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Tereza Cristina influencia nova postura do Itamaraty sobre o clima

Ministra da Agricultura foi responsável por alinhar discurso em cúpula organizada por Joe Biden para debater mudanças climáticas — e está otimista

Por Victor Irajá Atualizado em 13 abr 2021, 17h23 - Publicado em 13 abr 2021, 12h10

Fato raríssimo ao anteceder grandes eventos internacionais, o ambiente nos gabinetes do Ministério da Agricultura expira tranquilidade. A ministra Tereza Cristina viu com ótimos olhos a mudança de comando no Itamaraty, com a troca de Ernesto Araújo e a posse de Carlos Alberto França como novo chanceler. Agora, às vésperas da Cúpula do Clima, que será realizada virtualmente entre os próximos dias 22 e 23, Tereza dorme tranquila com as diretrizes alinhadas junto ao novo chanceler — o que jamais acontecera durante a gestão de Araújo.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, convidou o presidente Jair Bolsonaro para o encontro organizado pela Casa Branca. Antes esnobado pelo Palácio do Planalto, o evento é visto como uma oportunidade para melhorar a imagem do país no exterior, estreitar as relações com os Estados Unidos e evitar a fuga de investimentos do país. 

Empossado no último dia 6, o novo ministro das Relações Exteriores já teve mais encontros e reuniões com a chefe da Agricultura do que o antecessor, segundo auxiliares da ministra. Vale lembrar que Araújo estava no posto desde o início do governo, em janeiro de 2019. Um dos únicos remanescentes da chamada ala ideológica do governo, o ex-chanceler e a ministra não se davam bem. Tereza, por sinal, era encarregada de levar a diplomacia nas costas, paralelamente aos descaminhos de Ernesto Araújo no Itamaraty. Ela era chamada de “chanceler informal” por colegas de Esplanada dos Ministérios. 

  • Apesar de já terem protagonizado discordâncias, Tereza Cristina e Ricardo Salles vêm se entendendo melhor. Auxiliares da ministra veem uma mudança de atitude do titular do Meio Ambiente em meio às pressões do Centrão. Junto a França, a dupla Tereza e Salles alinhou os discursos para aplainar as críticas à sustentabilidade do agronegócio brasileiro e a desinformação dos estrangeiros em relação à produção brasileira. Ela não comparecerá ao evento organizado por Biden. 

    Meio Ambiente

    Apesar da melhora nas relações, o ministro do Meio Ambiente vem sendo alvo de críticas nas redes sociais graças às costuras junto aos Estados Unidos por recursos para a preservação da Amazônia. Em entrevista ao jornal O Globo, Salles afirmou que solicitou 1 bilhão de dólares para reduzir o desmatamento da região em 40% em um ano. O plano será apresentado durante a Cúpula do Clima. O acordo pleiteado pelo governo brasileiro representa uma mudança de estratégia. No ano passado, ainda durante a campanha para a Casa Branca, Joe Biden afirmou que repassaria 20 bilhões de dólares ao Brasil para que o país preservasse suas florestas. Foi desancado por Salles e Bolsonaro. “Nossa soberania é inegociável”, escreveu Bolsonaro no Twitter, na ocasião. Os fatos mostram que há espaços para negociações.

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