Blogs e Colunistas

30/09/2014

às 23:13 \ Cultura, Eleições

Paródia “2 PTs” – Assista ao videoclipe! “Como é que o Brasil vai ficar / Se só tiver 2 PTs pra votar?”

Captura de Tela 2014-09-30 às 23.00.03Este blog já apresentou em videoclipe as paródias de sucesso “Águas de junho“, “O bando” e “Pais e filhos de esquerda“, além da minha versão em português do hit mundial “Can’t take my eyes off you”, cuja produção em vídeo (mui romântica) teve de ser adiada para dar vez à desta nova e seriíssima obra (com 2 is mesmo): a paródia “2 PTs”, que segue abaixo em “lyric version”, com letra minha, interpretação do craque Filipe Trielli e produção musical de Augustinho da Adelaide (não vou dizer que é pseudônimo do próprio Trielli) pela extraordinária Chinchila Productions. A gente não podia, afinal, perder o ‘timing’ das eleições. Eis mais um retrato cantado e legendado da tragicomédia nacional.

Cantem com a gente e informem os amigos.

AVISO NO YOUTUBE: Esta é uma peça de humor. A música que originou essa paródia chama-se “Tia Eulália na Xiba” e é de autoria de Cláudio Jorge e Nei Lopes. Os autores ou suas famílias não têm nenhuma relação com a letra da paródia que foi feita por Felipe Moura Brasil. Os autores da paródia se isentam de qualquer remuneração sobre os direitos autorais da mesma.

Segue a letra completa, com os links para quem quiser se aprofundar no assunto.

2 PTs
Música original: “Tia Eulália na Xiba” (Cláudio Jorge/Nei Lopes)
Paródia: Felipe Moura Brasil

Já desesperado depois do Ibope,
Reduzido o PIB e com mais desemprego,
O PT espalha mentira a galope
Não tem pela ética o menor apego

Dilma na TV faz campanha do medo
Diz que com Marina não vai ter comida
Briga de petista, eu não meto o dedo
Mais de 20 anos são quase uma vida…

Como é… que o Brasil vai ficar
Se só tiver 2 “PTs” pra votar?

Mensalão, não sei quem ficou mais calada
Se Marina ou Dilma, aprendizes do Lula
Dilma também diz que não sabe de nada
Sobre o Petrolão e ainda quer que eu engula

Assinou um decreto que anula o Congresso
Entregou o poder à sua militância
E quem apoiou esse vil retrocesso?
Foi Marina Silva, sem mais relutância

Como é… que o Brasil vai ficar
Se só tiver “2 PTs” pra votar?

Do jeito que anda, é veneno de rato
Ou chumbinho em pote, no segundo pleito
Foro de São Paulo achando um barato
Dois dos seus partidos, amigos do peito

Pro Aécio falta uma testosterona
Vai beijar a lona se não for pra briga
Com um montão de intrigas pra trazer à tona
Foi falar difícil e não tá dando liga

Como é… que o Brasil vai ficar
Se só tiver “2 PTs” pra votar?

****

Voz em off no final: “E vejo com certa estranheza a candidata Marina se queixar muito hoje das ofensas, das calúnias, dos boatos de que os candidatos de oposição vão acabar com esses programas [sociais]. Esses boatos realmente existem, candidata. Mas sempre existiram! Existiram contra nós, quando a senhora estava no PT. E não me lembro, infelizmente, de nenhuma palavra da senhora contra esse tipo de política que o PT continua praticando.”

(Aécio Neves, no debate da TV Record – post original AQUI.)

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

30/09/2014

às 21:40 \ Cultura, Eleições

E ainda queriam que Aécio desistisse? Diferença para Marina caiu 4 pontos no Datafolha e no Ibope e agora é de apenas 5 e 6, respectivamente

O candidato Aécio Neves (PSDB) subiu 2 pontos no Datafolha e encostou na segunda colocada, Marina Silva (PSB), que caiu 2. O resultado em favor da pessebista ficou: 25% a 20%. No Ibope, Marina caiu 4 pontos e Aécio se manteve estável. Resultado: 25% a 19%. As diferenças são de 5 e 6 pontos, respectivamente, os quais, no limite da margem erro, viram apenas 1 e 2; ou até 9 e 10. Se a queda de Marina continuar nesse ritmo, o empate técnico será inevitável. Dilma manteve a liderança, com 40% (estável) e 39% (oscilando um ponto para cima).

Eis o resultado do Datafolha (matéria da Veja.com aqui):

pesquisa-datafolha-30-09-size-575

Na projeção de segundo turno, Aécio já tem tecnicamente em relação a Dilma (9 pontos) a mesma diferença que Marina teria (8 pontos), já que a margem erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos – sendo que Aécio está em ascensão e Marina em queda. Para se ter uma ideia, ela chegou a aparecer na frente da petista com 46% contra 44%. Com isso, o argumento de que só Marina é capaz de vencer Dilma está caindo por terra, o que pode fazer com que Aécio ainda recupere na reta final mais votos dos antipetistas que migraram para Marina acreditando nessa tese. A rejeição da candidata do PSB também cresce à medida que ela cai, tendo passado de 17% para 20%, superando a de Aécio, que tem 19%. Dilma é rejeitada por 31%. Qualquer que seja o(a) candidato(a) de oposição a avançar – e os desempenhos no debate desta quinta-feira na Globo poderão ser decisivos para esta definição -, terá mais tempo de TV para enfrentar a presidente e mudar a projeção atual.

IBOPE

Eis o resultado do Ibope, divulgado no Jornal Nacional desta terça-feira:

Captura de Tela 2014-09-30 às 20.43.10 Captura de Tela 2014-09-30 às 20.47.07Captura de Tela 2014-09-30 às 20.47.30

Na projeção do segundo turno, Marina, em empate técnico com Dilma, ainda está melhor que Aécio, mas a candidata do PSB continua caindo e, a seguir nesse ritmo, o próximo Ibope projetará sua derrota também; ainda que, repito, tudo isso possa mudar adiante com o novo tempo de TV e eventuais apoios.

