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Você compraria um vinho de R$ 800 de Carlos Ghosn?

Executivo que fugiu do Japão possui uma vinícola no norte do Líbano, de onde saem garrafas que tem o Brasil como um dos destinos

Por Lucas Cunha - Atualizado em 15 jan 2020, 11h14 - Publicado em 15 jan 2020, 10h00

Carlos Ghosn talvez seja o executivo mais falado do momento. Ele foi responsável por resgatar dois gigantes da indústria automotiva, a Renault e a Nissan, criou a terceira maior corporação do setor no mundo, foi acusado de fraude fiscal e financeira, e protagonizou uma fuga cinematográfica de Tóquio. Porém, nem só de automóveis vive ele. Carlos Ghosn também se aventura no setor de bebidas alcoólicas. Para além das emoções dos carros, a calmaria do executivo se traduz na figura de sócio da produtora de vinhos Ixsir, que fica na cidade de Batroun, a aproximadamente 55 quilômetros ao norte de Beirute, capital do Líbano.

O nome é derivado do termo elixir“, em árabe, (Al-Ikseer), que significa “a forma mais pura de todas as substâncias, uma espécie de poção secreta que conceda juventude eterna e amor”, nas palavras de Ghosn, Hady Kahale e Etienne Debbane, empresários que fundaram o grupo em 2008.

A vinícola foi erguida sobre as montanhas do país, local em que as uvas são expostas a condições climáticas intensas, amadurecendo durante dias debaixo do sol quente e noites mais amenas. No vinhedo Ainata, um dos seis que compõem a região, as bebidas são produzidas a uma altitude de 1.800 metros acima do nível do mar, o ponto mais alto já registrado de um “terroir” no hemisfério norte, de acordo com a companhia.

Esses vinhos libaneses chegam ao Brasil por meio da Grand Cru, importadora que, desde 2002, comercializa mais de 2.000 rótulos do mundo inteiro em 65 pontos de venda localizados ao redor do país.

São oferecidos oito tipos de rótulos da Ixsir no site da empresa, com preços que variam entre 164,90 reais e 799,90 reais. No valor mais baixo, é possível adquirir as unidades “Ixsir Altitudes White”, ano 2016 ou 2017, e o “Ixsir Altitudes Red”, ano 2013 ou 2016. Segundo o site da importadora, esses exemplares de vinho branco apresentam grande frescor, aromas florais delicados, boa acidez, e combinam com aperitivos, peixes, frutos do mar, frango grelhado e queijos leves.

Já os referidos vinhos tintos da marca, que possuem o “Red” em seu nome, surgem a partir da mistura entre o Cabernet Sauvignon, Syrah, Tempranillo e Caladoc — que é o cruzamento de Malbec e Grenache — sendo o único do mundo composto por estas variedades. Essa fusão cria um vinho com aromas de pimenta, cardamomo, frutas vermelhas e flores, e é ideal para servir com carnes vermelhas assadas, cordeiro, pato, ensopados e queijos de pasta mole.

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A garrafa “El Ixsir 2011”, que é o exemplar mais caro de todos, é o resultado da junção de três variedades de uvas tintas, a Syrah, Merlot e Cabernet Franc, e é capaz de enriquecer e evoluir seus aromas e sabores até o ano de 2025. Mas essa peculiaridade custa caro: quase 800 reais. O vinho possui aromas de fruta vermelha confitada, ervas frescas de cozinha, pimentas, anis, cassis, caramelo, madeira, geleia de mirtilo e hortelã. Nas refeições, a bebida se harmoniza com cordeiro guisado, arroz de pato ou bochecha suína confitada.

Para o italiano Massimo Leoncini, sommelier executivo responsável pela curadoria do portfólio da Grand Cru, os vinhos libaneses são pouco conhecidos no Brasil por três motivos principais: a falsa impressão de serem “pesados”, a escassez de produtos interessantes disponíveis no mercado brasileiro e a sombra que países como Argentina, Itália, Chile, Espanha e Portugal projetam sobre as demais nações produtoras de vinho.

“Os vinhos da Ixsir têm grande parte de sua produção voltada para a exportação, já que não são consumidos tanto no Líbano. Porém, são bastante requisitados em países que possuem grandes comunidades libanesas, que querem consumir produtos de sua nação. É o caso do Brasil, que conta com expressivos grupos de libaneses nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro”, afirma Leoncini.

Diante das turbulências que foram vividas por Carlos Ghosn nos últimos tempos, é possível aprender uma lição valiosa — e prazerosa — com toda essa história: caso você seja procurado pela Interpol, tenha uma vinícola nas montanhas de seus país de asilo para escapar aos finais de semana e aproveitar um bom vinho.

Fim da aliança Renault-Nissan? Entenda o caso

Carlos Ghosn enfrenta quatro processos de fraude financeira no Japão, decorrentes da gestão exercida na aliança criada entre Renault-Nissan. Sob a justificativa de que o sistema judiciário japonês não era confiável para julgar esses casos, Ghosn escapou de Tóquio. O trauma dessa fuga foi tamanho que a união entre as três fabricantes começou a ter sua durabilidade questionada.

Nesse sentido, o jornal britânico Financial Times publicou reportagem na segunda-feira, 13, anunciando o término da parceria feita entre as montadoras. Contudo, em comunicado divulgado pela montadora japonesa na terça-feira, 14, a empresa avisou que não irá dissolver sua aliança com a Renault e a Mitsubishi Motors. Essa aliança é a razão da competitividade da Nissan. Com essa aliança, que busca gerar crescimento estável e de longo prazo, a Nissan continuará obtendo resultados positivos para as três empresas”, informou o grupo.

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