Teste de vacina contra diabetes tipo 1 é bem-sucedido

Pesquisadores encontraram uma forma segura de 'ensinar' o sistema imunológico do paciente a não atacar as células produtoras de insulina, problema que caracteriza a doença. Uso clínico da vacina, porém, pode demorar

Uma equipe de pesquisadores parece ter conseguido desenvolver uma vacina capaz de domar o sistema imunológico de uma pessoa de forma a evitar que ele passe a atacar e destruir as células que produzem insulina – quadro que caracteriza o diabetes tipo 1. Ainda em testes iniciais, a vacina, caso prove ser eficaz e segura em estudos futuros, poderá ser a solução para retardar ou até mesmo evitar a doença. As descobertas foram publicadas nesta quarta-feira no periódico Science Translational Medicine.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Plasmid-Encoded Proinsulin Preserves C-Peptide While Specifically Reducing Proinsulin-Specific CD8+ T Cells in Type 1 Diabetes

Onde foi divulgada: periódico Science Translational Medicine

Quem fez: Bart O. Roep,Hideki Garren, Lawrence Steinman e outros

Instituição: Universidade Leiden, Holanda; Universidade de Washington, EUA; Universidade Stanford, EUA, e outras

Dados de amostragem: 80 pessoas maiores do que 18 anos

Resultado: A vacina desenvolvida parece ter preservado células produtoras de insulina em pacientes com diabetes tipo 1. Ao mesmo tempo, reduziu o número de células do sistema imunológico que atacam as células produtoras de insulina em pessoas com a doença.

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, ou seja, que ocorre quando o sistema imunológico do paciente passa a atacar o próprio organismo. No caso dessa condição, o sistema de defesa reconhece como inimigo e ataca células que produzem a insulina, hormônio que ajuda a glicose a sair da corrente sanguínea e entrar nas células, controlando a taxa de açúcar no sangue. Pessoas com essa doença precisam controlar seus níveis de glicose várias vezes ao dia, além de repor a insulina no organismo.

A busca por uma vacina que consiga controlar o sistema imunológico e evitar que ele ataque essas células não é algo recente. Segundo esse novo artigo, cientistas estudam uma forma de tornar isso possível há mais de 40 anos. Na maioria das tentativas, o que ocorreu foi que a terapia atacou todo o sistema de defesa do indivíduo, fragilizando a saúde do paciente e o tornando mais propenso a outras doenças, como o câncer, por exemplo.

Ação específica – A nova pesquisa foi feita por especialistas de instituições como a Universidade Leiden, na Holanda, e a Universidade Stanford, Estados Unidos. Segundo os autores, a vacina desenvolvida por eles é feita a partir de um pedaço de DNA geneticamente modificado para conter a resposta imunológica à insulina. A vacina foi criada para destruir apenas as células do sistema imunológico que são prejudiciais, deixando o restante do sistema de defesa intacto.

Leia também:

Equipe cria bomba de insulina que se aproxima de um pâncreas artificial

Experimento consegue eliminar sintomas do diabetes tipo 1

Menos de 20% dos brasileiros com diabetes tipo 1 fazem tratamento

Segura e eficaz – O teste da vacina envolveu 80 pessoas maiores do que 18 anos com diabetes tipo 1 que faziam tratamento com injeções de insulina. Parte delas recebeu doses dessa vacina e o restante, de placebo. Após 12 semanas recebendo uma dose de vacina ou placebo semanalmente, os pacientes do grupo da vacina ativa apresentaram sinais de que seu corpo estava preservando algumas das células produtoras de insulina no pâncreas sem efeitos adversos. Além disso, a nova vacina diminuiu o número de células do sistema de defesa responsáveis por matar as produtoras de insulina.

Lawrence Steinman, um dos autores do estudo, admite que a vacina está longe de ser comercializada, mas acredita que esses resultados são suficientes para que um estudo maior em torno do tratamento seja realizado futuramente. A ideia é que a vacina seja testada em 200 pessoas com diabetes tipo 1 para avaliar se ela pode parar a progressão da doença em pacientes jovens antes mesmo de a condição ter causado um dano maior à saúde.