Blogs e Colunistas

30/01/2015

às 15:34 \ Brasil, Cultura

A cultura do crime: colunista que trata bandidos como vítimas assume Funarte. Vai ter edital para eles também?

Bosco 2011 2013

O ministro da Cultura Juca Ferreira anunciou o colunista psolista do Globo Francisco Bosco como o novo diretor da Funarte (Fundação Nacional de Artes): “É um jovem intelectual, que tem uma intervenção sistemática sobre as artes”, disse Juca ao Estadão.

Na arte de legitimar moralmente o crime, o radical de esquerda Bosco é mesmo insuperável. Se PT, PSOL e Sindicato dos Jornalistas consideram “apologia” o “compreensível” de Rachel Sheherazade, o que dizer das “pérolas” do garoto-propaganda de Marcelo Freixo na imprensa?

Cuidei dele no artigo de 29 de julho de 2013 reproduzido abaixo, talvez o meu mais completo sobre o tema, com perguntas no trecho final que os esquerdistas nunca responderam. De lá para cá, o autor de “Odeio o Brasil” - aquele que projetava sobre o país sua frustração com o “governo supostamente de esquerda” do PT que agora lhe dá um carguinho – também defendeu o Fora do Eixo (de Pablo Capilé), com o qual Juca tem “simpatia” e pretende trabalhar; e os Black Blocs (também queridinhos do Fora do Eixo), isentando-os da responsabilidade sobre a morte do cinegrafista da Band, Santiago Andrade.

Juca criticou a Lei Rouanet, entre outras coisas, porque “projeto que tem relação com a camada pobre não interessa, projeto de artistas inovadores não interessa” e “o que deveria beneficiar o conjunto da sociedade, reproduz a pirâmide social e a concentração (de renda) brasileira”. Como Bosco é do tipo que trata bandidos como vítimas da pobreza e do Estado, resta saber se haverá editais específicos da Funarte para os bandidos também.

O vale-crime de Francisco Bosco [19/07/2013]
Felipe Moura Brasil

A PM pergunta: “Quem está tentando saquear lojas está reivindicando um país melhor?” Francisco Bosco, colunista do Globo, responde:

“(…) quem está tentando saquear lojas está, precisamente, reivindicando um país melhor. E eles nos representam. São os únicos que realmente nos representam.”

Bosco tem razão. Os vândalos saqueadores de lojas representam os intelectuais saqueadores da moralidade. Os primeiros são a ação dos pensamentos dos segundos.

Exemplo didático dos segundos, Bosco chega até a falar em nome dos primeiros:

“(…) aqueles que passam ao real (os ‘vândalos’) na verdade não querem isso, não querem falar a ‘linguagem’ da PM. Esse é apenas o último recurso que resta quando os recursos da realidade são todos falseados.”

Bosco sabe o que os vândalos querem. Bosco garante que vandalizar é seu último recurso. Sempre que os vândalos precisarem de um porta-voz, já sabem que podem procurar por Francisco Bosco no jornal O Globo, na editoria de saques. Só não sei se vão querer falar a sua linguagem e “passar ao real”.

Para o colunista, “a única atitude que pode tirar as pessoas das ruas e acabar com essas passagens ao real é uma atitude efetiva, vinda do Estado, na realidade”.

Isto significa que ou o Estado faz o que os vândalos exigem ou eles continuam vandalizando, com a chancela moral de Francisco Bosco.

[* Acréscimo de 2015: Vandalizando até matar, na verdade, como aconteceu com o cinegrafista da Band. Em fevereiro de 2014, Bosco chegou ao cúmulo de escrever isto em defesa dos Black Blocs: "Justamente, é oportuno lembrar que a manifestação em que Santiago foi assassinado tinha como pauta o aumento da passagem de ônibus. Se tivesse sido atendida a demanda da população, automaticamente ter-se-ia desarmado a violência de ambos os lados."]

Acusado de “defender” e “incitar a violência”, ele ainda repetiu a sua tese revolucionária, digna de uma Nina Capello, do Movimento Passe Livre [ao Comunismo], quando se explicou a um leitor:

“é justamente por achar isso um horror que estou dizendo que a única resposta possível para acabar com a violência (…) está no estado, e não é em forma punitiva, e sim transformadora.”

Preciso repetir também o que isto significa? Ou só a parte de achar um horror aquilo que ele mesmo justifica; aquilo para o que ele mesmo não quer punição?

Para uma segunda leitora, ele afirmou que não estava “incitando a violência”, apenas dizendo as 3 coisas que me dou ao trabalho de comentar abaixo, porque este é o meu último recurso quando os recursos dos intelectuais são todos falseados:

“1) em certas condições só se transforma a realidade com essas intervenções no real (não há processos revolucionários feitos na base da palavra, apenas);”

Se alguém tiver alguma dúvida sobre quais são as “certas condições”, favor consultar as Leis de Bosco na versão atualizada da Constituição bosco-brasileira. Ou qualquer manual para jovens revolucionários que queiram transformar o mundo junto com ele.

“2) não se vai resolver essa questão da violência nas ruas com a legitimação da ordem (no caso, isso significa autorizar a pm a incorrer em todo tipo de ilegalidade para acabar com as manifestações vandalizantes);”

Nas Leis de Bosco – já estão com elas à mão aí? –, a legitimação da ordem significa autorizar a PM a incorrer em todo tipo de ilegalidade. Enquanto as ilegalidades da PM são condenáveis – e servem até para questionar o seu papel de manutenção da ordem –, as ilegalidades dos vândalos são justificáveis e servem para se exigir do Estado a transformação desejada.

“3) é claro que eu preferiria obter transformações estruturais sem as injustiças e as confusões decorrentes dessas passagens ao real (que não é o mesmo que ‘passar ao ato’), mas isso não me parece possível, justamente.”

É claro que Bosco preferiria não legitimar moralmente o crime, mas você sabem: em “certas condições”, não lhe parece possível evitá-lo… (Ainda mais se um dos partidos à frente das “manifestações” é o PSOL de Marcelo Freixo, para quem Bosco fez campanha e tudo.)

A propósito: a violência, que já tinha virado “intervenções no real”, virou agora “injustiças e confusões decorrentes dessas passagens ao real”. Eis aí a linguagem e o método bosqueanos: primeiro você fala que os vândalos “nos representam”, que lutam por um país melhor, que estão apelando ao seu “último recurso” (e conquista assim a plateia vândala, que repassa seu texto por aí com uma alegria danada, segura de que está representando o país de maneira legítima); se alguém o acusar de defender ou incitar a violência, você, em vez de retirar o que disse, transforma a violência numa outra coisa cada vez mais vaga, distante, encoberta por mil e um eufemismos e malabarismos verbais, deixando claro que você mesmo a considera um horror. É o suficiente para que a plateia bocó, incapaz de entender o que você escreveu, SINTA que você é bonzinho e não quer a violência – sem atinar que não se trata de uma questão de querer ou de achar um horror, e nem mesmo de defendê-la ou incitá-la, mas de LEGITIMÁ-LA em “certas condições”, o que você em momento algum deixou de fazer. (Qualquer pessoa que frequente ou recomende uma academia de ginástica sabe que é possível endossar um ato ao mesmo tempo que se considera este mesmo ato um horror, não é mesmo? Sigamos.)

Para um terceiro leitor, Bosco ainda tentou se explicar de novo:

“em primeiro lugar eu não defendi a violência, apenas expus a sua dimensão política,”

Bosco é assim: transforma a violência em ato político e legitima o ato político de violência.

“que havia sido anulada pela pergunta retórica da pm.”

