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Índia surpreende e eleva taxa de juros para 8%

Objetivo da medida é ajudar a conter a inflação e a saída de capital do país

A Índia elevou inesperadamente a taxa de juros, nesta terça-feira, para conter a inflação e afirmou que agora está melhor preparada para lidar com o risco de grandes saídas de capital. O banco central do país, entretanto, informou que não prevê novas medidas de aperto monetário no curto prazo, caso a inflação do varejo desacelere de acordo com o planejado.

O aumento da taxa de juros em 0,25 ponto porcentual, para 8%, deve-se às expectativas de níveis altos, porém moderados, da inflação ao consumidor.

Segundo o presidente do BC indiano, Raghuram Rajan, o aumento da taxa de juros desta terça-feira vai ajudar que a manter inflação em um patamar inferior a 8% em janeiro de 2015. A meta é que a inflação indiana recue abaixo de 6% até 2016.

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Crescimento – Atualmente, Rajan passa pelo desafio de reanimar uma economia que cresce no ritmo mais lento em uma década, ao mesmo tempo em que enfrenta a alta dos preços, especialmente dos alimentos, devido a uma escassez de oferta que está além do controle da política monetária.

De acordo com o BC, o crescimento do país durante o ano fiscal de 2014 deve ser inferior à estimativa anterior de 5%. Já para o ano fiscal de 2015, a previsão é que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça entre 5% e 6%. Ainda segundo a entidade, a política monetária deve ser revisada a cada dois meses, com isso a próxima mudança está prevista para a reunião de 1 de abril.

Cenário externo – A Índia eleva sua taxa de juros em um momento de preocupações com a desaceleração do crescimento na China e a perspectiva de uma nova redução dos estímulos monetários norte-americanos. “Injetamos um pouco de remédio, 0,75 ponto porcentual em altas desde setembro, e precisamos observar para ver como esse remédio funciona, junto com a fraqueza da economia e a estabilização da rupia”, disse Rajan.

A rupia indiana despencou 11% no ano passado, após o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, anunciar que iria reduzir seu agressivo programa de compra de ativos, o qual havia alimentado a demanda global por ativos de risco. As expectativas de que o Fed realizará um novo corte em seus estímulos monetários nesta semana renovou a pressão sobre as economias emergentes, embora a rupia tenha apresentado um desempenho superior ao que outras moedas desta vez.

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(com Estadão Conteúdo e agência Reuters)