Blogs e Colunistas

19/09/2014

às 22:21 \ Cultura, Eleições

Aécio: “Trocar Dilma pela Marina é trocar seis por meia dúzia”. Levy: “Temos duas candidatas ligadas ao Foro”

Aécio MinasNesta sexta-feira, em Belo Horizonte, o candidato Aécio Neves voltou a atacar suas principais adversárias na eleição deste ano:

“A população está chegando a uma conclusão muito simples: que trocar Dilma pela Marina é trocar seis por meia dúzia. É colocar o PT de novo no governo e isso nós não queremos.”

É isso aí, como mostrei tantas vezes neste blog. Simples assim.

E ainda tem gente que acha que esse tipo de crítica ajuda Dilma, é mole?

A propósito: o candidato do PRTB, Levy Fidelix, denunciou em seu Facebook a ligação de Dilma e Marina com o Foro de São Paulo, usando o link para um artigo meu a respeito.

Captura de Tela 2014-09-19 às 21.59.55

Em breve, também deverei publicar aqui o videoclipe da minha nova paródia sobre o tema. Enquanto isso, o leitor pode ensaiar ouvindo a versão original no link e cantando por cima:

Dois PTs pra votar?
Música original: Tia Eulália na Xiba (Cláudio Jorge/Nei Lopes)
Paródia: Felipe Moura Brasil

Já desesperado depois do Ibope,
Reduzido o PIB e com mais desemprego,
O PT espalha mentira a galope
Não tem pela ética o menor apego

Dilma na TV faz campanha do medo
Diz que com Marina não vai ter comida
Briga de petista, eu não meto o meu dedo
Mais de 20 anos são quase uma vida…

Como é… que o Brasil vai ficar
Se só tiver dois PTs pra votar?

Mensalão, não sei quem ficou mais calada
Se Marina ou Dilma, aprendizes do Lula
Dilma também diz que não sabe de nada
Sobre o Petrolão e inda quer eu engula

Assinou um decreto que anula o Congresso
Entregou o poder à sua militância
E quem apoiou esse vil retrocesso?
Foi Marina Silva, sem mais relutância

Como é… que o Brasil vai ficar
Se só tiver dois PTs pra votar?

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

19/09/2014

às 19:11 \ Cultura, Eleições

Acredite: jornalista atribui queda de Marina no Sul ao racismo! Obama foi eleito com essa intimidação estúpida

Não é só o “messianismo”, o vitimismo e o esquerdismo que fazem com que Marina Silva lembre o que há de pior em Barack Obama. Agora, para além de seus defensores na grande mídia, ela também tem jornalista local capaz de fazer até aquilo que nos Estados Unidos se chama “play the race card”, ou seja: usar a cartada da acusação de racismo para protegê-la contra críticas ou quedas nas pesquisas.

Obama foi eleito assim: quem quer que o criticasse ou simplesmente fizesse perguntas sobre o seu passado obscuro era acusado de racista pela esquerda obamista que domina a TV e os jornais americanos – e até hoje muitos não resistem ao expediente, a começar pelo próprio presidente. No Brasil, o novo representante dessa tática de intimidação psicólogica é Clóvis Kuntz, diretor do jornal Folha das Máquinas, de Panambi, a cidade natal da esposa do candidato Aécio Neves, Letícia Weber, no Rio Grande do Sul.

Veja o print de seu indecoroso post no Facebook:

Racista

O sujeito escreve “Não ouço ninguém dizer que não vota em Marina porque ela é afro [sic] descendente” e dá isso como sintoma das motivações ocultas do eleitorado, que não estaria assumindo claramente o seu racismo.

Na cabeça do jornalista, os 27 anos que Marina passou no PT votando contra a quebra do monopólio estatal, contra a reforma administrativa que cortou benefícios de servidores públicos, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal que fixou normas e limites de gastos para a gestão pública, para citar só alguns exemplos, não devem ser suficientes para que muitos sulinos acreditem que ela é verde por fora e vermelha por dentro – e prefiram votar em Aécio (23% no Ibope), que ainda tem ligação com os candidatos que lideram as pesquisas nos estados do Sul: Beto Richa (PSDB) no Paraná e Ana Amélia Lemos (PP) no Rio Grande do Sul.

Alceu_ColaresNão. Só o racismo sulino explicaria isso. Curioso é que o Rio Grande do Sul elegeu governador do estado em 1991 um negro: Alceu Collares [foto], do PDT; e duas vezes senador outro negro: Paulo Paim, do PT. Mas fatos assim nunca foram impedimento para que um militante denunciasse o racismo da sociedade quando lhe fosse conveniente.

