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Retomada das atividades eleva perspectiva do PIB pela 3ª semana seguida

Economistas consultados pelo Banco Central vêm melhorando suas projeções para o crescimento; agora, as previsões para inflação também sobem

Por Larissa Quintino - Atualizado em 20 jul 2020, 09h49 - Publicado em 20 jul 2020, 09h42

Analistas do mercado financeiro voltaram a estimar tombo menor no desenvolvimento da economia brasileira deste ano. Segundo dados compilados pelo Boletim Focus, do Banco Central, a expectativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) recue 5,95% em 2020. Essa é a segunda semana consecutiva de melhora nas projeções e a primeira vez desde maio em que a previsão do PIB está antes da casa dos -6%. A reabertura de atividades em boa parte do país e a melhora nos indicadores econômicos aponta para um menor pessimismo. A projeção para o PIB começou a seguir, ao fim de fevereiro, uma curva de queda drástica, acompanhando os novos casos de Covid-19 e os anúncios das prefeituras e estados brasileiros sobre o isolamento social. Após se manter estável em junho, os resultados deste mês apontam uma retomada na perspectiva. Não é uma recuperação em “V”, como economistas definem a retomada rápida da atividade econômica, mas é um caminho para a volta, mesmo que lenta, da economia.

Apesar da quebra da sequência negativa, a recessão é significativa e atinge o país no ano em que se esperava uma reação da economia, que dava sinais de recuperação da crise vivida entre 2015 e 2016. No início do ano, quando a pandemia do coronavírus estava concentrada na China e não se sabia ao certo quando e como chegaria ao Brasil, os especialistas estimavam crescimento econômico para este ano em 2,3%.

O IPCA, importante termômetro desse aquecimento, segue na mesma direção, mostrando que as pessoas voltaram a consumir. Segundo a projeção do Focus com base nos últimos cinco dias úteis, o indicador deve encerrar 2020 com inflação de 1,78%, maior que a projeção da semana passada, de 1,72%. O valor está abaixo da meta definida pelo governo, de 4% neste ano, e também abaixo da tolerância da meta, que varia entre 2,50% e 5,50%. Para 2021 e 2022, os valores foram mantidos em 3,01% e 3,50%. Na semana passada, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que as revisões da inflação devem acompanhar o PIB, de subir ao invés de descer, depois de causar preocupação nos mercados no início do mês com um alerta de alta da inflação que não era visível. A ponderação é que essa aceleração não deve gerar descontrole na inflação porque há hiato do produto. Porém, vale o alerta para acompanhar a pressão do indicador na volta da economia brasileira.

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A pesquisa mostrou também que a expectativa do mercado brasileiro sobre a taxa Selic se mantém igual à da semana anterior: em 2% para 2020, 3% para 2021 e 5% para 2022. Já o câmbio, que reflete as incertezas do Brasil e acaba sendo prejudicado pela baixa Selic, continua alto. A perspectiva do Focus é que o dólar fique em 5,20 no final de 2020. Para o final de 2021, a perspectiva permanece em 5 reais e para 2022, 4,80 reais.

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