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Contas externas têm pior resultado desde 1947 em janeiro

Brasil registrou déficit em transações correntes de 11,371 bilhões de dólares em janeiro, abaixo das estimativas do próprio BC e do mercado

As contas externas se deterioram e apresentaram em janeiro o pior resultado da série histórica, iniciada em 1947 pelo Banco Central. O déficit em transações correntes no mês passado ficou em 11,371 bilhões de dólares, informou o Banco Central na manhã desta sexta-feira. O resultado de janeiro ficou abaixo das estimativas do próprio BC, que esperava um déficit de 8,3 bilhões de dólares no mês.

Em janeiro do ano passado, o déficit na conta de transações correntes do balanço de pagamentos foi de 7,05 bilhões de dólares. Nos últimos 12 meses até janeiro de 2013, o déficit em transações correntes subiu para 58,568 bilhões de dólares o equivalente a 2,58% do Produto Interno Bruto (PIB). O BC projeta um déficit de 65 bilhões de dólares em 2013.

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O chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, atribuiu a piora do déficit em conta corrente das contas externas ao resultado negativo de 4,03 bilhões de dólares da balança comercial brasileira. Outro fator apontado por ele foi o aumento do volume de remessas de lucros e dividendos ao exterior, que atingiu 2,068 bilhões de dólares.

“O volume de remessas foi um pouco mais significativo. Este é um item com certa de volatilidade e apresentou um crescimento em janeiro”, Maciel. Ele destacou que o déficit em conta corrente de janeiro, de 11,371 bilhões de dólares foi o pior da série, que teve início em 1947, acima dos 8,3 bilhões de dólares projetados pelo BC há 30 dias.

Investimentos – O ingresso de Investimentos de Estrangeiros Diretos (IED) em janeiro alcançou 3,703 bilhões de dólares, informou também o Banco Central. O resultado ficou abaixo da expectativa da instituição, que projetava um ingresso de 4,5 bilhões de dólares de IED no mês.

Em 12 meses até janeiro, o fluxo de IED caiu para 63,57 bilhões de dólares (2,80% do PIB). O resultado mostra uma piora em relação a dezembro, quando ingressaram no país 5,358 bilhões de dólares. O valor é menor também do que a entrada de 5,4 bilhões de dólares de IED verificada em janeiro do ano passado.

O investimento estrangeiro em títulos de renda fixa negociados no país somou 398 milhões de dólares em janeiro, ante 555 milhões de dólares no mesmo mês de 2012. O investimento em títulos negociados no exterior ficou negativo em 25 milhões de dólares em janeiro de 2013. No mesmo período do ano passado, essas aplicações ficaram positivas em US$ 81 milhões.

Já o investimento estrangeiro em ações brasileiras ficou positivo em 3,316 bilhões de dólares em janeiro, mas abaixo dos 4,294 bilhões de dólares para o mesmo período do ano passado. Em relação aos papéis negociados no exterior, o investimento estrangeiro ficou negativo em 7 milhões de dólares no mês passado.

Endividamento – Ainda segundo nota do BC, a estimativa para a dívida externa brasileira em janeiro de 2013 é de 317,816 bilhões de dólares. Em dezembro de 2012, esse saldo era estimado em 316,740 bilhões de dólares. No fim de 2011, estava em 298,204 bilhões de dólares. A dívida externa de longo prazo atingiu 280,4 bilhões de dólares, enquanto o estoque de curto prazo foi estimado em 37,4 bilhões de dólares para o mês passado.

Segundo o BC, entre os principais fatores de variação da dívida externa de longo prazo destacaram-se as captações líquidas de empréstimos tomados pelo setor bancário (832 milhões de dólares), a emissão líquida de títulos pelo setor não financeiro (461 milhões de dólares), e as amortizações líquidas de títulos pelo setor financeiro (261 milhões de dólares). A variação por paridades ampliou o estoque de endividamento externo de longo prazo em 345 milhões de dólares.

(com agência Reuters e Estadão Conteúdo)