Mais cedo, o Ibope havia divulgado que Aécio assumiu a liderança relativa ao primeiro turno no Paraná, subindo 5 pontos, enquanto Marina caiu 10. O resultado ficou assim: Aécio: 33%; Dilma: 32%; Marina: 19%. Em Santa Catarina, Aécio já havia assumido o segundo lugar cinco dias atrás, subindo igualmente 5 pontos: Dilma 36%; Aécio: 25%; Marina: 19%.

E ainda queriam que Aécio desistisse, não é mesmo? Tá “Serto”!

A propósito: Os maiores colégios eleitorais do Brasil, em ordem, de acordo com os dados anunciados em 29 de julho pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Dias Toffoli, são:

1) São Paulo: 31.998.432 eleitores
2) Minas Gerais: 15.248.681
3) Rio de Janeiro: 12.141.145:
4) Bahia: 10.185.417.
5) Rio Grande do Sul: 8.392.033.
6) Paraná: 7.865.950.

O menor colégio eleitoral é Roraima, com 299.558 eleitores.

Governador do Rio
Ainda hoje, depois de “Império”, tem o debate entre os candidatos a governador do Rio de Janeiro. A quem interessar, o resultado do Ibope divulgado nesta terça-feira é este, como informa o G1:

Luiz Fernando Pezão (PMDB) – 31%
Anthony Garotinho (PR) – 24%
Marcelo Crivella (PRB) – 16%
Lindberg Farias (PT) – 9%
Tarcísio Motta (PSOL) – 1%
Dayse Oliveira (PSTU) – 1%
Ney Nunes (PCB) – 0%
Brancos e nulos – 12%
Não sabem ou não responderam – 6%

No levantamento anterior, realizado pelo instituto entre os dias 20 e 22 de setembro, Pezão tinha 29%, Garotinho tinha 26% e Crivella 17 %.

Na pesquisa, encomendada pela TV Globo, o Ibope ouviu 2.002 eleitores entre os dias 27 e 29 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

30/09/2014

às 14:40 \ Cultura, Eleições

Dilma e Marina não possuem tantas diferenças, diz Moody’s. Que coisa, não?

Dilma MarinaO ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ironizou a presidente Dilma Rousseff nesta segunda-feira, em Fortaleza, ao falar para 1.200 empresários, como informa a Veja.com. “Ela merece o Prêmio Nobel da Economia, pois conseguiu arrebentar tudo ao mesmo tempo. Isso é muito difícil de fazer em economia”, disse para aplausos dos empresários cearenses.

Já mostrei neste blog as semelhanças políticas de Dilma e Marina, especialmente no que se refere ao atentado à democracia através do decreto 8.243, assinado pela primeira e apoiado pela segunda. Mas se a esperança dos marinistas de direita (favor não confundir com FHC, que é de esquerda e vota no Aécio, ok?) é que a candidata Marina Silva (PSB) seja capaz de arrumar a economia brasileira, a avaliação de Mauro Leos, analista da Moody’s responsável pelo rating brasileiro, vai em sentido contrário.

“No nosso ponto de vista, como presidentes, elas não são tão diferentes quanto se pensa. Não se trata de pontos de vista extremos”, afirmou Leos nesta terça-feira, como informa a Exame.

Para ele, na prática, o atual cenário da economia forçará Dilma a tomar decisões que vão contra seus métodos. Já Marina encontrará diversas barreiras políticas para colocar em prática as mudanças que pretende fazer.

No fim das contas, elas tenderiam a ser semelhantes. A análise mostra que as palavras do ex-líder do PSDB no Senado, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, em entrevista à Veja.com que destaquei aqui, não são mera propaganda partidária. Há uma preocupação real com a capacidade que Marina tem de consertar em seu eventual governo aquilo que Dilma arrebentou:

“A Marina está com um leque de propostas que, no papel, são bem razoáveis. Mas ela tem pouco tempo de casa. Ela é faixa branca em estabilidade econômica, ainda está iniciando. O Aécio já é faixa preta em estabilidade econômica, porque não fez outra coisa quando governou Minas, porque devolveu o dinheiro dos cofres da Câmara dos Deputados para o Tesouro quando foi presidente da Casa, porque tem plena afinidade com a nata do Plano Real.”

“A questão é: em quem eu vou acreditar? A Marina não leva nota alta no quesito fidelidade ao que diz. Ela tem pouco tempo de casa. Há uma crise no país e você vai experimentar a Marina em cima de uma emoção, de uma biografia, ou vai em cima de alguém que tem partido para governar, que já tem um conjunto de pessoas que estão ao lado dele, a começar pelo Armínio Fraga? Nessa reta final, nós temos de pensar: o que é mais seguro já que temos uma crise? Vou votar em quem criou e aprofundou a crise [Dilma/PT], em quem eu não sei se resolve a crise [Marina] ou em alguém que tem experiência em enfrentar crises [Aécio]?”

Dilma e Marina, de fato, são bem mais parecidas do que se pensa.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

29/09/2014

às 19:20 \ Cultura, Eleições

A tragicomédia da esquerda nacional: corrupção, falsa democracia, Luciana Genro, Eduardo Jorge e muito mais

I.

Em entrevista à VEJA desta semana, João Pereira Coutinho diz que nenhum partido político se opõe a aumentar o tamanho do Estado e que a aversão aos corruptos é, nesse contexto, um grande contrassenso. É o que eu também sintetizava nesses tuítes de julho e agosto deste ano. A corrupção poderá até diminuir no Brasil, mas, vença quem vencer as eleições, uma coisa é certa: ela continuará.