“Entre nossas tradições está a hipocrisia”, diz ainda Kuntz, seguindo a velha recomendação atribuída a Lenin, “Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz”. Em vez de “inventar desculpas esfarrapadas”, quem deveria assumir claramente sua posição é ele: a de marinista radical, que intimida o eleitorado da sua região com uma retórica picareta.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

19/09/2014

às 17:05 \ Cultura, Eleições

Que maluquice é essa de que Aécio ajuda Dilma atacando Marina?! Parem de confundir primeiro turno com segundo

Aécio sobe nas pesquisas do Ibope (4 pontos) e do Datafolha (2 pontos), mas, como ainda está longe (com 19/17%) de Dilma (37%) e Marina (30%), muitos continuam exigindo que ele pare de atacar a candidata do PSB, como se ele estivesse ajudando a tirar pontos de Marina para o PT e não para ele próprio, que geralmente a expõe como uma petista de raiz e ao mesmo tempo se oferece aos eleitores antipetistas como a alternativa segura ao petismo.

A ideia de que Aécio está ajudando Dilma não faz o menor sentido no primeiro turno, de modo que só mesmo o marinismo e o desespero para tirar o PT do poder (duas coisas cada vez mais indiscerníveis) podem fazer tanta gente insistir nessa tese esdrúxula.

O segundo turno é praticamente certo de acordo com as pesquisas; não há motivo aparente para temer uma vitória de Dilma por antecipação. Se Aécio ficar de fora, ele vai decidir se apoiará Marina ou não e, em caso positivo, os votos se somarão de novo contra o PT, sem contar que a adversária do partido terá mais tempo de TV para detoná-lo.

Acreditar que as críticas de Aécio essencialmente ao petismo de Marina durante o primeiro turno possam ser decisivas em favor de Dilma no segundo é de uma maluquice sem tamanho, sintoma evidente de que o antipetismo pode enlouquecer tanto quanto o petismo. Os marinistas de fato e de ocasião já estão é dando um jeito de culpar Aécio caso Marina venha a perder a batalha final.

Para eles, em suma: ou Aécio joga a toalha e a apoia desde já, ou será o culpado pela derrota.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

Veja também:
- Por que Aécio não deve atacar só Dilma
As frases perfeitas de Aécio – e por que atacar Marina não é necessariamente ajudar Dilma
- Na TV, Aécio mostrará imagens antigas de Marina com camisa do PT. Faz bem! Veja também o potencial dos candidatos de atrair votos, segundo o Ibope

18/09/2014

às 14:40 \ Cultura, Eleições

Detonar é preciso – Mainardi 2002, Shapiro 2013, Horowitz 2014

É verdade que o terrorismo eleitoral do PT contra Marina Silva não surtiu o efeito esperado na mais recente pesquisa do Ibope – ou pelo menos não em favor de Dilma, já que Aécio subiu 4 pontos. Mas a suspeita de que o PT possa ter exagerado dessa vez, até mesmo para os seus padrões, não muda o fato – tantas vezes lembrado neste blog – de que detonar adversários é fundamental em qualquer campanha; e que o PSDB virou saco de pancada do PT justamente por não saber reagir à altura de seus ataques, dificuldade que Marina também tem enfrentado.

Nos EUA, não é diferente: os republicanos são lentos e frouxos para lidar com os democratas, como ficou claro na reeleição de Obama – e eu já mostrei o famoso vídeo de Ben Shapiro a esse respeito aqui. Agora meu compadre – e, como eu, autor contratado pela Editora Record – Alexandre Borges postou no Facebook a tradução do trecho de uma palestra do incontornável David Horowitz em seu Freedom Center sobre a troca de acusações durante uma campanha eleitoral. Mas para o panorama ficar mais completo, incluo abaixo, primeiro, um trecho de Diogo Mainardi de 12 anos atrás, depois do qual seguem os de Horowitz e Shapiro sobre o assunto.

Que a dita “oposição” aprenda antes que seja extinta.

