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Sem patrocínio estatal, tradicional cinema de São Paulo fecha as portas

Petrobras retirou aportes de projetos culturais, sendo 2 milhões de reais do Cinearte

Por Felipe Mendes - Atualizado em 19 fev 2020, 16h43 - Publicado em 19 fev 2020, 16h26

Quem passar pelo complexo paulistano Conjunto Nacional a partir desta quinta-feira, 20, não verá mais as duas tradicionais salas de cinema do Cinearte em funcionamento. Inaugurado em 1963, sob o nome Cine Rio, o cinema de rua estava sem patrocinador fixo desde que a Petrobras não renovou o contrato no início de 2019. A estatal, que firmou acordo de naming rights para o espaço em maio de 2018, arcava com cerca de 2 milhões de reais anualmente. Esse valor era contabilizado pelas empresas públicas como investimento em marketing. Mas, na gestão do presidente Jair Bolsonaro, foi decidido que esse tipo de aporte por parte das empresas públicas não seria mais bem-vindo.

O movimento fez com que a Caixa Econômica Federal e a Petrobras deixassem de patrocinar cinemas e teatros. No início de 2019, além do Cinearte, o Cine Belas Artes também passou meses sem patrocínio. Mas, em maio do último ano, o grupo cervejeiro Petrópolis firmou acordo para estampar a sua marca no local, o que deu uma sobrevida ao espaço gerido pelo empresário André Sturm, ex-secretário de Cultura da cidade de São Paulo.

Localizado no interior do Conjunto Nacional, em um dos metros quadrados mais caros da cidade de São Paulo, o Cinearte viu suas portas serem fechadas pela primeira vez em 1978. Quatro anos mais tarde, ressurgiu ao nome Cine Arte 1, dirigido por Dante Acona Lopez. Em 1998, foi a vez de Adhemar Oliveira, que administra outros complexos de cinema pelo país, inclusive a rede Espaço Itaú, assumir a administração do local. De lá para cá, o complexo trocou o nome de sua fachada algumas vezes. Chegou a ser Cine Bombril, Cine Livraria Cultura e Cinearte Petrobras, antes de voltar a ser apenas Cinearte.

“Os cinemas fecham por uma questão estrutural. Eu tenho que ter banheiros, salas de espera… A área de faturamento dos cinemas são só as poltronas, que ocupam menos da metade dos espaços”, diz Sturm. “Aí alguém pode dizer que os cinemas de shopping centers não precisam de patrocínio. Claro. Geralmente, eles são subsidiados e patrocinados pelos lojistas do shopping. Os cinemas não pagam o mesmo valor de aluguel por metro quadrado porque todos os shoppings precisam de cinema para atrair público”. O Cinearte fecha as portas nesta quarta-feira, depois da exibição do multipremiado filme sul-coreano Parasita, dirigido por Bong Joon-Ho, às 21h30.

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