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Dominique Strauss-Kahn renuncia à chefia do FMI

Cedendo à crescente pressão, francês acusado de abuso sexual abandona cargo de diretor-gerente "com infinita tristeza" e diz pensar na esposa e filhos

Por Da Redação
Atualizado em 5 jun 2024, 12h30 - Publicado em 19 Maio 2011, 02h55

Cedendo à crescente pressão, Dominique Strauss-Kahn renunciou ao cargo de diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em comunicado divulgado na noite desta quarta, o FMI anunciou que o economista francês de 62 anos apresentou sua renúncia perante o diretório da instituição financeira e negou “com a mais absoluta firmeza” todas as acusações apresentadas contra ele. Strauss-Kahn está preso em Nova York acusado por uma camareira de 32 anos de abuso sexual.

Segundo a nota divulgada, o homem antes cotado para presidir a França tomou a decisão de deixar o Fundo “com infinita tristeza” e pensando, em primeiro lugar, em sua esposa, filhos, família e amigos.

No breve comunicado, o economista também se dirige aos colegas de FMI: “alcançamos grandes conquistas nos últimos três anos e meio”, afirmou, em referência ao reconhecido desempenho da instituição para lidar com os desdobramentos da crise financeira de 2008, em particular na costura de pacotes de socorro a países europeus – era, aliás, o que estaria fazendo esta semana, não fosse sua prisão no aeroporto JFK, em Nova York, pouco antes de embarcar rumo a Paris.

Strauss-Kahn acrescenta em sua carta de renúncia que tomou a decisão porque quer proteger o FMI, “que serviu com honra e devoção”. “E especialmente porque quero dedicar todas as minhas forças, meu tempo e energia em provar a minha inocência”, acrescentou, em passagem que parece indicar a renúncia, também, à corrida presidencial na França.

Strauss-Kahn está confinado no presídio de Rikers Islands à espera da próxima audiência judicial. Na primeira, teve negado o pedido de liberdade mediante fiança. Nesta quinta, em nova audiência, tentará mais uma vez ganhar a liberdade.

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Pressão – A renúncia de Strauss-Kahn vinha sendo ventilada desde seu indiciamento, na segunda-feira, por ato sexual criminoso, cárcere privado e tentativa de estupro. Na terça-feira, duas ministras europeias sugeriram que o economista considerasse a renúncia. Na sequência, o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, foi bem mais enfático ao constatar que é “evidente” que Strauss-Kahn não está em condições de dirigir a instituição. A renúncia deve ser recebida com alívio, embora nesta quarta o Tesouro americano não tenha feito nenhum comentário.

Sucessão – O escândalo envolvendo Strauss-Kahn já havia precipitado as apostas para sua sucessão. O número 2 do Fundo é o americano John Lipsky, mas ele já anunciou que deixa o cargo em agosto, enquanto o mandato de Strauss-Kahn só terminaria oficialmente em setembro de 2012.

Historicamente, a direção do Fundo é entregue a europeus, e a do Banco Mundial, em contrapartida, a americanos. O nome mais cotado para suceder Strauss-Kahn é o da também francesa Christine Lagarde, ministra de Finanças, mas também aparecem na bolsa de apostas Gordon Brown, ex-primeiro-ministro britânico, e Axel Weber, ex-presidente do Banco Central Alemão.

Emergentes – Apesar da vantagem dos europeus, países emergentes fazem pressão para que o FMI reflita seu crescente peso na economia mundial e, além disso, que a direção do Fundo seja decidida com base no mérito, não na geografia – o que o mercado não espera que venha ocorrer tão cedo, em particular em meio às turbulências financeiras na periferia do bloco europeu.

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De qualquer forma, já circulam nomes para suceder Strauss-Kahn ligados a economias emergentes: o ex-ministro de Economia da Turquia, Kemal Dervis; o chefe do Banco Central mexicano, Agustín Carstens, que já foi o número 2 do FMI; Mohamed El-Erian, que tem cidadania egípcia e francesa e preside o maior fundo de investimentos do mundo, o PIMCO; e o ex-ministro de Economia da África do Sul, Trevor Manuel.

Até esta quarta, segundo o jornal Financial Times, nenhum dos políticos e economistas cotados havia manifestado interesse na disputa.

(com EFE)

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