Diogo Mainardi, 2002:

“O resultado dessa hegemonia do PT é que ninguém tem coragem de atacar Lula. A imprensa chapa-branca criou-lhe inclusive um escudo de força, decretando preventivamente que quem o atacasse perderia votos. E pediu uma campanha de ‘alto nível’. Ou seja, sem ofensas pessoais. O que adianta ter uma campanha de alto nível se os candidatos continuam de baixo nível? Eu acharia muito melhor se a campanha degenerasse numa pancadaria violenta. Como nos Estados Unidos, onde a imprensa foi atrás de notícias sobre a vida sexual de Clinton ou sobre as bebedeiras de Bush. O que teria sido mais útil para os eleitores brasileiros em 1960: debater as idéias de Jânio Quadros ou saber quantas doses de uísque ele tomava por dia? Lula disse que gosta de uma cachacinha. Pois eu quero saber quanto ele bebe. E quanto bebe o Serra. Chega de exaltar hipocritamente o debate de idéias. Onde já se viu um político brasileiro dotado de idéias? Vamos deixá-las para quem as tem. Nosso negócio é vida particular. Inclusive porque os únicos grandes movimentos da política nacional só ocorreram quando entrou em jogo a esfera privada, como demonstram os casos do irmão de Collor, da ex-mulher de Pitta ou do marido de Roseana Sarney. Queremos jogo sujo e golpes baixos. Queremos uma sórdida campanha difamatória, que rompa essa lei do silêncio, essa ‘omertà’, em que um candidato poupa o outro. Por que só eu devo ser insultado?”

[Artigo original - aqui.]

David Horowitz, 2014:

“Mike Tyson disse uma vez: todo mundo tem um plano até você acertar um soco na cara dele. Democratas tem socos na cara de sobra guardados para os republicanos. Toda eleição democratas estão acusando republicanos de racistas, sexistas, homofóbicos, inimigos dos pobres, egoístas e indiferentes ao próximo. É uma acusação moral, que almeja expulsar o acusado da política, afinal quem pode se defender de uma acusação que é quase impossível de ser refutada no meio de um debate político, quando você tem apenas poucos segundos para responder?

E qual é o soco da cara que republicanos têm guardado para os democratas? Nenhum, já que republicanos estão focados em contar ‘histórias positivas’ e eles até são bons nisso. Não sou contra histórias positivas e toda convenção republicana [de 2012] foi sobre histórias positivas de pessoas que vieram para os EUA e venceram, pessoas que nasceram pobres no país e tiveram sucesso e etc. Todos os consultores políticos dos republicanos, até o presidente da Heritage Foundation, disseram que o foco deveria ser histórias positivas.

Bom, se alguém está gastando 200 milhões de dólares para retratar seu candidato [Mitt Romney] como um predador corporativo, que deixa a esposa do ex-funcionário morrer de câncer porque você cortou o plano de saúde ou que trata cruelmente o próprio cachorro, os eleitores não vão ouvir suas histórias positivas ou não vão se importar com elas!

Se alguém acha que você é racista, ele não vai ouvir suas propostas políticas! E isso deveria ser óbvio. O que republicanos deveriam fazer? Qual deveria ser o soco na cara dos republicanos? Você tem que responder fogo com fogo! Parem de se defender, ataquem antes de serem atacados. Isso é o básico!

Política é uma briga de rua. Republicanos foram criados em ambientes polidos demais e têm aversão à briga de rua, preferem lutar pelas regras do Marquês de Queensberry [que inspiraram as regras do boxe profissional], adorariam que a política fosse uma discussão de propostas, mas não é! É um debate sobre se você maltratou seu cachorro ou não, essa é a realidade, e é assim desde o início dos tempos.”

[Palestra completa - aqui.]

Ben Shapiro, 2013:

Livros recomendados:
O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, de Olavo de Carvalho, com introdução, organização e notas de Felipe Moura Brasil;
- Como vencer um debate sem precisar ter razão, de Artur Schopenhauer, com tradução, prefácio e notas de Olavo de Carvalho;
- A tapas e pontapés, de Diogo Mainardi;
- How to talk to a liberal (if you must), de Ann Coulter;
- Bullies: How the Left’s Culture of Fear and Intimidation Silences Americans, de Ben Shapiro;
- Take No Prisoners: The Battle Plan for Defeating the Left, de David Horowitz.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

18/09/2014

às 13:47 \ Cultura, Eleições

Na TV, Aécio mostrará imagens antigas de Marina com camisa do PT. Faz bem! Veja também o potencial dos candidatos de atrair votos, segundo o Ibope

Da coluna Maquiavel – Bastidores da Política, aqui na Veja.com:

