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Gripe aviária H7N9 é mais letal do que gripe suína, aponta estudo

Taxa de morte entre internados em hospitais por conta do vírus H7N9 é de 30%. Para infectados com H1N1, porcentagem cai para 21%

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Human infection with avian influenza A H7N9 virus: an assessment of clinical severity

Onde foi divulgada: periódico The Lancet

Quem fez: Hongjie Yu, Benjamin J Cowling, Luzhao Feng, Eric HY Lau, Qiaohong Liao, Tim K Tsang, Zhibin Peng, Peng Wu, Fengfeng Liu, Vicky J Fang, Honglong Zhang, Ming Li, Lingjia Zeng, Zhen Xu, Zhongjie Li, Huiming Luo, Qun Li, Zijian Feng, Bin Cao, Weizhong Yang, Joseph T Wu, Dr Yu Wang e Gabriel M Leung

Instituição: Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças e Universidade de Hong Kong, China

Dados de amostragem: 123 casos de pacientes internados e infectados pelo vírus H7N9

Resultado: O vírus apresentou uma taxa de mortalidade de 30%

Um estudo realizado por pesquisadores do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças e da Universidade de Hong Kong sugere uma nova percepção em relação ao vírus H7N9. Segundo o trabalho, publicado no periódico The Lancet na segunda-feira (24), o vírus H7N9, responsável por uma epidemia de gripe aviária ocorrida na China durante o início de 2013, apresenta uma letalidade maior que a do H1N1, causador da pandemia de gripe de 2009.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores analisaram informações fornecidas por uma rede que monitora dados da gripe na China. De acordo com essas informações, dos 123 pacientes internados em hospitais por conta do H7N9, 37 (30% do total) faleceram, enquanto 69 (56% do total) se recuperaram e 17 pessoas ainda estavam em tratamento na época da pesquisa, concluída no final de maio. Entre os pacientes infectados pelo vírus H1N1 e internados em hospitais, a porcentagem de mortes caiu para 21% dos casos.

Segundo Alexandre Naime, infectologista da Faculdade de Medicina da Unesp, porém, o estudo mostra que, embora os casos graves envolvendo o H7N9 sejam frequentes, o vírus ainda é menos letal que o H5N1, causador de uma epidemia de gripe aviária em 2003. De acordo com a pesquisa, a taxa de morte entre os internados pelo H5N1 foi de 60%, ou seja, o dobro da apresentada pelo H7N9. Apesar disso, é importante lembrar que os meios de transmissão dos dois vírus diferem entre si: enquanto o H5N1 pode ser transmitido apenas pelo contato direto com aves contaminadas ou seus excrementos, e a transmissão do vírus entre humanos acontece raramente, apenas por meio de contatos íntimos, o H7N9 é transmitido por via aérea, o que aumenta as chances de contágio entre humanos.

Nova epidemia – Os autores do trabalho ainda alertam para o risco de uma nova epidemia relacionada ao H7N9. Para eles, se o vírus seguir um padrão similar ao do H5N1, o H7N9 pode reaparecer ainda neste ano, durante o outono chinês, que começa em setembro.

“O verão já começou na China, e o calor está associado a uma drástica diminuição no número de casos, por conta dos meios de transmissão naquele país”, explica Alexandre Naime. “Porém, como já foi visto na epidemia de H5N1 em 2003, é provável que com a chegada do outono o vírus volte a ser veiculado. Portanto, os principais desafios das autoridades chinesas são definir medidas preventivas de saúde pública, como aumentar a vigilância em granjas de aves e aperfeiçoar o manejo clínico dos casos confirmados.”

Já em relação à comunidade internacional, Naime conta que a maior preocupação é a de que a nova epidemia possa atravessar as fronteiras da China e chegar aos países do Hemisfério Norte, assim que o frio atinja essas regiões.