Só seis países vão cortar juros até o fim de 2026, e o Brasil é um deles, diz Goldman Sachs
Relatório atualizou as projeções para as taxas de juros a serem decididas por 37 bancos centrais das maiores economias do mundo
Não está fácil perseguir juros baixos em todo o mundo, enquanto a inflação local e global sofre ainda com os reflexos da guerra dos Estados Unidos contra o Irã, no Oriente Médio, deflagrada em fevereiro deste ano e que fez disparar o preço do petróleo e de vários outros produtos que dependem da região.
É por conta disso que a maioria dos bancos centrais está dividida entre subir ou, com sorte, manter a taxa de juros de referência de seus países. É esta a realidade para 31 de 37 das maiores economias globais, de acordo com projeções feitas pelo Goldman Sachs, um dos maiores bancos do mundo.
O total de 37 observações inclui a União Europeia, que, por sua vez, reúne 27 países, mas tem a moeda e sua autoridade monetária – o Banco Central Europeu – unificadas.
Apenas seis desses quase 40 países devem terminar o ano de 2026 com os juros menores do que a taxa atual – e o Brasil é um deles. O país é também o único dentre as principais economias da América Latina que ainda deve assistir a um corte de juros neste ano. No Chile, no México e no Peru eles devem ficar parados, pelas expectativas do Goldman Sachs, e, na Colômbia, a projeção é de aumento.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro se reúne e anuncia na próxima quarta-feira, 5, sua nova decisão sobre a Selic, a taxa básica de juros do Brasil. Com os piores momentos da inflação começando a passar, a expectativa ampla dos economistas é de que, mesmo sob pressões de alta externas e internas, o Copom deve ter espaço para fazer mais um pequeno corte na Selic. Ela está atualmente em 14,25%, e deve ser cortada em 0,25 ponto nesta quarta-feira, para 14%, de acordo com a maior parte das projeções.
Cazaquistão, Hungria, Hong Kong, Rússia e Israel são as outras economias, além do Brasil, onde os bancos centrais ainda devem cortar a taxa de juros. As reduções também não chegarão ainda a nenhum dos países desenvolvidos.
Dos demais, 21 devem manter a taxa de juros parada até o fim de 2026 e nove devem ainda fazer novos aumentos. Na média, a taxa de juro de todos eles vai subir de 4,6%, hoje, para 4,7% ao fim de 2026. As estimativas levam em consideração as projeções do Goldman Sachs para o que cada país deve fazer com sua política monetária até o fim do ano.
“Os bancos centrais ficaram mais agressivos por conta da guerra no Irã”, disse o banco em um relatório a clientes na segunda-feira, 3. “Nas economias desenvolvidas, nenhum banco central cortou juros e 39% deles aumentaram a taxa nos últimos três meses. Nas economias emergentes, 16% cortaram e 13% aumentaram nesse mesmo período. ”
Entre as razões que permitem ao Brasil estar alguns passos à frente nessa direção está o fato de o Brasil já ter subido muito a sua taxa no ano passado. Não à toa, dentre as 37 economias da lista, ele tem atualmente o quinto juro mais alto. É um patamar altamente restritivo, quer dizer, alto o bastante para sufocar a economia, e que, por essa razão, de acordo com os analistas, deixou alguma gordura extra para ser cortada agora.







