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Bolsa sobe mais de 2% com otimismo na articulação da Previdência

Após reunião, Guedes e relator da proposta da reforma adotam tom conciliador; dólar bate nos R$ 4,12, mas recua e fecha estável nos R$ 4,10

Por André Romani Atualizado em 20 Maio 2019, 22h20 - Publicado em 20 Maio 2019, 18h35

O clima positivo entre o Congresso e o Executivo na articulação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados animou os investidores nesta segunda-feira, 20. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, subiu 2,17%, a maior valorização diária desde o dia 28 de março, fechando em 91.946 pontos. Já o dólar, em dia de leilões do Banco Central, ficou volátil por boa parte da segunda-feira, mas fechou quase estável, em leve alta de 0,1%, cotado a 4,10 reais para a venda.

O pregão do Ibovespa seguiu o padrão das últimas semanas. Ao mínimo sinal positivo ou negativo na articulação da reforma da Previdência, principal pauta para os investidores, o mercado reage. O foco, desta vez, foi o encontro do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, com o relator da proposta na Comissão Especial da reforma na Câmara, Samuel Moreira (PSDB-SP). O objetivo da reunião era tentar conter a fumaça criada pelo presidente do colegiado, Marcelo Ramos (PR-AM), de que um projeto alternativo seria proposto pelo Congresso. E, pelo menos na visão do mercado, parece ter funcionado, com Moreira e Guedes trocando elogios após o encontro.

As notícias elevaram as apostas dos investidores em uma aprovação da reforma da Previdência, segundo Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Investimentos. “Estão confiando que o governo vai conseguir organizar a base política em torno da reforma, com o relator e os líderes políticos sinalizando passos importantes”, analisa.

  • Ao final da reunião, Moreira disse que sentiu uma abertura dentro do governo para negociar as mudanças no texto. Segundo ele, mesmo que novas regras sejam propostas, elas terão como base a reforma proposta pelo governo e vão visar a um texto capaz de garantir economia de ao menos 1 trilhão de reais em uma década. “O [possível texto] substitutivo é um termo absolutamente técnico, não há novidade em relação a isso. Estamos trabalhando em cima do projeto que o governo enviou. Esse é o projeto, só tem esse projeto. Não há outro, e vamos continuar assim”, afirmou ele.  O relator disse ainda que pretende entregar seu parecer até 15 de junho.

    Do outro lado, Guedes também ressaltou a relação entre o governo e o Congresso. “Estamos confiantes no trabalho do relator e do Congresso e otimistas quanto ao compromisso de conseguirmos aprovar a reforma com a potência fiscal necessária para desbloquear o horizonte de investimentos no Brasil nos próximos dez, quinze anos”, disse o ministro.

    Dólar fecha estável em dia volátil

    Após chegar a 4,12 reais no começo do dia e atingir 4,08 reais horas depois, impulsionado pelos dois leilões da moeda anunciados pelo Banco Central na sexta-feira 17, o dólar fechou praticamente estável, em leve alta de 0,1%, cotado a 4,10 reais na venda.

    O pregão começou do mesmo modo que terminou na sexta-feira, com o dólar se valorizando frente ao real. Após os leilões do Banco Central, no entanto, a situação se reverteu. Ao todo, a arrecadação foi de 1,25 bilhão de reais, valor máximo, por dia, estipulado pelo BC para as ofertas desta semana. Novas sessões estão marcadas para terça e quarta-feira.

    Logo após os leilões, analistas do mercado financeiro consultados por VEJA afirmaram que, apesar de o valor leiloado nesta segunda-feira ser incomum e ter ajudado a valorizar o real diante do dólar, o efeito não deveria ser duradouro. E não foi. Horas depois, o câmbio já tinha revertido novamente a situação, puxado por algumas notícias positivas na reforma da Previdência, mas ainda apreensivo com o cenário político interno.

    Além disso, permanecem no radar as negociações entre China e Estados Unidos no exterior. Nesta segunda-feira, o Google suspendeu parte de seus negócios com a gigante chinesa de telecomunicação Huawei, dias depois de o presidente americano  Donald Trump ter assinado um decreto que atingiu fortemente a multinacional nos Estados Unidos, proibindo empresas do país de utilizarem equipamentos de telecomunicações estrangeiros que “coloquem em risco a segurança nacional”. A notícia gerou ainda mais tensão entre os dois países, que nas semanas anteriores impuseram tarifas um contra o outro.

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