A única dimensão que havia sido “anulada” nisso tudo era a da “retórica” de Bosco, que agora exponho aqui aos meus leitores.

“e essa dimensão política não é ‘apropriada para democracia’, como vc faz parecer que eu disse, mas forçada a se colocar para que haja democracia”

A violência, que virou “dimensão política”, é “forçada” a se colocar, segundo as “condições”, conforme já vimos (e ainda veremos), das famosas Leis de Bosco.

“(sem resultados até agora, e essa é uma crítica que me pode ser feita).”

Bosco deixa você criticá-lo pela falta de resultados do vandalismo. Pela defesa dele, não, ok?

“reconheço ainda que meu texto tinha uma ambiguidade que hoje eu teria preferido esvaziar (refiro-me sobretudo à última frase).”

A última frase é aquela que diz que os saqueadores “são os únicos que nos representam”. Só um “reconhecimento” falseado para fazer de uma frase tão unívoca uma “ambiguidade”. Mas é preciso entender Francisco Bosco: se já é difícil reconhecer um erro quando você tem certeza de que não acredita mais naquilo que disse, imagine quando você ainda insiste em dizê-lo de outras formas, não é mesmo? Era esperar demais de Francisco Bosco que ele “esvaziasse” o texto inteiro.

“e reconheço tb pertinência em algumas das críticas que me foram feitas.”

Reconhecer pertinência genericamente, sem dizer quais críticas foram pertinentes, em quais pontos e por quê, é puro jogo de cena para posar de bom moço (mui tolerante), enquanto se reafirma tudo que havia sido dito, com malabarismos cada vez mais vexaminosos.

“seja como for, já voltei ao assunto e esclareci minha posição.”

Esclareceu nada. Reafirmou dissimuladamente a posição, repudiando todas as críticas concretas contra ela. Posição que não é de hoje, como já veremos.

“só um comentário de má-fé, como esse seu, para desconsiderar isso.”

Só um comentário que faz jus à recomendação leninista “Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”, como este de Francisco Bosco, para acusar de má-fé o comentário do leitor indignado e ainda posar de vítima por ele não ter levado em conta o seu suposto esclarecimento, como se Bosco em algum momento tivesse deixado de legitimar moralmente o crime.

Ele ainda escreveu este trecho como introdução à resposta aos dois primeiros leitores:

“o meu post original (…) argumenta com toda a clareza em favor de uma solução dada na realidade (por meio de medidas do estado, e não da pm), e não na continuação dos confrontos violentos”

É claro que Bosco havia sido claro ao defender que a “solução” tem de vir das medidas do Estado. O que ele finge não perceber são as consequências lógicas do que defende.

Se ele diz que a única atitude cabe ao Estado e que ela não tem de ser punitiva, mas transformadora – ao mesmo tempo que diz que os vândalos “nos representam”, que lutam por um país melhor, que estão apelando ao seu “último recurso” –, está dizendo que os vândalos não devem ser punidos e que não cabe a eles parar de vandalizar, mas ao Estado fazer com que parem, atendendo às suas reivindicações. Se isto não é a legitimação moral dos crimes dos vândalos (como uma forma de chantagear o Estado através da violência), Bosco é Madre Teresa de Calcutá.

Agora vejam se Madre Teresa diria tais coisas:

“(…) o fundamental aqui é lembrar que essa violência é a resposta real à violência real sofrida pelo povo. Por isso eram inúteis, e até ridículos, os pedidos de ‘sem violência’, de manifestantes de classe média aos manifestantes da periferia.”

Como diria o ex-senador americano Daniel Patrick Moynihan: “Você tem direito a desenvolver uma opinião própria, não fatos próprios.” Bosco inventa que os vândalos (que ele chama de manifestantes) eram da periferia e aqueles que lhes pediam paz (o que ele acha ridículo) eram de classe média, quiçá do tipo que não sabe a dor que é sofrer a opressão estatal… Os amantes da luta de classes têm dessas coisas: moldam os fatos para caber na sua teoria. Que importa afinal se os terroristas foram arregimentados pelos militantes ou até contratados por eles para aterrorizar, sempre com a ajuda dos delinquentes de classe média que adoram um quebra-quebra, sendo que muitos de todos eles tinham folha corrida e tudo? Para quem está acostumado a legitimar crime de pobre, nada como inventar que os autores do crime que se quer legitimar são pobres. Assim fica mais fácil diluir a culpa por toda a sociedade e impedir que eles sejam responsabilizados.

Só não sei por que usar de tanto malabarismo para fingir que não disse o que disse. Advogar intelectualmente em favor de saqueadores não é nada para quem advogou intelectualmente em favor de Nem, da Rocinha, quando ele foi preso em 2011, alegando que o traficante foi “impelido à criminalidade” como tantos outros “jovens, quase todos pretos” em função das condições, desigualdades, humilhações e todas aquelas coisas que nunca fizeram a maioria dos pobres recorrer ao crime, porque, felizmente, não são leitores do Globo.

Não preciso refutar linha a linha daquele texto – em cujo trecho mais memorável ele dizia que a fala de Nem “mesmo que ela seja forjada, é autêntica; mesmo que seja mentirosa, é verdadeira” – porque Renato Pacca já fez isto na ocasião, como se pode ler aqui, de modo que, antes de acrescentar outras análises, apenas lhe corrijo um detalhe: onde Pacca diz que “O artigo [de Bosco] é quase uma justificativa do banditismo”, esqueçam o “quase”, ok?

Como escreveu o filósofo Olavo de Carvalho – com quem Bosco deveria ter umas aulinhas – muito antes disso, em 2006:

“Na escala individual a pobreza só pode ser justificação direta e determinante do crime em exemplos excepcionais e raros – tão excepcionais e raros, na verdade, que em todo país civilizado a lei os isenta da qualificação mesma de crimes. São os chamados ‘crimes famélicos’ – o desnutrido que rouba um frango, ou o pai sem tostão que furta um remédio para dar ao filho doente. Em todos os demais casos, a pobreza, se está presente, é um elemento motivacional que, para produzir o crime, tem de se combinar com uma multidão de outros, de ordem cultural e psicológica, entre os quais, é claro, a persuasão pessoal de que delinqüir é a coisa mais vantajosa a fazer nas circunstâncias dadas.

Quando o hábito da delinqüência se espalha rapidamente numa ampla faixa populacional, é claro que, antes dele, essa persuasão se tornou crença geral nesse meio, reforçando-se à medida que as vantagens esperadas eram confirmadas pela experiência e pelo falatório. Ora, é de conhecimento público que, entre a mesma população pobre, por exemplo das favelas cariocas ou da periferia paulistana, duas crenças opostas se disseminaram concorrentemente nas últimas três décadas: de um lado, o apelo do crime; de outro, a fé evangélica. Numa população uniformemente pobre, o número de evangélicos praticantes que delinqüem é irrisório. Basta esse fato para provar que a correlação entre pobreza e crime é uma fraude, um sofisma estatístico da espécie mais intoleravelmente suína que se pode imaginar.

Nenhuma ação humana é determinada diretamente pela situação econômica, mas pela interpretação que o agente faz dela, interpretação que depende de crenças e valores. Estes, por sua vez, vêm da cultura em torno, cujos agentes criadores pertencem maciçamente à camada letrada, como por exemplo os bispos evangélicos e os cientistas sociais. Os bispos ensinam que, mesmo para o pobre, o crime é um pecado. Os cientistas sociais, que os criminosos, agindo em razão da pobreza, são sempre menos condenáveis do que os ricos e capitalistas que (também por uma correlação geral mágica) criaram a pobreza e são por isso os verdadeiros culpados de todos os crimes. Essas duas crenças disputam a alma da população pobre. Não é preciso dizer qual delas estimula à vida honesta, qual à prática do crime.

