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Com renovação, Eletrobras já vislumbra perdas de R$ 17,8 bi

Declaração foi feita nesta segunda-feira pelo diretor financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Armando Casado de Araújo

A Eletrobras admitiu que pode ter novas perdas contábeis quando lançar no balanço ativos não envolvidos na renovação antecipada das concessões com vencimento entre 2015 e 2017, disse um executivo da companhia nesta segunda-feira. Em documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na sexta-feira, em que convocou acionistas para uma assembleia em 3 de dezembro para deliberar sobre a proposta do governo de renovação antecipada e condicionada de concessões do setor elétrico, a Eletrobras informou que deve reconhecer perda de ativos da ordem de 17,8 bilhões de reais.

“Podemos ter perdas maiores do que as consideradas até agora se fizermos o impairment (teste de perda de valor contábil de ativos) para ativos não incluídos na renovação antecipada”, afirmou o diretor financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Armando Casado de Araújo, em teleconferência com analistas.

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Além disso, a empresa estimou que terá receita 8,7 bilhões de reais menor, também contemplando os termos da proposta de renovação antecipada do governo. Apesar das perdas, a Eletrobras, que é controlada pelo governo federal, não pretende questionar nenhum ponto da Medida Provisória que estabeleceu as regras da renovação dos contratos.

Araújo afirmou que as perdas relacionadas ao processo podem levar a companhia a não pagar dividendos aos acionistas preferencialistas referentes ao exercício de 2012. No documento de convocação para assembleia, a empresa informou que deve lançar no balanço de 2012 as perdas com o processo de renovação antecipada, caso ela seja aprovada. Do contrário, o valor será lançado como provisão.

A diretoria da Eletrobras recomendou aos acionistas que aceitem a proposta de renovação feita pelo governo. Segundo Araújo, a companhia não levou em conta na orientação os ganhos de escala ou a remuneração de reinvestimentos nos ativos.

Mercado financeiro – As ações da companhia tinham outra sessão de perdas pesadas na Bovespa após a conversa do executivo com analistas. Às 15h20, a ação preferencial classe B da empresa tombava 10,6%, a 10,37 reais. No mesmo instante, o Ibovespa subia 1,0%.

Recuperação – O executivo disse ainda que a Eletrobras continuará investindo, mas que precisará de garantias da União para contratar novos financiamentos. Para fazer frente à perda de receita causada pela renovação das concessões, a Eletrobras precisará passar por uma reformulação geral, incluindo reestruturação da gestão e ganho de escala.

“É uma reestruturação forte em cada empresa… tem que apertar mesmo o sapato. Queremos mexer nessa parte da gestão, de ganho de escala, de melhorias na operação e na manutenção”, disse Araújo. O executivo admitiu que as distribuidoras controladas pelo grupo –e que acumulam prejuízos– terão de passar por uma “reestruturação forte”. “Com certeza, teremos de fazer alguma mudança nas distribuidoras”, disse.

A Eletrobras controla seis distribuidoras nas regiões Norte e Nordeste. As perdas causadas pela renovação antecipada e pela redução de tarifas das concessões de geração e transmissão levaram a estatal a estudar a possibilidade de vender as distribuidoras que estão no vermelho, como haviam antecipado à Reuters duas fontes a par do assunto.

(com Reuters)