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Lançamentos para todos os gostos não refletem nas ações das big techs

Investidores esperam que setembro tenha deixado para trás um mês de correções da bolha de tecnologia e abra caminho para nova onda de valorização

Por Josette Goulart Atualizado em 2 out 2020, 14h52 - Publicado em 1 out 2020, 20h00

Um mini drone da Amazon que voa pela sua casa quando ouve um barulho para verificar se tem algum intruso no local, uma célula de bateria de carro da Tesla com cinco vezes mais energia, um aplicativo da Apple para dançar e fazer ginástica. A temporada de lançamentos das Big Techs não foi exatamente campeã de bilheteria e pouco ajudaram — algumas até atrapalharam — o desempenho das ações de tecnologia. Foi um setembro de amargar para os investidores dessas empresas, depois de meses de surpreendente crescimento. O índice Nasdaq, que reúne as principais empresas de tecnologia, perdeu 8% do seu valor. A Alphabet, dona do Google, caiu 10%, a Amazon, 9%, a Apple, 14%. Das gigantes, a que menos sofreu foi a Microsoft, com baixa de 7,5%.

O sentimento dos investidores de estarem dentro de uma bolha foi o que motivou todas as quedas e, por isso, as inovações lançadas não conseguiram puxar o mercado. O medo da bolha Covid teve, entretanto, razão de ser. As empresas de tecnologia tiveram uma supervalorização desde abril, quando de uma hora para a outra, o mundo avançou para ser mais digital, quando não completamente digital. E em quem seria melhor para fazer suas apostas, num momento assim, do que em uma empresa de tecnologia? Mas, quando chegou setembro, começou-se a perceber que a alta podia estar um tanto irracional. As ações da Tesla chegaram a cair 20% em um único dia, depois que o índice Dow Jones, que agrega empresas mais consolidadas em seus resultados, rejeitou a entrada das ações da fabricante de automóveis. O analista Dan Ives, da Wedbush, resumiu bem: os investidores começaram a achar que o valor das empresas estava alto demais. Algumas estavam valendo 40 vezes o seu lucro.

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    Mas não foi só o sentimento da bolha que afetou os investidores das ações de tecnologia. A verdade é que as empresas não tiveram um bom setembro, em geral. A Apple, por exemplo, está sendo questionada sobre possíveis práticas anticoncorrenciais. A Epic Games trava uma batalha na Justiça por conta da cobrança de 30% das taxas para que a empresa tenha seu game na AppStore, loja de downloads da empresa fundada por Steve Jobs. O Spotify também passou a alegar que a Apple está abusando de sua posição dominante, desde que a empresa lançou o Apple One em que os consumidores pagam mensalmente um pacote para ter acesso aos serviços de música e TV da Apple.

    O Facebook enfrentou notícias de que a agência de concorrência no governo americano pode entrar com processo contra a empresa ainda por conta da compra do WhatsApp e do Instagram. Ainda vem uma eleição presidencial pela frente, retomando as preocupações que afetaram a empresa desde o último pleito, em 2016, quando se iniciou uma série de questionamentos contra a empresa. E, para coroar, até a celebridade Kim Kardashian disse que ia congelar sua conta no Facebook por conta da empresa não combater discursos de ódio.

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    Os problemas para as gigantes de tecnologia não pararam por aí. Os CEOs do Google, Facebook e Twitter talvez tenham de depor mais uma vez no Senado americano. Já a Amazon precisou engolir o anúncio da Target, uma das maiores varejistas americanas, que vai fazer uma megaliquidação nos mesmos dias do Amazon Prime Day. E quem acompanha a Tesla não ficou muito animado com o anúncio da nova bateria, feito por Elon Musk. Para alguns analistas pareceu só um monte de promessas do que Musk quer fazer, mas nada concreto ainda. O evento, que imitou um cinema drive in cheio de carros da marca, também não animou muito. Além disso, uma consultoria anunciou que a Tesla pretende entrar para o ramo da mineração de litio, o que não foi confirmado pela empresa, mas já foi suficiente para suscitar mais dúvidas. A presidente da House Mountain Partners, Chris Berry, que faz análise sobre suprimento de metais de energia achou péssima a ideia. “Eu não me importo com o que a Tesla é, uma empresa de automóveis ou uma empresa de tecnologia. Eu sei que é um grande debate. É uma ideia terrível para uma empresa como a Tesla, ou VW ou BMW ou qualquer outra, entrar na mineração porque é um negócio radicalmente diferente”, disse.

    A  expectativa agora é de como será outubro. Se as ações de tecnologia vão continuar em queda, ou se setembro só marcou uma correção de preços de um agosto otimista demais. No primeiro dia de mês, o clima é de mais otimismo. Todas as ações de tecnologia sobem e os analistas dizem que já é o prenúncio de que talvez os resultados dos balanços do trimestre, que encerrou em setembro, mostrem que as empresas continuam ganhando muito dinheiro.

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