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Swissleaks: Empresários de ônibus do Rio estão na lista de clientes do HSBC suíço

Entre os nomes da lista está o de Jacob Barata, o "rei do ônibus". Família nega conta no banco

Sócios, diretores e parentes de donos de empresas de ônibus do Rio estão na lista de clientes do HSBC vazada na investigação conhecida como Swissleaks, segundo o portal de notícias UOL. A instituição financeira é suspeita de ajudar correntistas a sonegar impostos e lavar dinheiro.

Entre os nomes da lista está o de Jacob Barata, o “rei do ônibus” do Rio. Ele e a familiares têm participação em 16 empresas do segmento. Barata teria mantido 17,6 milhões de dólares entre 2006 e 2007 em uma conta conjunta com a esposa e filhos no banco da Suíça. Ao portal, a família negou a existência dessa conta.

Além de Barata, também está na lista do Swissleaks o administrador da empresa de ônibus Braso Lisboa Generoso Martins das Neves, que detinha, na época, 3,3 milhões de dólares no HSBC suíço.

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Brasil – Em número de clientes, o Brasil aparece em quarto lugar na lista da investigação, com um total de 8.667. A Receita Federal abriu investigações para apurar “hipóteses de omissão ou incompatibilidade de informações” prestadas ao Fisco Brasileiro por brasileiros correntistas do banco na Suíça.

Essas “hipóteses”, se confirmadas, seriam passíveis de autuação fiscal e de representação fiscal por ocorrência de crime contra ordem tributária, além de responsabilização por eventuais crimes contra o sistema financeiro e de lavagem de dinheiro. As famílias Safra e Steinbruch também aparecem na lista do Swissleaks.

Lava Jato – Há também investigações em curso sobre contas de ex-diretores da Petrobras que são alvo da Operação Lava Jato. Ao menos onze pessoas citadas no escândalo também foram ligadas à investigação do HSBC, entre as quais Pedro José Barusco Filho, ex-gerente da Petrobras e um dos delatores do petrolão. Ele admitiu que tinha dezenove contas em nove bancos suíços.

Swissleaks

A investigação é uma verdadeira viagem ao coração da fraude fiscal e revela os artifícios utilizados para dissimular dinheiro não declarado. Segundo as informações, baseadas em arquivos bancários retirados do HSBC Suíça pelo ex-funcionário Hervé Falciani, quase 180 bilhões de dólares teriam transitado por contas do HSBC em Genebra, para fraudar o fisco, lavar dinheiro sujo, ou financiar o terrorismo internacional.

Analisados por 154 repórteres de 47 países, os dados correspondem ao período que vai de 1988 a 2007. Bilhões teriam transitado por essas contas de Genebra, dissimuladas, entre outras, por estruturas offshore no Panamá e nas Ilhas Virgens britânicas.

Várias personalidades políticas, do mundo do entretenimento, do esporte e dos negócios são citadas pela imprensa internacional em uma investigação que revela a face oculta do sigilo bancário na Suíça.