Reynaldo-BH: Ieda Dias, uma brasileira que faz a diferença

REYNALDO ROCHA Nossa amiga EIDIA,  ─ comentarista aqui do blog ─ é uma mulher destas especiais. Que sempre se recusou a ser ativista somente frente a um teclado. Que desconfia das ações oficiais. E mantém a capacidade de se indignar. Como todos nós. Mas ela vai além. Ieda (este é o nome dela) faz a […]

O hospital idealizado por Eidia

REYNALDO ROCHA

Nossa amiga EIDIA,  ─ comentarista aqui do blog ─ é uma mulher destas especiais.

Que sempre se recusou a ser ativista somente frente a um teclado.

Que desconfia das ações oficiais. E mantém a capacidade de se indignar. Como todos nós.

Mas ela vai além.

Ieda (este é o nome dela) faz a diferença. Faz da indignação, ação.

Sem rancores, bandeiras ou discursos raivosos. Faz porque entende que viver, ao final, é isto.

Ela conhece, literalmente, o mundo. Desde Paris ─ onde morou ─ ao Iraque. Desde a Palestina a Israel. Do Brasil à Índia.

Ieda, em uma destas viagens, ficou impressionada com o Brasil na década de 1950 que encontrou na Índia. Pelos costumes e pela extrema pobreza e falta de atendimento à população.

Ao lado de um templo budista que visitava, conheceu uma comunidade de lavradores que sobrevivem daquilo que plantam. E festejam a vida, com danças, cores e fé. Ieda, imediatamente ─ já naquele primeiro contato ─ resolveu que iria fazer algo. E começou a participar de um projeto ─ idealizado pelo jovem motorista indiano (mais um que acredita na utopia ─ chamado Prema Metta). Que contava com um pequeno auxílio de japoneses que haviam conhecido o local.

Ieda voltou ao Brasil e fez um movimento ─ solitário a início e com o apoio, pequeno e muito menor que o que é necessário ─ para angariar fundos para construção de uma escola no local e um posto de saúde.

Foram leilões, doações, vendas do que trouxe de lá, etc.

E aos poucos, sem NUNCA desanimar, teve a ajuda de boutiques conhecidas, cervejarias e amigos. Fez um leilão e arrecadou o que pode.

A sobrevivência dela? Com o próprio dinheiro. Não recebe um centavo para se manter na Índia, seja de hospedagem ou alimentação.

Simplesmente porque não dá! Cada centavo tem uma destinação certa e necessária.

E lá se foi Ieda. Mala com excesso de bagagem, com bonecas, livros de colorir, panos e tudo o mais que poderia fazer uma criança feliz.

Em menos de um mês conseguiu ─ com os recursos que levantou aqui ─ colocar energia solar na pequena escola de umas três salas. E ventilador de teto (lá é comum, nesta época, fazer 40 graus!). Idem um estrado coberto com mantas, para tirar os meninos e meninas do chão batido de terra onde estudavam. Doou notebooks para a escola (um) e para o professor.

No dia 27 de outubro, mais um passo do sonho foi dado. Inaugurou o que ela chama de miniposto de saúde. E os locais denominam de hospital. O que fica mais próximo, fica a horas de distância.

Tenho um profundo orgulho de ser amigo de Ieda. De quem NUNCA se acomodou com a situação de injustiça. Esteja onde estiver. Que desconhece fronteiras. Que nunca julgou judeus ou palestinos. Que não acusa americanos ou iraquianos (já morou em ambos os países). Mas que nunca desistiu. E nem desistirá.

Antes que a acusação ─ infelizmente, comum ─ de por que não está fazendo o mesmo no Brasil, respondo por ela: já fez a vida toda! Desde a infância! Hoje ela tem 65 anos bem vividos. Plenos e felizes. E seria como se nós, por cá, não aceitássemos a ajuda de tantos de fora que nos ajudam.

O jornal da BBC da Índia publicou reportagem com Ieda com foto e título: “Brasileira abre hospital!”. (Nota: vejam  e entendam o que é este hospital: inteiramente gratuito, fará o básico com o muito pouco que Ieda pode garantir! Mas um HOSPITAL para quem, como a senhora idosa da foto, que estava há sete dias com uma perna quebrada!).

Ieda ─ nossa EIDIA que estava sempre indignada com o Brasil ─ NUNCA contou (aqui ou lá) com um tostão de nenhum governo, ONG ou o que se equipare. Faz com o que tem e com ajuda de quem a conhece.

Por isso, apresento a vocês IEDA DIAS: uma BRASILEIRA que faz a diferença.

Comentários
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  1. Comentado por:

    ze do matogrosso

    ..reconforta-nos nos dias atuais, ler e saber de uma ação praticamente solitária, por parte da Sra. Ieda, em prol dos menos favorecidos. Que nos sirva de exemplo. Mil felicidades. É uma existência, que dignifica o ser humano.

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  2. Comentado por:

    Valentina de Botas

    Eidia, nunca te vi, mas desde agora sempre te amei. Um beijo

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  3. Comentado por:

    EIDIA

    Obrigada querido amigo Reynaldo Rocha pela força e Augusto Nunes por abrir um espaço pra nós na sua coluna que grudei nela assim que começou. Muito obrigada a todos que confiam em mim, que estão junto comigo nessa linda batalha. Como eu sempre digo: com a ajuda dos amigos tudo vai mais rápido e bonito, mas com ela ou sem ela eu tô indo. Vai demorar um tico mais , mas chego lá. E vamu qui vamu.
    bjos bjos a todos e mais um procê Rey e Augusto
    http://www.oquevivipelomundo.blogspot.com
    Um beijo muito especial, minha amiga tão querida. Parabéns. E conte conosco.

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  4. Comentado por:

    Paulo Márcio

    Parabéns a Ieda. E parabéns a Reynaldo Rocha, nosso estimado Reynaldo-BH, por traduzir em belas palavras esse trabalho primoroso de uma cidadã brasileira com um coração sem fronteiras.
    Paulo Márcio

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  5. Comentado por:

    eduardo buen

    Caríssima Eidia, você engrandece o mundo. A India ganhou um belo presente. Agradeço por você existir.

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  6. Comentado por:

    marcia

    Parabéns Eidia! Parabéns Reynaldo! Obrigada Augusto! Vocês fazem sim a diferença! Notícias assim devem ser compartilhadas sempre!

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  7. Comentado por:

    eidia

    Agradeço a todos que estão dando força ao nosso trabalho. Se quiserem juntar força com uma doação eu fico mais feliz ainda.
    bjos
    eidia
    http://www.oquevivipelomundo.blogspot.com

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  8. Comentado por:

    junia sanabio

    Reinaldo,parabéns pela fôrça que tens dado a nossa amiga Iêda.
    Essa reportagem com certeza vai impactar os leitores deste veículo tão sério como a “VEJA”

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