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China corta taxa de juros de referência pelo 2º mês seguido

Queda foi tímida, de 4,25% para 4,20% ao ano; preocupação é estimular a economia em meio a guerra comercial contra os EUA

O Banco Central da China anunciou nesta sexta-feira, 20, o corte na taxa de juros de referência. Foi o segundo corte consecutivo da autoridade monetária, que tentar reduzir os custos de empréstimos e apoiar a economia enquanto a guerra comercial entre o país e os Estados Unidos se arrasta.

O corte foi tímido, de 0,05 ponto porcentual, passando de 4,25% para 4,2% ao ano. A medida foi muito mais branda do que as flexibilizações de política monetária do Federal Reserve (Fed) e do Banco Central Europeu (BCE) deste mês, sugerindo que os formuladores de política monetária da China continuam relutantes em se juntar a uma onda de estímulo global devido a preocupações com o aumento da dívida. No Brasil, o Comitê de Política Monetária cortou de 6% para 5,5% a Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, o menor da série histórica.

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A China mudou em agosto a fórmula como são calculadas as taxas de juros da economia. O BC chinês explicou que as taxas de juros de referência serão substituídas pelas taxas de empréstimos oferecidos pelos bancos comerciais do país aos seus clientes. O custo de empréstimo dos bancos é chamado de “taxa de empréstimo prime (LPR, da sigla em inglês)”. A alteração, inicialmente, permitiu uma redução na taxa de juros de 4,31% para 4,25%. Agora, o patamar é de 4,20%. 

Ainda assim, analistas dizem que a restrição de Pequim está sendo posta à prova, já que a piora dos dados econômicos em agosto levantou temores de que o crescimento no terceiro trimestre poderia cair abaixo de 6%, aquém do limite inferior da meta do governo para 2019.

Com as tarifas mais altas dos EUA se aproximando, muitos observadores da China acreditam que medidas mais vigorosas serão necessárias em breve para evitar uma desaceleração mais acentuada.

O aumento da atividade econômica, porém, deve ser leve. O corte baixo reflete as preocupações de autoridades chinesas de que crédito muito mais barato poderia levar a investimentos improdutivos e bolhas no mercado imobiliário. De fato, a taxa de referência de cinco anos, que provavelmente será usada para hipotecas, permaneceu inalterada em 4,85%.

“Como a nova taxa é relativamente não testada, o PBOC (Banco do Povo da China, o BC chinês) parece estar adotando uma abordagem calculada no início”, disse em nota Julian Evans-Pritchard, economista sênior para a China na Capital Economics.

“No entanto, como a atividade econômica provavelmente sofrerá mais pressão nos próximos trimestres e a flexibilização monetária até agora não gerou uma recuperação considerável no crescimento do crédito, acreditamos que o PBOC precisará começar a projetar quedas maiores em breve.”

(Com Reuters)