito, o que devem motivar o agente público a abordar o condutor, sendo que o eventual estado de embriaguez pode vir, aí sim, como um elemento agravante de uma conduta ilícita, concretamente existente e flagrada no ato. Esta sim é a atitude de uma polícia de uma democracia livre. O resto é a ditadura do crime em potência.” (Klauber Cristofen Pires, Lei Seca: o que pretende o governo?)

V.

“A quantidade enorme de mortes no trânsito a cada ano levou os brasileiros a aceitar de forma passiva leis abusivas que, à primeira vista, parecem ter vindo para diminuir o problema em foco, mas na verdade só servem para diminuir ainda mais as liberdades individuais e pouco, muito pouco resolvem aquilo que deveriam resolver. O álcool não é, de forma nenhuma, o maior responsável por esse Vietnã anual das estradas brasileiras. Os verdadeiros responsáveis são a imprudência, a negligência, e a imperícia. A combinação destes fatores, sim, é assassina. Mas, quando num caso de grande repercussão é constatada a presença do fator álcool, isso rapidamente se aplica a todos os milhares de ocorrências como se fizesse parte específica de cada uma. Aparvalhados com esses dados, os cidadãos passam a achar certo que lhe restrinjam ainda mais seus direitos individuais, dos quais constam dirigir sem ser parado e não ser obrigado a fazer testes sem ter dado motivo algum. O aumento das mortes no trânsito nesse feriado de Natal em relação a 2011 foi grande em todo Brasil. Só no Sul 28 mortes, sendo que não se flagrou um caso sequer de alcoolemia nos motoristas envolvidos. Ao mesmo tempo, uma verdadeira enxurrada de motoristas que estavam conduzindo seus veículos de forma segura, são autuados todos os dias por uma ingerência mínima de álcool. Acima do Equador, onde estão as nações que gostamos de denominar como ‘primeiro mundo’, há muito tempo que álcool e direção, combinação que pode causar danos a terceiros, são combatidos pelos governos sem leis que proíbem a ingestão de álcool de forma tão radical como a adotada aqui.” (Valter Heller Dani, Lei, seca lei)

VI.

“Isso aí [a Lei Seca] é tática que o pessoal aprendeu com a Nova Ordem Mundial. Você tem de fazer de conta que está protegendo as pessoas. Você não deixa elas fumarem, não deixa elas comerem açúcar e agora não deixa elas beberem nas estradas. É a proibição protetiva. Isso aí é uma tática psicológica para criar dependência. Começou com o negócio do cigarro. Tudo sempre baseado em estatística falsa e alarmismo para assustar criancinha. Aqui nos EUA, dizem que morrem 400 mil fumantes por ano, de fato morrem, só que morrem na mesma idade dos outros. Isto foi o máximo que conseguiram provar até agora. Mas todo mundo aqui está convencido, de modo que você puxa um cigarro aqui, começam a tossir lá na esquina de medo. Agora, com o negócio da bebida, a mesma coisa. Na Inglaterra, já não podem fazer anúncio de doce! Porque senão as criancinhas vão comer doce e vão morrer! Essa turma da comunidade europeia, da ONU, vive tentando proteger você de você mesmo. E as pessoas caem nisso. São reduzidas a um estado de menoridade mental, no qual dizem: ‘Não, não me deixem livres, não me deixem fazer o que eu quero, me proíbam!’ Eu conheço um monte de fumante que está louco para ser proibido de fumar! Eu conheço cara que aceita que a mulher proíba de fumar dentro de casa e o sujeito fica grato porque a mulher está protegendo a saúde dele! O sujeito que chega a esse ponto de abjeção, de acovardamento, ele vai durar menos do que os outros, porque ele já está enfraquecido! Isso aí é contra a vitalidade humana. O ser humano, para ele viver, para ter saúde, para ter força, ele tem que se autoafirmar, ele que tem ser sicero, ele tem que falar a verdade. Ele não pode viver num fingimento, não pode viver de rabo entre as pernas! Quando é que vão aprender isso aí? Agora: você quer que os outros protejam você de você mesmo? Então você quer um estado de menoridade. Você quer um estado de tutela. E você vai ter.” (Olavo de Carvalho, no vídeo “Lei Seca e o Estado de Tutela“)

Felipe Moura Brasil - http://www.veja.com/felipemourabrasil

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16/07/2014

às 19:00 \ Cultura

O bate-boca de Jandira Feghali com Jair Bolsonaro e o conflito Israel-Hamas – Vamos desenhar para a deputada?

