O genial inventor de personagens partiu acompanhado por 209 criaturas imortais

Chico Anysio talvez não soubesse que todo brasileiro com mais de 30 anos e mais de cinco neurônios lhe deve muitas, muitíssimas gargalhadas, além de incontáveis momentos suficientemente divertidos para induzir ao riso até um mal-humorado profissional. Foi o que fiz questão de dizer-lhe na tarde de 5 de julho de 1995, no estúdio da […]

Chico Anysio talvez não soubesse que todo brasileiro com mais de 30 anos e mais de cinco neurônios lhe deve muitas, muitíssimas gargalhadas, além de incontáveis momentos suficientemente divertidos para induzir ao riso até um mal-humorado profissional. Foi o que fiz questão de dizer-lhe na tarde de 5 de julho de 1995, no estúdio da RBS em Porto Alegre, já na abertura do programa Perguntar não Ofende, que apresentava ao lado da jornalista Cláudia Nocchi. Agredido pela má notícia desta sexta-feira, conforta-me lembrar que me inseri, diante do próprio credor, entre os seus milhões de devedores. Essas coisas precisam ser ditas em vida.

Já conhecia Chico Anysio, e voltaria a encontrá-lo depois. Mas nunca o vi tão feliz quanto naquele inverno. Planejava o retorno à tela da Globo, andava bem de saúde e fazia muito sucesso com o show que iniciara na véspera a temporada gaúcha. No meio da conversa, a animação do entrevistado me induziu a perguntar-lhe se toparia incorporarar ali mesmo as figuras que encarnava na TV. Respondeu que sim. Combinamos que, assim que eu mencionasse determinada criatura, ele assumiria sua identidade enquanto repetia o bordão de cada uma. E então Chico promoveu o mágico desfile de personagens eternizados na memória afetiva do Brasil.

─ Tavares ─ comecei.

─ Sou, mas quem não é? ─ ele replicou, com a voz pastosa e o sorriso debochado do simpático canalha que, sempre com um copo nas mãos, ensaiava a consumação do golpe do baú.

─ Alberto Roberto ─ continuei.

─ Não gaaravo ─ entoou o entrevistado com tamanha convicção que, sobre os cabelos grisalhos, enxerguei os fios negros protegidos por uma redinha do adorável canastrão.

─ Justo Veríssimo.

─ Eu quero é que pobre se exploda! ─ ouvi a exclamação endossada em silêncio por todos os políticos governistas que frequentam o grande clube dos cafajestes.

O cortejo hilariante prosseguiu com Coalhada, Azambuja, Bozó, Salomé, Bento Carneiro, Pantaleão, Painho e mais um punhado de integrantes da soberba galeria. Sem maquiagem, adereços, barbas ou bigodes postiços, sem recorrer a figurinos que sublinham o estilo e a alma de cada personagem, o mais brilhante criador de tipos do humorismo brasileiro valeu-se exclusivamente do talento imenso para povoar o estúdio da RBS com os frutos de sua assombrosa imaginação. Entrevistadores, câmeras, iluminadores ─ todos caímos no riso solto enquanto durou o espetáculo improvisado pelo gênio.

A lembrança daquela sequência deslumbrante me avisa que, para tristeza dos que ficam e consolo de quem parte, um artista dessa linhagem não morre sozinho. Com o criador, vão-se também as criaturas. Junto com o grande Chico Anysio, morreram outros 209 tipos inesquecíveis. Todos merecem de cada brasileiro um beijo e uma lágrima.

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  1. Comentado por:

    Airton

    Simplesmente um genio , principalmente da comédia , do humor .

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  2. Comentado por:

    Delcimar Bezerra

    Nós Brasileiros vivemos tristes tempos (lula, pt, dilma, etc. etc.) e o país ficou ainda mais triste com a partida do grande Chico Anysio. Perdemos o maior ícone do humor Brasileiro. É uma pena. A rede Globo ganharia muito mais se tirasse do ar esse lixo de zorra total e reprisasse os programas do Chico. Parabéns Chico por ter nos dado tantas alegrias. Descanse em paz.

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  3. Comentado por:

    fernando pawlow

    Bravo Augusto,tive hoje infelicidade de ler mais uma obra do “Coral Vozes do Esgoto”,de autoria de “Doutor da USP” sobre o Chico Anysio, acredito que seja a mesma à qual aludiram aqui.Inveja do Chico, que se livrou do fardo de viver no mesmo mundo que estas ratazanas.
    Aqui ficamos , ” e o salário,ó”.
    Abraços do Pawlow

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  4. Comentado por:

    Marcia Castro

    Uma homenagem resumida numa frase do poema Para Sempre do grande Carlos Drummond de Andrade: “Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio…”

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  5. Comentado por:

    e bartlett

    Ah, que falta Chico Anisio vai fazer! Estamos todos de luto.