A menos de vinte dias das eleições, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, vai reforçar sua estratégia na TV na tentativa de trazer de volta o eleitor anti-PT que migrou para Marina Silva (PSB) desde a morte de Eduardo Campos, em 13 de agosto, por enxergar nela uma possibilidade mais concreta de derrotar Dilma Rousseff. Diante da baixa audiência do horário eleitoral gratuito, a campanha tucana vai reforçar as inserções diárias na programação das TVs: ao invés de dois programas de trinta segundos, fará quatro de quinze segundos. Além de se posicionar como o único capaz de derrotar o PT, Aécio insistirá na tática de associar Marina ao PT. Em uma das inserções, os tucanos colocarão imagens antigas da ex-senadora vestindo uma camiseta estampada com a tradicional estrela do partido. A avaliação da campanha de Aécio é que a fragilidade com que Marina tem reagido aos ataques petistas já contribuiu para trazer parte de seu eleitorado de volta – o tucano cresceu quatro pontos porcentuais em levantamento Ibope divulgado na terça-feira. (Bela Megale e Bruna Fasano, de São Paulo)  

Como sabem os leitores deste blog, antes que a campanha de Aécio começasse a associar Marina Silva ao PT, eu falei aqui que esta deveria ser a sua estratégia, ainda que com um atraso de pelo menos 5 anos. E, embalado pelos 4 pontos ganhos no Ibope, o PSDB faz bem em levar à TV imagens que demonstram o petismo de raiz da candidata do PSB, “até porque”, como disse Aécio nesta semana, “80% da trajetória da candidata Marina foi feita dentro do partido e, provavelmente, será com uma parcela importante do PT, se ela vencer as eleições, que ela vai governar.” Ou como dissera antes: “Eu me vejo no direito de perguntar em que Marina estaremos votando. Quando denunciávamos o mensalão e o aparelhamento do Estado pelo PT estávamos fazendo a velha política? E a boa, era aceitar as ações do PT?”

Aécio, ademais o menos famoso entre os três principais candidatos, ainda tem um potencial razoável de atração de votos, como ficou claro na própria pesquisa do Ibope. Para medir isso, como informa O Globo, o instituto perguntou aos eleitores qual frase expressava melhor a opinião que eles tinham dos três principais candidatos. Segue trecho da matéria:

Aquele eleitor que diz “votar com certeza” em um candidato é, seguramente, o voto já cristalizado a favor desse candidato. Ou seja, é um contingente que tende a traduzir a sua opinião em voto no dia da eleição. É por isso que os percentuais dessa resposta “voto com certeza” se aproximam muito da intenção de voto geral para Dilma, Marina e Aécio, repetindo, inclusive, a atual ordem de colocação entre eles. Mas o quanto o candidato tem potencial de ainda atrair votos?

Pelos dados da pesquisa, observa-se que a candidata do PT tem hoje o menor percentual de eleitores que afirmam que “poderiam votar nela”: 21%. Marina registrou 40% e Aécio, 36%. O baixo percentual de eleitores que poderiam votar em Dilma ocorre porque ela lidera o percentual de respostas “não votariam nela de jeito nenhum”. O candidato do PSDB, por outro lado, é dos três candidatos o que apresenta o maior percentual de eleitores que afirmam não o conhecer direito: 12%. Ou seja, essas respostas indicam que ainda podem ocorrer novas variações nas intenções de votos dos três principais candidatos. A capacidade de atração de votos é o que explica o acirramento da disputa no segundo turno, quando as diferenças entre o primeiro e o segundo colocado, segundo o Ibope, passaram a ser menores.

Captura de Tela 2014-09-18 às 13.28.07Captura de Tela 2014-09-18 às 13.36.06

Captura de Tela 2014-09-18 às 13.30.25

De resto, é como anotei no Facebook:

Captura de Tela 2014-09-18 às 13.38.34

E por falar em Dilma, segue o trecho do debate da CNBB em que Aécio detonou a presidente-candidata sobre o Petrolão, o “mensalão 2″ na Petrobras. A ótima frase final está cortada, mas é a seguinte: “Quem não teve condições de administrar a maior empresa brasileira não tem condições de administrar o Brasil.”

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

17/09/2014

às 17:17 \ Cultura, Eleições

As duas mentiras essenciais da propaganda do PT sobre concentração de renda e taxa de desemprego

Para quem ainda não sabe, duas mentiras essenciais do PT foram reveladas recentemente, uma pelo Estadão, no editorial “IBGE à míngua“, e outra pela VEJA.com na matéria “Concentração de renda aumentou nos últimos anos de gestão do PT“.

