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Dilma enaltece Brics e se diz contra protecionismo

Em encontro com empresários, presidente destaca desenvolvimento social no Brasil e diz comandar um "governo aberto"

Por Ana Clara Costa e Clara Massote - 9 abr 2012, 20h49

Em discurso a empresários na Câmara de Comércio americana, a presidente Dilma Rousseff não mediu elogios à economia brasileira e à importância dos países dos Brics (grupo de emergentes composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para o avanço do crescimento mundial. “Somos países diversos com economias que se extendem por territórios continentais, grandes populações, desigualdade financeira e massas marginalizadas, com pobreza fome. Mas os Brics são responsáveis por 56% do crescimento do PIB mundial e o Brasil tem articulação expressiva nesse bloco”, disse a presidente.

Reunida com centenas de empresários norte-americanos e brasileiros – e acompanhada por uma comitiva de ministros composta por nomes como Aloysio Mercadante (Educação), Fernando Pimentel (Indústria), Antonio Patriota (Relações Exteriores), a Dilma também reforçou sua ideia de parceria de longo prazo com os Estados Unidos. “A parceria para o século 21 não se limita à economia e a investimentos. Deve-se ampliar o intercâmbio educacional, científico e tecnológico”, afirmou a presidente.

Apesar de ter criticado a política expansionista americana horas antes, em conversa com a imprensa, a presidente abrandou o discurso. “O Brasil sabe da importância dos EUA para reconstrução da economia internacional. Manifestei isso ao presidente Obama e também falei sobre a importância da flexibilidade da economia dos EUA para reagir à crise, somada à liderança do país nas áreas de Ciência, Tecnologia e Inovação”, disse a presidente aos empresários reunidos.

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Protecionismo – Após lustrar com muitos adjetivos a atual situação do Brasil – atendo-se sobretudo à redução da inflação, ao crescimento do PIB e ao baixo endividamento – a presidente também reforçou que o país é uma “economia aberta”. A frase foi resposta às inúmeras críticas que o governo brasileiro vem sofrendo no exterior após implantar medidas protecionistas na economia, como, por exemplo, a restrição imposta aos automóveis importados.

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Dilma afirmou que repudia o protecionismo – e, sobretudo, o protecionismo cambial. Como já repetiu inúmeras vezes, a presidente acredita que a estratégia do Banco Central Europeu (BCE) de injetar 1 trilhão de euros no mercado financeiro dos países da zona do euro é uma forma de protecionismo. Contudo, não comentou as medidas que o governo tem tomado para restringir a competição com importados no mercado interno. “Acreditamos que a fragilidade não pode converter-se em pretexto para reeditar a crise da década de 1930. Somos um país pronto para cooperar, participar e estabelecer relacionamentos com nossos parceiros. Nós, países do G20, devemos buscar soluções sustentáveis e eficazes”, disse.

Crise – Dilma reconheceu que nenhuma economia está imune à turbulência internacional, mas reiterou que as oportunidades criadas em momentos de crise são diversas e podem beneficiar o Brasil. Contudo, a presidente afirmou que os países desenvolvidos terão mais dificuldades em se reerguer se não aplicarem políticas de consolidação fiscal juntamente com expansão fiscal. “A saída não está em elaborar políticas recessivas nem a regressão de políticas sociais. Houve avanço no sentido de evitar uma crise aguda de liquidez. Mas só politicas monetárias não contribuem para a retomada do crescimento. O Brasil expeirmentou essa política anos 1980. Ficamos vinte anos sem condições de ampliar a taxa de crescimento”, afirmou.

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