Nos bairros mais miseráveis e desassistidos, qualquer um pode fazer esta observação direta e simples: as pessoas de bem repetem o discurso dos bispos, os meliantes o dos cientistas sociais (…). Quando, do alto das cátedras, esses senhores pregam a doutrina de que a pobreza produz o crime, não estão cometendo um inocente erro de diagnóstico. Estão ocultando, com maior ou menor consciência, a colaboração ativa que eles próprios, por meio dessa mesma doutrina, dão ao crescimento irrefreado da criminalidade.”

Francisco Bosco, aplicando a Nem e aos vândalos o discurso dos cientistas sociais, tanto em sua coluna no Globo quanto em sua página no facebook, oculta, sabe-se lá com que grau de consciência, a sua própria colaboração ativa ao crescimento da criminalidade.

De resto:
Legitimar moralmente os crimes falando em termos genéricos das condições de pobreza e opressão é fácil e, sem dúvida, comove muitas criancinhas, sobretudo as universitárias. Quero ver é estipular de uma vez por todas a condição-limite abaixo da qual o crime é justificável e justo, sendo a culpa do “sistema” e da “sociedade”, e acima da qual é injustificável e injusto, sendo a culpa do próprio indivíduo que o comete. Qual é a linha divisória entre aqueles que merecem o vale-crime e os que não merecem? Se Francisco Bosco me disser, eu publico seu texto no meu Blog.

Tenho algumas perguntinhas para ajudar:

Qual é o limite da renda mensal que moralmente autoriza alguém a cometer crimes? Há quanto tempo é preciso estar nessa faixa? Só ela basta para tanto? Ou é preciso combiná-la com humilhações sofridas pelo Estado, pela polícia, pela extrema direita fascista e pela classe média que a Marilena Chaui odeia? Como se pontuam essas coisas? Quem as verifica? As violências sofridas nas mãos dos demais criminosos supostamente pobres contam ou não contam pontos? Dizer-se vítima de preconceito é o suficiente, ou é preciso comprovar as perdas e danos? Os negros e gays têm mais direitos ao vale-crime do que os brancos? Diga-me: um adolescente rico que tenha sofrido estupros do pai ou do padrasto ou de quem quer que seja também está moralmente autorizado a cometer crimes, ou a riqueza o desqualifica? Quem está mais autorizado: o riquinho estuprado, que, sei lá, ainda perdeu a mãe, assassinada por um traficante em um legítimo ato de crueldade, ou um pobre que nunca sofreu abusos sexuais e cujos pais vão muito bem, obrigado?

Como tantos outros colunistas, o sr. Bosco jamais esclareceu esses pontos; jamais escreveu as Leis de Bosco. O motivo é simples: se o fizer, deixará clara a sua colaboração ativa para o crescimento da criminalidade, uma vez que os cidadãos aptos a receber o vale-crime conforme as condições descritas sentir-se-ão mais à vontade do que já sentem muitos deles para cometer seus crimes.

Por isso é melhor apelar genericamente ao sentimentalismo da plateia bocó do que esclarecer as premissas do próprio discurso. Ninguém quer lançar luz sobre a confusão da qual se beneficia.

Já imaginou Francisco Bosco tendo de responder por aqueles que tentariam a todo custo preencher os requisitos necessários para obter o vale-crime ou por aqueles que usariam quem os preenchesse para cometer os crimes em seu lugar, como os bandidos adultos já fazem com os menores de 18 anos, que não podem ficar presos por mais de três? Ora, para que tanta dor de cabeça se ele pode justificar tudo sem se comprometer com nada do que diz, não é mesmo?

Só um leitor muito inocente ou de má-fé pode enxergar aqui uma simples divergência ideológica entre mim e Bosco. Não é preciso ser conservador, de direita, reacionário ou qualquer coisa que o valha (até o esquerdista Miguel do Rosário reprovou a legitimação bosqueana da delinquência no caso das manifestações) para entender que Bosco – consciente ou não, admitindo ou não – é um impostor intelectual, um falsificador da realidade, um porta-voz voluntário da bandidagem, um garoto-propaganda do PSOL, um revolucionário gramsciano da pior espécie, que contribui para a inversão completa dos valores na sociedade, enquanto posa de bom moço com sua linguagem afetada cheia de “intervenções no real”.

Os criminosos, por piores que sejam, só prejudicam suas vítimas diretas. O discurso feito por gente como Bosco contra a sociedade nos maiores jornais do país legitima a ação de todos os criminosos e ainda contribui para retirar os freios morais de todos aqueles que apenas pensam em cometer crimes. E quem são as principais vítimas da criminalidade? Justamente os pobres(!), que essa gente jura defender.

Muito mais importante do que a pergunta da PM, portanto, é a seguinte:

Quem está tentando, como Bosco, saquear a moralidade do país está reivindicando um país melhor?

Felipe Moura Brasil responde:

– Claro que não.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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30/01/2015

às 12:48 \ Brasil, Cultura

Vídeo reúne mentiras de Dilma na campanha. Outro mostra sua irritação com teleprompter em reunião com ministros. Na TVeja, falo do ‘bloco das raimundas’ e do petrolão

Dilma pinóquio

O ‘pau de selfie’ natural da presidente-pinóquio

Circula pelo Whatsapp um vídeo que reúne não todas, porque aí seria necessário um longa-metragem, mas algumas das principais mentiras da então presidente-candidata Dilma Rousseff, que depois de reeleita fez exatamente o contrário daquilo que prometia. “Nunca antes na história dêsti paíf” houve tanto estelionato eleitoral (e em tão pouco tempo). Veja:

Quem não gostaria de morar no mundo encantado da propaganda petista? Uma pena que entre ele e realidade, haja um abismo instransponível. Eis os fatos:

1) A conta de luz ficou quase 30% mais cara desde a redução de 2013. E deve subir mais 30% neste ano.

2) O Banco Central subiu três vezes seguidas a taxa básica de juros, que já é a maior desde 2011.

3) Dilma também acusava falsamente Aécio: “Candidato, vocês [tucanos] sempre gostaram de plantar inflação para colher juros” (Debate na TV Record – 19/10/2014). Agora, a inflação está muito próxima do teto da meta e o próprio ministro da Fazenda admite que o PIB pode recuar em 2015.

4) Dilma aumentou impostos. Logo nos primeiros dias de janeiro, o governo dobrou a taxa de IOF (de 1,5% para 3%), aumentou em 22% os tributos sobre a gasolina, subiu a alíquota para importações (de 9,25% para 11,75%) e aumentou o IPI sobre cosméticos. E olha que a então candidata chegou a dizer em 6 de maio de 2014: “Não vai haver aumento de impostos, não tenho nada em perspectiva”.

5) Vale lembrar também que, depois de apostar na campanha do medo e acusar Marina Silva de conluio com os banqueiros, Dilma convidou para o Ministério da Fazenda o presidente do grupo Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, que rejeitou o convite mas recomendou Joaquim Levy, um economista ortodoxo e alinhado com o pensamento de Armínio Fraga. Hoje, Levy está lá justamente para aumentar impostos em seu lugar e levar a culpa pelas medidas impopulares.

6) A pasta de Educação sofreu corte R$ 587 milhões nos gastos mensais, apesar do lema ‘Brasil, Pátria Educadora’.