O Estadão mostrou que o desemprego médio era de 7,1% em 2013 – “bem acima do índice medido pela Pesquisa Mensal de Emprego, que tem ficado em torno de 5% e é o número usado na propaganda da presidente Dilma Rousseff em sua campanha à reeleição”.

A VEJA.com apontou o resultado de um estudo inédito encomendado pelo Ipea: entre 2006 e 2012, a fatia que os 5% mais ricos detinham na renda total do país passou de 40% para 44%. “Os dados do Ipea são significativos porque contrastam com a retórica de antagonismo à elite e aos bancos exibida pelo PT durante a propaganda eleitoral. Num Brasil onde os ricos ficaram mais ricos, o discurso do partido mostra-se artificial.”

Mas é como dizia a própria Dilma: “Nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição”, não é mesmo? Se “podemos” dar dentes postiços para uma cidadã pobre um pouco antes de ser feita com ela uma gravação do programa eleitoral de TV e, também, dar meia-entrada e meia-passagem para jovens que não estudam, por que não poderíamos mentir sobre os índices do governo? Qualquer coisa, nós não sabíamos de nada.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

17/09/2014

às 15:45 \ Cultura, Eleições

Os engodos de Luciana Genro sobre mensalão, Black Blocs e legalização das drogas

Não bastou à candidata do PSOL à Presidência da República, Luciana Genro, fazer a acusação mentirosa em confronto com Aécio Neves no debate da CNBB de que o mensalão petista começou no governo Fernando Henrique Cardoso, muito menos igualá-lo ao suposto “mensalão” tucano, como se a compra do Congresso para avançar uma agenda política e para perpetuar um partido no poder equivalasse a qualquer caso isolado de Caixa 2, como aquele no qual é investigada a própria psolista Janira Rocha.

Em sabatina desta tarde no portal Terra, “Lucaia”, quer dizer, Luciana tinha de ir mais além. E foi:

Captura de Tela 2014-09-17 às 14.35.02

O que a candidata faz na prática? Legitima moralmente a atuação – para não dizer os crimes – dos terroristas Black Blocs, atribuindo-a à “falta de condições de espaço para a juventude”, seja lá o que isso for. O discurso do PSOL é geralmente assim: bandido só é bandido por falta de oportunidade, de espaço, de curso de balé e de massinha – nunca pela escolha moral pelo crime. Por que com os terroristas seria diferente? Depois morrem inocentes como o cinegrafista da Band, Santiago Andrade, e os psolistas fazem aquela cara de sonso, como se sempre tivessem condenado a violência. Como diria Luciana Genro: “Uma ova!” Já mostrei aqui A moral “Black Bloc” do PSOL: Marcelo Freixo e seus partidários, antes e depois da morte de Santiago. Também já mostrei as mentiras de Freixo sobre a prisão dos bandidos. Psolistas vivem legitimando moralmente o crime, ou protegendo os criminosos contra a sociedade.

No tema das drogas, os chavões de Luciana são os mesmos do próprio FHC, que agora integra um treco chamado Comissão Global de Políticas sobre Drogas, que reúne ex-presidentes como ele e o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan. A notícia correta seria: esquerda internacional se reúne para pregar suposto fracasso de suposta “guerra às drogas” que ela própria sabota por toda parte – especialmente no Brasil, governado por um partido parceiro das Farc no Foro de São Paulo – para depois dizer que não funciona. Eis a ladainha:

Captura de Tela 2014-09-17 às 15.01.25

Repito mais uma vez Luciana Genro: “Uma ova!”

O dr. Ronaldo Laranjeira deu uma ótima resposta sobre isso na arapuca de militantes armada contra ele no programa Roda Viva de 20 de maio de 2013. Relembremos o trecho que começa aos 44min50seg do vídeo abaixo

Mário Sergio Conti: “Me parece que mundialmente a política de repressão ao tráfico, a guerra às drogas, não está surtindo efeito.”

