Cigarro pode levar à gestação fora do útero

Risco é quatro vezes maior, devido à substância presente na fumaça do tabaco

“A pesquisa mostra que alguns componentes do cigarro penetram na corrente sanguínea e afetam partes aparentemente desconexas do corpo, como o sistema reprodutivo”

Os riscos do cigarro às grávidas são comumente conhecidos. Contudo, uma pesquisa recente alerta para um importante perigo: fumar durante a gestação aumenta em até quatro vezes as chances de o feto se desenvolver fora do útero. Na chamada gravidez ectópica, o bebê se desenvolve em uma das trompas, que não aguenta a pressão, causa hemorragia interna e se rompe, levando à morte prematura da criança e até a futuros problemas de fertilidade.

O estudo da Universidade de Edinburgh observou que uma substância encontrada na fumaça do tabaco, a cotinina, desencadeia uma reação adversa que aumenta a concentração da proteína PROKR1 nas trompas de Falópio. Em quantias normais, a proteína comanda a fixação correta do óvulo dentro do útero. A equipe de cientistas observou que as mulheres fumantes apresentam o dobro de PROKR1, o que impede que os músculos das trompas se contraiam, prejudicando a transferência do óvulo para a região uterina.

“A pesquisa mostra que alguns componentes do cigarro penetram na corrente sanguínea e afetam partes aparentemente desconexas do corpo, como o sistema reprodutivo”, afirma Andrew Horne, um dos responsáveis pela pesquisa, que foi publicada no American Journal of Pathology.