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  6. Comentado por:

    mts

    Uma lagrima para o grande Chico Anysio.
    Que realmente me fazia rir junto com meu pai, em seu programa humoristico, muito antes da escolinha , que nao reputo como seu maior momento.
    Me perguntava naquela epoca qual dimensao teria Chico Anysio se fizesse seu humor nos EUA. O talento era imenso.
    So n fiquei mais triste pq era uma morte prestes a acontecer, dado seu estado de saude.
    Enquanto Chico vai, Lulla maldito posterga sua ida ao inferno. Injustiças que tornam o mundo mais triste.

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  7. Comentado por:

    Luiz Caldeira

    “Na Corruptolândia, capital Corruptília, não havera honestidade, logo não haverá pobres, pois pobre é que tem mania de ser honesto, assim como honesto tem a desgraça de ser pobre. E eu quero que pobre se exploda!” Frase do Deputado Justo Verissimo, um dos 209 personagens de Chico Anysio

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  8. Comentado por:

    Luiz Caldeira

    Justo Veríssimo
    -Achei a solução para acabar com os pobres!
    -Qual deputado ?
    -Mandar metade para o sul e metade para o norte
    -Mas como escolher quem vai pro sul ou pro norte?
    -Simples, cortando ao meio. Da cintura pra baixo para o sul, da cintura pra cima para o norte!

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  9. Comentado por:

    Fortes

    Parabéns pelo belo adeus a Chico Anysio.

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  10. Comentado por:

    Gilberto

    Concordo com Jô Soares, que afirmou com muita tristeza, que a morte do genial Chico Anísio desmente o bordão de que ninguém é insubstituível.
    Ele era, é e será insubstituível.
    Faltam adjetivos para esse Mestre do humor.

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  11. Comentado por:

    Acir

    Augusto, uma bela e justa homenagem a um dos maiores humoristas que esse país já viu.

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  12. Comentado por:

    Luis Guedes

    Seu A.NUNUES, com todo respeito, só o Chico morreu. Pena.
    Estou triste, mas feliz por ter tido tempo para viver com ele. Por 60 anos.
    Gênio!
    As mais de 200 – 209 – pessoas que “incorporaram” nele estão vivas. Muito vivas… E nós ainda estamos em condições de viver com elas. Com todas.
    Incorporaram? Sim, claro, o Chico NUNCA foi ator! Ele era MÉDIUM !!!
    Ator… Ator é o Tiririca, o Aragão, etc etc e esse time da segunda divisão…
    Ave CHICO! A felicidade, a alegria e a risada ficarão por o todo sempre!

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  13. Comentado por:

    e bartlett

    Deixara saudades… Justo Verissimo forever!

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  14. Comentado por:

    neto

    Console-se, Augusto. Chico Anísio foi, mas resta-nos o Rafinha Bastos, o Danilo Gentili… Meu Deus, até no humor estamos empobrecendo a cada dia pós Lula…

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  15. Comentado por:

    pablo

    Caro Augusto.
    Conhecia Chico Anysio, como quase todos os brasileiros, por meio de seus personagens e também sou seu devedor. Porém, acompanhei neste sábado a reexibição de uma entrevista qua o humorista concedeu ao programa roda-viva. Confesso que me surpreendi com a lucidez e desassombro com que ele tratou de temas polêmicos sem fugir de qualquer pergunta, sem isentismos e dando, inclusive, nomes aos bois. Diante da mediocridade geral que tem marcado estes dias difíceis, a morte de Chico nos deixa a todos mais tristes e o país muito mais medíocre.

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  16. Comentado por:

    Raimundo Cazé

    CHICO ANÍSIO NO ALÉM
    (Raimundo Cazé)
    O Brasil sem Chico Anysio
    Ficou órfão de humor
    Entretanto, o paraíso
    Com sua morte lucrou
    Hoje, lá tudo é sorriso
    Depois que ele chegou.
    Junto com Chico seguiram
    Suas geniais personagens
    Bem Carneiro na frente
    Pra espantar as visagens
    Justo Veríssimo somente
    Para pagar as passagens
    Na achegada, o primeiro
    A cutucar o portão
    Foi o contador de “causos”
    Sobre as coisas do sertão,
    Ao lado de sua Terta,
    O velho Pantaleão
    Entrou, dando meia volta
    O admirável Paim
    Queixando-se de dor nos quartos
    Aqui na terra era assim
    Apresentou os colegas
    Com perfume de jasmim
    São Pedro ficou sem jeito
    Com tanta gente animada
    Liberou um auditório
    Sem cobrança na entrada
    Apenas de personagens
    A casa ficou lotada
    Chico Anysio interpretou
    O seu professor Raimundo
    Deu a aula inaugural
    Vivendo o seu novo mundo
    Mostrou o seu cabedal
    Dentro de poucos segundos
    De posse de um telefone
    Já estava Salomé
    Fazendo uma ligação
    Pra falar com Lucifer
    E oferecer sugestão
    Sobre o dia da mulher
    Justo Veríssimo mandou
    Um e-mail ao satanás
    Pra saber se no inferno
    Existem pobres demais
    Chegou a se oferecer
    Pra mostrar como se faz
    Repetiu o seu refrão
    Com aquela arrogância toda
    Dizendo que o bom político
    Quer que o pobre se foda
    Mas pra não ser pornográfico
    Criou a expressão “se exploda”
    Chico não gostou do Justo
    Falando com boca suja
    E logo o repreendeu
    Triste como uma coruja
    Mas usou os argumentos
    Do seu oculto Azambuja
    Nisso, chega de repente
    A personagem coalhada
    Passando a língua nos lábios
    De forma desajeitada
    Já escolhendo os atletas
    Para uma breve pelada
    Enquanto coalhada armava
    Seu time de preferência
    Chico Anysio incorporava
    À sua platéia imensa
    Humoristas falecidos
    Em forma de recompensa
    Foi logo dando de cara
    Com o tal Rolando Lero
    Ex-aluno da escolinha
    Um cara metido a sério
    Com seu lenço avermelhado
    Todo cheio de mistério
    Depois abraçou Golias
    Velho amigo no passado
    Mas tarde Zé Vasconcelos
    Um gago muito engraçado
    E até mesmo o Zé Trindade
    Com seu sorriso invocado
    Quando foi falar com Deus
    Lembrou-se de Antônio Marcos
    Falou de outros cantores
    Os talentosos e os fracos
    Mencionou Raul Seixas
    Com seus grandes espetáculos
    Chico Anysio comoveu
    Aos que se achavam na hora
    Soltou um canto de Orfeu
    Doado a Nossa Senhora
    Em seguida agradeceu
    Por ter alcançado a glória
    Pediu para os que ficaram
    Na terra fazendo humor
    Um gesto de caridade
    Por parte do criador
    Dito isso, de repente
    Da sala se retirou
    Em seguida abraçou
    Com um gesto de carinho
    Seu antigo diretor
    Senhor Roberto Marinho
    O homem que o adotou
    Abrindo o seu caminho
    Pediu que ele perdoasse
    Sem sentir ódio nem medo
    O pessoal da Record
    Junto com Edir Macedo
    Um pregador messiânico
    Que hoje vive em degredo
    Assim que chegou no Céu
    Chico logo fez piada
    Arrancou até dos anjos
    Um coro de gargalhada
    Disse que não mereceu
    Chegar àquela pousada
    Depois murmurou assim,
    Arrancando mais sorriso
    Não esperava pra mim
    As luzes do paraíso
    Não sou nada especial
    Sou apenas Chico Anysio
    Um filho de Maranguape
    No estado do Ceará
    Não era pra estar aqui
    Gozando desse manjar
    O diabo é que cearense
    Está em todo lugar
    Dito isso se deitou
    Numa rede de tucum
    E contando as personagens
    Numa alegria incomum
    Foi quando viu os amigos
    Zacarias e Muçum
    Com os olhos rasos d’água
    Chico Anysio murmurou:
    Sei que na terra deixei
    Muita lágrima, muita dor
    Mas eu tive que partir
    Pois foi Deus que me chamou.
    FIM
    Beleza, grande Raimundo Cazé. Parabéns. abração

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  17. Comentado por:

    FRANCOIS

    Vi o Chico por acaso, uma única vez. Não me recordo o ano, creio que no fim de 2005. No saguão do aeroporto de Salvador. Era já alta noite. Pouca gente em circulação. Em direção ao banheiro, vinha ele, conduzido numa cadeira de rodas, quando de passagem, pude vê-lo de perto. Tomei um susto quando o reconheci, debilitado pelos anos – e pelo ostracismo, pensei depois. Acho que ele me viu. Ao menos olhou em minha direção. Não dissemos nada. Avesso a tietagem, passei como se passa por um desconhecidoo, embora soubesse de quem se tratasse. Passada aquela oportunidade única, lamentei por me faltar presença de espírito e um tanto de audácia para reverencia-lo ali mesmo, de pronto, fazendo o Tavares, numa de suas falas marcantes, num quadro em que a Biscoito (Zezé Macedo) perguntava quando ele, Tavares, pararia de beber, ao que ela ouvia: “Céus, Biscoito! Eu só vou parar de beber quando leite de cabra virar uísque e titica de carneiro virar gelo, certo?”. Invoco o Tavares sempre quando, copo em mão, perguntam-me quando vou parar de beber. Acho que ele teria recebido bem minha singela homenagem, dada a generosidade de que era portador, algo que se revela ainda mais claramente, diante da perda irreparável, num coro uníssono na voz de tantos que como eu o amava, mesmo sem disso se dar conta…

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  18. Comentado por:

    carlos

    Numa de suas últimas entrevistas chico terminou assim sua fala. “Vou tentar renovar meu contrato por mais vinte anos. Eu aguento mais vinte anos, … devo aguentar,… talves aguente.”
    Coisa de gênio.

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  19. Comentado por:

    Carlos Henrique

    Isso, sem falar nos seus outros talentos!

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  20. Comentado por:

    Valentina de Botas

    Alberto Caieiro, na sua paradoxal filosofia do não pensar, diz que “há metafísica bastante em não pensar e que o único sentido das coisas é elas não terem sentido nenhum”. Virgílio repreende Dante no verso 37 do canto III do Purgatório, na Divina Comédia, por sua inquietação em ver apenas uma sombra no caminho que seguiam. Virgílio aconselha que a “gente humana” não deveria se meter a querer saber as causas das coisas, privilégio divino. Mas Santo Agostinho diz que “a inquietação conduz o homem por toda a vida” e Kierkegaard falou “do elemento inquietante que se oculta na alma” humana. Arruisco-me a afirmar: a inquietude salva o homem porque o faz criar, produzir, imaginar, sonhar, descobrir-se, ser. Sejamos todos serenos, e tudo se apagará. Assim como você, querido Augusto, Chico Anysio transforma a inquietação em genialidade. Muito inquieta também, não tenho, claro, nem a menor fração do talento de vocês; canalizando “o elemento inquietante que se oculta” na minha alma para o conhecimento e a observação dos fatos e das pessoas, no sonho de morrer o menos ignorante possível, surpreendo-me encantada, ainda a essa altura da vida, com a “espantosa realidade das coisas”. Tenho esta amiga há 24 anos. Íntegra, inteligente, gentil e bilíngue, foi minha assistente numa empresa. Em seu atestado de nascimento constava “desconhecido” no lugar do nome do pai, não o conhecera. A mãe, uma senhora de quase 80 anos e adoravelmente rígida, é doméstica aposentada e morou quase a vida toda na casa dos patrões que pagaram para minha amiga a mesma escola e cursos dos próprios filhos. Ela jamais perguntara à mãe quem era seu pai. Quando percebi a importância gigantesca desta falta e quando o aconchego da amizade permitiu, eu a incentivei que perguntasse. Vencidos não sei quantos desertos, finalmente ela o fez. A mãe disse tudo: trabalhava em outro estado e aquele empresário estrangeiro, hóspede por alguns dias na casa dos patrões, veio ao quarto dela na noite anterior à manhã que partiria. Quando se despediu, pediu-lhe que não contasse nada a ninguém porque era casado. Ela prometeu que se ninguém perguntasse, ela não contaria, mas não mentiria se alguém perguntasse. Dias depois, pediu demissão. Queria vir para São Paulo, alegou. Com uma carta de recomendação, chegou aos novos e excelentes patrões dizendo-se grávida, sem ter certeza. Eles só perguntaram se o pai reconheceria a criança, ela disse que não. Incrivelmente, ninguém nunca lhe perguntou quem era ele. Revelados o nome e a nacionalidade do pai, minha amiga pediu ao respectivo consulado que enviasse a ele uma carta contando a história deles. Conheceram-se alguns meses depois. Ver os dois brincando de pai e filha aquece a alma. Mas o breve casal não se reencontrara. Até há alguns meses. Viúvo há quase 3 anos, ele a convenceu a deixá-lo “ficar perto dela” e está aqui por tempo “a definir”. Quem testemunha o doce e insólito ensaio dessa convivência não imagina que quatro décadas os separaram. Ou será que os uniram? Um beijo
    Um beijo, Valentina.

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