7) O número de miseráveis, escondido durante a campanha, aumentou para 10,452 milhões de pessoas. O PT gosta tanto dos pobres que deixou 371 mil pobres mais pobres ainda.

8) O sistema elétrico está perto do limite e um apagão atingiu metade do país no dia 19 de janeiro.

9) O governo autorizou elevações no preço da conta de luz e da gasolina, que têm impacto generalizado sobre os custos ao consumidor.

Nordeste jornal10) A presidente vetou dois artigos da Medida Provisória nº 656 que estendiam até 2042 a vigência de acordo entre a Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco), subsidiária da Eletrobras, e indústrias eletrointensivas do Nordeste. O veto gera uma reação em cadeia de prejuízos para as indústrias nordestinas e, segundo o Diário de Pernambuco, a previsão era de que o custo da energia ficaria até quase quatro vezes maior. Estimavam-se prejuízos de até R$ 19 bilhões e perda de 153 mil empregos. (Mais informações – aqui.)

(* Veja também aqui no blog: Dilma sabia que mentia sobre direitos trabalhistas. Aécio: “Essa informação comprova que a população foi enganada”.)

O teleprompter
Em seu primeiro discurso oficial para os seus 39 ministros, Dilma deu uma bronca no operador do teleprompter justamente no trecho em que tentava defender a Petrobras, a estatal mais roubada do mundo. Se nos debates presidenciais ela precisava das famosas “colinhas” para mentir, enganar e chantagear a população, especialmente a mais pobre, sob a orientação do marqueteiro João Santana, agora ela continua precisando de ghost writer para fazer o seu teatro. Sejam bem-vindos ao mundo encantado das mentiras petistas.

Na TVeja, expomos as mentiras e a corrupção do governo Dilma
No Giro da TVEJA desta sexta-feira (30), que contou com Marcelo Madureira (“Dilma é agente 171: licença para mentir”), Lauro Jardim e Marco Antonio Villa, comento o ‘bloco das raimundas’ deste carnaval e o resultado do último exame de fezes governamentais a partir dos 7min20seg (texto original aqui). Divirta-se.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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29/01/2015

às 18:58 \ Brasil, Carnaval, Comportamento, Cultura

O bumbum de Paolla Oliveira e a máscara de Graça Foster

Montagem Graça PaollaPaolla Oliveira se tornou o termo mais pesquisado na internet do Brasil nesta quinta-feira, em razão da cena exibida na noite de terça em que sua personagem na minissérie da Globo “Felizes para sempre?” caminha até a janela de um caríssimo hotel de Brasília vestindo apenas uma calcinha fio dental. Paolla interpreta Danny Bond, uma garota de programa de luxo que cobra R$ 4 mil por hora, atende aos homens mais ricos da capital do país e é contratada para apimentar o casamento dos personagens de Enrique Diaz e Maria Fernanda Cândido.

Enquanto os brasileiros procuravam o bumbum de Paolla Oliveira, os advogados de Nestor Cerveró, preso pela Operação Lava Jato e acusado de desviar milhões de reais da Petrobras, telefonaram para a Condal, a maior fábrica de máscaras do Brasil, e ameaçaram processá-la caso ela reproduza seu rosto nas máscaras de Carnaval. Atemorizada, a dona da Condal disse ao jornal O Globo que desistiu de reproduzir o rosto de Cerveró – a bem da verdade pouco encomendado – e que vai se dedicar às máscaras de Graça Foster, a mais pedida para 2015.

Para reunir o mais pesquisado e a mais pedida, sugiro à dona da fábrica que reproduza também o bumbum da (personagem de) Paolla Oliveira, com a devida calcinha fio dental, e o inclua em um kit-carnavalesco junto ao rosto da presidente da estatal mais roubada do mundo para que os foliões brasileiros desfilem pelas ruas finalmente representando toda a cultura nacional.

(É o bloco das Raimundas!)

II.

A todos que caíram neste post à procura de um bumbum, aproveito para informar que o exame de fezes governamentais constatou que:

- O Brasil teve um déficit inédito de 17,2 bilhões de reais em 2014, um rombo histórico nas contas da presidente Dilma Rousseff, que nunca soube mesmo fazer contas. Em janeiro do ano passado, prometia-se um superávit de 116,1 bilhões de reais. A diferença entre a promessa e a realidade do governo petista, como se vê, é de “apenas” 133,3 bilhões de reais.

- A Petrobras desistiu de construir duas refinarias (Premium I e Premium II), cujas obras foram inauguradas com cerimônias publicitárias por Lula, Dilma e diretores hoje presos pela roubalheira na empresa, como José Sérgio Gabrielli e Paulo Roberto da Costa. Mais uma promessa petista que ficou pelo caminho. Uma, não. Duas.

- Cerveró nada falou no seu depoimento de quarta-feira sobre a compra da refinaria em Pasadena, porque só abrirá a boca, segundo seu advogado, depois de julgado o requerimento para que a ação contra ele corra no Rio de Janeiro, onde fica a sede da Petrobras, e não em Curitiba. Assim como o lobista Fernando Baiano, Cerveró quer escapar de Sergio Moro, porque sabe que o juiz tiraria a sua máscara sem que ele precisasse pedir.

- Graça Foster disse nesta quinta-feira que o valor da corrupção na Petrobras pode ser maior que o apurado. No balanço não auditado do terceiro trimestre, a estatal apresentou um total de 88,6 bilhões de reais em ativos superavaliados, ou seja, que tiveram um valor contábil maior do que o de mercado. A estimativa se refere a 31 contratos firmados com 23 empresas investigadas no âmbito da Operação Lava Jato no período entre janeiro de 2004 e abril de 2012. Já o hotsite da Lava Jato mostra os seguintes resultados da Operação até janeiro:

Lava Jato

Isso mesmo: só os crimes já denunciados envolvem o desvio de aproximadamente 2,1 bilhões de reais. Lula chegara a declarar que o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli era um dos mais competentes da história da estatal. Já entendeu o que ele queria dizer?

- A Justiça do Rio de Janeiro decretou a quebra do sigilo bancário e fiscal de Gabrielli (o homem de Lula), do ex-diretor de Serviços Renato Duque (o afilhado do mensaleiro petista José Dirceu) e do seu braço-direito, o ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco. Motivo: um superfaturamento de 31,4 milhões de reais em obras do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), na Ilha do Fundão, executada pela Andrade Gutierrez, construtora que também teve seus sigilos quebrados. A busca nas movimentações financeiras e dados tributários de Gabrielli, Duque, Barusco, outros cinco servidores da estatal e da empreiteira alcança período de 2005 a 2010. Resta saber se alcançará Lula e Dirceu também, fazendo valer a frase “Todo carnaval tem seu fim”, raramente aplicável no Brasil.

Que Paolla Oliveira sirva de inspiração. Chega de ser um país de bundas-moles.

Felipe Moura Brasil - http://www.veja.com/felipemourabrasil

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29/01/2015

às 4:01 \ América Latina, Brasil, Cultura

Agora sim! Chefe de segurança liga Chávez e Maduro ao narcotráfico. Chávez envolveu Venezuela para ajudar Farc e combater EUA pela disseminação do vício. Maduro também teria participado do negócio gerido por Cabello, que, como Dilma, ameaça processar órgãos de imprensa. Repito: esses são os aliados do PT no Foro de São Paulo!