Esquerda Mais Estado montagem

[Na Veja.com: Guinada à esquerda de Dilma assusta investidores. Nada é tão ruim que não possa piorar, não é mesmo?]

II.

No debate presidencial de domingo na TV Record, o candidato Eduardo Jorge (PV) se referiu indiretamente ao PSDB como “conservador”. É o Brasil explicado.

Como escreveu Olavo de Carvalho 12 anos atrás, em 2002:

“Com o tucanato como única alternativa a essa gente [do PT e dos demais filiados ao Foro de São Paulo, como o PSB de Marina Silva], o quadro eleitoral brasileiro ficou, portanto, dividido entre socialistas democráticos e comunistas revolucionários, sendo estes últimos apresentados como socialistas democráticos e aqueles como conservadores.

Nenhuma distribuição de papéis poderia ser mais fictícia, com o agravante de que nada disso foi esclarecido ao público eleitor, constantemente bombardeado por uma campanha de desinformação calculada para fazê-lo crer que estava numa democracia moderna normal, votando numa eleição normal como um francês a escolher entre Chirac e Jospin ou um americano entre Bush e Gore.”

III.

Durante o debate da Record, também comentei em tempo real no Facebook:

Captura de Tela 2014-09-29 às 18.04.43

* Sobre isto, ver o documentário “A história soviética” (The soviet story), de Edvins Snore, cujo site oficial está aqui.

Captura de Tela 2014-09-29 às 18.04.59

Sobre isto, ver a obra-prima obrigatória Os intelectuais e a sociedade, de Thomas Sowell. Na página 68, por exemplo, conforme eu já havia mostrado aqui, Sowell disseca um dos problemas resultantes da aulinha de Luciana Genro:

“Talvez o terreno mais fértil para geração de equívocos sobre a questão da renda seja dado pela prática, amplamente adotada, de confundir categorias estatísticas com seres humanos de carne e osso. Tanto na mídia quanto no mundo acadêmico, são muitas as afirmações que alegam que os ricos não estão, apenas, aumentando sua renda, mas, sobretudo, apropriando-se de uma fatia maior da renda total, aprofundando a defasagem entre o topo e a base da escala. Quase sempre tais alegações são baseadas numa confusão sobre o que esteve acontecendo, ao longo do tempo, nas categorias estatísticas e o que esteve acontecendo, durante o mesmo período, com as pessoas reais, as pessoas de carne e osso.”

Sowell mostra um monte de notícias dos principais jornais americanos sobre o suposto aumento da diferença entre ricos e pobres, com ricos acumulando ganhos muito maiores etc. e depois as compara com os dados fornecidos pelo Departamento do Tesouro dos EUA, o qual acompanha a evolução econômica de indivíduos específicos a partir de suas declarações de renda, para então mostrar que as pessoas de carne e osso se movem de uma categoria estatística para outra ao longo da vida, afinal ninguém é prisioneiro de uma classe permanente.

“O que acontece com a renda da categoria ao longo do tempo não é o mesmo que acontece com as pessoas que pertenciam a essa categoria num momento qualquer. Mas são muitos os que, na intelligentsia, estão prontos para adotar quaisquer números que pareçam corroborar sua visão.”

E boa parte deles está dando aulinhas de sociologia para as futuras Lucianas Genros do Brasil.

[* Veja também aqui no blog: “Encarando a verdade sobre o salário mínimo” – um artigo fundamental de Thomas Sowell; e Thomas Sowell sobre salários de negros, brancos e mulheres – um vídeo fundamental transcrito e traduzido.]

Captura de Tela 2014-09-29 às 19.09.05

Marina, diga-se, ainda se gabou de seu currículo, com o eufemismo mais frequente para “esquerdista”: ”Eu tenho uma história ‘progressista’ no Congresso Nacional.” Pois é.

IV.

Voltando à entrevista de João Pereira Coutinho, destaco que, das manifestações que ocorreram no Brasil em junho do ano passado, ele lamenta o seguinte:

“Em vez de os brasileiros protestarem pedindo que o governo os deixe em paz, eles passaram a exigir mais Estado, com mais poder. Por sua parte, as autoridades entenderam que era necessário fazer isso e os políticos voltaram-se para aqueles manifestantes e disseram: ‘Vamos cuidar de vocês, crianças.’ Os brasileiros têm algo de paradoxal. (…) As pesquisas de opinião mostram que a população brasileira quer que o Estado controle a Justiça (80%), o sistema de previdência (72%), a saúde (71%) e a educação (69%). Mais da metade gostaria que os bancos fossem estatais. A ideia corrente no Brasil parece ser a de que o governo é exercido por entidades celestiais, e não pelos mesmos políticos que os brasileiros consideram corruptos.”

Escrevi dezenas de textos na época das manifestações sobre isso, mas convém lembrar o meu resuminho em forma de diálogo, no qual Lula e Dilma também poderiam dizer “Vamos cuidar de vocês, crianças” (e tomem mensalão, Petrolão e companhia, é claro):

VOCÊS QUEREM TUDO DO ESTADO?

JOVENS BRASILEIROS: Sim, nós queremos!

FIDEL CASTRO: Eu dou!

ADOLF HITLER: Eu também!

JOSEF STALIN: Eu dou melhor!

MAO TSÉ-TUNG: É meu! É meu!