Jandira Feghali e Jair Bolsonaro bateram boca na terça-feira à tarde no Plenário da Câmara. Assistam ao vídeo. Transcrevo abaixo parte dos chavões comunistas de Jandira sobre o conflito no Oriente Médio e as interrupções de Bolsonaro.

Jandira: A nossa indignação e a nossa contundência é contra a política sionista do governo de Israel e do Estado de Israel que assassina de forma absolutamente beligerante, com um poder bélico, com apoio dos Estados Unidos, de forma absolutamente desigual, de forma genocida, crianças, mulheres, idosos, população civil, de forma absurda… Há um poder bélico inigualável, contra uma população desarmada, assassinada, humilhada e presa num território cada vez menor, sendo aniquilada do mapa, perdendo suas vidas de uma forma inaceitável. Nós não podemos ter omissão diante de uma situação como essa, quanto ao extermínio de povo nenhum em nenhum lugar do mundo. É essa a posição do PCdoB e certamente de muitos outros.

Bolsonaro: Abaixo o terrorismo da Palestina! Chega de terrorismo!

Jandira: Quero dizer ao deputado Jair Bolsonaro, como representante dos torturadores que ele é, que o PCdoB tem voz e voto.

Bolsonaro: Comunista matou 10 milhões no mundo! Comunista!

Jandira: Quando o líder do PCdoB estiver falando, que ele cale a boca, porque nós temos voz e voto.

Bolsonaro: Lava a sua boca para falar meu nome! Lava a sua boca para falar meu nome!

Muito bem. A deputada Jandira Feghali, só para lembrar, é aquela comunista dona de restaurante que, servindo de testa-de-ferro (ou seria escudo humano?) do PT, lutou para censurar a apresentadora do SBT Rachel Sheherazade por uma “apologia ao crime” que nunca existiu, mas – como fiel seguidora da máxima de Herbert Marcuse “toda tolerância para com a esquerda, nenhuma para com a direita” - não deu um pio contra a deputada petista Luísa Helena Stern quando ela desejou a morte do jogador colombiano Camilo Zúñiga pela joelhada nas costas que deu em Neymar. Os esclarecimentos posteriores de Sheherazade não foram suficientes para interromper a sanha autoritária de Jandira, mas as desculpas de Stern após a reação crítica do público certamente bastaram (ou talvez nem fossem necessárias…).

Luísa Helena Stern

Agora, aproveitando também que um grupo de muçulmanos e simpatizantes organizou um protesto na Praça Cinquentenário de Israel em Higienópolis-SP em favor dos palestinos e contra a ação israelense na Faixa de Gaza, queimando bandeira e tudo, vamos desenhar para todas as Jandiras do Brasil o conflito do Oriente Médio? Vamos!**

Escrevi há cinco anos e meio, em 15 de janeiro de 2009:

“Antigamente, o manual de jornalismo ensinava que, quando o cão morde o homem, não há notícia, mas, quando o homem morde o cão, sim. Agora, quando as Farc mordem a Colômbia ou quando o Hamas morde Israel, não há notícia (imaginem – que porre! – noticiar a mesma coisa 1.386 vezes em 8 meses), mas quando a Colômbia ou Israel reagem, sim, claro, “que absurdo”! “Pouco importa” – para lembrar Ricardo Noblat no caso Colômbia X Farc* – que o país seja vítima constante de ataques homicidas. Seu exército não deve reagir em hipótese alguma e, ao ver seu agressor proteger-se atrás de seu (dele) filhinho – em vez de escondê-lo – para transformá-lo em mártir no jornal de amanhã, todo soldado deve baixar as armas, retornar a seu país e aguardar em silêncio por mais 1.386 foguetes na cabeça de seus próprios filhos.”

