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Merkel relativiza proposta polêmica de criar um comissário para a Grécia

Bruxelas, 30 jan (EFE).- A chanceler alemã, Angela Merkel, minimizou nesta segunda-feira a proposta alemã de criar um ‘comissário de orçamento’ para a Grécia com poder de veto sobre as decisões governamentais, ao afirmar que não quer gerar uma controvérsia.

‘Acho que estamos debatendo algo que deveríamos debater’, disse Merkel ao chegar na cúpula informal de líderes da União Europeia, onde disse que na realidade a ideia é questionar o que a Europa pode fazer para que a Grécia cumpra com as medidas estipuladas.

‘Isso só é possível se a Grécia e os demais Estados conversarem sobre o assunto’, afirmou. A chanceler alemã ressaltou que não quer uma controvérsia, apenas um debate que gere resultados positivos para os gregos.

Merkel disse não esperar um debate sobre a Grécia na cúpula desta segunda, porque ainda não foi fechado um acordo entre as autoridades gregas e os credores privados e não está pronto o relatório da missão internacional de análise, mas fontes diplomáticas informaram que os 27 discutirão de forma ‘limitada’ a situação da Grécia.

O que não está previsto é abordar a possibilidade de dotar de mais fundos públicos o segundo programa de resgate grego nem a possibilidade de que Atenas ceda parte de sua soberania orçamentária a Bruxelas.

Segundo informou no fim de semana passado a revista alemã ‘Der Spiegel’, a missão internacional (formada por Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) calcula que o montante final do segundo resgate deveria alcançar os 145 bilhões de euros, cerca de 15 bilhões a mais que o estipulado na cúpula comunitária de outubro.

A proposta alemã já conta com a rejeição do presidente do Eurogrupo e primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, assim como do chanceler federal austríaco, o social-democrata Werner Faymann.

‘Faço forte oposição à ideia de impor um comissário’ nomeado pelo Eurogrupo, como propôs a Alemanha em um documento distribuído na semana passada aos Governos da eurozona, disse o primeiro-ministro luxemburguês ao chegar à cúpula informal dos chefes de Estado e Governo da UE.

Faymann também rejeitou a proposta alemã e afirmou que criar um ‘comissário especialmente para um país não parece uma boa ideia’, mas é melhor que a Comissão Europeia atue como costuma fazer em todos os países, com uma supervisão reforçada.

O Executivo da UE lembrou este fim de semana que reforçará sua capacidade de supervisão do cumprimento das medidas de ajuste, mas afirmou que corresponde ao país a ‘responsabilidade’ de executá-las, incluindo o orçamento nacional. EFE