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Governo descarta capitalizar Petrobras agora, dizem fontes

Segundo funcionários ouvidos pela agência de notícias Reuters, o governo também não pretende fazer um aporte na empresa via Tesouro Nacional

O governo federal descarta realizar uma capitalização da Petrobras neste momento, após a agência de classificação de risco Moody’s ter rebaixado o rating da estatal para grau especulativo, disseram nesta quarta-feira à agência de notícas Reuters duas fontes do governo a par do assunto.

“Não temos nenhuma perspectiva de capitalização da Petrobras. Não vai haver aporte do Tesouro (Nacional) na Petrobras”, afirmou uma das fontes, que falou sob condição de anonimato.

Essa mesma fonte reconheceu que o governo teme que a avaliação da Petrobras contagie a nota de crédito soberana do Brasil, mas disse que a equipe econômica tem confiança de que o rating brasileiro não será rebaixado.

Ainda segundo essa fonte, o governo deverá anunciar novas medidas fiscais nos próximos dias, com expectativa de que elas sejam recebidas pelas agências de risco como mais um sinal de compromisso da equipe econômica do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff com a melhora das contas públicas.

“O governo ainda não mostrou todas as medidas que têm discutido. E as agências (de risco) provavelmente vão gostar do que vai ser mostrado em breve”, disse a fonte.

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A Petrobras teve seu rating rebaixado em dois degraus pela Moody’s na noite de terça-feira, de “Baa3”, que é a última nota da escala da agência considerada grau de investimento, para “Ba2”.

A Moody’s manteve a classificação da estatal em revisão para novo rebaixamento e citou as investigações sobre corrupção e pressões de liquidez, que podem resultar em atraso da divulgação pela petroleira das demonstrações financeiras auditadas.

A estatal está no centro de um escândalo bilionário de corrupção por sobrepreço de contratos e pagamento de propina, revelado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. O esquema envolve ex-funcionários, executivos de empreiteiras e políticos.

Analistas – O rebaixamento do rating da Petrobras pela Moody’s fez alguns analistas começarem a considerar um aumento de capital na companhia. Para o BTG Pactual, a falta de ação da diretoria da Petrobras para evitar o rebaixamento pela Moody’s deve aumentar o sentimento negativo e aumentar a percepção de que a agência Fitch possa fazer o mesmo em breve.

Em relatório, os analistas do BTG escreveram que a perda do grau de investimento por mais uma agência prejudicaria a capacidade de a Petrobras refinanciar grandes montantes de dívidas, levando à necessidade de uma grande capitalização.

Na mesma linha, o time de crédito do Itaú disse que existe risco de um rebaixamento da Petrobras pela agência Fitch nos próximos meses. Isso motivaria uma maciça venda de bônus e ações da companhia, tornando “a realização de uma oferta de ações inevitável”, de acordo com o Itaú.

Ações em queda – O rebaixamento do rating da Petrobras pela Moody’s derrubou as ações da empresa na Bolsa na sessão desta quarta-feira. Pouco depois das 14 horas, os papéis preferenciais caíam 6,59% e as ordinárias tinham perda de 6,16%, enquanto o Ibovespa exibia desvalorização de 0,82%. Para a presidente Dilma, o rebaixamento do rating da Petrobras representa “falta de conhecimento”.

“Acho que é uma falta de conhecimento direito do que está acontecendo na Petrobras”, disse Dilma a jornalistas em Feira de Santana (BA), onde participou de evento. “Agora, não tenho dúvida de que a Petrobras vai ser uma empresa com grande capacidade de se recuperar disso, sem grandes consequências”, acrescentou a presidente.

(Com agência Reuters)