Em fevereiro daquele ano, citando um conto infantil da Alemanha nazista em que um jovem chamado Franz é ensinado a considerar os judeus “o cogumelo venenoso da humanidade”, Diogo Mainardi também escreveu:

A paz no Oriente Médio depende, antes de tudo, do reconhecimento de Israel. Os palestinos precisam rejeitar a ideia mais monstruosa de todos os tempos: a de que um judeu é um cogumelo venenoso. Um cogumelo venenoso que tem de ser erradicado.

O que mudou nos últimos cinco anos? Nada. O que mudará nos próximos cinco? Nada, provavelmente. Mas agora, pelo menos, o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, confessou em entrevista à Al-Aqsa TV que o Hamas adota a prática dos escudos humanos e, pior do que isso, faz dela uma política oficial, como noticiou Reinaldo Azevedo.

Entrevistador – As pessoas estão adotando o método dos escudos humanos, que foi bem-sucedido nos tempos do mártir Nyzar Rayan…

Porta-voz – Isso comprova o caráter dos nossos nobres, dos nossos lutadores da Jihad. São pessoas que defendem seus direitos e suas casas com o seu corpo e com o seu sangue. A política de pessoas que enfrentam aviões israelenses de peito aberto, a fim de proteger as suas casas, provou ser eficaz contra a ocupação (israelense). Além disso, essa política reflete o caráter dos nossos bravos, que são pessoas corajosas. Nós, do Hamas, convocamos o nosso povo para que adote essa política, a fim de proteger as casas palestinas.

A confissão do Hamas apenas confirma a veracidade das palavras do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netenyahu (em tuíte e vídeo) sobre a diferença moral entre ambos os lados:

Israel Frase Netanyahu

“Nós desenvolvemos sistemas de defesa contra mísseis para proteger nossos cidadãos, enquanto eles usam seus cidadãos para proteger seus mísseis. E isto é o que faz toda a diferença.”

Se alguém ainda precisa de desenho, temos os cartoons de Mike Smith de 2008 e 2012:

Israel Cartoon Mike Smith2 foto(94)

Se alguém precisa de vídeo, temos legendado o de Dennis Prager de 2014 (original aqui).

[Em suma, como também já sintetizou Benjamin Netanyahu: "Se o Hamas abrir mão do conflito armado, a guerra estará extinta. Se Israel o fizer, Israel estará extinto."]

Se alguém precisa de desenho animado, temos ainda este de 2013:

Também é comum, aliás, que os pais palestinos mandem seus filhos provocarem os soldados israelenses – treinados para não reagir – e os filmem fazendo isso para depois espalharem pelo mundo a imagem de truculência do inimigo. É o mesmo recurso – conforme já mostrei aqui - usado por militantes de extrema-esquerda como Sininho, que, por ora, felizmente está presa.

Nas últimas semanas, aconteceu o de sempre – que pode ser sintetizado nessas imagens:

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A última imagem foi feita logo após os caças de Israel despejarem bombas sobre a Faixa de Gaza em retaliação à morte dos três jovens israelenses: Naftali Frenkel e Gilad Shaer, de 16 anos, e Eyal Yifrach, de 19. O alvo?

Captura de Tela 2014-07-16 às 16.13.40

“Israel alveja os terroristas do Hamas. Em contraste, o Homas alveja civis israelenses enquanto se esconde atrás de civis [palestinos].”

É verdade que colonos judeu, em represália à morte dos três israelenses, sequestraram e mataram um adolescente palestino, como numa espécie de justiçamento brasileiro. Mas sabe o que aconteceu com eles? Foram presos, é claro. Se fosse ao contrário, nem preciso dizer que os autores do crime seriam os “bravos, nobres e corajosos” heróis do Hamas.