Dr. Ronaldo Laranjeira: “Não, mas, se você vê, no Brasil a única coisa que nós não fizemos foi guerra às drogas. Não tivemos políticas. O maior problema é uma cultura permissiva em relação ao consumo de drogas e uma cultura omissa em relação à política. Qual é a política que a gente tem de prevenção aos nossos adolescentes? Nenhuma. Qual é a política que a gente tem de deter a cocaína a chegar no Brasil? Nenhuma. Qual é a política de tratamento? Nós temos muito pouco. Então você não tem nenhuma política e você acha que nada deu certo; então vamos abandonar isso e vamos liberar? Você acha que simplesmente liberar o pequeno traficante vai acabar a droga? Se a gente puder plantar maconha no quintal, o Brasil vai virar um grande maconhal. Não tenha dúvida disso. A gente brinca, mas qual é o impacto que isto vai ter na população adolescente? Já está acontecendo isso. A maconha no Brasil, ela é praticamente descriminalizada. Então você vai querer facilitar mais o acesso à droga do adolescente? Acho que essa é que é a questão importante. A gente já não tem política para o pequeno traficante, para a dispersão dessas pessoas. Agora você vai tolerar o pequeno traficante? Do ponto de vista de saúde pública (…), você tem de adotar políticas que façam a diminuição do acesso às drogas. Esse é o princípio que me parece que deu certo no caso do tabaco, dá certo no caso de álcool, que a gente não faz aqui… E é isso que a gente tem que tentar ver: qual é o nosso modelo para lidar com as drogas ilícitas. (…) Se qualquer país no momento tivesse o modelo ideal, seria fácil. No álcool e no tabaco a gente tem. Nas drogas ilícitas é mais complicado. E aí fica dependendo do gosto do freguês.”

Antes, por volta dos 40 minutos:

Laura Capriglione: ”Por exemplo, se a pessoa pode plantar a sua maconha em casa, você reduz o tráfico.”

Dr. Ronaldo Laranjeira: ”Me prova isso. Não tem uma experiência que vai mostrar isso.”

Laura Capriglione: ”Em Portugal, a gente não tem isso?”

Dr. Ronaldo Laranjeira: ”Portugal é um grande fetiche. Eu acho até bom o modelo português. Mas se você olhar o que aconteceu independentemente de Portugal, de 2001 a 2011, aumentou o consumo de drogas! Então para mim o parâmetro principal, do ponto de vista de saúde pública, eu defendo para as drogas ilícitas o mesmo para as drogas álcool e cigarro. Para mim, o importante é diminuir o consumo. Se você me convencer que as pessoas plantarem maconha em casa vai diminuiu o consumo de adolescentes, por exemplo, eu vou ser favorável. Mas não tenho uma vírgula de evidência disso aí.”

De resto, a legalização das drogas NÃO elimina o comércio ilegal, como se pode ver em matéria do Washington Times sobre o mercado negro do Colorado, onde a maconha foi legalizada. Se o comércio legal de medicamentos, roupas, CDs, cigarros, programas de computadores, não acabou com a receita financeira dos contrabandistas e do mercado negro, por que a legalização das drogas acabaria com a receita financeira do tráfico? Isto é papo de delinquente intelectual que não conhece nem os Sete mitos e mentiras sobre a legalização das drogas. As Farc – que também são a favor, como os psolistas – agradecem pela gentileza.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

17/09/2014

às 14:28 \ Cultura, Eleições

Matheus Nachtergaele nega ter assinado manifesto pró-Dilma. Sites petistas usaram seu nome na divulgação

Matheus montagem

O ator Matheus Nachtergaele negou em sua página do Facebook ter assinado o “manifesto de artistas e intelectuais” de apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff, divulgado pelo site manifesto.dilma.com.br com o nome de 69 personalidades das artes cênicas, da música e da literatura, além de blogueiros e jornalistas que costumam defender o governo federal, como informou o Estadão. Nachtergaele era o antepenúltimo no print abaixo:matheus dilma

Eis o post do ator no Facebook:

Captura de Tela 2014-09-17 às 13.58.59

Eis o print da matéria do site petista que usou sua imagem junto à dos petistas de sempre:

Captura de Tela 2014-09-17 às 14.02.08

A gente sabe que, na hora da propaganda, o menor cuidado que o PT tem é com os fatos, não é mesmo?

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

17/09/2014

às 0:41 \ Cultura, Eleições

Aécio faz o que eu digo, sobe 4 pontos no Ibope e ainda melhora no debate da CNBB! Dilma cai 3; Marina, 1

Captura de Tela 2014-09-17 às 00.09.27

É provável que o Petrolão tenha contribuído para a queda de 3 pontos de Dilma na pesquisa do Ibope, cujos resultados foram divulgados nesta terça-feira. Mas por que foi Aécio que subiu e não Marina? Ora, porque, para além de atacar Dilma, sua campanha começou a fazer o que eu falei que ela deveria fazer há anos: atacar Marina como a petista de raiz que ela é, distinguindo-se das duas candidatas ao mesmo tempo. A situação do candidato do PSDB continua complicada, mas a recuperação o põe de volta na disputa e, quanto mais votos tiver, maior o seu poder de barganha no segundo turno, mesmo ficando de fora. A estratégia do PT de partir para a baixaria, mostrando o povo brasileiro sem comida à mesa em eventual governo Marina, não rendeu frutos.

