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Copom aponta possível recuo do PIB no primeiro trimestre

Em ata divulga nesta terça-feira, comitê defende importância de reformas com impacto fiscal para a economia

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou em sua ata que há uma probabilidade do recuo do produto interno bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2018. “Os indicadores disponíveis sugerem probabilidade relevante de que o produto interno bruto tenha recuado ligeiramente no primeiro trimestre do ano, na comparação com o trimestre anterior, após considerados os padrões sazonais”,  de acordo com trecho da ata, divulgada nesta terça-feira, 14.

Nos primeiros três meses de 2018, o PIB teve alta de 0,4%. O resultado de janeiro a março de 2019 deve ser divulgado no dia 30 de maio pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Economistas têm sucessivamente revisado para baixo sua expectativa para o desempenho do PIB para 2019. A projeção mais atual, segundo a pesquisa Focus do BC, é de uma expansão de apenas 1,45% para o ano todo.

Segundo a ata, a desaceleração ocorre porque a atividade econômica continua em ritmo lento, como no ano passado. “Incertezas sobre aspectos fundamentais do ambiente econômico futuro – notadamente sobre sustentabilidade fiscal – têm efeitos adversos sobre a atividade econômica”. Na reunião, ocorrida no último dia 8, o comitê decidiu pela manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 6,5%, devido à conjuntura econômica. A Selic está neste patamar, o menor da história, desde março do ano passado.

Apesar de não citar especificamente a reforma da Previdência, o Copom afirma que o sucesso das reformas, em especial de natureza fiscal, desempenha um papel fundamental sobre uma melhora da economia. “Reformas que geram sustentabilidade da trajetória fiscal futura têm potencial expansionista, que pode contrabalançar efeitos de ajustes fiscais de curto prazo sobre a atividade econômica”

Na ata, o BC afirmou que deixará de usar a frase de “cautela, serenidade e perseverança” a partir da próxima reunião do Copom, com o entendimento de que a mensagem já foi assimilada. Portanto, adiantou que a investida não deve ser interpretada como mudança de sua forma de condução da política monetária. Com isso, a Selic deve ser mantida em 6,5% por mais algum tempo. Desde março do ano passado, a taxa básica de juros da economia está nesse patamar, o menor da história.

Sobre a inflação, o Copom disse que o índice acumulado em doze meses deve atingir um pico “no curto prazo”, para depois recuar e fechar 2019 “em torno da meta”. Embora tenha acelerado, a inflação veio abaixo do esperado em abril, alcançando 4,94% no acumulado em doze meses. O alvo oficial perseguido pelo governo neste ano é de um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,25% com margem de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos.

Decepção

Para o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria, o BC reforçou que o quadro econômico carrega certa decepção nos primeiros meses do ano.

“Enquanto prevalecer incerteza, é pouco provável que ocorra alguma mudança nas diretrizes da política monetária”, afirmou ele, que segue esperando três quedas na Selic de 0,25 ponto a partir de outubro, mas desde que haja a aprovação de uma reforma previdenciária moderada até lá.

Na visão da economista-chefe da ARX, Solange Srour, o BC enfatizou que a incerteza quanto às reformas acaba afetando a atividade, principalmente no aspecto do investimento.

“Eles precisam entender quais são os efeitos de possível aprovação da reforma na atividade, no prêmio de risco, nas expectativas de inflação, antes de tomar qualquer mudança na política monetária”, disse ela, que prevê uma manutenção da Selic em 6,5 % até o fim de 2019.

“Não vejo pressa para cair juros”, disse. “Agora se a reforma passa e os dados correntes continuarem vindo muito ruins de atividade, as expectativas de inflação retrocedem, aí o BC pode agir ainda este ano”, ponderou.

(Com Reuters)