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Dólar oscila em meio a teste sobre teto de câmbio

Por Silvana Rocha

São Paulo – Os agentes do mercado de câmbio brasileiro devem começar a testar nesta quarta-feira se o teto informal da taxa de câmbio continua sendo de R$ 2,10. No mercadoà vista, o dólar no balcão abriu em alta de 0,15%, a R$ 2,0180. Até as 10h03, oscilou da máxima de R$ 2,020 (+0,25%) à mínima de R$ 2,0110 (-0,20%). Na BM&FBovespa, o dólar spot operava em alta de 0,60%, a R$ 2.014.

No mercado futuro, às 10h18, o dólar para agosto de 2012 recuava 0,12%, a R$ 2,0235, após abrir em alta e de oscilar entre R$ 2,0320 (+0,30%) e R$ 2,0205 (-0,27%).

O mercado local observa uma discreta alta da moeda dos EUA diante do euro e de moedas de emergentes ligadas a commodities no exterior. A menor liquidez esperada nesta quarta-feira, por causa do feriado nos Estados Unidos, pode provocar distorções na formação de preço, mas também tenderia a favorecer o ajuste positivo da moeda norte-americana.

O Banco Central defendeu ontem um piso de R$ 2,00 e avisou que poderá fazer leilões no mercado futuro para sustentar esse patamar. A sinalização causou estranheza, porque na semana passada o BC vendeu aos bancos nada menos que US$ 6 bilhões líquidos em contratos de swap cambial (equivalentes à venda de dólar no mercado futuro), que depois foram repassados ao mercado e derrubaram o dólar para abaixo desse suporte informal de preço. Agora, com a confirmação da contração da economia brasileira e expectativas de novas ações de estímulo de grandes Bancos Centrais ocidentais, que podem enfraquecer o dólar, o governo local mudou o sinal, desafiando o mercado.

“O BC parece que deseja uma taxa de câmbio fixa, em R$ 2,00, em vez de deixá-la flutuar naturalmente”, critica João Paulo de Gracia Corrêa, gerente da mesa de câmbio da corretora Correparti, com sede em Curitiba. Segundo ele, esse tipo de atuação engessa o mercado e não deixa as cotações oscilarem livremente. “Isso inibe o investidor de formar grandes posições compradas ou vendidas, por causa do temor de ações inesperadas por parte do BC”, afirma. “Diminui a possibilidade de ações do investidor no mercado futuro”, garante. “O BC está estreitando a banda de flutuação do dólar. O seu recado foi de que não quer a taxa de câmbio abaixo de R$ 2,00 nem acima de R$ 2,05”, avalia.

Para Corrêa, num dia de negócios normal seria mais fácil para o mercado absorver um movimento mais elástico do câmbio. Em função do feriado norte-americano, os volumes de negócios podem diminuir por aqui, distorcendo a formação de preço. Mas, a partir de amanhã, com os mercados operando normalmente, será possível avaliar melhor qual será a “banda cambial” ideal para o BC, afirma ele.

No exterior, novos indicadores confirmando a contração da economia na zona do euro, na Alemanha e no Reino Unido voltam a abater o euro. E elevam expectativas de que, amanhã, o Banco da Inglaterra poderá injetar mais recursos no mercado para ativar sua economia. Já o Banco Central Europeu poderá cortar os juros, em 0,25 ponto porcentual, para o piso histórico de 0,75% ao ano. Além disso, nos Estados Unidos, a divulgação do relatório de emprego na sexta-feira poderá forçar o Federal Reserve a admitir, no curto prazo, uma terceira rodada de relaxamento quantitativo.

Às 10h15, o euro recuava a US$ 1,2560, ante US$ 1,2609 no fim da tarde de ontem. O dólar estava praticamente estável (+0,01%) ante o dólar australiano e o dólar neozelandês (-0,01%); avançava 0,09% diante do dólar canadense; e subia 0,29 diante da rupia indiana.