IBOPE-presidente

Marina ainda venceria Dilma e Aécio no segundo turno; mas no confronto entre Dilma e Aécio, Dilma caiu de 48% para 44%, e ele subiu de 33% para 37%. A se confirmar a tendência, o PT se desespera de vez. Os números ainda podem fazer com que os eleitores de Aécio que migraram para Marina por acreditar que ela tem mais chances de derrotar o PT repensem se é realmente necessário fazer voto útil já no primeiro turno.

O crescimento de Aécio é melhor para o debate, porque mantém no ar as críticas que Marina precisa sofrer. Como tuitei outro dia:

Captura de Tela 2014-09-17 às 00.34.18

Aécio também melhorou seu desempenho no debate promovido pela CNBB e pela TV Aparecida em relação aos da Band e do SBT, com direito até a uma tirada contra Luciana Genro que valeu a noite. Seguem alguns dos meus comentários feitos em tempo real no Facebook e no Twitter:

1) Bispo pergunta: qual é a proposta de segurança pública? Marina responde: “Combater violência é fundamental.” Sem proposta.

2) Maior problema do Brasil é criminalidade: 60 mil assassinatos por ano sob governo do PT. E Marina não propõe como resolver.

3) ”As pessoas esperam muito nas filas [dos hospitais]“, diz Dilma Rousseff. E por que o governo dela não resolveu isso antes?

4) ”Estado mobilizador” de Marina é o velho “Estado Babá” dos socialistas; assim como sua “nova política” é a velha “ética na política” do PT.

5) Quando Luciana Genro fala em “batalha campal”, eu presto atenção. A organizadora das “manifestações espontâneas” de 2013 entende do negócio.

6) Aécio detona Dilma sobre Petrolão no debate da CNBB: “Os brasileiros estão envergonhados. Um diretor nomeado pelo PT disse que financiava com recursos das obras de sua alçada a base governista. Não é possível que o Brasil continue a ser administrado com tanto descompromisso com a ética, com a decência e com os valores cristãos. A vida pública não é para ser exercida dessa forma.”

7) Chamar Luciana Genro de “Linha auxiliar do PT” foi a melhor tirada de Aécio em toda a sua campanha. E foi tão verdadeiro que doeu no fundo dela. Contra a verdade, reagiu com as equiparações mentirosas de sempre, demonstrando o que ele disse. Grande momento.

OBS: Aécio poderia apenas ter aproveitado melhor o pedido de resposta que ganhou contra Luciana Genro para desfazer os embustes dela. Mas foi tão bom deixá-la histérica que isso não chegou a comprometer de todo.

8) ”Essas eleições não precisam do embate entre os candidatos”, diz Marina Silva, aquela que entrou na campanha atacando Dilma e Aécio. Cínica!

9) Dilma: “Ao longo da minha vida eu tive sempre tolerância zero com a corrupção.” Ah, tá bom! Mensalão, Petrolão… É pra rir, presidente?

10) Considerações finais de Dilma no ‪#‎DebateAparecida‬ são como propaganda do PT na TV: falam de um país lindo e maravilhoso que ninguém conhece.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

16/09/2014

às 18:58 \ Cultura, Eleições

Quem engana melhor o Brasil: Dilma ou Marina?

Notas do teatro eleitoral:

1. O PT criou o personagem Pessimildo para fingir que problemas não são do país, mas de quem vê os problemas do país. E por que será que o PT comprou o silêncio dos bandidos? Andava Pessimildo?

2. Lula sempre soube de tudo. E elo entre Mensalão e Petrolão passa por setor elétrico de Dilma. Mas ela não sabe de nada? Então tá.

3. O debate entre candidatos à Presidência da República desta terça-feira, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pela TV Aparecida, é para ver quem finge melhor ser cristã(o): Dilma, Marina, Aécio ou a CNBB.

* Mais a respeito no artigo de Percival Puggina: “Até quando, senhores da CNBB?

4. Oi, internautas. Eu sou a Marilma. Sou tão cristã, tão cristã, mas tão cristã que defendo plebiscito sobre aborto para não perder os votos dos abortistas.