LeamsySalazar entre Cabello e Chávez

Salazar – atrás de Cabello e Chávez – ao melhor estilo Clint Eastwood em “Na linha de fogo”. Aguardo esse filme também

Anos atrás, o então ditador Hugo Chávez decidiu envolver as estruturas do Estado venezuelano no tráfico de drogas como forma de ajudar as Farc e de combater os Estados Unidos em uma “guerra assimétrica” incentivando o vício em solo americano. Seu sucessor, Nicolás Maduro, também teria participado do negócio do Cartel dos Sóis, ainda que a gestão estivesse nas mãos do presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, o chefão Diosdado Cabello.

Captura de Tela 2015-01-29 às 02.22.24Coincidem nessas revelações os depoimentos do juiz Eladio Aponte, que fugiu da Venezuela em 2012, e do ex-chefe de segurança de Chávez e Cabello, o capitão de corveta Leamsy Salazar, que desertou em dezembro e agora é testemunha protegida da Agência Antidroga dos EUA (DEA). As informações são do jornal ABC da Espanha, que publicou nesta quarta-feira a segunda matéria sobre as denúncias de Salazar, repercutidas em primeira mão na grande mídia neste blog – aqui, aqui e aqui.

Captura de Tela 2015-01-29 às 04.32.39A deserção planejada e bem-sucedida do militar de mais alto posto a recorrer a essa medida extrema é uma amostra de como a Justiça da ditadura venezuelana não investiga os crimes da cúpula do governo, como a utilização da petroleira PDVSA para lavagem de dinheiro.

Captura de Tela 2015-01-29 às 02.24.49Em suas revelações, Salazar também liga ao cartel o governador do estado de Aragua e ex-ministro do Interior, Tarek el Aissami, e o chefe da agência fiscal e aduaneira (SENIAT) e ministro da Indústria, José David Cabello, que é irmão do presidente Assembleia Nacional. Em 2010, o narcotraficante Walid Makled já havia dito que Aissami lhe fazia favores.

A desculpa da “lua-de-mel”
Leamsy Salazar (cujo nome vem de escrever Ismael ao contrário) chegou aos EUA na segunda-feira com procedência de Madri. Após ter contactado a DEA, ele pediu em dezembro a permissão dos patrões venezuelanos para se casar e sair de lua de mel, e então se ausentou do país. Enquanto esperava autorização para entrar nos EUA, esteve em um par de países, sendo o mais recente a Espanha, de onde voou para Washington com sua esposa e alguns parentes. Nascido em 24 de maio de 1974 e graduado na Escola Naval em 1998, Salazar tem hoje 40 anos e dois filhos de um casamento anterior, os quais permanecem na Venezuela, segundo o jornal, o que me parece um risco, dado o ódio que suas graves denúncias já despertam no governo.

De “grande soldado” a “traidor”
Salazar teve uma vocação militar precoce, segundo o ABC. Quando Chávez tomou posse como presidente no início de 1999, ele quis entrar para a guarda de honra presidencial com os melhores jovens oficiais de cada classe. Os primeiros das duas últimas classes foram convocados e Salazar acabou selecionado. Ele cuidou por quase dez anos da segurança do presidente e também o serviu como assistente pessoal.

O vídeo abaixo é de um programa “Alô, presidente” no qual Chávez elogiou Salazar, apontando o então recente guarda-costas em uma foto na qual ele balança a bandeira nacional no terraço do palácio presidencial em 12 de abril de 2002, quando Chávez recuperou o poder depois de três dias que o havia perdido. Assista. Continuo em seguida.

Pois é. O homem que era, nas palavras de Chávez, um “humilde grande soldado da infantaria marinha”, um dos “soldados muito dignos” da Venezuela aos quais o povo devia “reconhecimento”, agora é tido como o inimigo público número 1 do governo em Caracas.

Os aliados do PT no Foro de São Paulo não suportam a ideia de que a colaboração de Salazar com as autoridades americanas esteja permitindo aos EUA uma compreensão mais completa da estrutura do Cartel dos Sóis, como é chamada a rede de narcotráfico paraestatal da Venezuela, responsável pelo encaminhamento de parte da droga que chega aos Estados Unidos.

O alto escalão do narcotráfico
Faz tempo que as investigações da DEA vêm apontando para vários líderes, a maioria de origem militar, como membros proeminentes do cartel. Seja por sua ligação patente com o narcotráfico, seja por suas conexões com a narcoguerrilha colombiana das Farc, Washington já tinha denunciado publicamente três ministros da Defesa do chavismo – Henry Rangel Silva, Carlos Marta Figueroa e Ramon Carrizález -, assim como Ramon Rodriguez Chacin, que foi titular de Justiça e Interior em duas ocasiões. Hoje, esses dirigentes são governadores dos estados de Trujillo, Nueva Esparta, Apure e Cojedes, respectivamente.

Até agora, no entanto, só houve uma acusação formal dos Estados Unidos contra uma figura do alto escalão venezuelano por narcotráfico. Foi aquela contra o general e chefe da inteligência militar entre 2004 e 2009, Hugo Carvajal, preso em julho de 2014 pela polícia de Aruba a pedido dos EUA, tendo os procuradores federais lhe atribuído um papel de coordenação do Cartel dos Sóis. Na verdade foram duas acusações, do Ministério Público Federal do Distrito Sul de Nova York e do de Miami – e é possível que haja mais processos semelhantes contra outros líderes, em caráter secreto. A ligação de Carvajal com as Farc apareceu em documentos e em um computador apreendidos pelo exército colombiano durante uma operação militar contra a guerrilha em 2007.

[Vale lembrar a matéria da revista Cambio de 2008 - escrita também com base no material encontrado nos computadores da narcoguerilha -, segundo a qual “a expansão das Farc na América Latina não incluiu apenas funcionários dos governos de Venezuela e Equador, mas também comprometeu importantes dirigentes, políticos e altos membros do PT”, entre eles o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Roberto Amaral, a então deputada distrital Erika Kokay (PT) e o então chefe de Gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Também foram mencionados nos e-mails Celso Amorim, Marco Aurélio Garcia, Perly Cipriano, Paulo Vannuchi e Selvino Heck. Mais informações – aqui.]

Nos EUA, o secretário ajunto de Estado para Assuntos Internacionais de Narcóticos e Segurança, William Brownfield, afirmou que “há mais de 10 anos tem surgido evidências de que certos indivíduos no seio do governo da Venezuela são corruptos” e que “o artigo” de terça-feira da ABC, que aponta o homem forte de Chávez como o principal operador do narcotráfico paraestatal, “é consistente com esse histórico; é, na minha perspectiva, mais um fragmento de prova em uma história de mais de dez anos sobre como as organizações narcotraficantes encontraram a capacidade de se estabelecer na Venezuela”.

O capitão venezuelano aposentado Bernardo Jurado, que conheceu Salazar, disse no programa ‘La Noche’ da NTN24 que Chávez (como Lula) “estava ciente de tudo o que acontecia”. Sabia de tudo, como gostamos de dizer por aqui. Segundo Jurado, “41% da cocaína produzida na Colômbia passa pela Venezuela com destino a mercados nos EUA, na Europa e na Ásia.”

A reação de Cabello, a Dilma venezuelana
Já Cabello teve aquela típica reação da esquerda revolucionária às denúncias de seus crimes conhecida como “mate o mensageiro!”. Assim como a presidente Dilma Rousseff disse em rede nacional que processaria a revista VEJA por simplesmente divulgar o conteúdo do depoimento em que o doleiro Alberto Youssef revelava à Polícia Federal que ela e Lula sabiam de tudo sobre o petrolão, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela disse no programa ‘Com el Mazo Dando’ transmitido pela rede estatal VTV que processará o jornal ABC da Espanha simplesmente por trazer a público o depoimento de Salazar ao DEA.

