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BC anuncia que não renovará programa de intervenção no câmbio

O programa tem vencimento em 31 de março e o mercado especulava se seria continuado ou não; com o anúncio, autoridade monetária deve suspender oferta de swaps

O Banco Central anunciou na noite desta terça-feira que não continuará com o programa de intervenção no mercado de câmbio. Criado em agosto de 2013, ele consiste na oferta de swaps cambiais, que equivale à venda de dólares no mercado futuro, e tem o objetivo de controlar a oscilação da moeda americana em períodos de instabilidade. O programa tem vencimento em 31 de março e o mercado especulava se seria continuado ou não. Parte da alta do dólar nas últimas semanas é atribuída à especulação sobre a continuidade da intervenção do BC.

Em nota, a autoridade monetária afirmou que não deve continuar o programa, mas que os swaps cambiais que vencem a partir de 1º de maio de 2015 serão renovados integralmente. O BC disse ainda que os leilões de venda de dólares com compromisso de recompra continuarão a ser realizados. O texto mostra que o BC não descarta a realização de novas operações de intervenção cambial, se julgar necessário.

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Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, nesta terça-feira, o presidente do BC, Alexandre Tombini, sinalizou que o programa não deveria ser ampliado. Tombini afirmou que o programa de intervenções no câmbio é importante em um momento de normalização da política monetária norte-americana, mas, ao mesmo tempo, repetiu que os estoques de swaps que estão atualmente no mercado já eram suficientes. A maior parte dos agentes financeiros consultados acreditaram que a interpretação mais plausível era de que o BC acabaria com as intervenções diárias.

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No início, a chamada “ração diária” de dólares injetava 2 bilhões de dólares no mercado semanalmente. Atualmente, o volume do programa é de 500 milhões de dólares por semana.

Especialistas afirmam que parte da alta do dólar nas últimas semanas se deve às incertezas sobre a manutenção do programa de compras. Nesta terça, após a fala de Tombini no Senado, o dólar recuou 0,57% a 3,12 reais.