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Queda do preço do petróleo traz risco para produtores de etanol do Brasil

Agência de classificação de risco Fitch diz que preços do biocombustível deverão permanecer baixos este ano pressionados pelo mercado da gasolina

A queda dos preços do petróleo para mínimas em mais de cinco anos prejudica a indústria de etanol no Brasil, informou a Fitch nesta quinta-feira. Segundo a agência de classificação de risco, os preços do biocombustível não devem subir este ano em meio às condições do mercado de gasolina, combustível fóssil produzido a partir de petróleo. A agência avalia ainda que os produtores precisariam aumentar os preços do etanol para compensar a queda dos preços do açúcar, o que apenas seria possível se os preços da gasolina na bomba também fossem elevados. Mas o reajuste não deverá acontecer devido à derrocada dos preços do petróleo.

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Petrobras – Para a Fitch, a queda dos preços de barril reduziu a pressão sobre a Petrobras para aumentar os preços da gasolina. Neste cenário, a forte desvalorização dos preços internacionais do petróleo permite que a Petrobras venda combustíveis por preços mais altos do que no exterior pela primeira vez em anos. “Isso elimina as perdas da empresa causadas pela venda de gasolina e diesel a preços abaixo do mercado [nos anos anteriores]”, disse a agência.

A Fitch acrescentou que a Petrobras tem sido relutante em alinhar os preços domésticos da gasolina com as cotações internacionais, já que que precisa realizar investimentos bilionários em meio às investigações de um esquema de corrupção que levaram a estatal a adiar a publicação dos resultados financeiros do terceiro trimestre.

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A agência também afirmou que o fato de os preços domésticos estarem desalinhados com os praticados no exterior não deverá motivar o surgimento de concorrentes da Petrobras na importação de combustíveis, sobretudo por causa de gargalos de logística e da forte desvalorização do real ante o dólar. Alguns analistas que acompanham a estatal chegaram a discutir a possibilidade de a companhia reduzir preços de combustíveis para evitar a concorrência, mas alguns consideraram a medida improvável no cenário atual.

(Com agência Reuters)