Não satisfeito, disse que será “implacável”, que “ninguém” o deterá, e que processará também os jornais El Nacional e Tal Cual, assim como o portal La Patilla, por terem repercutido a notícia do ABC. Se Cabello quiser me processar também, eu aviso: será uma honra. Eis as suas frases, ao melhor estilo petista, seguida da reação de Maduro:

1) “Vamos abrir um processo, se a justiça espanhola responde ou não responde é problema da justiça espanhola, mas eu sou forçado a me defender.”

2) “Claro que eles têm de provar, porque eles não podem dizer assim que eu sou narcotraficante”…

3) “Eu me reservo as ações judiciais contra os donos de mídia daqui (…) Todas as diretorias dos meios de comunicação que atuaram contra a minha pessoa acusando-me de traficante de drogas terão de prová-lo. Será muito complicado, muito difícil isso, senhores de El Nacional, La Patilla, senhores do Tal Cual.”

4) “Que a DEA se fixe em mim é uma honra; que pessoas como [o ex-secretário de Estado dos EUA para América Latina] Roger Noriega sejam aqueles que estão por trás disso, é uma honra para mim; e, do ponto de vista revolucionário (…), me indica que estou indo no caminho certo”, com a “consciência tranquila”.

5) “Este sujeito [Salazar] esteve com o comandante (Hugo) Chávez e, quando morre o comandante, eu decido (…) levá-lo para trabalhar comigo”. “Como no mês de junho” Salazar “começou a me baixar os olhos” e “se fazia de desentendido”, Cabello solicitou à então ministra da Defesa, Carmen Melendez, sua mudança e que o mandasse para estudar “para que se recompusesse”. “Não o vejo com bons olhos.”

6) Cabello assegurou não ter “nenhuma dúvida” de que Salazar foi “infiltrado” na equipe de segurança de Chávez “por muitos anos”.

Já o atual ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciou na terça-feira a existência de uma “campanha”, que rotulou como “bestial” e “vulgar” por parte da – adivinhe! – “ultra-direita internacional” contra Cabello, a quem demonstrou o seu apoio.

Ah, como são parecidos os petistas e chavistas…

O deputado de oposição Ismael García fez melhor: falou que Cabello deveria pedir “uma investigação das acusações contra ele próprio”. Não seria de fato uma Graça? Sim: uma Graça Foster.

PS: William Cárdenas, advogado e porta-voz da Plataforma Democrática de Venezuelanos en Madri, resume bem a ditadura chavista.

Felipe Moura Brasil - http://www.veja.com/felipemourabrasil

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28/01/2015

às 20:29 \ Cultura, Mundo, Oriente Médio

O refúgio dos judeus contra o antissemitismo na Europa

Judeus

Depois do massacre na mercearia kosher, em Paris, onde quatro judeus foram mortos pelo terrorista islâmico Amedi Coulibaly na sequência do ataque contra o jornal satírico Charlie Hebdo, a Agência Judaica para Israel estimou que pelo menos 10.000 judeus residentes na França migrarão em 2015 para terras israelenses. Em 2013, foram 3.000 e, em 2014, 7.000.

Os motivos pelos quais cada vez mais judeus estão fazendo as malas em busca de refúgio ficaram ainda mais claros nesta terça-feira com a divulgação de um relatório da organização judaica francesa SPCJ sobre o antissemitismo no país em 2014. Em resumo:

1) O número de atos antissemitas cometidos em solo francês dobrou: foram 851 contra os 423 de 2013;

2) Os atos antissemitas violentos aumentaram em 130%: 241 contra 105.

3) De todos os atos racistas cometidos na França, 51% tiveram como alvo os judeus, ou seja: menos de 1% dos cidadãos da França foi alvo de mais da metade dos atos racistas cometidos no país;

4) O aumento de 30% da quantidade de atos racistas cometidos na França se deveu exclusivamente ao aumento da quantidade de atos antissemitas, até porque os demais atos racistas tiveram uma diminuição de 5% em sua quantidade em relação a 2013;

5) Algumas das cidades mais afetadas por atos antissemitas são Paris, Marselha, Lyon, Toulouse, Sarcelles, Estrasburgo, Nice, Villeurbanne e Créteil.

Na Inglaterra, o cenário tampouco é acolhedor e, como disse ao jornal The Guardian a comediante inglesa Maureen Lipman, que está pensando em imigrar para os Estados Unidos ou para Israel, “quando as coisas engrossam, os judeus fazem as malas”.

Uma pesquisa divulgada duas semanas atrás pelo instituto YouGov mostrou que metade dos britânicos tem alguma opinião antissemita. Em 2014, o número de ataques contra judeus no Reino Unido foi o maior dos últimos trinta anos e, só em julho, quando Israel invadiu Gaza, 130 casos foram registrados.

No dia 16 de janeiro, eu gravei a sempre ótima participação do embaixador de Israel nos EUA, Ron Dermer, no programa CNN Tonight, apresentado por Don Lemon, no qual ambos conversaram sobre a migração dos judeus da Europa para Israel. O vídeo em inglês segue abaixo. Traduzo e transcrevo em seguida os principais trechos.

A propósito: o último judeu a sair da Europa nem precisa apagar a luz, porque o terror islâmico e a esquerda ocidental já cuidaram disso.

Lemon pergunta se a declaração do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de que os judeus são bem-vindos a Israel era a mensagem correta naquele momento.

DERMER: “Ora, esta é a mensagem que todo primeiro-ministro de Israel mandou nos últimos 65 anos. Israel é a terra natal do povo judeu e a nossa mensagem para judeus de todos os lugares é que eles deveriam estar seguros onde estão, nós esperamos que os governos tomem as ações necessárias para que as comunidade judaicas tenham segurança, mas todos os judeus pelo mundo tem de saber que Israel é um lugar que eles podem chamar de lar. E quando eles vêm a Israel, eles não são tratados como estrangeiros que estão chegando, mas como pessoas que estão finalmente voltando para casa.”

Em seguida, Dermer explica que os quatro corpos dos judeus assassinados na mercearia kosher foram enviados a Israel por pedido das famílias “e eu acho que é um lugar muito especial para ser enterrado”.

Lemon pergunta por que não encorajar os judeus a ficar na França e enfrentar as ameaças terroristas: “A França não precisa da população judaica?”

DERMER: “Bem, eu acho que é bom para a França ter uma população judaica, e eu acho que o primeiro-ministro francês disse que se os judeus saírem da França, a França não será mais a França (…), mas uma coisa que ninguém está perguntando hoje sobre essa comunidade é: ‘eles têm algum lugar para ir?’ Houve judeus ao longo da história que enfrentaram perseguição e assassinatos, e eles não tinham lugar nenhum para ir, os portões estavam fechados para eles. Os portões da América e de outros países estavam fechados para eles. Israel foi estabelecida para certificar que judeus de todos os lugares tivessem um refúgio”.

Lemon mostra os números da imagem de abertura deste post e pergunta se os líderes europeus estão fazendo o suficiente para proteger a população judaica e condenar o antissemitismo.

DERMER: “Alguns estão. A chanceller [Angela] Merkel é um bom exemplo: ela apareceu em uma marcha alguns meses atrás na Alemanha e falou com muita veemência contra o antissemitismo. O presidente francês François Hollande e o primeiro-ministro francês falaram sobre o antissemitismo, mas, no fim do dia, o que está acontecendo com a comunidade judaica? Eles estão sendo protegidos? Este não é o primeiro ataque aos judeus na França. Dois anos atrás, tivemos aquele ataque terrível contra uma escola em Toulouse. Quatro pessoas foram mortas, três crianças foram mortas. Muitos compromissos foram feitos naquela ocasião, muitos declarações de solidariedade e apoio, mas infelizmente a comunidade judaica se sente muito insegura na França hoje e eu espero que isto sirva de despertador para acordar as autoridades francesas para não apenas falar, mas também fazer todo o possível para proteger sua comunidade. Eu acho que é importante para a França e para a comunidade judaica também.”

