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Espanha entra em recessão com medidas de austeridade

Por Da Redação 30 abr 2012, 10h06

MADRI, 30 Abr (Reuters) – A economia da Espanha entrou em recessão no primeiro trimestre, segundo dados divulgados nesta segunda-feira, com profundos cortes do governo para reduzir o enorme déficit público e problemas no sistema bancário provavelmente atrasando qualquer retorno ao crescimento.

O Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 0,3 por cento entre janeiro e março ante o trimestre anterior de acordo com dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística, levemente melhor do que as previsões da pesquisa da Reuters de uma queda de 0,4 por cento.

O governo está sob intensa pressão de seus parceiros europeus para incentivar a quarta maior economia da zona do euro, cortar o déficit e consertar o sistema bancário, prejudicado pela economia fraca e pela abertura de uma bolha imobiliária.

A recessão, definida por dois trimestres consecutivos de retração econômica, é a segunda desde o final de 2009. A economia da Espanha não cresce em uma base trimestral em mais de meio ponto percentual desde o começo de 2008.

“Nós esperamos um aumento no ritmo de contração nos próximos trimestres, conforme as medidas de austeridade tiverem efeito mais forte”, disse em relatório a economista do BNP Paribas Evelyn Herrmann.

O plano de estabilidade econômica atualizado do governo espanhol publicado na sexta-feira, antes de ser enviado à Comissão Europeia, prevê uma contração de 1,7 por cento em 2012, passando para crescimento de 0,2 por cento no próximo ano.

Na base anual, a economia contraiu 0,4 por cento comparado com o crescimento de 0,3 por cento no trimestre anterior, de acordo com os dados. Economistas consultados pela Reuters, assim como o Banco da Espanha (banco central), previam uma queda de 0,5 por cento.

BANCOS EM FOCO

A Espanha paga perto de 6 por cento em seus títulos de dez anos, nível que alguns especialistas consideram ser insustentável no longo prazo.

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A agência de classificação de risco Standard and Poor’s cortou a nota de crédito do país em dois graus, para “BBB+”, citando temores com a exposição do governo aos seus bancos, aumentando as preocupações dos investidores sobre a sustentabilidade fiscal do país.

A S&P também rebaixou a nota de 11 bancos do país nesta segunda-feira.

“Os fatores por trás do rebaixamento da Espanha podem ter implicações potencialmente negativas para a nossa visão do risco econômico e do risco industrial, afetando o sistema bancário espanhol, e para nossa análise de fatores específicos de nota que guiam nossas avaliações autônomas de perfil de crédito sobre os bancos espanhóis”, disse a S&P.

O desemprego saltou para 24,4 por cento no primeiro trimestre, mais do que o dobro da média da União Europeia (UE) e os dois maiores bancos espanhóis -Santander e BBVA- sugeriram que podem não comprar mais títulos do governo este ano.

“O rebaixamento da S&P dos bancos espanhóis já estava precificado e as ações estão quase estáveis ou apenas com leve queda. O que o mercado está esperando agora é o resultado de um possível rebaixamento dos bancos espanhóis pela Moody’s, depois que ela colocou suas perspectivas sob revisão há um tempo”, disse a analista do Renta 4, de Madri, Nuria Alvarez.

O governo anunciou economias de mais de 40 bilhões de euros (53,04 bilhões de dólares) este ano dos orçamentos central e regional, para tentar atingir a meta de déficit de 5,3 por cento do PIB este ano, ante 8,5 por cento do PIB em 2011.

O governo conservador, que tomou o poder dos Socialistas em dezembro, implementou uma reforma trabalhista e uma reforma no setor bancário que forçam os bancos a levantar mais de 52 bilhões de euros em capital este ano.

No entanto, com alguns esperando que os preços das propriedades caiam entre 20 e 30 por cento, muitos economistas acreditam que aumentar as provisões bancárias contra potenciais empréstimos ruins do setor imobiliário não será suficiente para estabilizar o setor.

Enquanto isso, a conta corrente da Espanha teve déficit de 5,9 bilhões de euros em fevereiro, acima do déficit de 5,3 bilhões de euros no mesmo mês do ano anterior, informou o Banco da Espanha nesta segunda-feira.

(Reportagem de Paul Day)

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