LUÍS XIV: Alguém me chamou?…

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

29/09/2014

às 7:19 \ Cultura, Eleições

Debate da Record: Aécio zomba de frase de ditadora de Dilma: “Ela não tem que autorizar a Polícia Federal a prender ninguém. Essa é uma prerrogativa constitucional”

Captura de Tela 2014-09-29 às 07.07.12

Outro bom momento do candidato Aécio Neves (PSDB) no debate da TV Record deste domingo, além daquele em que detonou Marina Silva (PSB), foi quando ele zombou de uma frase típica de ditadora proferida pela presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) – que vergonhosamente, aliás, leu as colinhas de seu caderninho durante quase todo o debate, incluindo as considerações finais inteiras. Veja o trecho impagável de Aécio a partir dos 5min38seg do vídeo abaixo:

DILMA: Na minha vida eu tive tolerância zero com crimes de corrupção. Eu, além disso, dei autonomia à Polícia Federal para prender o senhor Paulo Roberto [Costa] e os doleiros todos, o que não acontecia nos governos anteriores. Além disso, candidato, eu quero dizer que eu defendo a apuração da corrupção para fortalecer a Petrobras, mas não para enfraquecê-la, tornando este um álibi da sua privatização. 

AÉCIO: Apenas um alerta à presidente: ela não tem que autorizar a Polícia Federal a prender ninguém. Essa é uma prerrogativa constitucional da Polícia Federal. 

É mesmo! E, se não alertar, a presidente “esquece”!

Aécio, como sempre, só podia ter sido menos polido e aproveitado melhor a oportunidade para mostrar como os petistas tentam mandar em tudo. Na verdade, Dilma sabe que o PT aparelhou politicamente a Polícia Federal e, neste aparente ato-falho, acabou deixando escapar que a controla. A ditadura velada do PT também se revela assim.

Vale lembrar ainda que a campanha de Dilma pediu R$ 2 milhões ao esquema de corrupção da Petrobras, conforme revelou o diretor da empresa Paulo Roberto Costa e a VEJA estampou nesta semana. E Dilma, claro, segue dizendo que não sabia de nada. Relembrando Fernando Henrique Cardoso sobre o Petrolão: “Se Dilma não viu nada, então ela não é uma gerente competente.” E se viu, é corrupta. Em ambos os casos, não serve para governar o país.

Delação PT Dilma

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

29/09/2014

às 6:30 \ Cultura, Eleições

Debate da Record: Aécio detona Marina por reclamar de boatos petistas só quando é vítima: “Esses boatos sempre existiram contra nós, quando a senhora estava no PT”

Captura de Tela 2014-09-29 às 05.58.23

Em sua melhor atuação em debates até aqui, embora ainda possa melhorar no de quinta-feira na Globo, o candidato Aécio Neves (PSDB) detonou Marina Silva (PSB) por reclamar de boatos petistas só agora que ela é vítima deles, tendo ficado caladinha em seus mais de 20 anos filiada ao PT enquanto o partido fazia a mesmíssima coisa contra seus adversários peessedebistas.

Marina ainda pediu direito de resposta após ser detonada por Aécio – e merecidamente não levou! A verdade, afinal, não é calúnia e tem de ser dita.

Veja o trecho (que transcrevo abaixo) dos 7 aos 10 minutos do vídeo. E vale lembrar que essa mesma Marina que hoje ataca o Petrolão do PT ficou igualmente de bico calado quando estourou o mensalão.

HERÓDOTO BARBEIRO (âncora do jornal Record News): Boa noite. A pergunta vai para a candidata Marina Silva e o comentário do candidato Aécio Neves. Marina, a senhora assegura que foi uma pessoa que passou fome na sua juventude e que, por esse motivo, a senhora jamais acabaria com os programas sociais do governo, por exemplo o Bolsa-Família ou o Fome Zero. No entanto os seus principais conselheiros econômicos, principalmente os professores Eduardo Gianetti e André Lara Rezende, parece que têm outra origem, não passaram fome como a senhora passou. E também me parece que não têm muita simpatia pelos programas sociais como a gente imaginava que eles tivessem. Minha pergunta é a seguinte. Afinal de contas, se a senhora for eleita presidente da República, quem é que decidiria a manutenção ou não desses programas sociais num possível seu governo?

MARINA: Quem vai decidir a manutenção dos programas sociais do meu governo é a sociedade brasileira, que já tomou um outro caminho que não tem a política mesquinha de achar que política de governo é favor ou deve ser privatizada por um partido. [NOTA DE FMB: Sobre mais esse engodo de Marina, já escrevi AQUI.] E essa história de que você, para defender os interesses dos trabalhadores, das pessoas mais humildes, tem que pertencer a mesma condição, isso não é verdade. Conheço muitas pessoas que nasceram em berço de ouro e que tem compromisso com a justiça social. Nós não temos essa visão mesquinha de que somente daqueles que se intitulam da esquerda ou que tiveram que passar por situações difíceis como a que eu tive que passar… A história se faz com homens e mulheres de bem e pessoas boas existem em todos os lugares, em todas as classes. Eu tenho o compromisso sim de manter os programas sociais que, de uma forma injusta, e mentirosa, estão dizendo que eu vou acabar. Eu reitero: a minha equipe de governo, no nosso programa, nós nos comprometemos: vamos manter sim as conquistas já alcançadas dos governos anteriores. Vamos corrigir os erros, principalmente a corrupção, que drena o dinheiro que poderia ir para a educação, para a saúde, para o Bolsa Família, para o Minha Casa Minha Vida, e vamos fazer esses investimentos sim em benefício da sociedade.

AÉCIO: No meu governo serei eu que irei decidir. E eu manterei os programas sociais, até porque grande parte deles foram iniciados no nosso governo e vou aprimorá-los. [NOTA DE FMB: Vale lembrar o cinismo de Dilma sobre isso - AQUI.] E vejo com certa estranheza a candidata Marina se queixar muito hoje das ofensas, das calúnias, dos boatos de que os candidatos de oposição vão acabar com esses programas. Esses boatos realmente existem, candidata. Mas sempre existiram! Existiram contra nós, quando a senhora estava no PT. E não me lembro, infelizmente, de nenhuma palavra da senhora contra esse tipo de política que o PT continua praticando. 

