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Grécia diz aceitar 70% das exigências dos credores, mas ainda quer alterações no plano de resgate

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, afirmou nesta segunda que quer firmar um acordo com a Grécia, mas não abre mão de o abrandamento de algumas medidas de austeridade

A poucos dias de vencer o prazo de seu acordo atual com credores internacionais, a Grécia se vê em um impasse que pode determinar seu futuro econômico: aceitar ou não as condições impostas pelos credores que defendem a continuidade das políticas de austeridade fiscal. O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, disse nesta segunda-feira que é a favor de selar um negócio com os líderes da zona do euro para receber um novo resgate financeiro e continuar dentro do bloco econômico. Contudo, o desafio é conciliar o bom relacionamento com os vizinhos e o fim das medidas de austeridade fiscal, bandeira defendida pelo governo vencedor das eleições em janeiro.

“Há uma vontade comum de resolver essa crise. Eu estou otimista que vamos chegar a um acordo com os parceiros europeus”, disse depois de um encontro com o chanceler da Áustria, Werner Faymann, em Viena, publicou o jornal The Guardian.

Mesmo assim, Atenas tem se recusado a implementar as medidas de austeridade exigidas pelos credores, o que levanta questionamentos sobre sua permanência no euro. O acordo de reestruturação de dívida aprovado pelo país em 2010, que o tirou do limbo, foi feito com a troica tem como principais credores a troica: Fundo Monetário Internacional (FMI), União Europeia e Banco Central Europeu (BCE). Em troca de ajuda financeira, a Grécia se comprometeu a reduzir suas dívidas, especialmente por meio de corte de gastos públicos e aumento da arrecadação.

No domingo, Tsipras reiterou que a Grécia vai pedir um novo empréstimo-ponte até junho, mas rejeitou a simples extensão do programa de resgate atual, como pedido pelos outros governos europeus. Atenas tenta abrandar as exigências dos credores, revertendo algumas das medidas de austeridade exigidas. Em discurso no Parlamento, o ministro de Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, pediu que os parceiros europeus deixem de lado a insistência para que o país siga adiante com políticas fracassadas.

“Nós vamos apresentar nossa proposta e seguir adiante com reformas profundas em cooperação com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE)”, disse o ministro. “A essa lista, vamos acrescentar cerca de 70% das reformas e compromissos que estão no atual programa de resgate. Os 30% restantes serão suspensos ou descartados”, explicou.

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O ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, crítico das tentativas da Grécia de mudar o atual acordo com os credores, lembrou que o país precisa de um empréstimo até o fim de fevereiro, quando vence o atual contrato. “Se a Grécia quer trabalhar conosco, eles precisam de um programa”, disse Schäuble em entrevista durante o encontro do G-20 em Istambul, na Turquia.

Caso entre em outro programa de financiamento, a Grécia provavelmente precisará implementar reformas impopulares no país e se submeter a um regime de supervisão da troica – exatamente o que o novo governo grego tem rejeitado.

“Não vamos forçar ninguém a entrar em um programa”, afirmou o ministro alemão. Mas “sem um programa será difícil para a Grécia”, reforçou.

Castelo de cartas – Nesta segunda-feira, o ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, disse que sair da zona do euro nunca esteve nos planos porque o euro é frágil. “É como um castelo de cartas. Se você tirar a carta da Grécia, o resto desmoronou”, disse, segundo o jornal The Telegraphy.

(Com Estadão Conteúdo)