Brasil não soube aproveitar oportunidades da crise passada, diz Dilma

Sem criticar diretamente as medidas adotadas pelo ex-presidente Lula em 2008 e 2009, a presidente Dilma Rousseff afirmou que, desta vez, será diferente

Por Adriana Caitano - 30 set 2011, 15h54

A presidente da República, Dilma Rousseff, afirmou nesta sexta-feira que o Brasil não soube aproveitar as oportunidades surgidas diante da crise econômica mundial de 2008 e 2009. Em discurso a empresários no Fórum Exame, em São Paulo, ela declarou em diversos momentos, sem criticar diretamente as medidas adotadas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na época, que “desta vez” isso não irá acontecer.

O tema da palestra da presidente era a estratégia do governo para enfrentar o atual aprofundamento da crise mundial. “O Brasil não pode, desta vez, errar na avaliação do que vai acontecer aqui como repercussão do que ocorre lá fora. Não é admissível que, diante da recessão, nós aqui sigamos sem levar isso em conta”, destacou.

Dilma afirmou que o Brasil conseguirá criar oportunidades de crescimento diante dos problemas econômicos pelos quais os países desenvolvidos passam. “Crise e oportunidade sempre vieram juntas e casadas. E esta é a nossa hora de oportunidade. Não em cima do sofrimento dos outros, mas para construir e nos fazer ocupar o lugar que merecemos”, acrescentou.

Protecionismo – Diante de empresários que já sentem os efeitos das medidas protecionistas do governo, em especial no setor automotivo, a presidente voltou a dizer que continuará a proteger a produção interna, numa referência explícita ao aumento do IPI para veículos importados. “Não vamos temer o vale-tudo do processo de competição internacional. Por isso, estamos construindo políticas que garantam a competitividade dos nossos produtos”, disse. A presidente reforçou o argumento de que o Planalto não irá tolerar “políticas cambiais irreais nem medidas protecionistas muito escancaradas”. “Nós queremos garantir que nossa competitividade real não seja manchada por mecanismos informais”, explicou.

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Novas queda dos juros – A decisão do Banco Central, no final de agosto, de reduzir a taxa básica de juros em 0,5 ponto porcentual – que angariou críticas da imprensa e do mercado por conta das suspeitas de que teria havido pressão do governo – também foi citada por Dilma. Ainda que analistas continuem preocupados com a redução dos juros num momento em que a inflação não dá sinais de trégua, a presidente deixou claro que sua expectativa é que se verifique um novo ciclo de queda. “Graças a nosso compromisso com a robustez fiscal, estamos abrindo espaço para que o BC, diante da crise, possa iniciar de forma cautelosa a redução taxa básica de juros”, afirmou.

Dilma, no entanto, fui cuidadosa ao tentar afastar a interpretação de que esta demanda seria uma ordem do Palácio do Planalto. “Não fazemos política dizendo que tem que baixar, mas baixa só se for possível. Quanto mais a deflação ameaçar a economia internacional, quanto mais a situação financeira ficar grave, desta vez vamos aproveitar”, declarou.

Infraestrutura – A presidente reconheceu ainda que o país tem problemas de investimento em algumas áreas, como energia, petróleo e aeroportos. “O governo federal tem de fazer aeroportos, mas não, sobretudo, para a Copa e as Olimpíadas. Temos de fazer para nós mesmos, para nosso cotidiano. Hoje estamos fazendo três aeroportos para 2041, outros até 2031”, afirmou.

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