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Setor de supermercados diz que não há risco de desabastecimento

Em São Paulo, associação do setor diz que há problemas pontuais de reposição, mas estabelecimentos têm estoque

Por Larissa Quintino - Atualizado em 19 mar 2020, 10h32 - Publicado em 19 mar 2020, 08h41

O fluxo de pessoas nos supermercados está crescendo exponencialmente, mas, por ora, as lojas de São Paulo não temem desabastecimento devido a crise causada pelo novo coronavírus (Covid-19). Segundo a Associação Paulista de Supermercados (Apas), o problema está na reposição das lojas. Como o ritmo de vendas aumentou muito, a reposição de itens nas gôndolas não é tão eficiente. Segundo o presidente da associação, Ronaldo dos Santos, as lojas do estado tem estoque para mais 30 ou 35 dias. “Por enquanto não vai faltar produto”, diz.

Segundo ele, não é possível dar uma previsão sobre o abastecimento das lojas mais longo que isso porque é necessário entender o impacto da epidemia causada pela Covid-19 na indústria. “A expectativa nossa, no entanto, é que as coisas vão correr bem. Isso porque o Brasil depende pouco do mercado externo para produzir alimentos. Nós temos matéria prima aqui, nós temos a indústria nacional, então não é possível falar em desabastecimento”.

Associação Brasileira de Supermercados (Abras) afirmou em nota que “não há risco de falta de alimentos nas lojas. O setor supermercadista brasileiro opera com normalidade”. Segundo a entidade, o setor está preparado para aumentar o abastecimento, como ocorre em datas sazonais. 

De acordo com o setor de supermercados em São Paulo, o movimento nos mercado aumentou significativamente no início desta semana. O volume de vendas no fim de semana acelerou 8% em relação a mesma semana de fevereiro. Já na segunda-feira, o aumento foi de 17% e na terça, o crescimento no faturamento foi de 34%. Na avaliação do setor, há dois aspectos fundamentais que motivam o consumo: o primeiro são compras de estoque, de consumidores que tem medo de ficar sem produtos, e o segundo por causa das medidas de isolamento social, com muitas empresas decretando home office. “Essas pessoas que comiam em restaurantes, agora comem em casa. E, para isso, vão ao supermercado para ter suprimento e se alimentar”. Os campeões de venda no período são álcool em gel, papel higiênico, comida congelada, itens de higiene pessoal e limpeza doméstica além de massas e molhos.

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Por causa do aumento na circulação de pessoas, algumas redes já começaram a adotar horários especiais para tentar dividir o fluxo nas lojas. O Pão de Açúcar e o Nagumo abrem uma hora mais cedo exclusivamente para clientes acima dos 60 anos. Essas pessoas estão no chamado grupo de risco da Covid-19, segundo a Organização Mundial da Saúde. O setor monitora, entretanto, a possibilidade de flexibilizar ainda mais os horários para diminuir o número de clientes no mesmo lugar, já que há a orientação de evitar aglomerações. ‘Ainda não há nenhuma determinação, mas estamos avaliando como é possível fazer”, disse Ronaldo.

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