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Por que o Facebook se tornou um gigante

Há uma mente genial por trás da rede. E também apostas corajosas, como a de permitir que desenvolvedores independentes criem aplicativos

Os segredos do sucesso do Facebook não podem ser reduzidos a uma receita de bolo. Ocupar o posto de maior rede social do mundo é consequência da realização de um conjunto de ideias, desenvolvidas vagarosamente pela mente genial de um jovem de vinte e poucos anos: Mark Zuckerberg.

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O site nasceu como uma rede concentrada na quase pueril tarefa de comparar as garotas da Universidade de Harvard. Devido ao sucesso, fazer parte da comunidade se tornou um anseio entre os estudantes. Primeiro em Harvard, em seguida em Stanford, Columbia, Yale e MIT. Esse foi o fator propulsor dos primeiros momentos da rede, nos Estados Unidos e Grã-Bretanha.

Mas o que de fato catapultou a rede, que já ultrapassou a marca de 500 milhões de usuários, foi a decisão de manter a sua API (application programming interface, ou interface de programação de aplicações) aberta a desenvolvedores independentes. “O Facebook foi uma das primeiras redes a permitir a criação de aplicativos baseados em seu código”, lembra Raquel Recuero, pesquisadora e professora da Universidade Católica de Pelotas, no Rio Grande do Sul. A estratégia permite que o site se renove à medida que mais desenvolvedores criam jogos, enquetes e outras aplicações de interação.

Segundo números oficiais, mais de um milhão de desenvolvedores de 180 países utilizam atualmente a plataforma aberta para criar diferentes ferramentas. Ao todo, a rede social acumula 550.000 aplicações, utilizadas mensalmente por 350 milhões de cadastrados. O sucesso da tática fez com que Orkut e MySpace, seus principais concorrentes, adotassem – com atraso – o mesmo plano de ação.

Outro acerto do Facebook foi apostar na comunicação entre usuários, em suas mais variadas formas: texto, foto, vídeo, chat, linha do tempo, sistema de geolocalização. Esse mix transformou a rede em um novo espaço de comunicação, que dispensa a adoção de similares. Gilson Schwartz, professor da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador da rede Cidade do Conhecimento, sintetiza: “O Facebook promove a convergência de tecnologias”.

Nem todas as inovações, é claro, brotam da cabeça de Zuckerberg. O último mas não menos importante talento do Facebook é reproduzir em seu ambiente (boas) ideias surgidas em outros serviços. Não é por acaso que o seu Feed de notícias (lista de atualizações dos amigos) guarda semelhanças com o Twitter, seu Places (sistema que informa a localização geográfica do usuário) é aparentando do Foursquare e o seu Messages (recurso que integra e-mail, SMS e chat) tem semelhanças com o Gmail. Há quem condene a prática de copiar ideias alheias. Zuckerberg parece ter inteligência suficiente para saber que isso, na verdade, é um talento.