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

29/09/2014

às 5:01 \ Cultura, Eleições

Boato, uma ova! Marina mentiu e distorceu fatos sobre CPMF, como típica petista de raiz. Favorável, ela só foi a programa que usava verbas contra as quais tinha votado! E ainda chamou de “insuficientes”! Pode isso, Arnaldo?

“Pobres (de grana e de espírito) que votam em Dilma e Marina não fazem ideia do que é a CPMF, Felipe”. A frase veio de uma leitora no Twitter durante o debate presidencial da TV Record, depois que eu apontei a mentira de Marina sobre o tema.

Respondi: “Mas fazem ideia do que é uma mentira. É preciso mostrar que Marina mente” – e que depois distorce os fatos para não se passar por mentirosa, fazendo-se ainda de vítima de ataques, quando a responsabilidade pelo imbróglio é toda dela.

Aliás, tem coisa mais petista do que isso? Para citar um caso entre milhares:

Captura de Tela 2014-09-29 às 04.47.37

Vejamos o caso de Marina em detalhes.

O jornal O Globo revelou em 9 de setembro que, ao contrário do que afirmava em declarações públicas, a candidata Marina Silva (PSB) não votou a favor da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Registros do site do Senado (no fim deste post) mostram que Marina, então no PT, ficou contra o tributo em 1995 (em duas votações) e em 1999 (em mais duas). Em 2002 não registrou seu voto.

Dizia o jornal: “No caso de propostas de emenda constitucional, não votar tem o mesmo peso de ser contrário, uma vez que é preciso ter 49 votos sim para a aprovação. Oito dias depois dessa votação, a matéria foi votada em segundo turno e mais uma vez Marina não registrou voto.”

Ou seja: Marina votou quatro vezes contra a CPMF e depois se absteve em mais duas, consentindo com o “Não”. Isto nada tem de boato, são fatos comprovados pelos documentos.

Quando a matéria veio à tona, eu apontei aqui que, no debate da Band, Marina não só tinha dito que havia votado favorável, como havia usado isso para posar de independente do PT com seu discurso de quem não faz “oposição por oposição” e, também, para atacar tanto os petistas quanto o candidato Aécio Neves, do PSDB. Eis o trecho de sua tréplica a Aécio naquele debate:

MARINA: Eu vejo que a sua fala reforça exatamente o meu argumento. Eu acredito na política que pratiquei durante 16 anos no Congresso. Por exemplo, na CPMF, eu votei favorável. Quando foi o protocolo de Kyoto, eu que ajudei a aprovar, senão seria uma vergonha. Não foi a mesma postura que vocês, juntamente com o PT, que colocam o Brasil desunido e aparta o Brasil.

Em sabatina ao Portal G1, a candidata havia se gabado do suposto voto favorável de maneira ainda mais acintosa.

MARINA: Quando o presidente Fernando Henrique Cardoso mandou a CPMF para ser votada, o meu partido era contra, mas eu e o Suplicy votamos favorável.

Se Marina afirmou nessas e noutras vezes que havia votado favorável a CPMF, e os registros mostram que, na prática, ela votara seis vezes contra o tributo, é óbvio que ela tinha de ser questionada a respeito.

E Dilma, cuja equipe lê tanto o meu blog quanto a de Aécio, tratou de começar o debate da Record fazendo isso, com direito à citação ao debate da Band. Não sei se Aécio estava pronto para fazê-lo em seguida, mas Dilma tomou a dianteira, já que teve a chance primeiro.

Transcrevo abaixo o trecho que vai de 3min30seg até 7 min do vídeo do primeiro bloco. Comento em seguida.

DILMA: Olha, eu queria fazer uma pergunta à candidata Marina. Candidata, a senhora mudou de partido 4 vezes nesses 3 anos. Mudou de posições de um dia para outro em problemas de extrema importância como a CLT, a homofobia e o pré-sal. Num debate da Bandeirantes, a senhora disse que tinha votado a favor da criação da CPMF porque achava que era o melhor que se podia ter para a Saúde. Como foi mesmo o seu voto na questão da CPMF?

MARINA: A CPMF foi um processo que começou em 1993, com várias etapas. Nessas várias etapas, no momento em que foi a votação de Fundo de Combate à Pobreza, que aliás foi uma iniciativa do senador Antonio Carlos Magalhães, a composição do Fundo seriam recursos da CPMF e dos impostos sobre cigarro. Naquela oportunidade, tanto na Comissão quanto no Plenário, votei favorável sim. Eu e o senador Eduardo Suplicy, mesmo com a oposição séria de várias lideranças do PT, que à época diziam que eu estava favorecendo um senador de direita. Eu tenho total coerência com as posições que defendo e foi por isso exatamente que eu disse que eu não faço oposição por oposição, que eu sei o que é melhor para o Brasil. Não só no caso da CPMF para o Fundo de Combate à Pobreza quanto em relação à convenção 169 para defender o direito dos índios, o protocolo de Kyoto que o PT na época até me orientou que talvez não fosse o mais oportuno, mas eu consegui convencer de que era o melhor para a proteção do meio ambiente e da Amazônia e também tivemos ali uma questão importante que foi a questão da reserva legal.

DILMA: Candidata Marina, eu não entendo como a senhora pode esquecer que votou 4 vezes contra a criação da CPMF. Nessas quatro vezes, a senhora votou “Não”. Isto consta nos anais do Senado. Atitudes como essas, candidata, produzem insegurança. Governar o Brasil requer firmeza, coragem, posições claras e atitude firme. Não dá pra improvisar. Então, candidata, me estarrece que a senhora não lembre como votou quatro vezes contra a criação da CPMF.

MARINA: Eu me lembro exatamente quando votei a favor. Não tenho a lógica da oposição pela oposição, nem da situação raivosa que não é capaz de dialogar em nome dos interesses do Brasil. E nem da situação cega, que só vê qualidades mesmo quando os defeitos são evidentes. Eu tive uma prática coerente a vida toda. Defendi sim a CPMF para o Fundo de Combate à Pobreza. E é mais uma das conversas que o PT tem colocado para deturpar o processo eleitoral.

