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Banco Central corta a Selic pela quarta vez seguida, e taxa vai a 14%

Decisão, anunciada pela diretoria do BC nesta quarta-feira, foi unânime e, diferente de outras anteriores, não deu dicas de qual pode ser o próximo passo

Por Juliana Elias Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 ago 2026, 18h36 | Atualizado em 6 ago 2026, 15h19
Banco Central corta a Selic pela quarta vez seguida, e taxa vai a 14% Priorizar nos meus resultados Google

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou no início da noite desta quarta-feira, 5, um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, a taxa de juros de referência da economia brasileira. Com isso, a Selic passa de 14,25% para 14% ao ano. Trata-se da quarta redução consecutiva promovida pelo colegiado, que é formado pelos diretores do BC e se reúne a cada 45 dias para decidir se corta, aumenta ou mantém os juros.

A decisão pelo corte de 0,25 ponto foi unânime entre os sete integrantes do Copom, chefiado pelo presidente Gabriel Galípolo. Contudo, diferentemente de boa parte das decisões mais recentes, não deixou nenhuma indicação de qual pode ser o próximo passo do comitê em sua decisão de setembro ou as seguintes (o chamado “forward guidance”).

Em seu comunicado, o Banco Central mencionou o alto nível de incertezas, bem como as diversas pressões que existem hoje e podem levar a inflação tanto para cima quanto para baixo, o que dificulta a tarefa de fazer previsões ou de se antecipar às futuras decisões.

“O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, diz o documento. “Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta.”

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Do lado inflacionário, o Copom mencionou os riscos associados a possíveis novos choques de preços relacionados aos conflitos geopolíticos internacionais, à inflação persistente do serviços no Brasil e os “estímulos à demanda e ao consumo”, neste caso domésticos, que também dificultam o enfraquecimento da inflação. Do outro lado, uma desaceleração econômica já em curso no Brasil e também no mundo, além da possibilidade de que o preço do petróleo e de outros produtos voltem a cair a depender dos desdobramentos no Oriente Médio, são fatores que podem acabar levando a uma surpresa de redução nos preços ,de acordo com a análise.

A Selic vem caindo desde março, quando estava no pico de 15%, o que faz do Brasil um dos poucos países no mundo que estão cortando juros neste ano, em meio à crise inflacionária deflagrada globalmente com os choques causados pelo estouro da guerra do Irã, no início deste ano.

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A redução, dado que o Brasil já parte de uma das taxas de juros mais altas do mundo, já era amplamente esperada pelo mercado. Ela acontece em um momento em que a inflação dá sinais de alívio, abrindo um pequeno espaço para que o Copom pudesse seguir afrouxando a política monetária – embora o nível dos juros ainda siga bastante alto e continue tendo efeitos esperados de esfriamento dos investimentos e do crescimento. Em julho, o IPCA-15, que é a prévia da inflação para o mês, perdeu força e ficou perto de zero.

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