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FMI estima PIB do Brasil a 0,9% e desaceleração na América Latina

Para a região, fundo cortou a projeção de crescimento de 0,6% para 0,2% devido a problemas fiscais brasileiros, queda de consumo mexicano e crise argentina

Por Larissa Quintino Atualizado em 15 out 2019, 12h54 - Publicado em 15 out 2019, 12h48

O Fundo Monetário Internacional (FMI) aumentou de 0,8% para 0,9% a perspectiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2019. No entanto, o fundo cortou de 2,4% para 2% a projeção para 2020. Segundo a entidade, os desequilíbrios fiscais do país são um dos fatores que vão contribuir para manter a atividade econômica na América Latina com expansão anual abaixo de 3%, no médio prazo. Para este ano, o FMI cortou a projeção de crescimento da região de 0,6% para 0,2%.

“No Brasil, a reforma previdenciária é um passo essencial para garantir a viabilidade do sistema de seguridade social e a sustentabilidade da dívida pública”, alertou o FMI no relatório, destacando que mais consolidação fiscal gradual será necessária para atingir o teto de gastos nos próximos anos.

Os números para 2019 e 2020 estão em linha com os do mercado. A mais recente pesquisa Focus do Banco Central mostrou que os economistas consultados veem uma expansão de 0,87% do PIB em 2019, indo a 2% em 2020.

Entre a agenda de reformas necessárias, o Fundo destacou a reforma tributária, a abertura comercial e o investimento em infraestrutura. “A política monetária deve permanecer expansionista para sustentar o crescimento econômico, desde que as expectativas de inflação permaneçam ancoradas”, disse o FMI.

  • A taxa básica de juros Selic foi reduzida em setembro em 0,50 ponto, para 5,50% ao ano, nova mínima histórica, com o BC indicando de forma explícita novo alívio monetário. No Focus, a expectativa é de que os juros terminem o ano a 4,75%.

    O FMI passou a prever ainda inflação no Brasil de 3,8% em 2019 e 3,5% em 2020, ante respectivamente 3,6% e 4,1% na estimativa de abril. Os valores estão abaixo do centro da meta oficial, que é de 4,25% em 2019 e de 4% em 2020, ambos com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

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    Região

    Para a América Latina e Caribe, o FMI reduziu com força suas expectativas, vendo um crescimento de apenas 0,2% em 2019 e de 1,8% em 2020, recuos respectivamente de 0,4 e 0,5 ponto percentual sobre julho.

    Para essa revisão, o FMI citou principalmente problemas na oferta do setor de mineração do Brasil e fraqueza do investimento e consumo privado no México e a crise financeira da argentina. À frente, a expectativa é de uma aceleração limitada.

    “Na América Latina, o crescimento deve aumentar em relação ao 1,8% projetado para 2020, mas permanecer abaixo de 3% no médio prazo, já que a rigidez estrutural, períodos fracos de comércio e desequilíbrios fiscais (principalmente no Brasil) pesam sobre as perspectivas”, completou o FMI.

    Já os mercados emergentes e em desenvolvimento devem acelerar o crescimento de 3,9% em 2019 para 4,6% em 2020.

    “Cerca de metade disso se deve a recuperações ou recessões mais rasas em mercados emergentes como Turquia, Argentina e Irã; e o resto a recuperações onde o crescimento desacelerou significativamente em 2019 na comparação com 2018, como Brasil, México, Índia, Rússia e Arábia Saudita”, explicou o FMI.

    (Com Reuters)

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