Repararam na mudança cínica do discurso? Marina só se lembra da vez que votou a favor, sendo que, no caso, não era um voto a favor da CPMF, mas a favor do Fundo de Combate à Pobreza, do qual parte dos recursos vinha da CPMF. Sem admitir a confusão, a candidata quer fazer com que ambas as coisas tenham o mesmo sentido. Não têm!

A verdade é que Marina foi a favor de um programa que usava verbas contra as quais ela tinha votado 4 vezes! Uma vez que as verbas estavam disponíveis APESAR DELA, ela votou a favor do programa que as usava. E pior: como mostra uma matéria da Folha de junho de 2001, ela ainda reclamou que as verbas eram “insuficientes”! Pode isso, Arnaldo?

Se dependesse dela, as verbas para o tal combate à pobreza teriam sido menores ainda!

No mundo real, não basta querer ajudar os pobres, é preciso criar os meios de fazer isso, mas, como uma autêntica petista de raiz, Marina queria os fins mesmo tendo lutado contra os meios. Mas ela não ia perder a chance de posar de defensora dos pobres, reclamando do então governo do PSDB (que havia se esforçado para aprovar o tributo), não é mesmo? E no ano seguinte ao Fundo foi que ela ainda se absteve mais duas vezes na votação da CPMF.

Marina-comercial-Dilma-PT-mentira-28set2014Marina se faz de vítima de mais uma tentativa do PT de “deturpar o processo eleitoral”. O PT faz isto com frequência, é verdade, mas justiça seja feita: não neste caso – até porque leu meu blog. (Como Marina também já me “plagiou” para atacar Dilma, ficou tudo certo.) Dilma levou uma merecida surra no debate da Record, mas não posso negar que o golzinho de honra veio no começo. E que o comercial do PT sobre o episódio (vide imagem) veiculado no intervalo do debate foi uma jogada de marketing bastante oportuna.

Os marinistas vão dizer que Marina no máximo se expressara mal. Lamento, mas a omissão dos votos contrários, a não admissão de que errou ao se expressar daquele modo, a postura de vítima mesmo sendo a responsável, e o ataque aos adversários com base nisso tudo são fatores que apenas legitimam que se diga com as todas as letras: Marina mentiu e distorceu tudo para fingir que não o fez (ou que não o faz).

[Ademais, usar dois ou três votos isolados para posar de independente é ridículo, uma vez que, como dizia matéria do Globo: "o registro das principais votações durante o governo do PSDB mostram uma atuação típica de oposição. Em 1997, votou contra a criação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a quebra do monopólio estatal e o modelo de concessão para exploração de petróleo e a reforma administrativa, que cortou benefícios de servidores públicos. De licença médica, não registrou voto na reforma da previdência de 1997. Em 2000 votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, que fixou normas e limites de gastos para a gestão pública."]

O “MEME” CÍNICO DA CAMPANHA

Marina CPMFNo Facebook, a equipe de Marina ainda publicou na página da candidata este “meme” cínico que se vê ao lado. Repare mais uma vez: Marina dizia claramente que votou a favor da CPMF. Flagrada na mentira, distorce sutilmente o discurso e passa a dizer que “apoiou a CPMF na votação” do Fundo. E ainda acusa de espalhar um “boato” aqueles que revelaram a sua mentira.

É um malabarismo verbal e moral sem fim.

Veja como foram as votações relativas à CPMF em 1995, 1999 e 2002:

PEC 40 de 1995 – primeiro turno (votação em 18/10/1995)

PEC 40 de 1995 – segundo turno (votação em 08/11/1995)

PEC 34 de 1998 – primeiro turno (votação em 06/01/1999)

PEC 34 de 1998 – segundo turno (votação em 19/01/1999)

PEC 18 de 2002 – primeiro turno (votação em 04/06/2002)

PEC 18 de 2002 – segundo turno (votação em 12/06/2002)

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

28/09/2014

às 21:51 \ Cultura, Eleições

Aécio ultrapassa Marina no Centro-Oeste. E ainda querem que ele jogue a toalha?

Aecio-Batizado-Filho-Sao-Joao-Del-Rei-MG-08-size-598

Deu no blog insuspeito de Ricardo Noblat:

Pesquisas para consumo interno de campanhas e divulgação de hoje para amanhã indicam que Marina Silva, candidata do PSB a presidente da República, já é a terceira colocada nas intenções de votos dos eleitores do Centro-Oeste.

Ela havia sido ultrapassada por Dilma (PT). Agora foi também por Aécio (PSDB).

Pois é. E ainda querem que ele jogue a toalha e desista de tentar o segundo lugar?

Sim. Claro que querem.

[VEJA O ARTIGO ANTERIOR: Em 2010, Marina atacou Serra no debate da Record. Por que Aécio não atacaria Marina agora? PT venceu no segundo turno, não no primeiro. E porque Marina deixou!]

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

28/09/2014

às 21:32 \ Cultura, Eleições

Em 2010, Marina atacou Serra no debate da Record. Por que Aécio não atacaria Marina agora? PT venceu no segundo turno, não no primeiro. E porque Marina deixou!

Até o admirável Marco Antonio Villa chama Aécio de “linha auxiliar do petismo” por criticar Marina. Mas não fazê-lo é ser linha auxiliar do marinismo.

“Ah, mas isto é menos pior!”, gritam alguns, seguros dessa tese também questionável. Ora, menos pior para o Brasil, na cabeça de Aécio, do PSDB e de seus eleitores, é que o mineiro passe ao segundo turno.

E para tristeza dos marinistas de fato e de ocasião (não estou incluindo Villa nisto), há chances, por menores que sejam, de que isto aconteça. Por que então Aécio deveria parar de disputar o segundo lugar do primeiro turno?

