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Se Luna mudar rumo da Petrobras, serei o primeiro a sair, diz conselheiro

Representante dos acionistas minoritários no conselho da petrolífera, Marcelo Mesquita acredita que ainda não há motivos para mover ações contra empresa

Por Felipe Mendes Atualizado em 1 mar 2021, 09h47 - Publicado em 26 fev 2021, 11h04

Conselheiro independente da Petrobras, Marcelo Mesquita não crê (ou, pelo menos, reluta a tal) que a petrolífera mudará seu plano de reestruturação, com a venda de ativos considerados não-estratégicos (como a maioria de suas refinarias), sob comando do general Joaquim Silva e Luna, indicado pelo governo ao cargo de presidente, que será vago com a saída de Roberto Castello Branco, em 20 de março. Caso a linha da empresa mude, ele ameaça ‘fazer um escarcéu’. “Se a empresa resolver não seguir a qualidade de gestão implementada pelo Roberto, se mudar o plano estratégico e der uma guinada em função da mudança de CEO, eu vou ser o primeiro a pular fora”, diz ele. “O conselho não vai aceitar mexer no plano de reestruturação da companhia. Se algo do tipo acontecer, eu vou votar contra e fazer um escarcéu.”

Em sua visão, o presidente Jair Bolsonaro, que ameaçou intervir na política de preços de combustíveis da companhia, decidiu tomar mais cuidado com suas falas nos últimos dias. A Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, abriu processo para investigar os depoimentos do presidente da República, que acusou Castello Branco de estar há 11 meses “sem trabalhar” e afirmou que “tem problema” na gestão da companhia. “Eu acho que ele deve ter assessores que devem estar colocando um freio. Eu espero que depois de toda essa gritaria que houve, ele entenda que há limites institucionais. Ninguém pode tudo nesse país”, afirma.

Sobre as ações judiciais preparadas por investidores minoritários, atônitos com a perda de capital acumulada nos últimos pregões do mercado de ações, ele disse ser muito cedo para tomar medidas extremas. “Essas ações são totalmente infundadas neste momento. Ainda não há fato que justifique isso. Até agora o Bolsonaro não conseguiu interferir na empresa. Se o Castello Branco tivesse atendido aos pedidos do Bolsonaro, assim como a Graça Foster fazia com a Dilma e o Gabrielli com o Lula, aí sim teria razão para uma class action“, disse.

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