Clique e assine a partir de 9,90/mês

Dólar rompe a barreira dos R$ 4,20 e fecha no maior valor da história

Tensões na América Latina e informações contraditórias sobre o acordo comercial entre China e EUA levam moeda a ter alta de 0,3%

Por Lucas Cunha - Atualizado em 18 nov 2019, 17h54 - Publicado em 18 nov 2019, 17h19

A escalada do valor do dólar comercial frente ao real iniciada na última semana, cujas principais razões são a instabilidade política em vizinhos como a Bolívia e o Chile, e a lentidão nas negociações do acordo comercial entre China e Estados Unidos, levou a moeda americana a registrar nesta segunda-feira, 18, a sua maior cotação da história. O dólar teve pequena alta de 0,3%, o suficiente para atingir 4,21 reais para a venda e se tornar o valor mais elevado desde o início do Plano Real. O recorde anterior era de 4,1957 reais, atingido em 13 de setembro de 2018.

A escalada da moeda foi influenciada principalmente pelas turbulências vividas por países sul-americanos. “O mercado está muito preocupado com os conflitos políticos e econômicos na Argentina, Bolívia e Chile. Houve um pé no freio por parte dos investidores, que não dispostos a injetar recursos no Brasil. Dentre alguns fatores, a libertação do Lula foi encarada como um fator de insegurança jurídica pelo mercado, que teme que o país enfrente a mesma situação dessas outras nações” afirma Mauriciano Cavalcante, diretor de câmbio da Ourominas.

Além disso, o julgamento do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre uma decisão que determinou o envio à corte de relatórios elaborados pelo antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), atual Unidade de Inteligência Financeira do Banco Central, foi ponto de atenção dos investidores.

O presidente do STF, Dias Toffoli, havia determinado que o BC enviasse à Corte todos os Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) e das Representações Fiscais para Fins Penais (RFFP) realizados nos últimos três anos, medida que pode colocar em risco informações privadas de mais de 600.000 pessoas.

Continua após a publicidade

No cenário internacional, logo ao início do dia, houve otimismo dos investidores em relação às negociações comerciais entre Estados Unidos e China, após a agência estatal chinesa Xinhua informar que os dois lados mantiveram “negociações construtivas” sobre o comércio entre os países.

Contudo, a CNBC, canal de televisão americano que cobre notícias sobre o mundo dos negócios, relatou que o humor em Pequim sobre o acordo comercial com os Estados Unidos é pessimista, devido à relutância do presidente norte-americano, Donald Trump, em retirar tarifas.

(Com Reuters)

Publicidade