Marina não parou em 2010. Há 4 anos, igualmente no fim de setembro, lia-se essa matéria da Folha sobre o debate presidencial na TV Record, cuja edição de 2014 é neste domingo (hoje), às 22:30:

Marina ataca Serra 2010 montagem

Sim, “Marina buscou o confronto com Serra do começo ao fim do debate”, sem deixar de atacar Dilma – o que aliás Aécio vem fazendo diária e intensamente em sua campanha, ao contrário do que a gritaria vitimista dos marinistas contra ele quer fazer crer.

Como dizia a reportagem: “É que, para eventualmente ir ao segundo turno, ela não pode apenas roubar votos do tucano. Também precisa abalar o desempenho de Dilma.”

Do mesmo modo, Aécio precisa abalar o desempenho tanto de Marina quanto de Dilma, o que os números deixam perfeitamente claro:

No Datafolha divulgado na última sexta, 26 de setembro, Dilma tem 40%, Marina 27%, Aécio 18%. Brancos e nulos somam 7% e os indecisos são 4%. (Em votos válidos – quando se tiram os nulos e brancos: Dilma tem 45%, Marina 31%, Aécio 21%.)

Datafolha 1 turno

No Sensus, Dilma tem 35,1%, enquanto Marina (25%) e Aécio (20,7%) estão tecnicamente empatados quase no limite da margem de erro de 2,2% para mais ou para menos.

Vejamos agora os resultados disponíveis das pesquisas eleitorais na ocasião daquele debate de 2010:

Captura de Tela 2014-09-28 às 17.49.37Captura de Tela 2014-09-28 às 17.48.12

No Datafolha divulgado naquele mesmo dia, Dilma tinha 46%(!!!) das intenções de voto contra 28% de Serra e apenas 14% de Marina. Ou seja: Dilma tinha 6 pontos a mais do que tem hoje! Sem falar que no Ibope, ela tinha 50% das intenções de voto!

Pior: em votos válidos no Datafolha, Dilma tinha 51%(!!!) contra 32% de Serra e 16% de Marina, o que lhe daria a vitória já no primeiro turno. O risco de que ela ganhasse por antecipação, portanto, era muito maior do que é hoje!

E isto aconteceu? Não! Já veremos o resultado final.

Mas antes: aqueles que exigem que Aécio pare de “bater” em Marina, onde estavam quando Marina “batia” em Serra? Não acusaram Marina de ajudar o PT naquelas circunstâncias bem mais graves? Nem quando ela optou por não apoiar Serra no segundo turno, o que teria mudado o resultado da eleição, como já mostrei aqui? Tá “Serto”!

Como bem escreveu uma leitora: “Ao contrário, em 2010, toda a mídia classificou Marina de ‘fenômeno político’ (e não de ‘traíra’ ou falsa oposição ao PT) por ter angariado os mesmos 20% que o Aécio teria hoje e de ter fingidamente se calado no 2º turno.

Exigir que hoje em plena campanha de 1º turno Aécio fique ao lado de Marina (que sempre ODIOU o PSDB, como todos que acompanham a política nestes últimos 24 anos sabem bem!) e do PSB, partido que sempre foi base de apoio dos governos Lulopetistas, é, do meu ponto de vista, uma sacanagem sem tamanho e, quiçá, uma torcida organizada para que o PSDB acabe o quanto antes.”

Eis o resultado final das eleições de 3 de outubro de 2010, em votos válidos:

Captura de Tela 2014-09-28 às 17.55.33

Dilma terminou com 46,91%, Serra 32,61% e Marina 19,33%, ou seja: em relação ao Datafolha do dia 27 de setembro, Marina subiu 3,33% em votos válidos na reta final atacando ambos os adversários.

Se os pontos que Dilma perdeu foram para Marina e não para Serra, é justamente porque ela atacou os dois, mostrando-se como a melhor alternativa ao PT. Naquela época, o vazamento na receita e o escândalo na Casa Civil impediram Dilma de crescer; e hoje, o Petrolão e outros escândalos petistas poderiam fazer o mesmo, se bem utilizados pelos adversários.

Em relação ao Sensus de 26-28 de setembro de 2010 (quando Dilma tinha 47,5%, Serra 25,6% e Marina 11,6% dos votos válidos), Marina subiu 7,73% na reta final!

Marina, aliás, estava a 16 pontos de Serra em votos válidos no Datafolha e mesmo assim continuou atacando o candidato. Aécio está a 10 pontos, e não pode atacar Marina? Mesmo tecnicamente empatado com ela no Sensus?

Serra não estava em queda em 2010. Marina está em queda em 2014. Por que Aécio não tentaria vencê-la se está em ascensão? No lugar do candidato do PSDB, duvido que os marinistas de fato e de ocasião desistissem de tentar. Não se trata de revanche, nem vingança, mas de oportunidade.

O problema é que, na retórica de analistas e militantes, o desejo do que eles gostariam que Aécio fizesse se sobrepõe à compreensão da racionalidade daquilo que Aécio faz. Muitos não deixam claras as diferenças entre uma coisa e outra (nem a si próprios, provavelmente) – e o debate público vira uma guerra de desejos subjetivos, que só confunde a cabeça do eleitor.

Alguns atribuem a Aécio uma “tática suicida”, como se não fosse suicídio jogar a toalha antes da hora. (Tampouco distinguem “para quem” isto é suicídio. Para eles? Para o Brasil? Para o que pensam ser melhor para o Brasil? Para o que pensam ser melhor para Aécio?)

Ficando de fora do segundo turno – e a maior probabilidade é de que haja um -, Aécio ainda poderá apoiar Marina, que de qualquer modo terá mais tempo de TV para recuperar os votos perdidos e ganhar os que nunca teve.