5. Oi, internautas. Eu sou a Gilma. Sou tão cristã, tão cristã, mas tão cristã que minha opinião sobre o aborto só mudou temporariamente às vésperas das eleições de 2010. Se você entende minha língua, relembre comigo:

- Em sabatina de 4 de outubro de 2007 da Folha: “Olha, eu acho que tem de haver a descriminalização do aborto. Hoje, no Brasil, isso é um absurdo que não haja.”

- Em entrevista de abril de 2009 à revista Marie Claire: “Abortar não é fácil pra mulher alguma. Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto. Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização.”

- Em entrevista à revista Isto É de 8 de maio de 2010: Dilma, já candidata a presidente, diz-se a favor de uma legislação “que obrigue a ter tratamento para as pessoas, para não haver risco de vida, igual [àquela que existe] nos países desenvolvidos do mundo inteiro” e também defende atendimento público “para quem estiver em condições de fazer o aborto ou querendo fazer o aborto”.

- Em debate de 23 de setembro de 2010 promovido pela CNBB — Conferência Nacional dos Bispos do Brasil: “Eu também tenho uma posição clara em defesa da vida. (…) O aborto é uma violência contra a mulher. Eu, pessoalmente, não sou favorável ao aborto. Como presidente da República, se eleita, eu terei de tratar da questão das milhares de mulheres pobres deste país que usam métodos absolutamente, eu diria assim, bárbaros e que correm, sistematicamente, risco de vida. Elas têm de ser protegidas. E é nesse sentido que eu afirmei sempre que isso é uma questão de saúde pública. Não é uma questão que pode confundir-se com a minha opção por um processo de favorecimento do aborto. Não acho que isso resulte em nenhum benefício para a sociedade. Agora, considero também que a legislação vigente já prevê os casos em que o aborto é factível e eu não sei se acho que seria necessário ampliar esses casos; não vejo muito sentido.”

- Em encontro de 29 de setembro de 2010 com católicos e evangélicos, a quatro dias das eleições: “Eu, pessoalmente, sou contra o aborto. Acho o aborto uma violência contra a mulher. (…) Eu não sou a favor de modificar a legislação.”

Gostaram? Vale lembrar que o Plano Nacional-Socialista de Direitos Humanos, que trazia a proposta da legalização do aborto, ganhou forma final na Casa Civil, da qual eu mesma – Gilma – era a titular; e que depois também sancionei sem vetos o Projeto de Lei Complementar que regulamenta o atendimento, na rede pública de saúde, às mulheres vítimas de violência sexual, bastando para isso alegá-la. Isto para a alegria dos agentes do Foro de São Paulo, em cuja página apareceu a comemoração da deputada federal Jô Morais, do PC do B: “Hoy tuvimos una victoria memorable: la sanción de Dilma al proyecto acerca de la atención a mujeres víctimas de violencia.

Legal, né?

6. Aécio sobre a suposta “alternativa” Marina: “Eu quero dizer a vocês hoje, de forma muito franca, que está chegando a hora da onda da razão. Nós não vamos substituir o governo do PT por outro tipo de PT. Até porque 80% da trajetória da candidata Marina foi feita dentro do partido e, provavelmente, será com uma parcela importante do PT, se ela vencer as eleições, que ela vai governar.”

Tasso Jereissati: “O que Aécio está dizendo é o que preocupa todo mundo: a Marina não tem estrutura para governar. Não é fácil governar o Brasil sem estrutura política e sem quadros.” “Ela não vai conseguir sair pinçando e destruindo os partidos. Porque se fizer isso, acaba com a estrutura partidária. A lógica que ela quer pode ser aplicada em cima de um projeto. Mas, fazendo uma misturada geral, tirando de um ou de outro, ela vai destruir o Parlamento. Isso é perigosíssimo e nós sabemos no que dá.”

7. Dilma, a mesma que há décadas finge ter lutado pela democracia na época do regime militar, e que em abril mesmo havia dito “Lutamos para tornar este país um país democrático”, como quem tenta tirar uma casquinha da luta alheia, confessou em seu próprio programa eleitoral:

 ”Eu achava que a revolução socialista dependia de eu militar 24 horas por dia.”

Faltou completar: Hoje sei que basta assinar um decreto.

8. Candidata do PSTU ao Senado defende luta armada, fim do Senado (acredite) e confisco de empresas. O PSTU, como o PSOL, existe para fazer o PT parecer moderado. E eles são testas-de-ferro tão bons que a “moderação” no Brasil já é quase de extrema esquerda.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter. Curta e acompanhe também a nova Fan Page.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados