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MP contesta argumento da Dolly para demitir funcionários

Promotoria nega que contas da empresa tenham sido bloqueadas, motivo utilizado pelo dono da Dolly para fechar fábrica

Por Redação 21 jun 2018, 19h04 | Atualizado em 21 jun 2018, 19h05
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A Ragi Refrigrantes, fabricante da Dolly, anunciou nesta semana o fechamento da fábrica de Tatuí e a demissão de 700 funcionários – parte deles da unidade encerrada e outra da linha de produção de Diadema. O motivo utilizado para justificar as demissões foi o bloqueio de contas da empresa, o que impedia o pagamento dos colaboradores.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Laerte Codonho, dono da Dolly, afirmou que não consegue pagar funcionários nem impostos com a conta bloqueada. Disse também que não consegue vender para grandes redes varejistas, pois elas fazem o pagamento com depósito em conta.

Mas o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que investiga a empresa por organização criminosa, fraude fiscal estruturada, lavagem de dinheiro e corrupção, contesta essa versão. A Promotoria afirma que as medidas cautelares ajuizadas no âmbito do procedimento instaurado para a apuração dos crimes “não abrangem bloqueio das contas das pessoas jurídicas e físicas envolvidas na investigação”.

“Causa, portanto, estranheza, que Laerte Codonho, afastado da gestão da empresa, justifique a demissão de funcionários no bloqueio de contas das empresas do grupo, nas quais, vale repetir, não foram localizados valores significativos para a satisfação dos débitos bilionários existentes”, diz a Procuradoria.

Outro fato suspeito, de acordo com o MP-SP, é que o bloqueio momentâneo “de valores existentes nas contas constatou a presença de valores pouco significativos em face dos débitos nas contas das empresas do grupo, o que traz sérios questionamentos sobre a forma utilizada pelas empresas do grupo para o recebimento de valores decorrentes das vendas que realiza”.

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Laerte Codonho chegou a ser preso em maio durante operação da polícia e Ministério Público contra sonegação fiscal. Na ocasião, ele culpou a Coca-Cola pela sua detenção num recado escrito em folha de sulfite.

Procurada, a Dolly informou que não poderia se manifestar sobre o assunto nesta quinta-feira.

Laerte Codonho, um dos sócios da companhia de refrigerantes Dolly, foi preso em sua casa, em Cotia
O empresário Laerte Codonho, um dos sócios da companhia de refrigerantes Dolly, foi preso em sua casa, em Cotia – 10/05/2018 (Danilo Verpa/Folhapress)
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