De resto, é evidente que as críticas de Aécio a Marina, boa parte delas ao petismo da candidata, tendem a tirar muito mais votos dela para ele do que para Dilma, o que, se acontece, é numa porcentagem ínfima relativa aos indecisos que veem a confirmação do que o PT diz sobre Marina no discurso de Aécio, mas não querem votar nele. Esta suposta porcentagem é amplificada no discurso daqueles que preferem condenar o candidato do PSDB por lutar pela sua candidatura a condenar Marina por reagir mal aos ataques do PT.

Eu já mostrei aqui que Marina perdeu 9 pontos e Dilma cresceu 6 no Nordeste, e isto é resultado não das críticas necessárias de Aécio, mas do terrorismo eleitoral do PT sobre a perda de bolsa-família e benefícios afins.

Uma síntese geral do ponto de decisão humana em pauta seria mais ou menos esta:

Por medo de não vencer quando ainda existe a possibilidade, e sabendo que o mais provável é que haja uma segunda etapa para derrotar o suposto inimigo em comum, o melhor a fazer é aliar-se a alguém que sempre atacou você e que nem é (tão) diferente assim do inimigo em comum do qual esteve ao lado por mais de 20 anos?

OU:

Por medo das remotas chances de que o suposto inimigo em comum vença por antecipação a batalha, deve-se parar de lutar por uma chance de derrotá-lo na provável segunda etapa, só porque isto pode prejudicar alguém que sempre atacou você e que nem é (tão) diferente assim do inimigo em comum do qual esteve ao lado por mais de 20 anos?

Onde está, aliás, o discurso da candidata do PSB em favor dessa aliança? O que ela tem a oferecer em troca? Eu não sou radicalmente contra tal coisa, apenas avalio que a questão dependeria muito dos termos e que a antecipação dessa necessidade, pelo menos enquanto Dilma tem 40% no Datafolha, com rejeição de 31%, é um desespero desnecessário.

De minha parte, ademais, se a outra opção em jogo é Marina, que apoia o maior atentado do governo Dilma contra a democracia (o decreto 8.243), o remoto risco de que Dilma vença no primeiro turno dificilmente me faria deixar de lutar pela minha remota chance de passar ao segundo.

E você aí pode até ser a favor de uma aliança, preferir tal coisa, ter um desejo por ela, mas, dadas as circunstâncias, conforme analisado acima, a opção de Aécio pela luta até o fim é perfeitamente racional e digna – e não vejo motivo algum para condená-lo, ainda que Dilma seja eleita no primeiro turno, com seu terrorismo eleitoral.

Mas podem me culpar à vontade também, caso isto aconteça. Sei que os marinistas de fato e de ocasião vão se aproveitar do não governo de Marina para supor que ele seria muito melhor que o próximo governo de Dilma e vão atacar quem quer que não tenha apoiado a candidata do PSB, acreditando-se cobertos de uma razão demonstrável.

Fiquem à vontade. Não dou a mínima para a gritaria de petistas, marinistas ou antipetistas voluntariamente cegos.

[* VEJA O PRÓXIMO POST: Aécio ultrapassa Marina no Centro-Oeste. E ainda querem que ele jogue a toalha?]

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

28/09/2014

às 16:34 \ Cultura, Eleições

“Aécio já é faixa preta em estabilidade econômica”, “Marina não leva nota alta no quesito fidelidade ao que diz”, “mas o Brasil é muito emocional”, diz ex-líder do PSDB no Senado

Arthur-Virgilio-prefeito-Manaus-size-598

Do ex-líder do PSDB no Senado, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, em entrevista à VEJA.com:

“Eu vejo a presidente Dilma Rousseff estatisticamente inviabilizada nestas eleições à medida em que mais de 40% dos eleitores que não votam nela de jeito nenhum. Então, alguém que precisa de 50% dos votos pode tudo, menos ganhar uma eleição no segundo turno. E, para o bem da Dilma, é bom que perca, porque ela tende a sofrer contestação da população já no dia da posse. A Marina Silva passa inconsistência, tem lacunas e omissões. Por que à época não falou do mensalão?”

“Em 2010, ela foi a grande revelação por ser boazinha e todo mundo a acatava como a irmã mais nova. Todo mundo dizia que os verdes (do Partido Verde) tinham de ter representação política forte. Agora, com esse perfil, ganhar a Presidência eu não sei, acho complicado. Aí tem outra força, o Aécio. Mas aconteceu o acidente com o Eduardo Campos, que mostrou a força da emocão do Brasil. O Aécio tinha mais do que o dobro dos votos do Eduardo Campos, mas o Brasil é muito emocional.”

“Agora, a Marina está com um leque de propostas que, no papel, são bem razoáveis. Mas ela tem pouco tempo de casa. Ela é faixa branca em estabilidade econômica, ainda está iniciando. O Aécio já é faixa preta em estabilidade econômica, porque não fez outra coisa quando governou Minas, porque devolveu o dinheiro dos cofres da Câmara dos Deputados para o Tesouro quando foi presidente da Casa, porque tem plena afinidade com a nata do Plano Real.”

“A questão é: em quem eu vou acreditar? A Marina não leva nota alta no quesito fidelidade ao que diz. Ela tem pouco tempo de casa. Há uma crise no país e você vai experimentar a Marina em cima de uma emoção, de uma biografia, ou vai em cima de alguém que tem partido para governar, que já tem um conjunto de pessoas que estão ao lado dele, a começar pelo Armínio Fraga? Nessa reta final, nós temos de pensar: o que é mais seguro já que temos uma crise? Vou votar em quem criou e aprofundou a crise [Dilma/PT], em quem eu não sei se resolve a crise [Marina] ou em alguém que tem experiência em enfrentar crises [Aécio]?”

“De acordo com pesquisas internas, a previsão é que Marina e Aécio vão se cruzar no último dia da eleição.”

[Entrevista completa - AQUI.]

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados