Mercado espera corte de 0,25 ponto na Selic nesta quarta-feira
Pesquisa da XP mostra consenso pela redução dos juros para 14% ao ano, mas economistas ainda veem pouco espaço para novos cortes
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia nesta quarta-feira, 5, sua nova decisão sobre a taxa básica de juros. A expectativa predominante no mercado financeiro é de redução de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic dos atuais 14,25% para 14% ao ano.
O corte é consenso entre os 68 investidores institucionais ouvidos em uma pesquisa da XP realizada entre 31 de julho e 4 de agosto. O levantamento reuniu gestores de recursos, economistas e consultores. Em média, os participantes atribuíram probabilidade de 86% a uma redução de 0,25 ponto nesta reunião.
O percentual é inferior aos 94% indicados pelo mercado de opções na tarde de terça-feira, mas mostra que uma eventual manutenção da Selic seria recebida como surpresa. Nenhum dos entrevistados pela XP apontou outro resultado como sua principal expectativa.
O consenso sobre o que o Banco Central provavelmente fará, porém, não se repete quando a pergunta é sobre qual seria a decisão mais adequada. Segundo o levantamento, 65% defendem um corte de 0,25 ponto, enquanto 31% acreditam que os juros deveriam permanecer no nível atual.
A divisão é maior entre os economistas. Nesse grupo, 54% consideram mais apropriado manter a Selic em 14,25% ao ano. Entre gestores e operadores de mercado, apenas 15% defendem a manutenção.
A cautela está relacionada principalmente ao comportamento da inflação e às incertezas para os próximos meses. O mercado espera que a projeção do Banco Central para o IPCA no horizonte relevante da política monetária, atualmente o primeiro trimestre de 2028, fique próxima da meta de 3%.
Na pesquisa da XP, 63% dos participantes projetam que o Banco Central apresentará uma estimativa de inflação de 3,2% para o período. Outros 19% esperam uma projeção de 3,1% ou menos, enquanto 18% calculam uma taxa de 3,3% ou mais.
Esse número será importante para determinar o tom do comunicado divulgado depois da reunião. Uma projeção próxima da meta pode abrir espaço para que o Copom sinalize a possibilidade de novos cortes. Uma estimativa mais elevada, por outro lado, reforçaria a necessidade de cautela na condução dos juros.
O C6 Bank também espera uma redução de 0,25 ponto nesta quarta-feira. A economista Claudia Moreno avalia que a projeção de inflação do Banco Central deverá ficar próxima da meta, permitindo a diminuição da Selic.
A instituição, no entanto, considera limitado o espaço para a continuidade do ciclo de cortes. A expectativa é que a taxa termine 2026 em 14% ao ano, o que significaria que a redução desta quarta-feira seria a última do ano.
Os dados recentes de atividade econômica reforçam a percepção de desaceleração gradual. A produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho na comparação com maio, queda maior do que a projetada pelo C6 Bank, que esperava baixa de 1,1%. Foi o segundo resultado negativo consecutivo do indicador.
A retração atingiu 16 das 25 atividades industriais pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Todas as quatro grandes categorias econômicas apresentaram queda, incluindo os bens de capital, mais sensíveis aos juros elevados por reunirem máquinas e equipamentos utilizados na produção.
Para Moreno, o desempenho mais fraco da indústria confirma a perda gradual de ritmo da economia. A desaceleração, porém, convive com um mercado de trabalho ainda aquecido, crescimento da renda e medidas de estímulo ao crédito promovidas pelo governo.
Essa combinação ajuda a explicar a cautela em relação aos próximos passos do Banco Central. Juros menores podem favorecer o consumo e os investimentos, mas uma redução mais intensa também pode dificultar a convergência da inflação para a meta.
Para a reunião de setembro, 75% dos investidores consultados pela XP esperam outro corte de 0,25 ponto, enquanto 24% projetam a manutenção da Selic. Quando questionados sobre as probabilidades, porém, os participantes atribuíram chance média de 58% a uma nova redução e de 34% à estabilidade.
Além dos dados correntes de inflação e atividade, o Copom deverá considerar riscos para os preços em 2027. Entre eles estão os possíveis efeitos do El Niño sobre os alimentos e as discussões sobre o fim da escala de trabalho de seis dias por um de descanso, que podem elevar os custos das empresas.