Lemon pergunta se os acontecimentos recentes fortalecem ou enfraquecem as relações entre os dois países.

DERMER: “Tenho certeza que fortalece. O primeiro-ministro [Netanyahu] veio a Paris porque quis expressar sua solidariedade com o povo francês e sua batalha contra o terror. Você sabe, Don, que Israel pede ao mundo que fique do nosso lado em nossa batalha contra o terrorismo e nós achamos que estamos, na verdade, envolvidos na mesma batalha. Então eu não tenho dúvida de que dessa experiência comum contra o terrorismo – o terrorismo islâmico militar, devo dizer -, Israel e França vão crescer juntos.”

Lemon pergunta sobre o apoio francês à Palestina.

DERMER: “Eu acho que isto foi infeliz. Acho que eles premiaram um mau comportamento dos palestinos. Uma das pessoas que estavam na marcha em Paris era o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e é ótimo que esteja marchando contra os ataques que ocorreram em Paris. O problema para o presidente Abbas é que ele está em um governo com uma organização chamada de terrorista: o Hamas, cujas escrituras pregam o assassinato de judeus por todo o mundo. Então que tipo de mensagem isto manda? Se é para ficar contra o terrorismo, que fique contra todo terrorismo, não apenas contra terrorismo contra não judeus, mas também contra terrorismo contra judeus.”

* Veja também aqui no blog:
Colônia de férias do terror forma 10.000 ‘militantes’ adolescentes
Indispensáveis: 4 vídeos curtos para entender relações Israel-Hamas-ONU e conflito no Oriente Médio

Felipe Moura Brasil - http://www.veja.com/felipemourabrasil

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28/01/2015

às 16:47 \ América Latina, Brasil, Cultura

Amigo de Lula e das FARC, Frei Betto troca afetos com ditador Fidel Castro em Cuba. Foi lhe dar a extrema-unção?

betto

Frei Betto e Fidel Castro (que trocou a Adidas pela Puma), em fevereiro de 2014. O SUPOSTO encontro de terça-feira não foi registrado em imagem

Amigo do ex-presidente Lula, de quem foi assessor entre 2003 e 2004, e eleitor de Dilma Rousseff, o dito frade dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, vulgo Frei Betto, teve um “afetuoso” encontro na tarde de terça-feira com o ditador cubano Fidel Castro, segundo matéria desta quarta do jornal oficial de Cuba, “Granma”, que obviamente usou outras palavras para descrevê-los: “o companheiro” Fidel e – imagine – o “destacado intelectual brasileiro” Frei Betto.

Quem o “destacou”, na verdade, foi o nº 2 das FARC, Raul Reyes, quando informou à Folha em agosto de 2003 que presidiu assembleias do Foro de São Paulo com Lula e que o principal contato do grupo narcoterrorista no Brasil é o PT e, dentro dele, Lula, Emir Sader e… Frei Betto.

Agora que Leamsy Salazar, o chefe de segurança do nº 2 da Venezuela, Diosdado Cabello, fugiu para os Estados Unidos, acusou-o de ser o líder do grupo narcotraficante Cartel dos Sóis e vinculou Cuba à proteção e ao fornecimento de rotas da droga produzida pelas FARC, imagino que havia mesmo muitos “temas nacionais e internacionais” sobre os quais Fidel e Betto precisavam conversar. Só não sei se eles lembraram o escândalo dos cinco milhões de dólares das FARC que um agente do grupo, o falso padre Olivério Medina, cuja esposa foi empregada na Secretaria da Pesca por Dilma Rousseff, afirmava ter trazido para a campanha eleitoral de Lula.

Quem sabe não sai uma nova remessa para 2018?

Ao Globo, no entanto, Betto se limitou a declarar que Fidel “está totalmente lúcido”, o que é sempre um perigo, e “é um entusiasta do Obama e acha muito positivo o que vem fazendo”, é claro, afinal Raúl precisa de dinheiro para eternizar a ditadura (e convém afagar Obama, para evitar que os EUA se metam na cobertura cubana ao tráfico, não é mesmo?). “Mas ao mesmo tempo diz que o processo de reaproximação é muito longo, que os EUA precisam tomar medidas concretas, pondo fim ao embargo e retirando Cuba da lista de países terroristas”. Segundo Betto, Fidel ressaltou: “Mesmo sendo inimigos, temos que dialogar” – uma frase hilariante para um ditador que mandou fuzilar 17.000 pessoas, a maioria pelo “crime” de pensar diferente dele.

Em 2003, quando Frei Betto era assessor oficial do então presidente Lula, o embaixador brasileiro em Havana e seu “irmão de caminhada”, Tilden Santiago, chegou ao cúmulo de justificar a decisão de Fidel de fuzilar três acusados de “sequestrar” um barco para fugir da ilha para os EUA, levando mais 40 passageiros oprimidos: “O regime cubano tinha o direito de se defender da tentativa de desestabilização estimulada pelos Estados Unidos”, disse Santiago, marcando para sempre a diplomacia de dois pesos, duas medidas dos governos petistas, sempre prontos a defender os crimes dos companheiros e acusar os inimigos de cometê-los.

O G1 ainda destaca Frei Betto como “um expoente da Teologia da Libertação na América Latina”. Disseminada no Brasil há mais de 40 anos, a Teologia da Libertação é a politização total, integral e sistemática da Igreja, que consiste em dar a cada frase do Evangelho um sentido político de “luta de classes” para favorecer a revolução comunista. A melhor coisa que teólogos da libertação como Frei Betto podem fazer nesta vida é dar a extrema-unção a ditadores companheiros como Fidel Castro. Só espero que ele tenha aproveitado a oportunidade.

Frei Betto e Fidel Castro

Parceiros de longa data. Segundo o Granma, “amplas e fraternais relações”

* Veja também aqui no blog:
- BOMBA! Chefe de segurança do nº 2 do chavismo foge para os EUA, acusa-o de narcotráfico e vincula Cuba em proteção e fornecimento de rotas da droga produzida pelas FARC. Esses são os aliados do PT no Foro de São Paulo!
- Quanto do dinheiro do narcotráfico abastece campanhas e governos da América Latina?
- Conheça o Foro de São Paulo, o maior inimigo do Brasil
- Como o PT quer garantir o poder com a Unasul, fachada do Foro de São Paulo, por meio de mais ‘exércitos’ e ‘eleitores’

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28/01/2015

às 14:08 \ Cultura, Mundo, Oriente Médio

Indispensáveis: 4 vídeos curtos para entender relações Israel-Hamas-ONU e conflito no Oriente Médio

1) O conflito no Oriente Médio explicado:

* Vídeo comentado neste blog no post original: O bate-boca de Jandira Feghali com Jair Bolsonaro e o conflito Israel-Hamas – Vamos desenhar para a deputada?

2) Os assentamentos de Israel são o motivo para não haver paz?

* Vídeo introduzido, traduzido e transcrito em primeira mão neste blog – aqui.

