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Sem Carnaval, Rio, Salvador e SP deixarão de movimentar R$ 10 bilhões

Cálculo é feito com base em carnavais anteriores e revela a importância econômica do evento; em 2021, festas foram canceladas em função da pandemia

Por Diego Gimenes Atualizado em 12 fev 2021, 17h55 - Publicado em 12 fev 2021, 16h03

Fantasia separada, glitter no rosto e caixa térmica abastecida. Em tempos normais, a sexta-feira de Carnaval seria de aquecimento para blocos e escolas de samba, para o início da folia que se estenderia até a quarta-feira de cinzas. Mesmo para aqueles que abominam as festas e aglomerações nas ruas, o feriado de cinco dias seria uma boa oportunidade para viajar e descansar com a família. Só que em 2021 isso não será possível. Com a pandemia de Covid-19 vitimando milhares de pessoas pelo mundo e a vacinação contra a doença caminhando a passos lentos no país, as festividades do Carnaval foram acertadamente canceladas. Sem folia, 10,2 bilhões de reais deixarão de ser movimentados apenas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

O levantamento feito por VEJA leva em consideração estudos e dados dos municípios. O montante é significativo e vai fazer falta para os mais diversos setores da economia ligados ao turismo. Vale lembrar que o setor de serviços, que engloba atividades turísticas e de hospedagem, teve recuo histórico em 2020 com as perdas trazidas pela pandemia.

Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-IBRE) aponta que o Rio de Janeiro irá perder 5,5 bilhões de reais com o cancelamento do Carnaval — o montante equivale a 1,4% do PIB anual carioca. “Isso mostra que a importância econômica do evento é gigantesca, seja para arrecadação de impostos ou sustento dos autônomos”, analisa Claudio Considera, pesquisador associado do FGV-IBRE e um dos responsáveis pela pesquisa, que teve como referência dados de 2018 e 2020. Sem pandemia, o Carnaval movimentaria 4,4 bilhões em gastos de turistas brasileiros e estrangeiros, além de 1,1 bilhão decorrente de moradores da cidade. “Vamos ter de aguardar o Carnaval de 2022 com grande parte da população vacinada.”

Em Salvador, a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia revelou que pelo menos 1,7 bilhão de reais vão deixar de ser arrecadados em 2021 na capital baiana, e cerca de 60 mil trabalhadores ficarão sem renda no período de festas.

Segundo a prefeitura de São Paulo, o Carnaval da cidade atraiu 15 milhões de pessoas e movimentou cerca de 2,75 bilhões de reais em 2020. Somados aos 227 milhões movimentados no sambódromo, o total chegou a 2,97 bilhões no ano.  Considerando o mesmo volume de gastos de anos anteriores, as três capitais, juntas, deixam de movimentar 10,2 bilhões de reais no Carnaval deste ano.

Além do impacto macro, a ausência de folia tem efeito direto em trabalhadores informais, como ambulantes, que tiram renda dos dias de festa. Ainda sem o auxílio emergencial, esse dinheiro pode fazer ainda mais falta para diversas famílias. Na tentativa de mitigar o prejuízo dos ambulantes, a Ambev  lançou uma ação para conceder um auxílio de até 255 reais para aqueles que trabalharam em carnavais anteriores. Para receber o valor, é preciso se cadastrar no site e comprovar que exerceu a atividade em outros anos. Após concluir os trâmites, o vendedor recebe uma ajuda de custo de 150 reais e um código para compartilhar com amigos e clientes para a venda de cervejas pelo Zé Delivery, o aplicativo da marca. 

Vale lembrar que, para conter o turismo e evitar o aumento do contágio pelo coronavírus na data, quase todas as capitais do país cancelaram o feriado em 2021. No Rio de Janeiro, a terça-feira de Carnaval segue como feriado, já que a data está no calendário do estado, mas as festividades estão canceladas. Somente Porto Velho, Boa Vista, Maceió e Brasília mantiveram o ponto facultativo. De toda forma, empresas têm liberdade de dar folga para seus funcionários no período. Os bancos, por exemplo, não terão expediente na segunda e terça-feira de Carnaval em todo o país, e voltam a funcionar após o meio-dia de quarta-feira, assim como a bolsa de valores.

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