Captura de Tela 2014-07-16 às 15.06.47O Hamas chegou a disparar 1.200 foguetes contra Israel em uma semana, a maioria deles interceptada pelo sistema antimísseis israelense, batizado de “Domo de Ferro”. Quando alguém alega que, de um lado há 1 israelense morto, do outro 190 palestinos, é preciso ter em mente esta óbvia diferença: enquanto Israel defende seu povo dos ataques do Hamas, o Hamas usa os palestinos de escudo humano contra as reações da vítima – escondendo inclusive armamentos e lançadores de foguetes entre a população civil, por vezes em escolas e hospitais -, para que até a matemática lhe favoreça na guerra propagandística de narrativa. Vai ver é isto que Jandira chama de “população desarmada, assassinada, humilhada”. Tudo isso pelo Hamas, é claro. Como reiterou o embaixador de Israel no Brasil, Rafael Eldad, em entrevista ao UOL:

Israel Hamas Charge“[O] Hamas está atacando civis israelenses, está utilizando seus cidadãos como escudos humanos. Israel está usando armas para proteger a vida. Eles estão usando vidas para proteger as armas ou o arsenal terrorista. (…) Eles têm, na sua instituição, [o objetivo] de matar todos os israelenses, os judeus. (…) Se o Hamas quer ver uma possibilidade de um acordo, ele tem de reconhecer a existência de Israel e deixar totalmente o caminho do terrorismo e da violência e desmantelar todo o seu armamento. Há quase dez anos, Israel deixou toda a Faixa de Gaza. Os palestinos tiveram uma oportunidade de ouro de criar uma pequena Cingapura. E o que fizeram? O único que fizeram foi acumular e acumular um arsenal de mísseis.”

O Hamas rejeitou a iniciativa egípcia de cessar-fogo dessa semana, que havia sido aceita por Israel, e as hostilidades continuam a todo vapor.

Captura de Tela 2014-07-16 às 15.06.23

“Nenhum outro país vive sob tamanha ameaça. Israel não vai tolerar os disparos de foguetes contra nossas cidades e vilas.”

Mas não posso negar que Jandira é sincera quando diz que “Nós não podemos ter omissão diante de… extermínio de povo nenhum em nenhum lugar do mundo”. Seu partido, que idolatra Lenin, Stalin, Mao e Fidel, de fato nunca se omitiu quanto a extermínios protagonizados pela extrema-esquerda e seus aliados. De um jeito ou de outro, sempre ficou ao lado dos exterminadores. Com o Hamas, não haveria por que ser diferente.

Só falta agora a deputada enviar aos terroristas uma marmitinha do seu restaurante.

Felipe Moura Brasil - http://www.veja.com/felipemourabrasil

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* O caso Colômbia X Farc foi o bombardeio promovido pelo então presidente Álvaro Uribe que, após seu país sofrer mais de quarenta ataques das Farc a partir do Equador, eliminou em território equatoriano o terrorista Raúl Reyes, aquele parceiro confesso do PT que Hugo Chávez admitiu ter conhecido em encontro do Foro de São Paulo, em 1995, e que estava sendo abrigado pelo presidente Rafael Correa, também membro do Foro. O ato do governo Uribe foi apoiado por 83% dos colombianos, que obviamente têm horror às Farc. Ricardo Noblat, na ocasião, escreveu que “pouco importa (…) que o governo do Equador apoie as Farc e lhes conceda abrigo, assim como o da Venezuela. A Colômbia infringiu, sim, leis internacionais”.

** Desenhar PARA Jandira é modo irônico de dizer, é claro. Jandira é incurável. A gente desenha para desmascarar esquerdistas como ela, a fim de que ninguém caia em seus engodos.

