ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Mercado espera corte de 0,25 ponto na Selic nesta quarta-feira

Pesquisa da XP mostra consenso pela redução dos juros para 14% ao ano, mas economistas ainda veem pouco espaço para novos cortes

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 ago 2026, 09h08
Mercado espera corte de 0,25 ponto na Selic nesta quarta-feira Priorizar nos meus resultados Google

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia nesta quarta-feira, 5, sua nova decisão sobre a taxa básica de juros. A expectativa predominante no mercado financeiro é de redução de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic dos atuais 14,25% para 14% ao ano.

O corte é consenso entre os 68 investidores institucionais ouvidos em uma pesquisa da XP realizada entre 31 de julho e 4 de agosto. O levantamento reuniu gestores de recursos, economistas e consultores. Em média, os participantes atribuíram probabilidade de 86% a uma redução de 0,25 ponto nesta reunião.

O percentual é inferior aos 94% indicados pelo mercado de opções na tarde de terça-feira, mas mostra que uma eventual manutenção da Selic seria recebida como surpresa. Nenhum dos entrevistados pela XP apontou outro resultado como sua principal expectativa.

O consenso sobre o que o Banco Central provavelmente fará, porém, não se repete quando a pergunta é sobre qual seria a decisão mais adequada. Segundo o levantamento, 65% defendem um corte de 0,25 ponto, enquanto 31% acreditam que os juros deveriam permanecer no nível atual.

A divisão é maior entre os economistas. Nesse grupo, 54% consideram mais apropriado manter a Selic em 14,25% ao ano. Entre gestores e operadores de mercado, apenas 15% defendem a manutenção.

Continua após a publicidade

A cautela está relacionada principalmente ao comportamento da inflação e às incertezas para os próximos meses. O mercado espera que a projeção do Banco Central para o IPCA no horizonte relevante da política monetária, atualmente o primeiro trimestre de 2028, fique próxima da meta de 3%.

Na pesquisa da XP, 63% dos participantes projetam que o Banco Central apresentará uma estimativa de inflação de 3,2% para o período. Outros 19% esperam uma projeção de 3,1% ou menos, enquanto 18% calculam uma taxa de 3,3% ou mais.

Esse número será importante para determinar o tom do comunicado divulgado depois da reunião. Uma projeção próxima da meta pode abrir espaço para que o Copom sinalize a possibilidade de novos cortes. Uma estimativa mais elevada, por outro lado, reforçaria a necessidade de cautela na condução dos juros.

Continua após a publicidade

O C6 Bank também espera uma redução de 0,25 ponto nesta quarta-feira. A economista Claudia Moreno avalia que a projeção de inflação do Banco Central deverá ficar próxima da meta, permitindo a diminuição da Selic.

A instituição, no entanto, considera limitado o espaço para a continuidade do ciclo de cortes. A expectativa é que a taxa termine 2026 em 14% ao ano, o que significaria que a redução desta quarta-feira seria a última do ano.

Os dados recentes de atividade econômica reforçam a percepção de desaceleração gradual. A produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho na comparação com maio, queda maior do que a projetada pelo C6 Bank, que esperava baixa de 1,1%. Foi o segundo resultado negativo consecutivo do indicador.

Continua após a publicidade

A retração atingiu 16 das 25 atividades industriais pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Todas as quatro grandes categorias econômicas apresentaram queda, incluindo os bens de capital, mais sensíveis aos juros elevados por reunirem máquinas e equipamentos utilizados na produção.

Para Moreno, o desempenho mais fraco da indústria confirma a perda gradual de ritmo da economia. A desaceleração, porém, convive com um mercado de trabalho ainda aquecido, crescimento da renda e medidas de estímulo ao crédito promovidas pelo governo.

Essa combinação ajuda a explicar a cautela em relação aos próximos passos do Banco Central. Juros menores podem favorecer o consumo e os investimentos, mas uma redução mais intensa também pode dificultar a convergência da inflação para a meta.

Continua após a publicidade

Para a reunião de setembro, 75% dos investidores consultados pela XP esperam outro corte de 0,25 ponto, enquanto 24% projetam a manutenção da Selic. Quando questionados sobre as probabilidades, porém, os participantes atribuíram chance média de 58% a uma nova redução e de 34% à estabilidade.

Além dos dados correntes de inflação e atividade, o Copom deverá considerar riscos para os preços em 2027. Entre eles estão os possíveis efeitos do El Niño sobre os alimentos e as discussões sobre o fim da escala de trabalho de seis dias por um de descanso, que podem elevar os custos das empresas.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).