Médicos de Pernambuco paralisam atividades nesta terça

Os profissionais que trabalham em emergências manterão as atividades. Os médicos não atenderão consultas agendadas e cirurgias eletivas

Convocados pelo sindicato da categoria, os médicos de Pernambuco deverão paralisar suas atividades por 24 horas nesta terça-feira, 25, para protestar contra a proposta anunciada pela presidente Dilma Rousseff de contratar médicos estrangeiros. Segundo eles, a ideia é “eleitoreira, equivocada, provisória e danosa”, pois os profissionais estrangeiros não serão obrigados a comprovar qualificação e competência, para atender a população brasileira.

Os profissionais que trabalham nas urgências e emergências manterão as atividades. “Não é nosso interesse prejudicar ainda mais a população, o nosso objetivo é alertar a sociedade para esta proposta eleitoreira que só vai perpetuar a precariedade da assistência médica no interior do país”, afirmou o presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, Mário Jorge Lobo. Ele estima que a paralisação irá envolver cerca de 10.000 profissionais que deixarão de atender consultas agendadas e cirurgias programadas nas unidades de saúde municipais, estaduais e federais do estado. À tarde, será realizada uma assembleia na sede do sindicato que poderá decidir pela realização de uma passeata em área central do Recife.

Leia também:

O grande erro no pronunciamento de Dilma: prometer a ‘importação’ de médicos

Lobo destaca que a proposta da presidente põe em risco a saúde da população brasileira, ao receber profissionais sem avaliar sua competência, além de não estimular a melhora das condições de saúde no interior, já que os municípios não vão precisar investir na estrutura porque estará recebendo o serviço médico de graça. “Não foi para isso que nós, cidadãos, fomos às ruas”, frisou o presidente do sindicato, ao defender que 10% do PIB sejam investidos na saúde e que seja implementada uma política de recursos humanos no setor.

Lobo frisa que a classe não é contra a entrada de médicos estrangeiros, desde que eles tenham a qualidade de sua formação avaliada pelo programa Revalida – dos ministérios da Saúde e da Educação. Ele lembra que o Brasil só tem 1% dos seus médicos estrangeiros – contra 30% dos Estados Unidos, por exemplo – porque não há atrativos para os profissionais que vêm de fora.

(Com Estadão Conteúdo)