15/07/2014

às 20:17 \ Cultura

A esquerda mente por toda parte – Cinismo de Dilma e PT sobre a Copa só se compara ao de Obama sobre o povo em seu governo. Negros de Chicago são a “elite branca” dos EUA: detonam o presidente como o “pior da história”

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Thomas Mann dizia que muitas previsões são enunciadas não porque vão se realizar, mas na esperança de que não se realizem. O que a imprensa fez em relação às obras para a Copa do Mundo foi apenas prever que, se o ritmo continuasse atrasado como estava, os estádios não ficariam prontos a tempo, assim como, se a carreta continuasse em direção à sua casa – de acordo com a imagem acima -, haveria perigo de você permanecer lá. Se os críticos quisessem o pior para o Brasil, teriam se calado e deixado o caos acontecer. Mas a esperança, obviamente, era que o governo se mexesse para tornar a Copa possível, em vez de fazer o país passar fora de campo uma vergonha tão grande quanto a que acabaria passando dentro. Reinaldo Azevedo já mostrou as reportagens da VEJA, lembrando que o governo só se mexeu três meses depois, instituindo o chamado RDC — Regime Diferenciado de Contratações Públicas — que praticamente jogou no lixo a Lei de Licitações para poder acelerar as obras; mas a evidência dos atrasos também estavam em um vídeo do Implicante várias vezes reproduzido aqui no blog:

Felizmente, porém, e em boa parte graças às críticas, o governo se mexeu em cima da hora, e a Copa aconteceu. Corolário: o PT deveria ser grato aos jornalistas pelas cobranças necessárias que lhe foram feitas no período em que demonstrava sua negligência – ou hoje estaria arruinado. Mas se o partido fosse grato… não seria o PT. A ingratidão a um benfeitor, já ensinava Olavo, é um dos “cinco pecados que bradam aos céus” assinalados na Bíblia; e uma das essências, acrescento eu, do petismo, como já mostrei aqui em relação à criação do Bolsa-Família.

O médico e histologista espanhol Ramón y Cajal, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 1906, assim dividia os ingratos:

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Nem preciso dizer que Dilma e o PT são ingratos do pior tipo: o que se vinga do favor que recebeu.

Para que a presidente não se limite a citar Nelson Rodrigues, inclusive no que ele nunca disse, separei mais estas frases que se aplicam perfeitamente ao caso petista, cujos interesses eleitorais estão acima de qualquer grandeza humana.

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II.

Pronto. Agora o PT já tem o seu Barack Obama também. O nome do presidente que lidera a lista dos piores da história dos EUA em pesquisa da Universidade de Quinnipiac – e que iludiu mais brasileiros do que a seleção do Felipão – foi o escolhido por um tal de Cláudio Henrique dos Anjos, cuja candidatura a deputado federal pelo partido o TSE, informa Lauro Jardim, registrou assim mesmo. Como diria a presidente Dilma Rousseff: “Nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição.”

Obama do PT

III.

Por falar em Obama (o original), o cinismo de Dilma e PT só se compara mesmo ao dele sobre o povo americano em seu governo. Em discurso em Denver na quarta-feira passada, o presidente afirmou que “em quase todas as medidas, nós [querendo dizer os cidadãos] estamos melhores do que quando eu assumi o cargo”. Só se esse “quase” fosse ainda maior – muito maior! – do que se eu dissesse que o Brasil “quase” ganhou a Copa.

A oposição brasileira precisa aprender com uma certa urgência, aliás, a fazer vídeos assim:

Sob o governo Obama e a liderança do senador democrata Harry Reid:

- A renda das famílias caiu em mais de 3.300 dólares.
- As mensalidade do seguro de saúde familiar dispararam em quase 3000 dólares.
- O preço médio de um galão de gasolina quase dobrou.
- 3,7 milhões de mulheres a mais estão em situação de pobreza.
- A taxa de participação na força de trabalho tem diminuído para mínimos históricos.

Isto sem contar que a dívida nacional, de acordo com as próprias estatísticas do governo anunciadas pelo Departamento do Tesouro, tinha atingido US$ 17,293,019,654,983.61 em janeiro (estamos falando em trilhões, ok?) – um aumento de US$ 6,666,142,606,070.53 desde a primeira posse de Obama.