3) ONU x Israel

* Vídeo comentado no post original: Retirada do Hamas da lista de grupos terroristas da UE é alerta contra Tribunal de Justiça da Unasul/Foro de SP

4) Sessão de emergência da ONU sobre Gaza: Hilel Neuer

* Vídeo transcrito e comentado no post original: “Vocês não são pró-direitos humanos, vocês são apenas anti-Israel” – A sessão da ONU em que Hillel Neuer detona os falsos humanistas do mundo, apesar de tentarem calá-lo; e incluído na lista dos 10 melhores vídeos de 2014.

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28/01/2015

às 13:35 \ Comportamento, Cultura

Colônia de férias do terror forma 10.000 ‘militantes’ adolescentes

Hamas camp 1

O ex-primeiro-ministro do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, participou nesta terça-feira (27) da cerimônia de formatura para os membros mais jovens da colônia de férias do grupo terrorista, onde palestinos entre 15 e 21 anos são submetidos a treinamento militar intensivo, que inclui disparar rifles de precisão - com os retratos de líderes israelenses como alvos - e simular infiltração por meio de túneis para Israel, entre outras situações de guerra. Segundo o Ynetnews, foram graduados 10.000 adolescentes no programa “Pioneiros da Resistência”, no complexo de formação de “militantes” das brigadas Izz ad-Din al-Qassam (ala militar do Hamas).

O Hamas anunciou que a procura por uma vaga no acampamento havia excedido a cota prevista e eles foram forçados a fazer alterações para aceitar todos os candidatos.

No fim de 2014, o Tribunal de (In)Justiça da União Europeia decidiu retirar o Hamas da lista de organizações terroristas da UE, criada depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. O braço armado que ataca dia e noite a população israelense pertencia à lista desde dezembro daquele ano e o braço político, desde setembro de 2003. O Tribunal de Justiça é a instância máxima da União Europeia e tem sede em Luxemburgo.

Será que os responsáveis pela decisão enviaram seus filhos para o acampamento também?

Hamas camp 5 Hamas camp 4 Hamas camp 3 Hamas Camps 2

* Abaixo, uma aula desta terça-feira sobre o disparo de foguetes e mísseis em um campo de treinamento para o novo exército do terror.

Hamas aula míssil 1

Hamas aula míssil 2

* No próximo post, vou reunir os 4 vídeos fundamentais para entender as relações Israel-Hamas-ONU. Fique ligado.

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27/01/2015

às 19:28 \ Brasil, Cultura, Oposição

Os bonecos de Lula e os deveres da oposição

fantocheJPEGO senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) escreveu na tarde desta terça-feira em sua página no Facebook, referindo-se ao artigo de Marta Suplicy publicado hoje no Estadão, com novas críticas à presidente Dilma Rousseff:

“A estratégia é óbvia. Marta Suplicy se veste com os argumentos da oposição para conquistar seu passe livre para disputar a Prefeitura de São Paulo, ao mesmo tempo que cria uma corrente petista para descolar Lula da imagem catastrófica de Dilma. Mas não adianta. Dilma é cria de Lula com certidão, RG e DNA.”

Caiado faz bem. A oposição tem de desmascarar o ventríloquo Lula e seus bonecos Marta Suplicy e Gilberto Carvalho, usados para imunizar o ex-presidente contra o eventual fracasso do governo Dilma, conforme já dito neste blog. A estratégia é óbvia: Lula se mantém contra, a favor, favoravelmente contra ou ‘contramente’ a favor do governo – e, dependendo de como estiver a opinião pública na época das eleições, usa a narrativa com maior potencial de angariar votos.

Se Dilma estiver bem, ele é seu Criador. Senão, ela não ouviu seus conselhos etc. e tal.

Se o senador Aécio Neves for esperar quatro anos para reagir à campanha eleitoral do PT, será mais uma vez esmagado pelo marqueteiro petista. Os tucanos já erraram na campanha de 2014 ao cair no jogo de combater o PT e seus 12 anos de governo como um todo, e não a incompetência administrativa de Dilma, uma adversária bem mais fraca do que Lula.

Agora que precisa ao menos se prevenir contra a possível candidatura de Lula em 2018, parece exclusivamente focado em apontar as mentiras de Dilma e os problemas de seu governo.

Carvalho, a “vítima”
Em reunião com cerca de 150 militantes do PT na noite desta segunda-feira, Carvalho ainda defendeu o ex-ministro José Dirceu, afirmando, com o vitimismo de sempre, que as acusações contra ele na Operação Lava Jato, assim como as do mensalão, seriam uma tentativa da oposição de criminalizar o partido e impedir a candidatura de Lula daqui a três anos.

— Eles querem nos levar para as barras dos tribunais. O envolvimento do Zé (Dirceu) agora de novo é tudo na mesma perspectiva. E a leitura que se impõe diariamente na cabeça do nosso povo é essa de que a corrupção nasce conosco e por isso não temos condição de continuar governando o país — disse, todo coitadinho, o boneco de Lula, como se só quiséssemos levar seus patrões para os tribunais, e não para a cadeia.

Seu afago em Dirceu também pode ser entendido como um afago de Lula, já que o ex-presidente que sabia de tudo do Petrolão, segundo o doleiro Alberto Youssef, morre de medo de que ele o delate também. Depois que Dirceu se mostrou magoado por Lula ter mandado Paulo Okamotto supostamente comprar o seu silêncio em vez de retornar o seu telefonema, algum dos seus bonecos precisava mesmo fazer uma massagem no mensaleiro do Petrolão.

Cadê os demais opositores para denunciar diariamente com firmeza a estratégia lulista e seus movimentos? Até quando vão exercer, também, o papel que o ventríloquo Lula lhes reservou?

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27/01/2015

às 17:13 \ América Latina, Cultura, Mundo

Quanto do dinheiro do narcotráfico abastece campanhas e governos da América Latina?

NARCO

Mostrei no post anterior a nova bomba sobre os aliados do PT no Foro de São Paulo: Leamsy Salazar, o chefe de segurança do nº 2 do chavismo, Diosdado Cabello, fugiu para os Estados Unidos, acusou-o de ser o líder do grupo narcotraficante Cartel dos Sóis e vinculou Cuba à proteção e ao fornecimento de rotas da droga produzida pelas FARC, segundo a ABC espanhola.

A emissora colombiana NTN24, em seu canal sobre a Venezuela, informou que Salazar fugiu pela Espanha, de onde saiu nesta segunda-feira (26) em avião do Controle de Drogas dos EUA (DEA, na sigla em inglês) enviado exclusivamente para que ele, sua esposa e seus filhos pudessem chegar ao país em segurança e receber toda a proteção necessária para fazer a denúncia.

Salazar saíra de Caracas em dezembro e provavelmente já vinha recebendo alguma forma de orientação e proteção antes do voo. Para muitos venezuelanos que vivem na Espanha em busca de um futuro melhor, a notícia de primeira página da ABC foi uma confirmação das suas suspeitas sobre os negócios espúrios do chavismo.

A NTN24 também entrevistou ao vivo o correspondente da ABC em Washington e autor da matéria bombástica, Emili J. Blasco, que confirmou que Salazar é uma “testemunha limpa” - no sentido de não ter envolvimento com o negócio da droga – segundo a qual Cabello é o chefe do Cartel dos Sóis. Blasco disse não ter ainda mais informações para além das expostas no artigo, mas reiterou a cobertura dada por funcionários cubanos ao envio de carregamentos de drogas da Venezuela para os EUA.

Seria interessante se Blasco descobrisse quanto do dinheiro do narcotráfico abastece as campanhas eleitorais e os governos de ditaduras e falsas democracias da América Latina. Precisamos, com urgência, de uma Operação Lava Jato internacional.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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