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Ajuda do BCE acaba se países não respeitarem condições

Representantes do órgão admitem, no entanto, o risco de as medidas de austeridade minarem desempenho econômico e piorarem situação dos estados

Por Da Redação 10 out 2012, 11h40

O Banco Central Europeu (BCE) interromperá a ajuda aos países em dificuldades da zona do euro caso não respeitem as condições que lhes forem impostas, declarou nesta quarta-feira Christian Noyer, membro do conselho de ministros da instituição.

Diante da crise da dívida, o BCE anunciou em setembro um novo programa de compra ilimitada de títulos da dívida das nações em dificuldades, que concordaram, em troca, em implantar medidas para sanear suas finanças. “Está claro que se um país sai do caminho traçado, o programa será interrompido” declarou Noyer em Tóquio, onde participa da assembleia anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. “Se o programa for interrompido, o país deverá encontrar uma maneira de voltar ao caminho correto, eventualmente com uma intervenção do FMI”, explicou.

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Economia – Vitor Constancio, vice-presidente do BCE, alertou ainda que os governos europeus devem acompanhar atentamente os planos sobre cortes no orçamento para se certificar de que não prejudicarão muito o crescimento, embora alguns países não tenham escolha a não ser avançar urgentemente com profundos cortes

“Alguns países perderam o acesso ao mercado e não têm opção a não ser buscar a consolidação no curto prazo”, afirmou o dirigente do BCE. Ele acrescentou, contudo, que as nações nas quais há mais margem de manobra por parte dos investidores devem ter cuidado para que a austeridade não prejudique demais a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) e torne as metas orçamentárias ainda mais difíceis de serem alcançadas.

Ignazio Visco, presidente do Banco Central da Itália e membro do conselho do BCE, alertou que cortes mal feitos no orçamento minarão a credibilidade com os mercados. Ele disse que a falta de confiança nos esforços para reduzir os níveis da dívida e do déficit orçamentário estavam contribuindo para os atuais problemas na zona do euro. “Isso é claramente algo para ser trabalhado.”

Espanha – O conselheiro financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI), José Vinals, afirmou que o fundo está animado com as medidas adotadas pelo governo espanhol para reduzir seu déficit orçamentário. Ele acrescentou que cabe a Madri decidir se pedirá um resgate internacional.

“Se a Espanha pedirá a ativação do programa (Transações Monetárias Diretas, OMT) é algo que cabe às autoridades espanholas. Estamos animados de qualquer maneira porque a Espanha está tomando decisões políticas importantes”, disse Vinals. A Espanha é um dos principais problemas da eurozona na atualidade. Na segunda-feira, a Andaluzia foi a sexta região autônoma espanhola a pedir ajuda ao governo central para sanar suas dívidas.

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(com Agence France-Presse, Agência Estado e Reuters)

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