Dá para entender por que nos EUA ele já é tido como o pior presidente da história?

A esquerda revolucionária mente (e destrói o país que governa) por toda parte, como se vê.

IV.

E não é que a “elite branca” que vaia Obama também é negra e pobre? Moradores negros do South Side de Chicago, que protestaram na sexta-feira no edifício-sede do Departamento de Polícia local contra a onda de violência da cidade, detonaram o presidente por ignorar sua situação enquanto se preocupa em empurrar a agenda esquerdista de financiamento de imigrantes ilegais às custas de pagadores de impostos como eles.

No mês de julho, mais de 120 pessoas já foram baleadas na cidade e pelo menos 26 delas morreram, sendo que só no fim de semana do dia 4 – o Dia da Independência dos EUA -, nove pessoas foram mortas e mais de 60 feridas, segundo as autoridades.

Um dos moradores disse ao blog Rebel Pundit: “Que o presidente reserve todos esses fundos federais para os imigrantes e tenha abandonado a comunidade afroamericana, eu acho que é uma desgraça. Ele vai entrar para a história como o pior presidente que já foi eleito.” Outro morador afirmou: “Se você olhar para a época em que fomos trazidos para cá como escravos há 400 anos, nós temos os mesmos resultados hoje [que tínhamos então].”

Deve ser ruim morar num país assim, não é mesmo? Será que a esquerda vai chamar essa turma de racista também?

Vejam o vídeo. Qualquer hora, comento mais a respeito.

Felipe Moura Brasil - http://www.veja.com/felipemourabrasil

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14/07/2014

às 18:45 \ Copa do Mundo de 2014

No futebol e na cultura, culto à especialidade atrasa o Brasil – e falta de humildade para aprender, também

A CBF “aceitou o pedido de demissão de Felipão” – no caso, uma maneira menos vexaminosa de ser demitido – e ele finalmente vai cumprir a “pena” que deveria ter cumprido após os desastres no Chelsea e no Palmeiras, como escrevi na ocasião de sua contratação:

Fepião contratação

Mas, com ou sem Felipão, a mentalidade futebolística no Brasil continua anos-luz atrasada.

Um dos sintomas desse atraso é o apego à posição, em detrimento da qualidade do jogador. Futebol – seja pelada, seja Copa do Mundo – se joga com os melhores jogadores, não necessariamente os melhores por posição. Não é porque alguém costuma jogar em determinada posição que joga melhor nela do que alguém que não costuma jogar ali.

KuytOs europeus sabem disso. O holandês Dirk Kuyt, atacante de origem, já foi adaptado a quase todas as funções, tendo atuado até como lateral-esquerdo contra o México, na vitória por 2 a 1 pelas oitavas de final. Se o goleiro fosse ruim, o treinador Van Gaal teria colocado ele no gol também. Até o reserva alemão Mario Götze, que entrou no segundo tempo da final contra a Argentina no lugar de Klose e fez o gol do título na prorrogação, é tido pelo técnico Joachim Löw como “o menino maravilha”, porque “consegue jogar em qualquer posição”. “Ele sempre foi muito importante para nós e hoje foi de novo”, disse Löw após a merecida conquista.

Na minha radiografia do futebol brasileiro à luz do Barcelona de Guardiola, na qual antecipei em 2011 as “palmadas em domicílio” que a seleção brasileira levaria em 2014, eu havia escrito:

Chaplin

Chaplin previu o Brasil

“Hoje é inconcebível no Brasil um jogador completo, capaz de dominar, tocar, lançar, driblar, marcar e, portanto, assumir outras posições durante o jogo, preenchendo os espaços deixados por seus companheiros. A característica proeminente de cada um, fator determinante de sua respectiva especialidade, tornou-se o requisito único (mesmo que falso) para o exercício da mesma, [o que acaba] mutilando talentos, isolando jogadores e impossibilitando atuações conjuntas consistentes. Os esquemas mirabolantes dos nossos ‘professores’ são apenas a tentativa pomposa de contornar as deficiências que eles mesmos criaram, com o reforço da imprensa nacional e da CBF de Ricardo Teixeira.”

