No Brasil, diretora da OMS diz que luta contra o zika será longa

Margaret Chan se reuniu com a presidente Dilma e declarou que está 'confiante' na capacidade do país de combater a epidemia

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, iniciou nesta terça-feira sua visita ao Brasil para acompanhar as ações de combate ao vírus zika. Chan declarou que a luta contra a epidemia será “longa” e que ainda mais casos devem aparecer.

“O vírus zika é muito complicado, muito resistente, muito difícil”, disse a diretora da OMS em Brasília. “Aprendemos com a dengue e os surtos de chikungunya no passado e devemos esperar que surjam mais casos, devemos esperar que seja uma longa travessia.”

O Brasil se tornou o epicentro global de uma epidemia de zika que os especialistas relacionam ao aumento nos casos de microcefalia em bebês cujas mães contraíram o vírus. As autoridades brasileiras confirmaram 583 casos de bebês com microcefalia desde outubro, contra uma média anual de 150, e investigam outras 4.107 ocorrências, segundo dados do ministério da Saúde divulgados nesta terça.

Depois de reunião com a presidente Dilma Rousseff, a diretora-geral da OMS afirmou que está “confiante” de que o governo brasileiro vai conseguir garantir a segurança de turistas e atletas na Olimpíada do Rio. “O governo está trabalhando em conjunto com o movimento olímpico internacional, com o comitê organizador local e é apoiado pela OMS e a Organização Pan-Americana da Saúde para garantir que temos um plano muito bom para conter o mosquito vetor”, disse Chan. Nós “devemos garantir que as pessoas que venham para os Jogos, como turista, participante ou atleta tenham a máxima proteção que precisam.”

A menos de seis meses dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, o governo aposta no clima relativamente mais frio em agosto e na pulverização maciça para afastar os receios levantados pela epidemia. Em fevereiro, mais de 220.000 militares foram às ruas informar a população sobre como combater o mosquito Aedes aegypti.

Na quarta-feira, Margaret Chan viaja para o Nordeste, região que concentra 97% dos casos de zika, para visitar mães de bebês nascidos com microcefalia.

(Com agência France-Presse)