Dólar cai a R$ 5,16 em meio à alta no preço do petróleo e aversão ao risco global
Mercados globais operam sob aversão ao risco, mas Brasil se beneficia impulsionado pela valorização de petroleiras
O Ibovespa teve valorização de 0,86% nesta segunda-feira, 9, avançando para os 180,9 mil pontos. Enquanto grande parte dos mercados internacionais operou sob aversão ao risco diante das tensões geopolíticas e da disparada dos preços do petróleo, o Brasil apresentou desempenho relativamente melhor, bem como suas petroleiras, que foram beneficiadas nesse cenário. As ações da Petrobras (PETR4) avançaram 2,37% hoje e impulsionaram a alta do índice.
Entre as demais ações de peso no principal índice da B3, os bancos tiveram desempenho majoritariamente positivo. O Itaú (ITUB4) subiu 0,54%, seguido pelo Santander (SANB11), que teve alta de 0,29%. O Bradesco (BBDC4), encerrou o dia no zero a zero, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) nadou em direção contrária e desvalorizou 0,20%.
O dólar, por sua vez, encerrou em baixa de mais de 1%, cotado a 5,16 reais. A moeda brasileira foi sustentada principalmente pela entrada de fluxo de capital estrangeiro no país. “O Brasil é exportador relevante da commodity e o avanço dos preços tende a melhorar as contas externas e fortalecer o real”, afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. “Além disso, o diferencial de juros elevado e o fluxo cambial positivo no início de março contribuíram para sustentar a moeda mesmo em um ambiente global instável.”
No exterior, as atenções ainda estão nos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, que se intensificou e reacendeu preocupações sobre possíveis impactos no fornecimento global de petróleo. O preço do petróleo brent chegou a disparar quase 20% no início do pregão, superando a cotação de 100 reais pela primeira vez em quatro anos. Isso porque a região inclui o Estreito de Ormuz, que foi bloqueado e é por onde escoa 20% do óleo e gás transportados por via marítima no mundo.
A alta no valor da commodity aumenta as preocupações com inflação e política monetária nas principais economias. No fim do dia, entretanto, o movimento foi de mais alívio, resultando em baixa de 3,73% e cotação de 89,23 dólares. O fenômeno veio após o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmar que o país enviará cerca de uma dúzia de embarcações navais para o Mediterrâneo, o Mar Vermelho e possivelmente para o Estreito de Ormuz para tentar reabri-lo gradativamente.
No cenário doméstico, o destaque da agenda econômica foi o Boletim Focus, que, pela segunda semana consecutiva, manteve a previsão da inflação para 2026 estável. Segundo economistas consultados pelo Banco Central, o IPCA deve encerrar o ano em 3,91%.
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