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Localiza dá desconto no aluguel de carros para motoristas de aplicativo

Com a operação drasticamente afetada pela pandemia de coronavírus, a empresa concede pacotes até 50% mais baratos

Por Victor Irajá - 26 mar 2020, 14h33

O secretário de Desestatização do Ministério da Economia, Salim Mattar, está preocupado. Não pela posição distópica do presidente Jair Bolsonaro em relação à pandemia do novo coronavírus, tampouco as medidas engendradas na pasta para mitigar os efeitos do desemprego que se anuncia ou a paralisação de qualquer tipo de negociação para privatizar empresas públicas pela crise econômica que bate à porta. Ele está preocupado com seu próprio negócio. Mattar é dono da Localiza Hertz, empresa de aluguel de carros.

As belas perspectivas para a empresa, anunciadas por analistas de mercado desde o ano passado, foram pelo ralo com a chegada da doença ao Brasil. Antes da pandemia atingir o país, bancos e instituições financeiras previam um crescimento entre 20% e 30% na procura por aluguel de automóveis — exatamente pelo avanço dos aplicativos de transporte, como Uber e 99.

O motivo para o desespero é simples. Um dos grandes nichos de mercado da empresa contempla motoristas de aplicativo, que fazem pacotes mensais de aluguéis para trabalhar. Com a baixa procura e recomendação expressa de governadores e prefeitos, além do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, para que as pessoas fiquem em casa para evitar a disseminação da Covid-19, a empresa tem oferecido descontos de mais de 50% nos pacotes para os motoristas de aplicativo.

“Em caráter de urgência devido ao cenário de quarentena vivido em São Paulo, a companhia oferece para os motoristas de aplicativo da cidade o aluguel semanal de R$ 9,90, entre 23 e 29 de março”, informa a empresa em nota. “Essa medida foi pensada para não impactar a baixa receita dos motoristas decorrente da diminuição de corridas no período. São elegíveis para o desconto, aqueles que rodarem até 70 quilômetros na semana”, disserta.

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A empresa também evoca que os aplicativos, no momento, talvez sejam uma alternativa de transporte mais segura do que os transportes coletivos. E, claro, uma alternativa de renda para aqueles que se arriscam, por não ter outra alternativa de renda. A empresa afirma que intensificou seus processos de higienização dos veículos e vem recomendando aos clientes medidas de segurança para evitar a disseminação da doença.

A Uber alerta pelo aplicativo: “Fique em casa” e “se desloque apenas se necessário”, enquanto a 99 dá coro às recomendações da Localiza. Não é para menos. A doença se dissemina rapidamente e, segundo dados do Ministério da Saúde, já infectou 2611 pessoas e deixou 63 mortos no Brasil. Mesmo com a perda de receita, as empresas parecem mais sensatas que o presidente da República.

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