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Temer: Governo terá Forças Federais de Segurança para desobstruir estradas

Presidente disse que governo teve coragem de dialogar e agora tem coragem para 'exercer a autoridade de defesa do povo brasileiro'

Por Redação Atualizado em 25 Maio 2018, 14h26 - Publicado em 25 Maio 2018, 12h52

Após o fracasso do acordo do governo para suspender a greve dos caminhoneiros por 15 dias, o presidente Michel Temer anunciou hoje que vai convocar as Forças Federais de Segurança para liberar as estradas bloqueadas desde segunda-feira. A decisão foi tomada após uma reunião do Gabinete de Segurança Institucional no Palácio do Planalto com Temer e ministros do governo.

“Comunico que acionei as Forças Federais de Segurança para desbloquear as estradas e solicitei aos governadores que façam o mesmo”, disse ele. “Não vamos permitir que a população fique sem gêneros de primeira necessidade, que fiquem sem produtos, que hospitais fiquem insumos para salvar vidas nem que crianças sejam prejudicadas pelo fechamento das escolas.”

Temer criticou ainda a postura dos caminhoneiros que não cumpriram o acordo. “Quem bloqueia estrada e age de maneira radical está prejudicando a população e será responsabilizado.”

O presidente afirmou que o objetivo da medida é garantir a livre circulação e abastecimento da população. “O acordo assinado e cumprido é a melhor alternativa. Espero que cada caminhoneiro cumpra seu papel. O governo teve coragem de dialogar. Agora tem coragem para exercer a autoridade de defesa do povo brasileiro.”

  • Em seu pronunciamento, Temer disse que o governo atendeu as principais reivindicações dos caminhoneiros, que não cumpriram com sua parte de suspender a greve. “Esse deveria ter sido o resultado do diálogo. Muitos caminhoneiros estão fazendo sua parte, mas infelizmente uma minoria radical tem bloqueado estradas e impedido que muitos caminhoneiros levem adiante seu desejo de atender a população e fazer seu trabalho.”

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    Apesar de ter assinado o acordo, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) divulgou nota informando que nenhuma entidade tem poder para acabar sozinha com a mobilização. “O documento com o governo só foi assinado para garantir que o governo manteria aquelas propostas caso a categoria as aceitasse. Nosso papel é o de levar as propostas da categoria para que cada grupo de manifestantes decida”, afirmou a CNTA em nota.

    A entidade afirma ainda que não tem poder para influenciar sozinha o fim da mobilização. “Sabemos que nenhuma pessoa ou entidade tem, sozinha, o poder de acabar com essa mobilização e isso sempre foi deixado muito claro para o governo. “

  • Locaute

    A Polícia Federal vai investigar a possibilidade de locaute – participação dos patrões – na paralisação dos caminhoneiros, que entrou nesta sexta no quinto dia, apesar do acordo firmado na noite de quinta-feira (24). Mesmo com a câmara de compensação proposta pelo governo, que manterá, por meio de subvenções bancadas pelo Tesouro, o preço do diesel estável para os distribuidores, o que se constata nesta sexta é a ampliação dos pontos de retenção das estradas e não a redução do movimento, como esperava o governo federal.

    Locaute é caracterizado quando empresários de um setor contribuem, incentivam ou orientam a paralisação de seus empregados. Ou seja, é uma greve liderada pelos patrões, com o intento de obtenção de benefícios para o setor, o que é proibido por lei.

    Segundo o jornal O Estado de S. Paulo apurou, a avaliação do próprio governo é de que o Planalto subestimou a proporção que a mobilização poderia tomar, um erro do sistema de inteligência, que é comandado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

    (Com Estadão Conteúdo)

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