Assim como não forma jogadores completos mas supostos especialistas não raro tidos como craques por conta de qualidades técnicas muito específicas e ineficientes contra times de alto nível, o Brasil tampouco adapta seus melhores jogadores (por piores que sejam comparados aos da seleção alemã liderada pelo craque Schweinsteiger) às posições carentes de qualidade.

Felipão deixou Fred no ataque por seis jogos da Copa e, mesmo tendo colocado Jô em alguns sem que o resultado melhorasse, escalou este último para a derrota por 3 a 0 para a Holanda (sem Sneijder) na disputa pelo terceiro lugar. Que os dois são limitados, era evidente, e eu havia pedido várias vezes que Hulk, muito mais encorpado e voluntarioso, ainda que impreciso, fosse utilizado como pivô, de preferência recebendo bola do negligenciado Willian, o único que acerta passes na seleção brasileira. Mas para fazer algo assim um treinador tem de reconhecer que os atacantes que ele mesmo convocou talvez sejam piores do que jogadores de outra posição adaptados ali e que sua seleção não é capaz de fazer a bola chegar dentro da área, de modo que precisa de alguém que saiba minimamente jogar fora dela, inclusive para marcar a saída de bola. Claro que é demais esperar tal coisa de mentes tão inflexíveis e teimosas como as de Felipão e Parreira. Que dirá a adaptação de um meio-campo à lateral, posição – especialmente a esquerda – em que o Brasil há anos só tem avenidas, como a recém-inaugurada Maxwell.

Não é mais dinheiro que vai resolver a decadência qualitativa do nosso esporte número 1, mas sim uma mudança de mentalidade que faça com que a parte não seja mais confundida com o todo, muito menos exaltada em detrimento dele. O culto à especialidade é um entrave cultural que faz com que o futebol no Brasil seja como a universidade: um formador de representantes de cada departamento, impedidos de transitar por áres distintas por falta de diploma.

II.

Praticamente tudo que o craque alemão Paul Breitner avisou em abril de 2013 no programa Bola da Vez da ESPN, dizendo que “o futebol brasileiro dorme desde 2002″, que “precisam aceitar que estão jogando um futebol do passado”, está nos meus textos de 2010/11 a respeito, que apenas deram forma definitiva ao que eu já comentava antes. Com a tremenda mudança ocorrida no esporte a partir da década de 1990, Breitner admitiu que os alemães de início pensavam como os brasileiros pensam atualmente (ou até a semana passada): “Nós somos os melhores, não precisamos prestar atenção a ninguém.” A diferença é que, apesar das derrotas, eles não esperaram um vexame tão grande para aprender com os outros e, inspirando-se justamente no Barcelona de Guardiola, começar a mudar os métodos de treinamento nas categorias de base, enfatizando igualmente habilidade técnica e condição física, em vez de 30% e 70%, como era na Alemanha. O resultado está aí, nesta geração campeã do mundo que ainda vai nos dar muito trabalho em 2018 e 2022, se o Brasil se classificar. Mas sabe como é: os nossos jornalistas acha(va)m chato o “tique-taque” espanhol… Aqui ninguém quis aprender nada, nem mesmo após o Santos ser massacrado pelo Barça, quando então escrevi “O Brasil à luz do Barcelona“.

E depois – imagine – o arrogante sou eu…

III.

Mas, falando nisso, ok: quero meu Prêmio Nobel também.

Llosa montagem Pim

Veja os artigos:

Mario Vargas Llosa:
- “A máscara do gigante

FMB:
- “Não sou pessimista. O PT é que é péssimo para o Brasil”
- Por que o Lulinha não volta ao zoológico no vídeo do PT?
- Não, Galvão, não é “uma partida para ser esquecida”

Captura de Tela 2014-07-14 às 19.02.20 Captura de Tela 2014-07-14 às 19.02.01Felipe Moura Brasil - http://www.veja.com/felipemourabrasil

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