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O pontapé de Anderson Silva nos negócios, em meio à crise das academias

Ícone do MMA vislumbra oportunidades para expandir sua rede de academias no Brasil, após a pandemia ter causado um fechamento de até 30% do mercado

Por Felipe Mendes Atualizado em 2 nov 2020, 13h55 - Publicado em 2 nov 2020, 12h49

Lenda das artes marciais mistas, Anderson Silva pendurou seu uniforme. Em luta realizada no último sábado, dia 31, o lutador brasileiro foi derrotado pelo jamaicano Uriah Hall, nos Estados Unidos. O evento marcou a última vez em que entrou num octógono para uma luta de MMA, modalidade que ajudou a popularizar mundo afora. Aos 45 anos de idade, Silva quer se tornar uma figura reconhecida em outro território. O ex-campeão dos pesos-médios do UFC se uniu ao empreendedor Fernando Nero, fundador da rede de academias BlueFit, em uma nova empreitada. Assim como outros lutadores investiram em negócios no Brasil – caso dos irmãos Minotauro e Minotouro, com a rede Team Nogueira –, Anderson Silva dará o pontapé inicial para a expansão da bandeira Spider Kick no país. A ideia é desbravar um mercado com enorme potencial: existem mais de 34.000 academias no país, que movimentam 2,1 bilhões de dólares ao ano, segundo dados do IHRSA Global Report 2019.

TEIA DE ARANHA – Protótipo do projeto: primeira unidade demandou investimento de R$ 400 mil e será inaugurada em Curitiba (PR) Spider Kick/Divulgação

O modelo, que já existe nos EUA, chegará ao Brasil em dezembro, com uma unidade em Curitiba (PR). A cidade foi escolhida por ser a terra onde o lutador cresceu. A ideia é ter 30 unidades inauguradas até meados de maio do próximo ano. “A expansão será a nível nacional, mas num primeiro momento os estados que vão receber unidades são Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo”, diz Nero, sócio de Silva no projeto. Como será desenvolvido por meio do modelo de franquias, Nero crê na abertura de 300 academias nos próximos cinco anos. Questionado sobre as dificuldades para o mercado em meio à pandemia do novo coronavírus, Nero se diz confiante. “A pandemia foi ruim para o setor. Estimamos que cerca de 30% das academias não voltem a abrir mais. Mas isso gera uma janela de oportunidades, com alunos órfãos de academias e vacância imobiliária”, afirma.

Consultores do setor entendem que, após o surgimento das chamadas academias low cost, as segmentadas tendem a tomar espaço no imaginário do consumidor. O modelo da Spider Kick aposta na técnica das artes marciais atrelada a um conceito de “gamificação” para auxiliar no processo de condicionamento físico e perda de peso das pessoas. “As aulas são bem descontraídas, dinâmicas, com foco nas artes marciais. É um treino de circuito, com saco de pancada, funcional e treinamento para agilidade”, diz Nero. Cada academia terá espaço para 500 alunos. A mensalidade, por sua vez, gira em torno de 199 reais, com taxa de manutenção de 99 reais. O preço, segundo Nero, é “acessível”. “Como o investimento para abrir uma unidade é baixo, entre 300 mil e 500 mil reais, dá para trabalhar com esse valor para o consumidor. Essas academias-butiques de bicicletas, como a Spin’n Soul, oferecem planos que custam mais de 300 reais ao mês”, afirma. Resta saber se Anderson Silva também acumulará musculatura no octógono dos negócios, uma competição diferente em meio da qual ele estava acostumado.

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